Composição e estimativas físico-químicas a partir de fases minerais magmáticas e hidrotermais do alvo cupro-aurífero 47, Província Mineral de Alta Floresta (MT)
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44137/tde-10042025-081936/ |
Resumo: | Técnicas micro analíticas são especialmente úteis na análise de sistemas magmático-hidrotermais, onde os minerais indicadores de depósitos minerais podem revelar mudanças nas condições físico-químicas e os processos que levaram à mineralização. Esse tipo de técnica de análise de química mineral in situ, tem sido amplamente utilizada na exploração mineral para reconstruir parâmetros físico-químicos e processos mineralizantes. No Brasil, o Cráton Amazonas se destaca por seu potencial para depósitos de ouro e outros metais e uma das importantes áreas está situada ao norte do estado de Mato Grosso, conhecida por Província Aurífera de Alta Floresta (PAAF). A PAAF é composta por rochas graníticas, subvulcânicas, vulcânicas e vulcanossedimentares, formadas em contexto de sucessão de arcos magmáticos, o que favorece o ambiente ao desenvolvimento de sistemas magmático-hidrotermais. A região do Domínio Peixoto de Azevedo, ao leste da PAAF, é rica em depósitos de ouro que seguem modelos de sistema pórfiro-epitermail e de tipo intermediate-sulfidation, com grupo de depósitos com mineralização de Au±Cu disseminado e Au±metais base. Diferente do comum de encontrar na PAAF, um novo prospecto mineral, o Alvo-47, se destaca por seu enriquecimento em cobre e baixo teor de ouro, por isso essa ocorrência distinta demanda uma atenção especial quanto ao entendimento da ocorrência. O alvo 47 é constituído por rochas graníticas, com um monzogranito da Suíte Intrusiva Matupá, datada em 1,88Ga intrudida por rochas da Suíte Intrusiva Teles Pires, sendo um monzogranito (1,77 Ga) e rochas máficas (1,76Ga) de composição variável entre monzogabro a quartzo monzonito (Pineschi, 2022). Essas rochas apresentam zona de alteração hidrotermal bem desenvolvidas com uma sequência de halos potássico, sericítico, clorita-sericita e propilítico e a mineralização ocorre em zonas sulfetadas em vênulas e veios de quartzo + calcopirita + pirita. Essas características sugerem que o Alvo-47 seja parte de um sistema do tipo Cu±Au pórfiro. Dado o potencial do Alvo-47, este trabalho tem o objetivo de utilizar o método de química mineral para investigar mais detalhadamente o processo de origem e formação das rochas hospedeiras da mineralização, bem como os halos de alteração desenvolvidos durante a evolução do sistema mineralizante. Para isso foram realizadas análise de química mineral por microssonda eletrônica nos minerais magmáticos biotita, anfibólio, apatita da unidade quartzo monzonítica e biotita das três unidades hospedeiras, e análise nos minerais hidrotermais clorita e mica branca. Com os resultados foi possível calcular a fugacidade de oxigênio, temperatura e pressão. Os resultados de biotita magmática indicaram que a unidade monzogranítica Matupá do Alvo-47 cristalizou-se a profundidades entre 5 e 8 km, a uma temperatura de aproximadamente 680°C. Essa unidade foi posteriormente intrudida por rochas da Suíte Teles Pires, primeiramente pela unidade monzogranítica, colocada a uma profundidade média de 3 km, sob pressões de 0,2 a 0,9 kbar e a temperaturas em torno de 740°C. Em seguida, ocorreu uma grande intrusão de rochas máficas, que variam de monzogabro a quartzo-monzonito, colocadas a pressões de 0,7 a 1,5 kbar e temperaturas entre 730°C e 680°C. Os dados geotermobarométricos permitiram entender mais sobre as rochas quartzo monzonítica, os quais indicam que se originaram em ambiente profundo e ascenderam para um ambiente subvulcânico. A sequência de cristalização do ortopiroxênio, clinopiroxênio, anfibólio e biotita indica que o magma continuou subindo e a colocação do corpo ocorreu em profundidade menore que 3 km e sob temperaturas ainda elevadas entre 650 e 750°C. Os dados de fugacidade de oxigênio (O) sugerem que o magma evoluiu de condições levemente oxidantes para mais redutoras durante a cristalização e o alto teor de flúor na apatita e biotita exibe uma tendência a rápida descompressão e desgaseificação do magma. E por fim, uma fase de biotita reequilibrada associada à mineralização e intensa alteração indica que pode ter ocorrido a entrada de um novo fluido renovando a condição oxidante do ambiente. Por outro lado, as fases de alteração hidrotermal demonstram que os halos de alteração se desenvolveram em temperatura média e alta pressão, respectivamente nos intervalos de 220°C a 281°C e 0,58 a 6,4 kbar. A baixa variação da composição indica que o sistema se desenvolveu em condições relativamente estáveis de temperatura e pressão. Os dados geotermobarométricos e as texturas de clorita e muscovita, aliados a estudos geotermobarométrico sobre a rocha hospedeira e o ambiente magmático responsável pela colocação das rochas na área, sugerem que a mineralização cupro-aurífera no Alvo-47 ocorreu em níveis crustais mais rasos em comparação com outras mineralizações auríferas disseminadas conhecidas na PAAF. |
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Composição e estimativas físico-químicas a partir de fases minerais magmáticas e hidrotermais do alvo cupro-aurífero 47, Província Mineral de Alta Floresta (MT)not availableCu±Au pórfiroCu±Au porphyryGeotermobarometriaGeothermobarometryIntrusão máficaMafic intrusionTécnicas micro analíticas são especialmente úteis na análise de sistemas magmático-hidrotermais, onde os minerais indicadores de depósitos minerais podem revelar mudanças nas condições físico-químicas e os processos que levaram à mineralização. Esse tipo de técnica de análise de química mineral in situ, tem sido amplamente utilizada na exploração mineral para reconstruir parâmetros físico-químicos e processos mineralizantes. No Brasil, o Cráton Amazonas se destaca por seu potencial para depósitos de ouro e outros metais e uma das importantes áreas está situada ao norte do estado de Mato Grosso, conhecida por Província Aurífera de Alta Floresta (PAAF). A PAAF é composta por rochas graníticas, subvulcânicas, vulcânicas e vulcanossedimentares, formadas em contexto de sucessão de arcos magmáticos, o que favorece o ambiente ao desenvolvimento de sistemas magmático-hidrotermais. A região do Domínio Peixoto de Azevedo, ao leste da PAAF, é rica em depósitos de ouro que seguem modelos de sistema pórfiro-epitermail e de tipo intermediate-sulfidation, com grupo de depósitos com mineralização de Au±Cu disseminado e Au±metais base. Diferente do comum de encontrar na PAAF, um novo prospecto mineral, o Alvo-47, se destaca por seu enriquecimento em cobre e baixo teor de ouro, por isso essa ocorrência distinta demanda uma atenção especial quanto ao entendimento da ocorrência. O alvo 47 é constituído por rochas graníticas, com um monzogranito da Suíte Intrusiva Matupá, datada em 1,88Ga intrudida por rochas da Suíte Intrusiva Teles Pires, sendo um monzogranito (1,77 Ga) e rochas máficas (1,76Ga) de composição variável entre monzogabro a quartzo monzonito (Pineschi, 2022). Essas rochas apresentam zona de alteração hidrotermal bem desenvolvidas com uma sequência de halos potássico, sericítico, clorita-sericita e propilítico e a mineralização ocorre em zonas sulfetadas em vênulas e veios de quartzo + calcopirita + pirita. Essas características sugerem que o Alvo-47 seja parte de um sistema do tipo Cu±Au pórfiro. Dado o potencial do Alvo-47, este trabalho tem o objetivo de utilizar o método de química mineral para investigar mais detalhadamente o processo de origem e formação das rochas hospedeiras da mineralização, bem como os halos de alteração desenvolvidos durante a evolução do sistema mineralizante. Para isso foram realizadas análise de química mineral por microssonda eletrônica nos minerais magmáticos biotita, anfibólio, apatita da unidade quartzo monzonítica e biotita das três unidades hospedeiras, e análise nos minerais hidrotermais clorita e mica branca. Com os resultados foi possível calcular a fugacidade de oxigênio, temperatura e pressão. Os resultados de biotita magmática indicaram que a unidade monzogranítica Matupá do Alvo-47 cristalizou-se a profundidades entre 5 e 8 km, a uma temperatura de aproximadamente 680°C. Essa unidade foi posteriormente intrudida por rochas da Suíte Teles Pires, primeiramente pela unidade monzogranítica, colocada a uma profundidade média de 3 km, sob pressões de 0,2 a 0,9 kbar e a temperaturas em torno de 740°C. Em seguida, ocorreu uma grande intrusão de rochas máficas, que variam de monzogabro a quartzo-monzonito, colocadas a pressões de 0,7 a 1,5 kbar e temperaturas entre 730°C e 680°C. Os dados geotermobarométricos permitiram entender mais sobre as rochas quartzo monzonítica, os quais indicam que se originaram em ambiente profundo e ascenderam para um ambiente subvulcânico. A sequência de cristalização do ortopiroxênio, clinopiroxênio, anfibólio e biotita indica que o magma continuou subindo e a colocação do corpo ocorreu em profundidade menore que 3 km e sob temperaturas ainda elevadas entre 650 e 750°C. Os dados de fugacidade de oxigênio (O) sugerem que o magma evoluiu de condições levemente oxidantes para mais redutoras durante a cristalização e o alto teor de flúor na apatita e biotita exibe uma tendência a rápida descompressão e desgaseificação do magma. E por fim, uma fase de biotita reequilibrada associada à mineralização e intensa alteração indica que pode ter ocorrido a entrada de um novo fluido renovando a condição oxidante do ambiente. Por outro lado, as fases de alteração hidrotermal demonstram que os halos de alteração se desenvolveram em temperatura média e alta pressão, respectivamente nos intervalos de 220°C a 281°C e 0,58 a 6,4 kbar. A baixa variação da composição indica que o sistema se desenvolveu em condições relativamente estáveis de temperatura e pressão. Os dados geotermobarométricos e as texturas de clorita e muscovita, aliados a estudos geotermobarométrico sobre a rocha hospedeira e o ambiente magmático responsável pela colocação das rochas na área, sugerem que a mineralização cupro-aurífera no Alvo-47 ocorreu em níveis crustais mais rasos em comparação com outras mineralizações auríferas disseminadas conhecidas na PAAF.Microanalytical techniques are especially useful in the analysis of magmatic-hydrothermal systems, where mineral indicators of mineral deposits can reveal changes in physicochemical conditions and the processes that led to mineralization. This type of in situ mineral chemistry analysis technique has been widely used in mineral exploration to reconstruct physicochemical parameters and mineralizing processes. In Brazil, the Amazon Craton stands out for its potential for gold and other metal deposits, and one of the important areas is located in the northern state of Mato Grosso, known as the Alta Floresta Gold Province (PAAF). PAAF consists of granitic, subvolcanic, volcanic, and volcanosedimentary rocks, formed in a context of successive magmatic arcs, which favor the development of magmatic-hydrothermal systems. The Peixoto de Azevedo Domain region, to the east of PAAF, is rich in gold deposits that follow porphyry-epithermal systems and intermediate-sulfidation type models, with groups of deposits containing disseminated Au±Cu and Au±base metals. A new mineral prospect, Alvo-47, differs from what is commonly found in PAAF by its copper enrichment and low gold content, and this distinct occurrence requires special attention in understanding its formation. Alvo-47 consists of granitic rocks, with a monzogranite from the Matupá Intrusive Suite, dated at 1.88 Ga, intruded by rocks from the Teles Pires Intrusive Suite, including a monzogranite (1.77 Ga) and mafic rocks (1.76 Ga) of varying composition between monzogabbro and quartz monzonite (Pineschi, 2022). These rocks exhibit well-developed hydrothermal alteration zones with a sequence of potassic, sericitic, chlorite-sericite, and propylitic halos, and mineralization occurs in sulfide zones in quartz + chalcopyrite + pyrite veins. These characteristics suggest that Alvo-47 is part of a Cu±Au porphyry-type system. Given the potential of Alvo-47, this study aims to use mineral chemistry methods to investigate in more detail the origin and formation processes of the mineralization host rocks, as well as the alteration halos developed during the evolution of the mineralizing system. For this purpose, mineral chemistry analyses were did using an electron microprobe on the magmatic minerals biotite, amphibole, and apatite from the quartz monzonite unit, and biotite from the three host units, as well as analyses on hydrothermal minerals chlorite and white mica. The results enabled the calculation of oxygen fugacity, temperature, and pressure. The results from magmatic biotite indicated that the Matupá monzogranitic unit of Alvo-47 crystallized at depths between 5 and 8 km, at a temperature of approximately 680°C. The Teles Pires Suite that intruded the monzogranite was emplaced at an average depth of 3 km, under pressures of 0.2 to 0.9 kbar, and at temperatures around 740°C. Subsequently, a large intrusion of mafic rocks occurred, varying from monzogabbro to quartz-monzonite, emplaced at pressures of 0.7 to 1.5 kbar and temperatures between 730°C and 680°C. Geothermobarometric data provided further insights into the quartz monzonite rocks, indicating that they originated in a deep environment and emplaced in a subvolcanic setting. The crystallization sequence of orthopyroxene, clinopyroxene, amphibole, and biotite indicates that the magma continued to ascend, with emplacement occurring at depths less than 3 km and at still elevated temperatures between 650 and 750°C. Oxygen fugacity (O) data suggest that the magma evolved from slightly oxidizing to more reducing conditions during crystallization, and the high fluorine content in apatite and biotite shows a trend toward rapid decompression and degassing of the magma. Finally, a phase of reequilibrated biotite associated with mineralization and intense alteration indicates that new fluid influx may have occurred, renewing the oxidizing condition of the environment. On the other hand, the hydrothermal alteration phases demonstrate that the alteration halos developed at medium temperature and high pressure, respectively in the ranges of 220°C to 281°C and 0.58 to 6.4 kbar. The low compositional variation indicates that the system developed under relatively stable temperature and pressure conditions. Geothermobarometric data and the textures of chlorite and muscovite, along with geothermobarometric studies on the host rock and magmatic environment responsible for the emplacement of the rocks in the area, suggest that the copper-gold mineralization at Alvo-47 occurred at shallower crustal levels compared to other known disseminated gold mineralizations in PAAF.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAssis, Rafael Rodrigues deOliveira, Elis Figueiredo2024-11-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44137/tde-10042025-081936/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-10T13:05:02Zoai:teses.usp.br:tde-10042025-081936Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-10T13:05:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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