Da lei ao real: a responsabilidade civil extracontratual por omissão dos municí­pios em casos de desastres discutida nos processos judiciais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Fábio Wendel de Souza
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-31032025-154736/
Resumo: Em um contexto de múltiplas realidades municipais, a presente pesquisa busca compreender quais são os deveres específicos dos municípios na gestão de riscos e de desastres, discutindo os alcances e limitações da atuação local a esse respeito, além das possibilidades para a exclusão da responsabilidade civil dos municípios por omissão em casos de desastres. As fontes de pesquisa foram materiais bibliográficos e documentais, extraídos, em regra, de plataformas de pesquisa pública. Realizado o levantamento de materiais, adotou-se o método de abordagem hipotético-dedutivo, para, primeiro, elencar os deveres vinculados aos municípios, segundo, compreender suas limitações, terceiro, avaliar teses para a exclusão de responsabilidade civil. Em seguida, após pesquisa no portal de jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e análise da fase de conhecimento de vinte e dois processos judiciais, ajuizados em face de municípios, que tratavam da indenização pleiteada aos autores/atingidos por desastres, verificou-se, dentre outras observações, quais eram os argumentos e normativas presentes nas petições iniciais, contestações e sentença, conferindo, ainda, o resultado dos recursos de apelação interpostos, todos no âmbito das Câmaras de Direito Público do referido tribunal. Como resultado, verificou-se que os processos judiciais tiveram petições iniciais fundamentadas em artigos de lei do Código Civil e da Constituição Federal, não incluindo as normativas próprias e específicas sobre Direito dos Desastres, além de argumentos sobre a ciência pelo município das áreas de risco e recorrência dos eventos em anos anteriores. As contestações municipais foram fundamentadas na tese de caso fortuito e força maior diante da imprevisibilidade e/ou magnitude do desastre, além da inexistência de nexo de causalidade entre o evento, o dano e ação ou omissão do réu, além de destacar que o município realizava ações de prevenção e que possui limitação financeira para adotar todas as medidas necessárias. A maioria das sentenças deu integral ou parcial provimento ao pleito autoral, concordando com a responsabilidade do município, mas reduzindo valores de indenização diante da realidade de cada caso e eventuais ausências de documentação necessárias para comprovação da titularidade dos bens atingidos. Os acórdãos de apelação, em regra, mantiveram o integral teor das sentenças. Conclui-se que as partes e o próprio juízo vinculados aos processos judiciais analisados ignoraram as normativas próprias de Direito dos Desastres que poderiam ser utilizadas, empobrecendo as discussões. Por outro lado, notou-se uma predominância de sentenças e acórdãos favoráveis ao pleito dos autores, reconhecendo a responsabilidade civil municipal na gestão de riscos e de desastres e desmerecendo a compreensão do desastre enquanto um caso fortuito ou evento de força maior. Como produto da pesquisa, sugere-se que a Ordem dos Advogados do Brasil difunda entre seus inscritos estudos sobre as normativas vinculadas ao tema, enriquecendo o debate e auxiliando a elaboração de peças judiciais mais robustas, servindo o Protocolo Acesso à Justiça e Desastres: recomendações elaboradas para,o sistema de justiça para atuação em casos de desastres, produzido pela Fundação Getúlio Vargas Direito SP, como instrumento para tanto.
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Realizado o levantamento de materiais, adotou-se o método de abordagem hipotético-dedutivo, para, primeiro, elencar os deveres vinculados aos municípios, segundo, compreender suas limitações, terceiro, avaliar teses para a exclusão de responsabilidade civil. Em seguida, após pesquisa no portal de jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e análise da fase de conhecimento de vinte e dois processos judiciais, ajuizados em face de municípios, que tratavam da indenização pleiteada aos autores/atingidos por desastres, verificou-se, dentre outras observações, quais eram os argumentos e normativas presentes nas petições iniciais, contestações e sentença, conferindo, ainda, o resultado dos recursos de apelação interpostos, todos no âmbito das Câmaras de Direito Público do referido tribunal. Como resultado, verificou-se que os processos judiciais tiveram petições iniciais fundamentadas em artigos de lei do Código Civil e da Constituição Federal, não incluindo as normativas próprias e específicas sobre Direito dos Desastres, além de argumentos sobre a ciência pelo município das áreas de risco e recorrência dos eventos em anos anteriores. As contestações municipais foram fundamentadas na tese de caso fortuito e força maior diante da imprevisibilidade e/ou magnitude do desastre, além da inexistência de nexo de causalidade entre o evento, o dano e ação ou omissão do réu, além de destacar que o município realizava ações de prevenção e que possui limitação financeira para adotar todas as medidas necessárias. A maioria das sentenças deu integral ou parcial provimento ao pleito autoral, concordando com a responsabilidade do município, mas reduzindo valores de indenização diante da realidade de cada caso e eventuais ausências de documentação necessárias para comprovação da titularidade dos bens atingidos. Os acórdãos de apelação, em regra, mantiveram o integral teor das sentenças. Conclui-se que as partes e o próprio juízo vinculados aos processos judiciais analisados ignoraram as normativas próprias de Direito dos Desastres que poderiam ser utilizadas, empobrecendo as discussões. Por outro lado, notou-se uma predominância de sentenças e acórdãos favoráveis ao pleito dos autores, reconhecendo a responsabilidade civil municipal na gestão de riscos e de desastres e desmerecendo a compreensão do desastre enquanto um caso fortuito ou evento de força maior. Como produto da pesquisa, sugere-se que a Ordem dos Advogados do Brasil difunda entre seus inscritos estudos sobre as normativas vinculadas ao tema, enriquecendo o debate e auxiliando a elaboração de peças judiciais mais robustas, servindo o Protocolo Acesso à Justiça e Desastres: recomendações elaboradas para,o sistema de justiça para atuação em casos de desastres, produzido pela Fundação Getúlio Vargas Direito SP, como instrumento para tanto.In a context of multiple municipal realities, this research seeks to understand the specific duties of municipalities in risk and disaster management, discussing the scopes and limitations of local action in this regard, in addition to the possibilities for excluding civil liability of municipalities by default in cases of disasters. The research sources were bibliographic and documentary materials, extracted, as a rule, from public research platforms. Once the materials were collected, the hypothetical-deductive approach method was developed to, firstly, list the duties guaranteed to municipalities, secondly, understand their limitations, thirdly, evaluate theses for the exclusion of civil liability. Then, after research on the jurisdiction portal of the Court of Justice of the State of São Paulo and analysis of the knowledge phase of twenty-two legal proceedings, judged against municipalities, which dealt with the compensation claimed from the perpetrators/affected by disasters, property owners among other observations, what were the arguments and regulations present in the initial petitions, objections and sentence, also checking the results of the appeals filed, all within the scope of the Public Law Chambers of the aforementioned court. As a result, we found that the legal processes, as a rule, had initial petitions based on articles of law from the Civil Code and the Federal Constitution, not including specific regulations on Disaster Law, in addition to arguments about science by the municipality. areas of risk and recurrence of events in previous years. The municipal challenges were based on the thesis of unforeseeable circumstances and force majeure given the unpredictability and/or magnitude of the disaster, in addition to the lack of causal link between the event, the damage and the action or omission of the defendant, in addition to highlighting that the municipality carried out prevention actions and who have financial limitations to adopt all possible measures. The majority of sentences upheld the plaintiff\'s claim in full or in part, agreeing with the municipality\'s responsibility, but adjusting compensation amounts based on the reality of each case and possibly the absence of documentation permitted to prove ownership of the affected assets. The appeal rulings, as a rule, maintained the full content of the sentences. It is concluded that the parties and the court itself, fair to the legal processes analyzed, ignored the regulations specific to Disaster Law that could be used, impoverishing the discussions. On the other hand, there was a predominance of sentences and rulings drawn up at the plaintiffs\' request, recording municipal civil liability in risk and disaster management and undermining the understanding of the disaster as a fortuitous case or force majeure event. As a product of the research, it is suggested that the Brazilian Bar Association disseminate studies on the regulations linked to the topic among its registered members, enriching the debate and helping to prepare more robust legal documents, inserting the Protocol Access to Justice and Disasters: recommendations prepared for the justice system to act in cases of disasters, produced by Fundação Getúlio Vargas Direito SP, as an instrument for this purpose.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPonzilacqua, Marcio Henrique PereiraSilva, Fábio Wendel de Souza2024-09-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-31032025-154736/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-07T17:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-31032025-154736Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-07T17:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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