Conservação da arara-azul-de-lear na Caatinga: identificação de habitats críticos a partir de dados de rastreamento por GPS
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-25082025-180621/ |
Resumo: | O conhecimento das áreas de vida e sua variação espaço temporal é fundamental para compreender os padrões de uso do espaço animal, além de suas necessidades ecológicas, distribuição e dispersão. Este conhecimento informa sobre características de habitats relevantes para a conservação das espécies. Considerando que a perda de habitat é um dos principais fatores de extinção para espécies endêmicas e/ou especialistas, o uso desse conhecimento é explicitamente importante para incorporar a proteção de habitats no planejamento de políticas públicas para recuperação de espécies ameaçadas. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), psitacídeo de vida longa e grande porte, é endêmica da Caatinga e ocorre apenas em uma pequena região no norte do estado da Bahia, Brasil. Os ninhos e dormitórios das araras estão em penhascos de rochas sedimentares de arenito-calcário, e seu principal alimento são os frutos do licurizeiro (Syagrus coronata), palmeira adaptada às florestas sazonalmente secas da Caatinga. A espécie esteve à beira da extinção na década de 80, e graças a esforços de conservação foi recategorizada nos critérios de ameaça de extinção da IUCN de Criticamente em Perigo para Em Perigo. Nos últimos 25 anos, a única população remanescente vem sendo monitorada e observou-se um aumento populacional agudo, estimando-se 2.273 indivíduos em 2022. Apesar deste evidente aumento, a expansão da área geográfica da população de araras está acontecendo em uma região que tem sofrido um preocupante processo de antropização, com aumento da ocupação humana em áreas urbanas e rurais, mudanças no uso do solo e degradação ambiental, tendo como consequência a perda de habitat e a perda direta de recursos. Sob essas circunstâncias, persistem lacunas de conhecimento acerca dos padrões de movimento e uso do espaço pelas araras, limitando nossa compreensão de sua ecologia espacial e nossa capacidade de identificar e proteger seu habitat, prejudicando, assim, o desenvolvimento de outras estratégias de conservação. Por meio do rastreamento de araras juvenis com equipamentos com sensores de GPS, nesta dissertação objetivamos desvendar essas lacunas de conhecimento ao estudar os padrões de movimento e uso do espaço das araras, tendo examinado a distribuição espacial dos seus sítios de alimentação, descanso e dormitórios, e investigado o tamanho das áreas de vida quinzenais e sua variação temporal. Especificamente, levantamos as seguintes questões: 1. Onde estão localizadas as áreas de alimentação, de descanso diurno e dormitórios? 2. Como é caracterizado o habitat desses locais? 3. Quão extensas são as áreas de vida individuais? 4. As áreas de vida e os padrões de movimento variam sazonalmente? As áreas de vida foram quantificadas com estimadores de densidade de kernel auto correlacionados, tendo sido também avaliados se fatores extrínsecos, como sítio de marcação, sazonalidade, precipitação e produtividade da vegetação (ambos substitutos para disponibilidade de alimento) influenciaram o tamanho das áreas de vida. Nossas descobertas revelaram variação considerável no tamanho das áreas, que apresentaram média de 850,15 km2 (variação de 1,24 a 8.549,48 km2). As áreas de vida se expandiram significativamente durante a estação seca (média de 1.097,06 km2), representando um aumento de 2,14 vezes em relação à estação chuvosa. Apesar da variabilidade temporal observada no tamanho das áreas, identificamos o uso consistente de sítios de alimentação e dormitórios em grande parte localizados em áreas com moderado grau de modificação humana , o que enfatiza o padrão de residência dos indivíduos e destaca a dependência da espécie de paredões de arenito e manchas localizadas da palmeira licuri, reforçando, assim, a importância da conservação destes habitats. O modelo de melhor ajuste indicou que o sítio de marcação e a estação foram as variáveis que melhor explicaram a variação no tamanho das áreas, enquanto a precipitação e a produtividade da vegetação tiveram influência limitada. Esses resultados sugerem que os movimentos das araras podem responder a interações complexas entre precipitação, disponibilidade de alimentos, composição e configuração da paisagem, ao invés de apenas a flutuações diretas de recursos alimentares. Ademais, a dependência de paisagens fragmentadas e a expansão das áreas de vida durante a estação seca destacam estratégias adaptativas das araras, possivelmente em resposta à escassez de recursos, reforçando a necessidade de restaurar e proteger áreas de Caatinga nativa e controlar a conversão de terras e a degradação da vegetação. Este é o primeiro estudo a estimar a área de vida para a espécie, fornecendo conhecimento crítico sobre sua ecologia espacial. Nossas descobertas ressaltam a importância de preservar as áreas de alimentação e os dormitórios das araras, e destacam a necessidade de monitoramento continuado da espécie para lidar com as ameaças representadas por mudanças ambientais causadas pela atividade humana. |
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Conservação da arara-azul-de-lear na Caatinga: identificação de habitats críticos a partir de dados de rastreamento por GPSLears macaw conservation in the Caatinga: identification of critical habitats using GPS-tracking dataAraraArara-azul-de-learÁrea de vidaCaatingaCaatingaConservaçãoConservationGPS trackingHabitat useHome rangeLear's macawLicuri palmPalmeira licuriParrotRastreamento por GPSUso do habitatO conhecimento das áreas de vida e sua variação espaço temporal é fundamental para compreender os padrões de uso do espaço animal, além de suas necessidades ecológicas, distribuição e dispersão. Este conhecimento informa sobre características de habitats relevantes para a conservação das espécies. Considerando que a perda de habitat é um dos principais fatores de extinção para espécies endêmicas e/ou especialistas, o uso desse conhecimento é explicitamente importante para incorporar a proteção de habitats no planejamento de políticas públicas para recuperação de espécies ameaçadas. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), psitacídeo de vida longa e grande porte, é endêmica da Caatinga e ocorre apenas em uma pequena região no norte do estado da Bahia, Brasil. Os ninhos e dormitórios das araras estão em penhascos de rochas sedimentares de arenito-calcário, e seu principal alimento são os frutos do licurizeiro (Syagrus coronata), palmeira adaptada às florestas sazonalmente secas da Caatinga. A espécie esteve à beira da extinção na década de 80, e graças a esforços de conservação foi recategorizada nos critérios de ameaça de extinção da IUCN de Criticamente em Perigo para Em Perigo. Nos últimos 25 anos, a única população remanescente vem sendo monitorada e observou-se um aumento populacional agudo, estimando-se 2.273 indivíduos em 2022. Apesar deste evidente aumento, a expansão da área geográfica da população de araras está acontecendo em uma região que tem sofrido um preocupante processo de antropização, com aumento da ocupação humana em áreas urbanas e rurais, mudanças no uso do solo e degradação ambiental, tendo como consequência a perda de habitat e a perda direta de recursos. Sob essas circunstâncias, persistem lacunas de conhecimento acerca dos padrões de movimento e uso do espaço pelas araras, limitando nossa compreensão de sua ecologia espacial e nossa capacidade de identificar e proteger seu habitat, prejudicando, assim, o desenvolvimento de outras estratégias de conservação. Por meio do rastreamento de araras juvenis com equipamentos com sensores de GPS, nesta dissertação objetivamos desvendar essas lacunas de conhecimento ao estudar os padrões de movimento e uso do espaço das araras, tendo examinado a distribuição espacial dos seus sítios de alimentação, descanso e dormitórios, e investigado o tamanho das áreas de vida quinzenais e sua variação temporal. Especificamente, levantamos as seguintes questões: 1. Onde estão localizadas as áreas de alimentação, de descanso diurno e dormitórios? 2. Como é caracterizado o habitat desses locais? 3. Quão extensas são as áreas de vida individuais? 4. As áreas de vida e os padrões de movimento variam sazonalmente? As áreas de vida foram quantificadas com estimadores de densidade de kernel auto correlacionados, tendo sido também avaliados se fatores extrínsecos, como sítio de marcação, sazonalidade, precipitação e produtividade da vegetação (ambos substitutos para disponibilidade de alimento) influenciaram o tamanho das áreas de vida. Nossas descobertas revelaram variação considerável no tamanho das áreas, que apresentaram média de 850,15 km2 (variação de 1,24 a 8.549,48 km2). As áreas de vida se expandiram significativamente durante a estação seca (média de 1.097,06 km2), representando um aumento de 2,14 vezes em relação à estação chuvosa. Apesar da variabilidade temporal observada no tamanho das áreas, identificamos o uso consistente de sítios de alimentação e dormitórios em grande parte localizados em áreas com moderado grau de modificação humana , o que enfatiza o padrão de residência dos indivíduos e destaca a dependência da espécie de paredões de arenito e manchas localizadas da palmeira licuri, reforçando, assim, a importância da conservação destes habitats. O modelo de melhor ajuste indicou que o sítio de marcação e a estação foram as variáveis que melhor explicaram a variação no tamanho das áreas, enquanto a precipitação e a produtividade da vegetação tiveram influência limitada. Esses resultados sugerem que os movimentos das araras podem responder a interações complexas entre precipitação, disponibilidade de alimentos, composição e configuração da paisagem, ao invés de apenas a flutuações diretas de recursos alimentares. Ademais, a dependência de paisagens fragmentadas e a expansão das áreas de vida durante a estação seca destacam estratégias adaptativas das araras, possivelmente em resposta à escassez de recursos, reforçando a necessidade de restaurar e proteger áreas de Caatinga nativa e controlar a conversão de terras e a degradação da vegetação. Este é o primeiro estudo a estimar a área de vida para a espécie, fornecendo conhecimento crítico sobre sua ecologia espacial. Nossas descobertas ressaltam a importância de preservar as áreas de alimentação e os dormitórios das araras, e destacam a necessidade de monitoramento continuado da espécie para lidar com as ameaças representadas por mudanças ambientais causadas pela atividade humana.The knowledge of wildlife home ranges and their spatiotemporal variation is fundamental not only to understand the animal space-use patterns, but also their ecological needs, distribution, and dispersal. Through an understanding of home range boundaries and extent, we can examine the variety of habitats occupied by the species and their requirements for use of space. By increasing our knowledge on species resource requirements, studies on this matter can inform about the important habitats and habitat features for species conservation. Considering that habitat loss is one of the main drivers of species extinction, especially for endemic and/or specialist species, the use of this knowledge is explicitly important to incorporate habitat protection into endangered species recovery planning and legislation. The Lears macaw (Anodorhynchus leari) is a long-lived and large endangered parrot, endemic to the Caatinga dry forest in a small region in the north of Bahia state, in Brazil. The species nests and roosts primarily in sandstone cliffs, and its main food resource is tied to the availability of fruits of the licuri (Syagrus coronata), a palm tree adapted to the seasonally dry forests of the Caatinga. The species was in an acute state of decline in the 1980s, but as a result of conservation efforts it was reclassified according to the IUCN extinction risk assessment, downlisting from Critically Endangered to Endangered. Over the last 25 years, the only remaining population has been monitored, and a sharp population increase has been observed with 2.273 individuals estimated in 2022. Despite this evident population increase, the expansion of the geographic range of the macaws population is happening in a region facing environmental degradation and shifts in land use, leading to loss of habitat and, therefore, to direct loss of resources. Under the above circumstances, significant knowledge gaps persist regarding the Lear\'s macaw movement patterns and space use, limiting our understanding of their spatial ecology and our ability to identify and protect critical habitats for the species, therefore hampering management and conservation strategies. By tracking juvenile macaws using GPS devices, in this dissertation we aimed to unveil these knowledge gaps by examining spatial distribution of feeding, resting, and roosting sites and investigating home range size and its temporal variation. Specifically, we formulated the following research questions: 1. Where are the feeding, roosting and diurnal resting sites? 2. How is the habitat of these sites characterized? 3. How extensive are individual home ranges? 4. Do these ranges and movement patterns vary seasonally? We estimated fortnightly home ranges with autocorrelated kernel density estimators and assessed if extrinsic factors, such as tagging site, seasonality, rainfall and vegetation productivity (both proxies for food availability) influenced home range size. Our findings reveal considerable variation in home ranges, with an average of 850.15 km² (ranging 1.24-8,549.48 km²). Home ranges expanded significantly during the dry season (mean 1,097.06 km²), representing a 2.14-fold increase from the wet season. Despite the observed temporal variability in home range sizes, we identified the consistent use of roosting and feeding sites largely located in areas with a moderate degree of human modification , which emphasizesthe residency patterns of space use of the Lears macaw and highlights the reliance of the species on sandstone cliffs and localized licuri palm patches, therefore, reinforcing the importance of conserving these habitats. The best fitting model indicated that site and season primarily drove home range size, while vegetation productivity and rainfall had limited influence. This suggests that macaw movements may respond to complex interactions between rainfall, food availability and landscape composition and configuration rather than direct resource fluctuations. The reliance on fragmented landscapes and expansion of home ranges during dry seasons also underline the macaws adaptive strategies possibly in response to resource scarcity, reinforcing the need for long-term conservation planning that addresses both the amount of suitable habitat and the seasonal and interannual habitat dynamics. Conservation efforts should focus on restoring and preserving native Caatinga vegetation and controlling land conversion and vegetation degradation to reduce anthropogenic disturbances. This is the first study to estimate home ranges for Lears macaw, providing critical insights into its spatial ecology. Our findings underscore the importance of preserving roosting and feeding areas that are critical for the survival of the macaws and highlight the need for continuous monitoring to address threats posed by environmental changes caused by human activity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAssis, Erica Cristina Pacífico deDénes, Francisco VoeroesPaschotto, Fernanda Riêra2025-06-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-25082025-180621/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-26T09:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-25082025-180621Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-26T09:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O conhecimento das áreas de vida e sua variação espaço temporal é fundamental para compreender os padrões de uso do espaço animal, além de suas necessidades ecológicas, distribuição e dispersão. Este conhecimento informa sobre características de habitats relevantes para a conservação das espécies. Considerando que a perda de habitat é um dos principais fatores de extinção para espécies endêmicas e/ou especialistas, o uso desse conhecimento é explicitamente importante para incorporar a proteção de habitats no planejamento de políticas públicas para recuperação de espécies ameaçadas. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), psitacídeo de vida longa e grande porte, é endêmica da Caatinga e ocorre apenas em uma pequena região no norte do estado da Bahia, Brasil. Os ninhos e dormitórios das araras estão em penhascos de rochas sedimentares de arenito-calcário, e seu principal alimento são os frutos do licurizeiro (Syagrus coronata), palmeira adaptada às florestas sazonalmente secas da Caatinga. A espécie esteve à beira da extinção na década de 80, e graças a esforços de conservação foi recategorizada nos critérios de ameaça de extinção da IUCN de Criticamente em Perigo para Em Perigo. Nos últimos 25 anos, a única população remanescente vem sendo monitorada e observou-se um aumento populacional agudo, estimando-se 2.273 indivíduos em 2022. Apesar deste evidente aumento, a expansão da área geográfica da população de araras está acontecendo em uma região que tem sofrido um preocupante processo de antropização, com aumento da ocupação humana em áreas urbanas e rurais, mudanças no uso do solo e degradação ambiental, tendo como consequência a perda de habitat e a perda direta de recursos. Sob essas circunstâncias, persistem lacunas de conhecimento acerca dos padrões de movimento e uso do espaço pelas araras, limitando nossa compreensão de sua ecologia espacial e nossa capacidade de identificar e proteger seu habitat, prejudicando, assim, o desenvolvimento de outras estratégias de conservação. Por meio do rastreamento de araras juvenis com equipamentos com sensores de GPS, nesta dissertação objetivamos desvendar essas lacunas de conhecimento ao estudar os padrões de movimento e uso do espaço das araras, tendo examinado a distribuição espacial dos seus sítios de alimentação, descanso e dormitórios, e investigado o tamanho das áreas de vida quinzenais e sua variação temporal. Especificamente, levantamos as seguintes questões: 1. Onde estão localizadas as áreas de alimentação, de descanso diurno e dormitórios? 2. Como é caracterizado o habitat desses locais? 3. Quão extensas são as áreas de vida individuais? 4. As áreas de vida e os padrões de movimento variam sazonalmente? As áreas de vida foram quantificadas com estimadores de densidade de kernel auto correlacionados, tendo sido também avaliados se fatores extrínsecos, como sítio de marcação, sazonalidade, precipitação e produtividade da vegetação (ambos substitutos para disponibilidade de alimento) influenciaram o tamanho das áreas de vida. Nossas descobertas revelaram variação considerável no tamanho das áreas, que apresentaram média de 850,15 km2 (variação de 1,24 a 8.549,48 km2). As áreas de vida se expandiram significativamente durante a estação seca (média de 1.097,06 km2), representando um aumento de 2,14 vezes em relação à estação chuvosa. Apesar da variabilidade temporal observada no tamanho das áreas, identificamos o uso consistente de sítios de alimentação e dormitórios em grande parte localizados em áreas com moderado grau de modificação humana , o que enfatiza o padrão de residência dos indivíduos e destaca a dependência da espécie de paredões de arenito e manchas localizadas da palmeira licuri, reforçando, assim, a importância da conservação destes habitats. O modelo de melhor ajuste indicou que o sítio de marcação e a estação foram as variáveis que melhor explicaram a variação no tamanho das áreas, enquanto a precipitação e a produtividade da vegetação tiveram influência limitada. Esses resultados sugerem que os movimentos das araras podem responder a interações complexas entre precipitação, disponibilidade de alimentos, composição e configuração da paisagem, ao invés de apenas a flutuações diretas de recursos alimentares. Ademais, a dependência de paisagens fragmentadas e a expansão das áreas de vida durante a estação seca destacam estratégias adaptativas das araras, possivelmente em resposta à escassez de recursos, reforçando a necessidade de restaurar e proteger áreas de Caatinga nativa e controlar a conversão de terras e a degradação da vegetação. Este é o primeiro estudo a estimar a área de vida para a espécie, fornecendo conhecimento crítico sobre sua ecologia espacial. Nossas descobertas ressaltam a importância de preservar as áreas de alimentação e os dormitórios das araras, e destacam a necessidade de monitoramento continuado da espécie para lidar com as ameaças representadas por mudanças ambientais causadas pela atividade humana. |
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