Itinerário terapêutico de mulheres com incontinência urinária em um ambulatório de uroginecologia: estudo transversal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Goulart, Marta Lira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-16092025-112506/
Resumo: Introdução: A incontinência urinária (IU) impacta negativamente a qualidade de vida, porém poucas mulheres buscam ajuda para esse problema. A escassez de literatura sobre itinerário terapêutico (IT) vivenciado por mulheres com IU contribui para a negligência no cuidado. Objetivo: Analisar o IT de mulheres com IU acompanhadas em um ambulatório de uroginecologia. Método: Estudo observacional, transversal desenvolvido em ambulatório de uroginecologia em hospital público de grande porte no munícipio de São Paulo após a aprovação dos comitês de ética. A população do estudo foi composta por mulheres adultas com queixa de IU que estavam no ambulatório durante a coleta de dados sem cirurgia prévia nos últimos quatro anos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com os seguintes instrumentos: dados sociodemográficos e clínicos, International Consultation Incontinence Questionnaire Short Form (ICIQ-SF), escala de conhecimento, atitude e prática (CAP) e instrumento de IT. As análises estatísticas descritiva e inferencial foram realizadas utilizando pacote estatístico R 4.1.1 Resultados: Participaram do estudo 145 mulheres com idade média de 57,83 anos (DP 11,40), gestações de 2,8 (DP 1,73), média de 1,89 (DP 1,85) partos vaginais e menopausadas (98/67,59%). Segundo o ICIQ-SF, a maioria apresentava perdas diversas vezes ao dia (97/66,90%), em quantidade moderada (61/42,07%) e nas situações de tossir ou espirrar (121/83,45%); 91,03% (n = 132) das participantes não sabiam que as perdas de urina eram IU. O IT foi caracterizado pelo surgimento dos primeiros sintomas, em média, 12,53 anos (DP 9,05) anos antes da consulta atual no ambulatório; com 5,71 anos (DP 5,53) em média para a conscientização do problema; o principal motivo pela falta de procura por ajuda foi considerar os sintomas normais (99/68,28%); o tempo médio para buscar ajuda foi de 8,96 anos (DP 8,74); a maior barreira enfrentada foi a dificuldade do acesso ao serviço de saúde (112/77,24%) e a espera para a primeira consulta com o especialista foi de 14,66 (DP 15,11) meses. A principal abordagem do tratamento foi cirúrgica (78/53,79%) e 76,55% (n = 111) sentiam-se satisfeitas com a previsão de tratamento. Segundo o CAP, os conhecimentos obtiveram média de 76,26 (DP 14,82) pontos. Nas associações entre o IT e dados sociodemográficos e clínicos, as mulheres que reconheciam a perda como IU apresentaram menor tempo de evolução dos sintomas (p = 0,005); buscaram ajuda mais cedo (p = 0,013) e procuraram assistência no início dos sintomas (p = 0,026). A interferência da perda de urina na vida diária teve correlação fraca com o tempo de busca de ajuda (r = 0,197; p = 0,020). Mulheres com maior IMC tenderam a apresentar maiores escores de atitude e prática de tratamento. Conclusão: O estudo do IT de mulheres com IU revelou um cenário desolador de 12,53 anos de convivência com sintomas ignorados ou normalizados. A falta de conhecimento impede o reconhecimento da incontinência como problema e o acesso a tratamentos conservadores, agravado por barreiras institucionais e longas filas de espera.
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spelling Itinerário terapêutico de mulheres com incontinência urinária em um ambulatório de uroginecologia: estudo transversalTherapeutic itinerary of women with urinary incontinence in a urogynecology outpatient clinic: a cross-sectional studyConhecimentoEnfermagemEstomaterapiaIncontinência urináriaItinerário terapêuticoKnowledgeNursingStomatherapyTherapeutic itineraryUrinary incontinenceIntrodução: A incontinência urinária (IU) impacta negativamente a qualidade de vida, porém poucas mulheres buscam ajuda para esse problema. A escassez de literatura sobre itinerário terapêutico (IT) vivenciado por mulheres com IU contribui para a negligência no cuidado. Objetivo: Analisar o IT de mulheres com IU acompanhadas em um ambulatório de uroginecologia. Método: Estudo observacional, transversal desenvolvido em ambulatório de uroginecologia em hospital público de grande porte no munícipio de São Paulo após a aprovação dos comitês de ética. A população do estudo foi composta por mulheres adultas com queixa de IU que estavam no ambulatório durante a coleta de dados sem cirurgia prévia nos últimos quatro anos. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com os seguintes instrumentos: dados sociodemográficos e clínicos, International Consultation Incontinence Questionnaire Short Form (ICIQ-SF), escala de conhecimento, atitude e prática (CAP) e instrumento de IT. As análises estatísticas descritiva e inferencial foram realizadas utilizando pacote estatístico R 4.1.1 Resultados: Participaram do estudo 145 mulheres com idade média de 57,83 anos (DP 11,40), gestações de 2,8 (DP 1,73), média de 1,89 (DP 1,85) partos vaginais e menopausadas (98/67,59%). Segundo o ICIQ-SF, a maioria apresentava perdas diversas vezes ao dia (97/66,90%), em quantidade moderada (61/42,07%) e nas situações de tossir ou espirrar (121/83,45%); 91,03% (n = 132) das participantes não sabiam que as perdas de urina eram IU. O IT foi caracterizado pelo surgimento dos primeiros sintomas, em média, 12,53 anos (DP 9,05) anos antes da consulta atual no ambulatório; com 5,71 anos (DP 5,53) em média para a conscientização do problema; o principal motivo pela falta de procura por ajuda foi considerar os sintomas normais (99/68,28%); o tempo médio para buscar ajuda foi de 8,96 anos (DP 8,74); a maior barreira enfrentada foi a dificuldade do acesso ao serviço de saúde (112/77,24%) e a espera para a primeira consulta com o especialista foi de 14,66 (DP 15,11) meses. A principal abordagem do tratamento foi cirúrgica (78/53,79%) e 76,55% (n = 111) sentiam-se satisfeitas com a previsão de tratamento. Segundo o CAP, os conhecimentos obtiveram média de 76,26 (DP 14,82) pontos. Nas associações entre o IT e dados sociodemográficos e clínicos, as mulheres que reconheciam a perda como IU apresentaram menor tempo de evolução dos sintomas (p = 0,005); buscaram ajuda mais cedo (p = 0,013) e procuraram assistência no início dos sintomas (p = 0,026). A interferência da perda de urina na vida diária teve correlação fraca com o tempo de busca de ajuda (r = 0,197; p = 0,020). Mulheres com maior IMC tenderam a apresentar maiores escores de atitude e prática de tratamento. Conclusão: O estudo do IT de mulheres com IU revelou um cenário desolador de 12,53 anos de convivência com sintomas ignorados ou normalizados. A falta de conhecimento impede o reconhecimento da incontinência como problema e o acesso a tratamentos conservadores, agravado por barreiras institucionais e longas filas de espera.Introduction: Urinary incontinence (UI) negatively impacts quality of life; however, few women seek help for this condition. The lack of literature on the therapeutic itinerary (TI) experienced by women with UI contributes to the neglect of care. Objective: To analyze the TI of women with UI attending a urogynecology outpatient clinic. Method: Observational, cross-sectional study conducted in a urogynecology outpatient clinic at a large public hospital in São Paulo, after approval from ethics committees. The study population consisted of adult women with UI complaints who were in the clinic during data collection and had not undergone surgery in the past four years. Data collection was performed through interviews using the following instruments: sociodemographic and clinical data, the International Consultation Incontinence Questionnaire Short Form (ICIQ-SF), a knowledge, attitude, and practice (KAP) scale, and a TI instrument. Descriptive and inferential statistical analyses were performed using the R 4.1.1 statistical package. Results: The study included 145 women with a mean age of 57.83 years (SD 11.40), an average of 2.8 pregnancies (SD 1.73), 1.89 vaginal deliveries (SD 1.85), and most were menopausal (98/67.59%). According to the ICIQ-SF, most participants experienced leakage several times a day (97/66.90%), with a moderate amount (61/42.07%), triggered by coughing or sneezing (121/83.45%). Of the participants, 91.03% (n = 132) did not know urinary leakage was UI. The TI was characterized by the onset of initial symptoms, on average, 12.53 years (SD 9.05) before the current outpatient visit; with an average of 5.71 years (SD 5.53) to become aware of the problem. The main reason for not seeking help was considering the symptoms \"normal\" (99/68.28%). The average time to seek help was 8.96 years (SD 8.74), with the greatest barrier being difficulty accessing healthcare services (112/77.24%). The waiting time for the first consultation with a specialist was 14.66 months (SD 15.11). The main treatment approach was surgical (78/53.79%), and 76.55% (n = 111) of participants felt satisfied with the treatment plan. According to the KAP scale, the average knowledge score was 76.26 points (SD 14.82). Regarding associations between TI and sociodemographic and clinical data, women who recognized leakage as UI had shorter symptom evolution times (p = 0.005), sought help earlier (p = 0.013), and sought assistance at symptom onset (p = 0.026). The interference of urinary leakage in daily life showed a weak correlation with the time to seek help (r = 0.197; p = 0.020). Women with higher BMI tended to have higher scores for attitudes and treatment practices. Conclusion: The study of the TI of women with UI revealed a bleak scenario of 12.53 years living with ignored or normalized symptoms. Lack of knowledge prevents recognition of incontinence as a problem and access to conservative treatments, exacerbated by institutional barriers and long waiting lists.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Vera Lucia Conceicao de GouveiaGoulart, Marta Lira2024-11-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-16092025-112506/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-16T15:56:02Zoai:teses.usp.br:tde-16092025-112506Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-16T15:56:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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