Mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Minas Gerais: padrões espaço-temporais e associação com indicadores sociais
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-27112025-151320/ |
Resumo: | As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo e representa um problema de saúde pública. Dentre elas, o acidente vascular cerebral (AVC) corresponde à terceira principal causa de morte no Brasil. Parte dessas mortes poderia ser evitada abordando-se os fatores de risco. O presente estudo tem como objetivo analisar o padrão espaço-temporal da mortalidade por AVC em Minas Gerais, de 1980 a 2021, e sua respectiva associação com indicadores sociais. O presente estudo tem duas hipóteses. A primeira supõe a existência de conglomerados de taxas altas de mortalidade por AVC na região norte e nordeste de Minas Gerais, área com piores condições socioeconômicas; e conglomerados de taxas baixas na região sul e sudoeste do estado. A segunda hipótese supõe a identificação de associação negativa da mortalidade por AVC com indicadores que representam o nível socioeconômico da população. A identificação de conglomerados e indicadores associados podem auxiliar os gestores na formulação de políticas públicas intersetoriais. Trata-se de um estudo de base populacional, com dados secundários agrupados por municípios e microrregiões. As estatísticas vitais foram coletadas no DATASUS, os indicadores sociais foram as cinco dimensões do Índice Mineiro de Responsabilidade Social: saúde, educação, segurança, vulnerabilidade e saneamento. Na análise de tendência temporal foi utilizada regressão linear segmentada. Foram consideradas as taxas bruta, ajustada por idade e sexo, específicas por faixas etárias. A análise espaço-temporal foi conduzida em duas escalas de agregação espacial, sendo a primeira com as 66 microrregiões de Minas Gerais. Foram usados mapas coropléticos com taxas quinquenais e teste de varredura espacial, de 1980 a 2021. Na segunda análise foram considerados os 853 municípios de Minas Gerais, de 2014 a 2022. Foi utilizado o teste de varredura espacial e a associação da mortalidade por AVC com os indicadores sociais foi estimada pela regressão espacial (spatial lag). De 1980 a 2021 ocorreram 392.521 mortes por AVC (taxa de 52,6/100 mil habitantes-ano). Todas as taxas (bruta, ajustada, por faixas etárias) apresentaram tendência de diminuição significativa, com velocidade menor na taxa bruta (variação percentual anual [VPA] = -0,70) e maior na faixa etária de 20 a 39 anos (VPA = -4,48). Na análise por microrregiões, identificou-se um conglomerado no sul/sudeste de taxas altas (1980-1999; risco relativo [RR] = 2,06), e no norte/noroeste, com taxas baixas (2008-2021; RR = 0,59). A diminuição foi mais intensa no sul/sudeste (VPA = -3,64). A análise municipal, puramente espacial, identificou 13 conglomerados dispersos, sendo oito de taxas altas (risco relativo [RR] = 1,08 a 1,31) cinco de taxas baixas (RR = 0,80 a 0,89). A análise espaço-temporal identificou quatro conglomerados de taxas altas (2014-2017; RR = 1,18 a 1,48) e três de taxas baixas (2018-2022; RR = 0,66 a 0,87) dispersos no estado. Dado que foram identificados conglomerados de taxas altas e baixas dispersos pelo estado, a primeira hipótese foi refutada. Foi identificada associação negativa da mortalidade por AVC com os indicadores saúde (? = 7,64), educação (? = -7,21), segurança (? = -3,43) e R2 de 0,41, portanto a segunda hipótese foi confirmada. Este estudo pode subsidiar a formulação de políticas públicas intersetoriais, visando a redução das desigualdades sociais |
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Mortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) em Minas Gerais: padrões espaço-temporais e associação com indicadores sociaisStroke mortality in Minas Gerais: spatial-temporal patterns and association with socialAcidente cerebrovascularAnálise espaço-temporalDerrameDistribuição temporalEcological studiesEstudos ecológicosMortality recordsRegistros de mortalidadeSpatio-Temporal analysisStrokeTemporal distributionAs doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo e representa um problema de saúde pública. Dentre elas, o acidente vascular cerebral (AVC) corresponde à terceira principal causa de morte no Brasil. Parte dessas mortes poderia ser evitada abordando-se os fatores de risco. O presente estudo tem como objetivo analisar o padrão espaço-temporal da mortalidade por AVC em Minas Gerais, de 1980 a 2021, e sua respectiva associação com indicadores sociais. O presente estudo tem duas hipóteses. A primeira supõe a existência de conglomerados de taxas altas de mortalidade por AVC na região norte e nordeste de Minas Gerais, área com piores condições socioeconômicas; e conglomerados de taxas baixas na região sul e sudoeste do estado. A segunda hipótese supõe a identificação de associação negativa da mortalidade por AVC com indicadores que representam o nível socioeconômico da população. A identificação de conglomerados e indicadores associados podem auxiliar os gestores na formulação de políticas públicas intersetoriais. Trata-se de um estudo de base populacional, com dados secundários agrupados por municípios e microrregiões. As estatísticas vitais foram coletadas no DATASUS, os indicadores sociais foram as cinco dimensões do Índice Mineiro de Responsabilidade Social: saúde, educação, segurança, vulnerabilidade e saneamento. Na análise de tendência temporal foi utilizada regressão linear segmentada. Foram consideradas as taxas bruta, ajustada por idade e sexo, específicas por faixas etárias. A análise espaço-temporal foi conduzida em duas escalas de agregação espacial, sendo a primeira com as 66 microrregiões de Minas Gerais. Foram usados mapas coropléticos com taxas quinquenais e teste de varredura espacial, de 1980 a 2021. Na segunda análise foram considerados os 853 municípios de Minas Gerais, de 2014 a 2022. Foi utilizado o teste de varredura espacial e a associação da mortalidade por AVC com os indicadores sociais foi estimada pela regressão espacial (spatial lag). De 1980 a 2021 ocorreram 392.521 mortes por AVC (taxa de 52,6/100 mil habitantes-ano). Todas as taxas (bruta, ajustada, por faixas etárias) apresentaram tendência de diminuição significativa, com velocidade menor na taxa bruta (variação percentual anual [VPA] = -0,70) e maior na faixa etária de 20 a 39 anos (VPA = -4,48). Na análise por microrregiões, identificou-se um conglomerado no sul/sudeste de taxas altas (1980-1999; risco relativo [RR] = 2,06), e no norte/noroeste, com taxas baixas (2008-2021; RR = 0,59). A diminuição foi mais intensa no sul/sudeste (VPA = -3,64). A análise municipal, puramente espacial, identificou 13 conglomerados dispersos, sendo oito de taxas altas (risco relativo [RR] = 1,08 a 1,31) cinco de taxas baixas (RR = 0,80 a 0,89). A análise espaço-temporal identificou quatro conglomerados de taxas altas (2014-2017; RR = 1,18 a 1,48) e três de taxas baixas (2018-2022; RR = 0,66 a 0,87) dispersos no estado. Dado que foram identificados conglomerados de taxas altas e baixas dispersos pelo estado, a primeira hipótese foi refutada. Foi identificada associação negativa da mortalidade por AVC com os indicadores saúde (? = 7,64), educação (? = -7,21), segurança (? = -3,43) e R2 de 0,41, portanto a segunda hipótese foi confirmada. Este estudo pode subsidiar a formulação de políticas públicas intersetoriais, visando a redução das desigualdades sociaisCardiovascular diseases are the leading cause of death in Brazil and worldwide and represent a public health problem. Among them, stroke is the third leading cause of death in Brazil. Some of these deaths could be prevented by addressing risk factors. This study aims to analyze the spatial-temporal pattern of stroke mortality in Minas Gerais, from 1980 to 2021, and its respective association with social indicators. This study has two hypotheses. The first assumes the existence of clusters of high stroke mortality rates in the north and northeast regions of Minas Gerais, areas with the worst socioeconomic conditions; and clusters of low rates in the south and southwest regions of the state. The second hypothesis assumes the identification of a negative association between stroke mortality and indicators that represent the socioeconomic level of the population. The identification of clusters and associated indicators can assist managers in formulating intersectoral public policies. This is a population-based study with secondary data grouped by municipalities and microregions. Vital statistics were collected from DATASUS, and social indicators were the five dimensions of the Minas Gerais Social Responsibility Index: health, education, safety, vulnerability, and sanitation. Segmented linear regression was used in the temporal trend analysis. Crude rates, adjusted for age and sex, and specific to age groups were considered. The spatiotemporal analysis was conducted on two spatial aggregation scales, the first with the 66 microregions of Minas Gerais. Choropleth maps with five-year rates and a spatial scanning test were used, from 1980 to 2021. The second analysis considered the 853 municipalities of Minas Gerais, from 2014 to 2022. The spatial scanning test was used and the association of stroke mortality with social indicators was estimated by spatial regression (spatial lag). From 1980 to 2021, 392,521 deaths from stroke occurred (rate of 52.6/100,000 population-years). All rates (crude, adjusted, by age group) showed a significant downward trend, with a slower speed in the crude rate (annual percentage change [APC] = -0.70) and a faster rate in the 20 to 39 age group (APC = -4.48). In the analysis by microregions, a cluster was identified in the south/southeast with high rates (1980-1999; relative risk [RR] = 2.06), and in the north/northwest, with low rates (2008-2021; RR = 0.59). The decrease was more intense in the south/southeast (APC = 3.64). The municipal analysis, purely spatial, identified 13 dispersed clusters, eight with high rates (relative risk [RR] = 1.08 to 1.31) and five with low rates (RR = 0.80 to 0.89). The spatiotemporal analysis identified four clusters with high rates (2014-2017; RR = 1.18 to 1.48) and three with low rates (2018-2022; RR = 0.66 to 0.87) dispersed throughout the state. Given that clusters with high and low rates were identified throughout the state, the first hypothesis was refuted. A negative association between stroke mortality and the indicators health (? = 7.64), education (? = -7.21), and safety (? = -3.43) was identified, with an R2 of 0.41, therefore the second hypothesis was confirmed. This study can support the formulation of intersectoral public policies, aiming at reducing social inequalitiesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPQueiroz Filho, Alfredo Pereira deBando, Daniel Hideki2025-08-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-27112025-151320/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-27T17:28:02Zoai:teses.usp.br:tde-27112025-151320Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-27T17:28:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo e representa um problema de saúde pública. Dentre elas, o acidente vascular cerebral (AVC) corresponde à terceira principal causa de morte no Brasil. Parte dessas mortes poderia ser evitada abordando-se os fatores de risco. O presente estudo tem como objetivo analisar o padrão espaço-temporal da mortalidade por AVC em Minas Gerais, de 1980 a 2021, e sua respectiva associação com indicadores sociais. O presente estudo tem duas hipóteses. A primeira supõe a existência de conglomerados de taxas altas de mortalidade por AVC na região norte e nordeste de Minas Gerais, área com piores condições socioeconômicas; e conglomerados de taxas baixas na região sul e sudoeste do estado. A segunda hipótese supõe a identificação de associação negativa da mortalidade por AVC com indicadores que representam o nível socioeconômico da população. A identificação de conglomerados e indicadores associados podem auxiliar os gestores na formulação de políticas públicas intersetoriais. Trata-se de um estudo de base populacional, com dados secundários agrupados por municípios e microrregiões. As estatísticas vitais foram coletadas no DATASUS, os indicadores sociais foram as cinco dimensões do Índice Mineiro de Responsabilidade Social: saúde, educação, segurança, vulnerabilidade e saneamento. Na análise de tendência temporal foi utilizada regressão linear segmentada. Foram consideradas as taxas bruta, ajustada por idade e sexo, específicas por faixas etárias. A análise espaço-temporal foi conduzida em duas escalas de agregação espacial, sendo a primeira com as 66 microrregiões de Minas Gerais. Foram usados mapas coropléticos com taxas quinquenais e teste de varredura espacial, de 1980 a 2021. Na segunda análise foram considerados os 853 municípios de Minas Gerais, de 2014 a 2022. Foi utilizado o teste de varredura espacial e a associação da mortalidade por AVC com os indicadores sociais foi estimada pela regressão espacial (spatial lag). De 1980 a 2021 ocorreram 392.521 mortes por AVC (taxa de 52,6/100 mil habitantes-ano). Todas as taxas (bruta, ajustada, por faixas etárias) apresentaram tendência de diminuição significativa, com velocidade menor na taxa bruta (variação percentual anual [VPA] = -0,70) e maior na faixa etária de 20 a 39 anos (VPA = -4,48). Na análise por microrregiões, identificou-se um conglomerado no sul/sudeste de taxas altas (1980-1999; risco relativo [RR] = 2,06), e no norte/noroeste, com taxas baixas (2008-2021; RR = 0,59). A diminuição foi mais intensa no sul/sudeste (VPA = -3,64). A análise municipal, puramente espacial, identificou 13 conglomerados dispersos, sendo oito de taxas altas (risco relativo [RR] = 1,08 a 1,31) cinco de taxas baixas (RR = 0,80 a 0,89). A análise espaço-temporal identificou quatro conglomerados de taxas altas (2014-2017; RR = 1,18 a 1,48) e três de taxas baixas (2018-2022; RR = 0,66 a 0,87) dispersos no estado. Dado que foram identificados conglomerados de taxas altas e baixas dispersos pelo estado, a primeira hipótese foi refutada. Foi identificada associação negativa da mortalidade por AVC com os indicadores saúde (? = 7,64), educação (? = -7,21), segurança (? = -3,43) e R2 de 0,41, portanto a segunda hipótese foi confirmada. Este estudo pode subsidiar a formulação de políticas públicas intersetoriais, visando a redução das desigualdades sociais |
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