A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economy
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/ |
Resumo: | O trabalho por plataformas no âmbito da chamada gig economy tem sido caracterizado como precário devido a diversos aspectos, como ausência de vínculo empregatício, insegurança financeira, pouca representatividade coletiva e más condições laborais. Nesta tese, avançamos em algumas lacunas teóricas a partir da discussão das diferentes reações dos trabalhadores à gig economy, conectando o campo das relações de trabalho ao das relações de poder. O objetivo geral da tese é compreender os fenômenos de normalização, consentimento e resistência na gig economy, considerando as relações com o contexto de trabalho precário e com as estratégias de gestão e controle dos trabalhadores adotadas pelas empresas-plataforma. Desdobramos o objetivo geral em três objetivos específicos que constituem os três estudos desta tese: um ensaio teórico e dois estudos empíricos desenvolvidos a partir de 27 entrevistas narrativas com motoristas e entregadores de aplicativos de todas as regiões do Brasil. No primeiro estudo, apresentamos um posicionamento crítico e reflexivo sobre a gig economy e construímos a metáfora da obra-prima da exploração para caracterizar um modelo de gestão desumanizado, sofisticado e flexível que oculta sua própria existência e permite às empresas-plataforma alcançar seu projeto de poder às custas do trabalho precário. No segundo estudo, a partir do método de análise de narrativas, discutimos as diferentes faces de precariedade na gig economy e apresentamos o conceito de normalização do trabalho precário, definido como um efeito decorrente das relações de poder que visa conformar o trabalho precário na gig economy como uma realidade aceitável, imutável e/ou inevitável. No último estudo, seguindo uma abordagem de grounded theory, discutimos os antecedentes e as manifestações das reações de consentimento e de resistência à gig economy, explorando aspectos presentes em nível organizacional, individual e coletivo. A partir desses estudos, apresentamos contribuições teóricas, metodológicas e sociais que avançam na compreensão das experiências de trabalho na gig economy, considerando seus atravessamentos nas subjetividades e comportamentos dos trabalhadores. Dessa forma, sustentamos a tese de que a gig economy é mais do que um novo modelo de relação de trabalho: é um fenômeno emergente de organização da vida social por meio de plataformas digitais. Esse fenômeno, denominado nesta tese de obra-prima da exploração, concebe um contexto de trabalho precário que é sustentado por um processo global de flexibilização laboral, e marcado pela ausência de vínculo empregatício, pela exploração e violência na rotina de trabalho e pela sofisticação das estratégias de gestão e controle (gestão algorítmica e cooptação) adotadas pelas empresas-plataforma. Esse contexto pode suscitar diferentes reações dos trabalhadores, como consentimento e resistência, que são atravessadas pelo fenômeno de normalização do trabalho precário. |
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A obra-prima da exploração: normalização do trabalho precário, consentimento e resistência na gig economyThe masterpiece of exploitation: normalization of precarious work, consent, and resistance in the gig economyGig economyConsentConsentimentoGig economyNormalização do trabalho precárioNormalization of precarious workPlatform workResistanceResistênciaTrabalho por plataformasO trabalho por plataformas no âmbito da chamada gig economy tem sido caracterizado como precário devido a diversos aspectos, como ausência de vínculo empregatício, insegurança financeira, pouca representatividade coletiva e más condições laborais. Nesta tese, avançamos em algumas lacunas teóricas a partir da discussão das diferentes reações dos trabalhadores à gig economy, conectando o campo das relações de trabalho ao das relações de poder. O objetivo geral da tese é compreender os fenômenos de normalização, consentimento e resistência na gig economy, considerando as relações com o contexto de trabalho precário e com as estratégias de gestão e controle dos trabalhadores adotadas pelas empresas-plataforma. Desdobramos o objetivo geral em três objetivos específicos que constituem os três estudos desta tese: um ensaio teórico e dois estudos empíricos desenvolvidos a partir de 27 entrevistas narrativas com motoristas e entregadores de aplicativos de todas as regiões do Brasil. No primeiro estudo, apresentamos um posicionamento crítico e reflexivo sobre a gig economy e construímos a metáfora da obra-prima da exploração para caracterizar um modelo de gestão desumanizado, sofisticado e flexível que oculta sua própria existência e permite às empresas-plataforma alcançar seu projeto de poder às custas do trabalho precário. No segundo estudo, a partir do método de análise de narrativas, discutimos as diferentes faces de precariedade na gig economy e apresentamos o conceito de normalização do trabalho precário, definido como um efeito decorrente das relações de poder que visa conformar o trabalho precário na gig economy como uma realidade aceitável, imutável e/ou inevitável. No último estudo, seguindo uma abordagem de grounded theory, discutimos os antecedentes e as manifestações das reações de consentimento e de resistência à gig economy, explorando aspectos presentes em nível organizacional, individual e coletivo. A partir desses estudos, apresentamos contribuições teóricas, metodológicas e sociais que avançam na compreensão das experiências de trabalho na gig economy, considerando seus atravessamentos nas subjetividades e comportamentos dos trabalhadores. Dessa forma, sustentamos a tese de que a gig economy é mais do que um novo modelo de relação de trabalho: é um fenômeno emergente de organização da vida social por meio de plataformas digitais. Esse fenômeno, denominado nesta tese de obra-prima da exploração, concebe um contexto de trabalho precário que é sustentado por um processo global de flexibilização laboral, e marcado pela ausência de vínculo empregatício, pela exploração e violência na rotina de trabalho e pela sofisticação das estratégias de gestão e controle (gestão algorítmica e cooptação) adotadas pelas empresas-plataforma. Esse contexto pode suscitar diferentes reações dos trabalhadores, como consentimento e resistência, que são atravessadas pelo fenômeno de normalização do trabalho precário.The platform work in the so-called gig economy is understood as precarious work. This is due to a number of factors, including the absence of an employment relationship, financial insecurity, a lack of collective representation, and poor working condition. In this thesis, we address some theoretical gaps by discussing the different reactions of workers to the gig economy, connecting the domain of employment relations to power relations. The general objective is to understand the phenomena of normalization, consent, and resistance in the gig economy, considering their associations with the context of precarious work and with the management and control strategies adopted by platform companies. We delineate the general objective into three studies: one theoretical essay and two empirical studies based on 27 narrative interviews with ride-share drivers and food delivery workers in Brazil. In the first study, we present a critical and reflective position on the gig economy, building the metaphor of the masterpiece of exploitation to characterize a dehumanized, sophisticated, and flexible management model that conceals its existence and allows platform companies to achieve their power agenda through precarious work. In the second study, using the narrative analysis method, we discuss the different faces of precarity in the gig economy. We present the concept of normalization of precarious work, defined as an effect of power relations to conform precarious work in the gig economy as an acceptable, immutable, and inevitable reality. In the last study, following a grounded theory approach, we discuss the antecedents and manifestations of workers reactions of consent and resistance to the gig economy, exploring aspects present at organizational, individual, and collective levels. From these studies, we present theoretical, methodological, and social contributions to advance the understanding of labor experiences in the gig economy, considering their intersections with workers subjectivities and behaviors. This phenomenon, which we refer to in this thesis as the masterpiece of exploitation, is characterized by a precarious work context that is embedded in a global process of labor flexibilization. It is defined by the absence of traditional employment relationships, as well as by exploitation and violence in the daily work. Additionally, it is distinguished by the sophistication of management and control strategies that are employed by platform companies. These strategies include algorithmic management and co-optation. In response to this context, workers may exhibit a range of reactions, such as consent and resistance, both intersected by the normalization of precarious work.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAmorim, Wilson Aparecido Costa deRodrigues, Ana Carolina de AguiarTessarini Junior, Geraldo2024-12-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-05022025-164855/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-21T15:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-05022025-164855Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-21T15:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O trabalho por plataformas no âmbito da chamada gig economy tem sido caracterizado como precário devido a diversos aspectos, como ausência de vínculo empregatício, insegurança financeira, pouca representatividade coletiva e más condições laborais. Nesta tese, avançamos em algumas lacunas teóricas a partir da discussão das diferentes reações dos trabalhadores à gig economy, conectando o campo das relações de trabalho ao das relações de poder. O objetivo geral da tese é compreender os fenômenos de normalização, consentimento e resistência na gig economy, considerando as relações com o contexto de trabalho precário e com as estratégias de gestão e controle dos trabalhadores adotadas pelas empresas-plataforma. Desdobramos o objetivo geral em três objetivos específicos que constituem os três estudos desta tese: um ensaio teórico e dois estudos empíricos desenvolvidos a partir de 27 entrevistas narrativas com motoristas e entregadores de aplicativos de todas as regiões do Brasil. No primeiro estudo, apresentamos um posicionamento crítico e reflexivo sobre a gig economy e construímos a metáfora da obra-prima da exploração para caracterizar um modelo de gestão desumanizado, sofisticado e flexível que oculta sua própria existência e permite às empresas-plataforma alcançar seu projeto de poder às custas do trabalho precário. No segundo estudo, a partir do método de análise de narrativas, discutimos as diferentes faces de precariedade na gig economy e apresentamos o conceito de normalização do trabalho precário, definido como um efeito decorrente das relações de poder que visa conformar o trabalho precário na gig economy como uma realidade aceitável, imutável e/ou inevitável. No último estudo, seguindo uma abordagem de grounded theory, discutimos os antecedentes e as manifestações das reações de consentimento e de resistência à gig economy, explorando aspectos presentes em nível organizacional, individual e coletivo. A partir desses estudos, apresentamos contribuições teóricas, metodológicas e sociais que avançam na compreensão das experiências de trabalho na gig economy, considerando seus atravessamentos nas subjetividades e comportamentos dos trabalhadores. Dessa forma, sustentamos a tese de que a gig economy é mais do que um novo modelo de relação de trabalho: é um fenômeno emergente de organização da vida social por meio de plataformas digitais. Esse fenômeno, denominado nesta tese de obra-prima da exploração, concebe um contexto de trabalho precário que é sustentado por um processo global de flexibilização laboral, e marcado pela ausência de vínculo empregatício, pela exploração e violência na rotina de trabalho e pela sofisticação das estratégias de gestão e controle (gestão algorítmica e cooptação) adotadas pelas empresas-plataforma. Esse contexto pode suscitar diferentes reações dos trabalhadores, como consentimento e resistência, que são atravessadas pelo fenômeno de normalização do trabalho precário. |
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