A regulação jurídica das mudanças climáticas: do Direito do Plantationoceno à\" floresta jurídica\"

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Lima, Emanuel Fonseca
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-29052024-143225/
Resumo: Um modelo de desenvolvimento colonial, baseado na ideia de separação entre homem e natureza e conversão desta em recurso a ser explorado para acúmulo de riquezas, provocou efeitos sem precedentes sobre o planeta. Dentre eles, o desequilíbrio do sistema climático terrestre, considerado um dos maiores, se não o maior, desafio enfrentado pela humanidade. As mudanças climáticas colocam em xeque a capacidade regulatória do Direito. É possível identificar três grandes problemas que se reforçam mutuamente: o caráter global de tal fenômeno, seu aspecto intergeracional e a inexistência de uma teoria adequada para lidar com essas questões. Não se desconhece que o Direito possui instrumentos, ainda que passíveis de aperfeiçoamento, para lidar com a questão intergeracional, como é o caso dos princípios da prevenção e precaução. Além disso, há teorias, como o transconstitucionalismo de Marcelo Neves, que oferecem perspectivas para um tratamento plausível dos aspectos relacionados ao caráter transfronteiriço do problema. No entanto, ao identificar o fenômeno jurídico com sua forma ocidental de expressão, elas acabam por reproduzir a mesma lógica colonial que deu causa às mudanças climáticas. Por essa razão, o presente trabalho busca apresentar uma alternativa não etnocentrada para regulação jurídica de tal problema. Para tanto, articula o multijuridismo de Étienne Le Roy, a ideia de rizoma de Gilles Deleuze e Félix Guattari, bem como a noção de simpoiese, desenvolvida por Donna Haraway. Pretende-se, dessa forma, conceber um modelo de ordem jurídica descentralizada, não-hierárquica, intercultural, descolonizada e que opera a partir de processos colaborativos para solução de problemas comuns.
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spelling A regulação jurídica das mudanças climáticas: do Direito do Plantationoceno à\" floresta jurídica\"The legal regulation of climate change : from Plantationocene Law to the \"legal forest\"Climate changeColonialismColonialismoEthnocentrismEtnocentrismoMudanças climáticasMultijuridismMultijuridismoPlantationocenePlantationocenoUm modelo de desenvolvimento colonial, baseado na ideia de separação entre homem e natureza e conversão desta em recurso a ser explorado para acúmulo de riquezas, provocou efeitos sem precedentes sobre o planeta. Dentre eles, o desequilíbrio do sistema climático terrestre, considerado um dos maiores, se não o maior, desafio enfrentado pela humanidade. As mudanças climáticas colocam em xeque a capacidade regulatória do Direito. É possível identificar três grandes problemas que se reforçam mutuamente: o caráter global de tal fenômeno, seu aspecto intergeracional e a inexistência de uma teoria adequada para lidar com essas questões. Não se desconhece que o Direito possui instrumentos, ainda que passíveis de aperfeiçoamento, para lidar com a questão intergeracional, como é o caso dos princípios da prevenção e precaução. Além disso, há teorias, como o transconstitucionalismo de Marcelo Neves, que oferecem perspectivas para um tratamento plausível dos aspectos relacionados ao caráter transfronteiriço do problema. No entanto, ao identificar o fenômeno jurídico com sua forma ocidental de expressão, elas acabam por reproduzir a mesma lógica colonial que deu causa às mudanças climáticas. Por essa razão, o presente trabalho busca apresentar uma alternativa não etnocentrada para regulação jurídica de tal problema. Para tanto, articula o multijuridismo de Étienne Le Roy, a ideia de rizoma de Gilles Deleuze e Félix Guattari, bem como a noção de simpoiese, desenvolvida por Donna Haraway. Pretende-se, dessa forma, conceber um modelo de ordem jurídica descentralizada, não-hierárquica, intercultural, descolonizada e que opera a partir de processos colaborativos para solução de problemas comuns.A colonial development model, based on the idea of separation between man and nature and the conversion of nature into a resource to be exploited for the accumulation of wealth, has caused unprecedented effects on the planet. Among them, the imbalance of the Earth\'s climate system, considered one of the greatest, if not the greatest, challenge faced by humanity. Climate change calls into question the regulatory capacity of Law. It is possible to identify three major problems that reinforce each other: the global nature of this phenomenon, its intergenerational aspect, and the lack of an adequate theory to deal with these issues. It is not unknown that Law has instruments, even if they are capable of improvement, to deal with the intergenerational issue, such as the principles of prevention and precaution. In addition, there are theories, such as Marcelo Neves\'s transconstitutionalism, that offer perspectives for a plausible treatment of the aspects related to the cross-border nature of the problem. However, by identifying the legal phenomenon with its Western form of expression, they end up reproducing the same colonial logic that caused climate change. For this reason, the present work seeks to present a non-ethnocentric alternative for the legal regulation of this problem. To this end, it articulates the multijuridism of Étienne Le Roy, the idea of rhizome by Gilles Deleuze and Félix Guattari, as well as the notion of sympoiesis, developed by Donna Haraway. It is intended, in this way, to conceive a model of legal order that is decentralized, non-hierarchical, intercultural, decolonized, and that operates on the basis of collaborative processes to solve common problems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBôas Filho, Orlando VillasLima, Emanuel Fonseca2024-03-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2139/tde-29052024-143225/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-25T09:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-29052024-143225Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-25T09:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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