Análise do comprimento dos telômeros em participantes com lúpus eritematoso sistêmico considerando o estado nutricional: abordagem genética e clínica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Carvalho, Beatriz Garcia de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Resumo: Introdução: O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica de ampla heterogeneidade clínica. Evidências sugerem que o encurtamento dos telômeros, marcadores de envelhecimento biológico, pode estar associado à inflamação crônica e ao risco cardiometabólico em doenças autoimunes. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o comprimento dos telômeros (CTx) em mulheres com e sem o diagnóstico da doença e, dentre aquelas acometidas pelo LES, investigar possíveis associações do CTx com características clínicas, metabólicas e nutricionais. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com 105 mulheres, sendo 69 com diagnóstico de LES (Grupo LES) e 36 mulheres sem o diagnóstico da doença (Grupo Controle). Em ambos os grupos, foram selecionadas participantes com idade entre 18 e 45 anos, no pré-menopausa e com índice de massa corporal (IMC) >18,5 kg/m². Particularmente no Grupo LES, as participantes atendiam aos critérios de classificação European League Against Rheumatism (EULAR) (2019), apresentavam doença em remissão e estavam sob tratamento com glicocorticoide com doses diárias menores que <10 mg e uso de cloroquina em dose estável. Em ambos os grupos, avaliou-se, em um único momento, medidas antropométricas e de composição corporal, parâmetros metabólicos [glicemia, colesterol total e frações, triglicerídeos e proteína C-reativa (PCR) e ingestão alimentar. O comprimento relativo dos telômeros foi determinado por Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real e expresso como razão entre as amplificações do telômero e do gene de referência (T/S). Análises estatísticas incluíram testes de comparação de médias, correlações de Spearman/Pearson, modelos de regressão linear múltipla ajustados por idade e IMC, e análise de cluster para identificação de perfis metabólicos. Resultados: Os resultados mostraram que o CTx foi significativamente menor no Grupo LES em comparação aos controles (média ± DP: 1,126 ± 0,080 vs. 1,170 ± 0,076; p = 0,001), diferença que se manteve após ajuste para idade e IMC ( = -0,120; p = 0,001). No grupo LES, o HDL mostrou associação positiva moderada com o CTx (p = 0,005), enquanto o IMC apresentou associação negativa (p = 0,001) e a PCR associação positiva (p = 0,010). Não foram observadas associações significativas entre CTx e raça, glicemia, LDL, triglicerídeos ou parâmetros dietéticos. A análise de cluster revelou dois perfis metabólicos distintos com diferença no CTx: um perfil metabólico desfavorável representado por glicemia elevada e HDL reduzido apresentou telômeros significativamente mais curtos (média ± DP: 1,119 ± 0,079 vs. 1,137 ± 0,080; p = 0,038) quando comparado a um perfil mais favorável (menores níveis de triglicerídeos, glicose e colesterol total, e maiores valores de HDL). Conclusão: Conclui-se que mulheres com LES apresentam encurtamento telomérico mesmo após controle por idade e IMC, e que fatores metabólicos podem atuar como cofatores nesse processo. A investigação contínua desses fatores contribui para a compreensão do impacto da doença sobre o envelhecimento celular e reforça a importância da avaliação clínica integrada em pacientes com LES.
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Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar o comprimento dos telômeros (CTx) em mulheres com e sem o diagnóstico da doença e, dentre aquelas acometidas pelo LES, investigar possíveis associações do CTx com características clínicas, metabólicas e nutricionais. Métodos: Trata-se de um estudo transversal com 105 mulheres, sendo 69 com diagnóstico de LES (Grupo LES) e 36 mulheres sem o diagnóstico da doença (Grupo Controle). Em ambos os grupos, foram selecionadas participantes com idade entre 18 e 45 anos, no pré-menopausa e com índice de massa corporal (IMC) >18,5 kg/m². Particularmente no Grupo LES, as participantes atendiam aos critérios de classificação European League Against Rheumatism (EULAR) (2019), apresentavam doença em remissão e estavam sob tratamento com glicocorticoide com doses diárias menores que <10 mg e uso de cloroquina em dose estável. Em ambos os grupos, avaliou-se, em um único momento, medidas antropométricas e de composição corporal, parâmetros metabólicos [glicemia, colesterol total e frações, triglicerídeos e proteína C-reativa (PCR) e ingestão alimentar. O comprimento relativo dos telômeros foi determinado por Reação em Cadeia da Polimerase em tempo real e expresso como razão entre as amplificações do telômero e do gene de referência (T/S). Análises estatísticas incluíram testes de comparação de médias, correlações de Spearman/Pearson, modelos de regressão linear múltipla ajustados por idade e IMC, e análise de cluster para identificação de perfis metabólicos. Resultados: Os resultados mostraram que o CTx foi significativamente menor no Grupo LES em comparação aos controles (média ± DP: 1,126 ± 0,080 vs. 1,170 ± 0,076; p = 0,001), diferença que se manteve após ajuste para idade e IMC ( = -0,120; p = 0,001). No grupo LES, o HDL mostrou associação positiva moderada com o CTx (p = 0,005), enquanto o IMC apresentou associação negativa (p = 0,001) e a PCR associação positiva (p = 0,010). Não foram observadas associações significativas entre CTx e raça, glicemia, LDL, triglicerídeos ou parâmetros dietéticos. A análise de cluster revelou dois perfis metabólicos distintos com diferença no CTx: um perfil metabólico desfavorável representado por glicemia elevada e HDL reduzido apresentou telômeros significativamente mais curtos (média ± DP: 1,119 ± 0,079 vs. 1,137 ± 0,080; p = 0,038) quando comparado a um perfil mais favorável (menores níveis de triglicerídeos, glicose e colesterol total, e maiores valores de HDL). Conclusão: Conclui-se que mulheres com LES apresentam encurtamento telomérico mesmo após controle por idade e IMC, e que fatores metabólicos podem atuar como cofatores nesse processo. A investigação contínua desses fatores contribui para a compreensão do impacto da doença sobre o envelhecimento celular e reforça a importância da avaliação clínica integrada em pacientes com LES.Introduction: Systemic Lupus Erythematosus (SLE) is a chronic autoimmune disease with wide clinical heterogeneity. Evidence suggests that telomere shortening, a marker of biological aging, may be associated with chronic inflammation and cardiometabolic risk in autoimmune diseases. Objective: This study aimed to evaluate telomere length (TL) in women with and without SLE and, among those affected by the disease, to investigate possible associations of TL with clinical, metabolic, and nutritional characteristics. Methods: This was a cross-sectional study including 105 women, 69 diagnosed with SLE (SLE group) and 36 without the disease (Control group). Participants in both groups were aged 1845 years, premenopausal, and had a body mass index (BMI) >18.5 kg/m². In the SLE group, participants met the European League Against Rheumatism (EULAR, 2019) classification criteria, were in disease remission, and were receiving glucocorticoid treatment at daily doses <10 mg, along with stable-dose chloroquine. Anthropometric and body composition measurements, metabolic parameters [glucose, total cholesterol and fractions, triglycerides, and C-reactive protein (CRP)], and dietary intake were assessed at a single time point in both groups. Relative telomere length was determined by real-time polymerase chain reaction (qPCR) and expressed as the ratio between telomere amplification and a reference gene (T/S). Statistical analyses included mean comparison tests, Spearman/Pearson correlations, multiple linear regression models adjusted for age and BMI, and cluster analysis to identify metabolic profiles. Results: TL was significantly shorter in the SLE group compared to controls (mean ± SD: 1.126 ± 0.080 vs. 1.170 ± 0.076; p = 0.001), and this difference remained after adjustment for age and BMI ( = -0.120; p = 0.001). In the SLE group, HDL showed a moderate positive association with TL (p = 0.005), while BMI was negatively associated (p = 0.001) and CRP positively associated (p = 0.010). No significant associations were observed between TL and race, glucose, LDL, triglycerides, or dietary parameters. Cluster analysis revealed two distinct metabolic profiles differing in TL: an unfavorable profile characterized by elevated glucose and reduced HDL had significantly shorter telomeres (mean ± SD: 1.119 ± 0.079 vs. 1.137 ± 0.080; p = 0.038) compared to a more favorable profile (lower levels of triglycerides, glucose, and total cholesterol, and higher HDL values). Conclusion: Women with SLE exhibit telomere shortening even after adjusting for age and BMI, and metabolic factors may act as co-factors in this process. Ongoing investigation of these factors contributes to understanding the diseases impact on cellular aging and underscores the importance of integrated clinical assessment in patients with SLE.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFino, Carolina Nicoletti FerreiraCarvalho, Beatriz Garcia de2025-09-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-25022026-150746/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-25T19:44:02Zoai:teses.usp.br:tde-25022026-150746Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.platendimento@abcd.usp.bropendoar:27212026-03-12T20:00:53.215143Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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