Argumentar para quê? O ensino de argumentação no Brasil entre as décadas de 1930 e 1990.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Estevam, Hanna
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-10042026-094622/
Resumo: O objetivo desta tese é analisar a abordagem da argumentação em orientações curriculares e livros didáticos de Língua Portuguesa entre as décadas de 1930 e 1990 no Brasil no que diz respeito à etapa atualmente denominada como anos finais do ensino fundamental. Para isso, tem como corpus programas curriculares representativos do período e oito livros didáticos elaborados com base em tais orientações, os quais foram analisados a partir de uma perspectiva discursiva, procurando indicar a relação entre o modo como o tema da argumentação é tratado e o contexto sociopolítico de cada período. Os resultados apontam que a abordagem da argumentação variou de acordo com os diferentes contextos em que ocorreu: no período de 1930 a 1960, os materiais didáticos analisados ensejavam poucas práticas argumentativas, as quais estavam relacionadas à distinção social e à conservação de valores de uma sociedade patriarcal que viveu, particularmente entre 1937 e 1945, em um regime autoritário; também na década de 1970, no contexto da ditadura militar, os programas e livros didáticos analisados não priorizavam a argumentação; na década de 1980, com a redemocratização, observou-se maior ênfase para essa prática, desenvolvida de modo colaborativo e tratando de temáticas de impacto social; por fim, na década de 1990, no contexto do neoliberalismo, a argumentação, no corpus em questão, centra-se sobre questões coletivas e particulares e é vista como uma prática importante para que o indivíduo possa exercer sua cidadania, a qual, porém, se expressa de modo individual.
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