Pensar dialeticamente e não-dialeticamente: interpretação e história em Theodor W. Adorno

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ribeiro, Felipe
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-12032026-162102/
Resumo: A presente tese oferece um comentário sobre o conceito de \"história natural\" na obra de Theodor W. Adorno. O conjunto pode ser pensado em dois grandes momentos. No primeiro (capítulos 1 e 2), busca-se mostrar que tal conceito visa uma exposição da história como \"segunda natureza\". Para tanto, destaca-se como Adorno se apropria de ideias oriundas da crítica da economia política de Marx, em especial as noções de \"pré-história\" e \"abstração real\", as quais permitem apresentar uma história sem sujeito, em que o universal abstrato predomina realmente sobre os indivíduos. Isto não apenas permite entender melhor a relação de Adorno com a filosofia idealista da história, como também abre caminho para expor como ele propõe uma concepção ampliada de história natural, baseada na dominação da natureza, o que envolve também as críticas ao marxismo. O segundo momento (capítulos 3 a 7) tem por objeto outro aspecto do conceito em questão, que é introduzido quando Adorno se pergunta pela possibilidade de interpretar esse mundo tornado segunda natureza. Esse novo passo quer acenar à possibilidade de transformação da história natural. Adorno evoca, para tanto, a noção de \"perecimento\", que é empregada por Walter Benjamin em Origem do drama barroco alemão para desenvolver o conceito de alegoria. Diferentemente do que é sugerido pela grande maioria dos comentadores, a tese visa mostrar que, mediante tal recurso, Adorno quer tornar filosoficamente produtivos aqueles fenômenos que ficaram deixados de lado pela história, os quais, justamente por não se adaptarem a um progresso irracional, funcionam como refúgio de algo melhor. Essa perspectiva serve de chave para uma abordagem sistemática de vários momentos da obra adorniana, revelando a existência coerente de um tema até hoje pouco explorado. Por fim, é mostrado de que modo Adorno desenvolve um conceito de \"interpretação\" que opera como a figura teórica na qual a experiência desses fenômenos encontra sua devida expressão discursiva. A hipótese principal é que, para \"salvar\" o que a história exclui, o sujeito da interpretação precisa evocar, dentro de si, aquelas faculdades e disposições igualmente condenadas pelo curso do mundo, estabelecendo uma relação de afinidade com o objeto
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Isto não apenas permite entender melhor a relação de Adorno com a filosofia idealista da história, como também abre caminho para expor como ele propõe uma concepção ampliada de história natural, baseada na dominação da natureza, o que envolve também as críticas ao marxismo. O segundo momento (capítulos 3 a 7) tem por objeto outro aspecto do conceito em questão, que é introduzido quando Adorno se pergunta pela possibilidade de interpretar esse mundo tornado segunda natureza. Esse novo passo quer acenar à possibilidade de transformação da história natural. Adorno evoca, para tanto, a noção de \"perecimento\", que é empregada por Walter Benjamin em Origem do drama barroco alemão para desenvolver o conceito de alegoria. Diferentemente do que é sugerido pela grande maioria dos comentadores, a tese visa mostrar que, mediante tal recurso, Adorno quer tornar filosoficamente produtivos aqueles fenômenos que ficaram deixados de lado pela história, os quais, justamente por não se adaptarem a um progresso irracional, funcionam como refúgio de algo melhor. Essa perspectiva serve de chave para uma abordagem sistemática de vários momentos da obra adorniana, revelando a existência coerente de um tema até hoje pouco explorado. Por fim, é mostrado de que modo Adorno desenvolve um conceito de \"interpretação\" que opera como a figura teórica na qual a experiência desses fenômenos encontra sua devida expressão discursiva. A hipótese principal é que, para \"salvar\" o que a história exclui, o sujeito da interpretação precisa evocar, dentro de si, aquelas faculdades e disposições igualmente condenadas pelo curso do mundo, estabelecendo uma relação de afinidade com o objetoThis dissertation offers a commentary on the concept of \"natural history\" in the work of Theodor W. Adorno. The whole can be understood in two major parts. In the first (chapters 1 and 2), the aim is to show that this concept seeks to present history as a \"second nature.\" To this end, the analysis highlights how Adorno appropriates ideas drawn from Marx\'s critique of political economy, especially the notions of \"pre-history\" and \"real abstraction,\" which make it possible to present a history without a subject, in which the abstract universal effectively predominates over individuals. This not only allows for a better understanding of Adorno\'s relationship to the idealist philosophy of history, but also paves the way for explaining how he proposes an expanded conception of natural history based on the domination of nature, which also involves his critiques of Marxism. The second part (chapters 3 to 7) addresses another aspect of the concept in question, which emerges when Adorno asks about the possibility of interpreting this world that has been transformed into second nature. This new step gestures toward the possibility of transforming natural history. To this end, Adorno invokes the notion of \"perishing\", employed by Walter Benjamin in The Origin of German Tragic Drama to develop the concept of allegory. Contrary to what is suggested by the vast majority of commentators, the dissertation seeks to show that, by means of this notion, Adorno aims to make philosophically productive those phenomena that have been left aside by history and which, precisely because they do not conform to irrational progress, function as a refuge for something better. This perspective serves as a key for a systematic approach to several moments in Adorno\'s work, revealing the coherent presence of a theme that has remained largely unexplored. Finally, it is shown how Adorno develops a concept of \"interpretation\" that operates as the theoretical figure through which the experience of these phenomena finds its proper discursive expression. The main hypothesis is that, in order to \"save\" what history excludes, the interpreting subject must evoke within itself those faculties and dispositions likewise condemned by the course of the world, thereby establishing a relation of affinity with the objectBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRepa, Luiz SergioTerra, Ricardo RibeiroRibeiro, Felipe2025-09-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-12032026-162102/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-12T19:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-12032026-162102Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-12T19:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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