Preditores de remodelamento reverso e desfechos clínicos em pacientes com cardiomiopatia chagásica com fração de ejeção reduzida
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-26032026-170606/ |
Resumo: | A cardiomiopatia crônica da doença de Chagas (CCDC) representa uma das principais causas de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) na América Latina, sendo associada a elevada morbimortalidade, mesmo com o avanço no tratamento da insuficiência cardíaca. Apesar da reconhecida heterogeneidade fenotípica da CCDC, poucos estudos avaliaram a trajetória de remodelamento do ventrículo esquerdo (VE) ao longo do tempo nessa população. O remodelamento reverso (RR), definido como aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e redução dos diâmetros ventriculares, tem sido associado a melhor prognóstico em outras etiologias de ICFER, como a de origem isquêmica ou idiopática, mas sua relevância prognóstica e os fatores clínicos associados permanecem pouco explorados na CCDC. O objetivo principal deste estudo foi avaliar a associação entre RR e sobrevida livre de eventos (morte ou transplante cardíaco) em pacientes com CCDC e FEVE < 40%. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e unicêntrico, conduzido no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Foram incluídos pacientes ambulatoriais com diagnóstico confirmado de CCDC, com pelo menos dois ecocardiogramas transtorácicos realizados entre 2006 e 2021. Os pacientes foram categorizados em dois grupos com base na trajetória do remodelamento: RRP (remodelamento reverso positivo) e RRN (remodelamento reverso negativo). Em uma análise complementar, avaliou-se também a manutenção do remodelamento reverso, com definição do grupo RRM (remodelamento reverso mantido). Dos 1043 pacientes inicialmente incluídos, 221 apresentaram RRP. Foi realizado pareamento por escore de propensão (propensity score matching PSM) para controlar variáveis confundidores entre os grupos. Análises de Kaplan-Meier e modelos de riscos proporcionais de Cox foram aplicados para comparar desfechos clínicos entre os grupos. Após PSM, o grupo RRP apresentou sobrevida livre de eventos significativamente maior que o grupo RRN. A análise multivariada de Cox confirmou o RRP como preditor independente de melhor prognóstico. Foram identificados preditores clínicos e ecocardiográficos de RRP, incluindo menor diâmetro diastólico do VE, ausência de insuficiência mitral moderada ou importante, e não uso de terapia tripla no baseline. Um escore clínico preditor de RRP foi desenvolvido e validado na coorte total, apresentando boa acurácia (AUC 0,74). Por fim, observou-se que pacientes com RRP sustentado ao longo do tempo (grupo RR mantido) mantiveram prognóstico favorável em comparação aos demais. Os resultados sugerem que o RR, particularmente quando sustentado, pode ser um marcador prognóstico relevante na CCDC, refletindo potencial resposta à terapêutica otimizada e características clínicas favoráveis. Este estudo amplia o entendimento sobre a heterogeneidade da evolução da CCDC e aponta para novas possibilidades de estratificação de risco e individualização do cuidado em pacientes com essa condição negligenciada. |
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Preditores de remodelamento reverso e desfechos clínicos em pacientes com cardiomiopatia chagásica com fração de ejeção reduzidaPredictors of reverse remodeling and clinical outcomes in patients with Chagas cardiomyopathy with reduced ejection fractionCardiomiopatia chagásicaChagas cardiomyopathyEchocardiographyEcocardiografiaHeart failureInsuficiência cardíacaPrognosisPrognósticoRemodelamento reversoReverse remodelingA cardiomiopatia crônica da doença de Chagas (CCDC) representa uma das principais causas de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) na América Latina, sendo associada a elevada morbimortalidade, mesmo com o avanço no tratamento da insuficiência cardíaca. Apesar da reconhecida heterogeneidade fenotípica da CCDC, poucos estudos avaliaram a trajetória de remodelamento do ventrículo esquerdo (VE) ao longo do tempo nessa população. O remodelamento reverso (RR), definido como aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e redução dos diâmetros ventriculares, tem sido associado a melhor prognóstico em outras etiologias de ICFER, como a de origem isquêmica ou idiopática, mas sua relevância prognóstica e os fatores clínicos associados permanecem pouco explorados na CCDC. O objetivo principal deste estudo foi avaliar a associação entre RR e sobrevida livre de eventos (morte ou transplante cardíaco) em pacientes com CCDC e FEVE < 40%. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e unicêntrico, conduzido no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Foram incluídos pacientes ambulatoriais com diagnóstico confirmado de CCDC, com pelo menos dois ecocardiogramas transtorácicos realizados entre 2006 e 2021. Os pacientes foram categorizados em dois grupos com base na trajetória do remodelamento: RRP (remodelamento reverso positivo) e RRN (remodelamento reverso negativo). Em uma análise complementar, avaliou-se também a manutenção do remodelamento reverso, com definição do grupo RRM (remodelamento reverso mantido). Dos 1043 pacientes inicialmente incluídos, 221 apresentaram RRP. Foi realizado pareamento por escore de propensão (propensity score matching PSM) para controlar variáveis confundidores entre os grupos. Análises de Kaplan-Meier e modelos de riscos proporcionais de Cox foram aplicados para comparar desfechos clínicos entre os grupos. Após PSM, o grupo RRP apresentou sobrevida livre de eventos significativamente maior que o grupo RRN. A análise multivariada de Cox confirmou o RRP como preditor independente de melhor prognóstico. Foram identificados preditores clínicos e ecocardiográficos de RRP, incluindo menor diâmetro diastólico do VE, ausência de insuficiência mitral moderada ou importante, e não uso de terapia tripla no baseline. Um escore clínico preditor de RRP foi desenvolvido e validado na coorte total, apresentando boa acurácia (AUC 0,74). Por fim, observou-se que pacientes com RRP sustentado ao longo do tempo (grupo RR mantido) mantiveram prognóstico favorável em comparação aos demais. Os resultados sugerem que o RR, particularmente quando sustentado, pode ser um marcador prognóstico relevante na CCDC, refletindo potencial resposta à terapêutica otimizada e características clínicas favoráveis. Este estudo amplia o entendimento sobre a heterogeneidade da evolução da CCDC e aponta para novas possibilidades de estratificação de risco e individualização do cuidado em pacientes com essa condição negligenciada.Chronic Chagas cardiomyopathy (CCC) remains one of the leading causes of heart failure with reduced ejection fraction (HFrEF) in Latin America and is associated with high morbidity and mortality, despite advancements in heart failure therapy. Although the phenotypic heterogeneity of CCC is well recognized, few studies have evaluated the trajectory of left ventricular (LV) remodeling over time in this population. Reverse remodeling (RR), defined as an increase in left ventricular ejection fraction (LVEF) and a reduction in ventricular diameters, has been associated with better prognosis in other HFrEF etiologies, such as ischemic or idiopathic cardiomyopathy. However, its prognostic value and associated clinical factors remain poorly explored in CCC. The primary objective of this study was to evaluate the association between RR and event-free survival (death or heart transplantation) in patients with CCC and LVEF < 40%. This was a retrospective, observational, single-center study conducted at the Heart Institute of the Hospital das Clínicas, Faculty of Medicine, University of São Paulo (InCor-HCFMUSP). Outpatients with a confirmed diagnosis of CCC and at least two transthoracic echocardiograms performed between 2006 and 2021 were included. Patients were categorized into two groups according to their remodeling trajectory: PRR (positive reverse remodeling) and NRR (negative reverse remodeling). In a complementary analysis, the maintenance of reverse remodeling over time was also assessed, defining a third group: MRR (maintained reverse remodeling). Of the 1,043 patients initially included, 221 were classified as RRP. Propensity score matching (PSM) was performed to control for confounding variables between groups. Kaplan-Meier survival curves and Cox proportional hazards models were used to compare clinical outcomes. After PSM, the PRR group showed significantly higher event-free survival compared to the NRR group. Multivariate Cox analysis confirmed PRR as an independent predictor of better prognosis. Clinical and echocardiographic predictors of PRR were identified, including lower baseline LV end-diastolic diameter, absence of moderate or severe mitral regurgitation, and absence of triple therapy at baseline. A clinical score predicting PRR was developed and validated in the total cohort, demonstrating good accuracy (AUC 0.74). Finally, patients with sustained RRP over time (RRM group) maintained a favorable prognosis compared to the others. These findings suggest that RRparticularly when sustained may serve as a relevant prognostic marker in CCC, potentially reflecting responsiveness to optimized therapy and favorable clinical features. This study enhances the understanding of the heterogeneous progression of CCC and highlights new possibilities for risk stratification and individualized care for patients with this neglected condition.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBocchi, Edimar AlcidesLira, Maria Tereza Sampaio de Sousa2025-12-05info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-26032026-170606/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-26T20:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-26032026-170606Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-26T20:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A cardiomiopatia crônica da doença de Chagas (CCDC) representa uma das principais causas de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER) na América Latina, sendo associada a elevada morbimortalidade, mesmo com o avanço no tratamento da insuficiência cardíaca. Apesar da reconhecida heterogeneidade fenotípica da CCDC, poucos estudos avaliaram a trajetória de remodelamento do ventrículo esquerdo (VE) ao longo do tempo nessa população. O remodelamento reverso (RR), definido como aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e redução dos diâmetros ventriculares, tem sido associado a melhor prognóstico em outras etiologias de ICFER, como a de origem isquêmica ou idiopática, mas sua relevância prognóstica e os fatores clínicos associados permanecem pouco explorados na CCDC. O objetivo principal deste estudo foi avaliar a associação entre RR e sobrevida livre de eventos (morte ou transplante cardíaco) em pacientes com CCDC e FEVE < 40%. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e unicêntrico, conduzido no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Foram incluídos pacientes ambulatoriais com diagnóstico confirmado de CCDC, com pelo menos dois ecocardiogramas transtorácicos realizados entre 2006 e 2021. Os pacientes foram categorizados em dois grupos com base na trajetória do remodelamento: RRP (remodelamento reverso positivo) e RRN (remodelamento reverso negativo). Em uma análise complementar, avaliou-se também a manutenção do remodelamento reverso, com definição do grupo RRM (remodelamento reverso mantido). Dos 1043 pacientes inicialmente incluídos, 221 apresentaram RRP. Foi realizado pareamento por escore de propensão (propensity score matching PSM) para controlar variáveis confundidores entre os grupos. Análises de Kaplan-Meier e modelos de riscos proporcionais de Cox foram aplicados para comparar desfechos clínicos entre os grupos. Após PSM, o grupo RRP apresentou sobrevida livre de eventos significativamente maior que o grupo RRN. A análise multivariada de Cox confirmou o RRP como preditor independente de melhor prognóstico. Foram identificados preditores clínicos e ecocardiográficos de RRP, incluindo menor diâmetro diastólico do VE, ausência de insuficiência mitral moderada ou importante, e não uso de terapia tripla no baseline. Um escore clínico preditor de RRP foi desenvolvido e validado na coorte total, apresentando boa acurácia (AUC 0,74). Por fim, observou-se que pacientes com RRP sustentado ao longo do tempo (grupo RR mantido) mantiveram prognóstico favorável em comparação aos demais. Os resultados sugerem que o RR, particularmente quando sustentado, pode ser um marcador prognóstico relevante na CCDC, refletindo potencial resposta à terapêutica otimizada e características clínicas favoráveis. Este estudo amplia o entendimento sobre a heterogeneidade da evolução da CCDC e aponta para novas possibilidades de estratificação de risco e individualização do cuidado em pacientes com essa condição negligenciada. |
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