Doença respiratória exacerbada por aspirina e anti-inflamatórios não-esteroidais: papel da resposta IgE a enterotoxinas de Staphylococcus aureus
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Resumo: | Introdução - A Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não-esteroidais (DREA) é caracterizada por uma tríade clínica que inclui asma, rinossinusite crônica com pólipos nasais e hipersensibilidade a aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Essa condição é frequentemente associada a inflamação eosinofílica crônica das vias aéreas, que se agrava com a exposição a AINEs, resultando em exacerbações respiratórias graves. Sensibilização IgE a enterotoxinas de S. aureus (SE) está associada a doenças das vias aéreas como rinite alérgica, rinossinusite crônica e asma. A sensibilização SE-IgE foi associada a maior gravidade da asma, a exacerbações agudas, ao uso de corticosteroides orais, a diminuição da função pulmonar e a presença de rinossinusite crônica com pólipos nasais frequentemente associada a asma mais grave. Além disso, SE-sIgE esteve significativamente associada a asma eosinofílica e a sua gravidade em pacientes idosos com asma de inicio tardio. Objetivos - Avaliar a presença de resposta IgE a enterotoxinas de Staphylococus aureus em uma coorte de pacientes adultos com diagnóstico de Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não esteroidais (DREA), e comparar com a resposta em pacientes com rinite alérgica e em indivíduos saudáveis. Métodos - Dosagem de IgE específica para as enterotoxinas de S. aureus SEA, SEB e SEC foi realizada por método de fluorescência enzimática, utilizando o sistema ImmunoCAP, com limite de detecção igual ou maior que 0,1 kUA/L, em soro de pacientes com DREA (n = 29), rinite alérgica (n = 12) e indivíduos saudáveis (n = 22). Resultados - Anticorpos IgE para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus foram detectáveis em 22/29 (76%); 7/12 (58%); e 6/22 (27%) pacientes com DREA, rinite alérgica e indivíduos saudáveis. Entretanto, não houve diferença significante entre os níveis de IgE para enterotoxinas de S. aureus nos 3 grupos estudados. Pacientes com DREA que tiveram IgE específica detectável para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus (n = 22) tiveram IgE total mais elevada (mediana 224,5 kU/L e 130 kU/L) e maior número de eosinófilos por campo de grande aumento (média 123,3 eos/CGA e 91,4 eos/CGA) quando comparados a pacientes com DREA que não apresentaram IgE específica para enterotoxinas de S. aureus (n = 7), respectivamente. Não houve diferença significante na idade dos pacientes e na contagem de eosinófilos em sangue periférico. Conclusões - Os resultados sugerem que a presença de anticorpos IgE para enterotoxinas de S. aureus em pacientes com DREA pode estar associada a resposta tipo 2 mais exacerbada, dada por níveis mais elevados de IgE total e maior eosinofilia tecidual, sendo portanto potencial biomarcador de maior gravidade de doença em pacientes com DREA. |
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Doença respiratória exacerbada por aspirina e anti-inflamatórios não-esteroidais: papel da resposta IgE a enterotoxinas de Staphylococcus aureusAspirin- and nonsteroidal anti-inflammatory drug-exacerbated respiratory disease: the role of IgE response to Staphylococcus aureus enterotoxinsS. aureusS. aureusAERDDREAEnterotoxinasEnterotoxinsIntrodução - A Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não-esteroidais (DREA) é caracterizada por uma tríade clínica que inclui asma, rinossinusite crônica com pólipos nasais e hipersensibilidade a aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Essa condição é frequentemente associada a inflamação eosinofílica crônica das vias aéreas, que se agrava com a exposição a AINEs, resultando em exacerbações respiratórias graves. Sensibilização IgE a enterotoxinas de S. aureus (SE) está associada a doenças das vias aéreas como rinite alérgica, rinossinusite crônica e asma. A sensibilização SE-IgE foi associada a maior gravidade da asma, a exacerbações agudas, ao uso de corticosteroides orais, a diminuição da função pulmonar e a presença de rinossinusite crônica com pólipos nasais frequentemente associada a asma mais grave. Além disso, SE-sIgE esteve significativamente associada a asma eosinofílica e a sua gravidade em pacientes idosos com asma de inicio tardio. Objetivos - Avaliar a presença de resposta IgE a enterotoxinas de Staphylococus aureus em uma coorte de pacientes adultos com diagnóstico de Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não esteroidais (DREA), e comparar com a resposta em pacientes com rinite alérgica e em indivíduos saudáveis. Métodos - Dosagem de IgE específica para as enterotoxinas de S. aureus SEA, SEB e SEC foi realizada por método de fluorescência enzimática, utilizando o sistema ImmunoCAP, com limite de detecção igual ou maior que 0,1 kUA/L, em soro de pacientes com DREA (n = 29), rinite alérgica (n = 12) e indivíduos saudáveis (n = 22). Resultados - Anticorpos IgE para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus foram detectáveis em 22/29 (76%); 7/12 (58%); e 6/22 (27%) pacientes com DREA, rinite alérgica e indivíduos saudáveis. Entretanto, não houve diferença significante entre os níveis de IgE para enterotoxinas de S. aureus nos 3 grupos estudados. Pacientes com DREA que tiveram IgE específica detectável para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus (n = 22) tiveram IgE total mais elevada (mediana 224,5 kU/L e 130 kU/L) e maior número de eosinófilos por campo de grande aumento (média 123,3 eos/CGA e 91,4 eos/CGA) quando comparados a pacientes com DREA que não apresentaram IgE específica para enterotoxinas de S. aureus (n = 7), respectivamente. Não houve diferença significante na idade dos pacientes e na contagem de eosinófilos em sangue periférico. Conclusões - Os resultados sugerem que a presença de anticorpos IgE para enterotoxinas de S. aureus em pacientes com DREA pode estar associada a resposta tipo 2 mais exacerbada, dada por níveis mais elevados de IgE total e maior eosinofilia tecidual, sendo portanto potencial biomarcador de maior gravidade de doença em pacientes com DREA.Introduction - Aspirin-Exacerbated Respiratory Disease (AERD) is characterized by a clinical triad that includes asthma, chronic rhinosinusitis with nasal polyps (CRSwNP), and hypersensitivity to aspirin and other non-steroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs). This condition is often associated with chronic eosinophilic inflammation of the airways, which worsens upon exposure to NSAIDs, leading to severe respiratory exacerbations. IgE sensitization to Staphylococcus aureus enterotoxins (SE) has been associated with airway diseases such as allergic rhinitis, chronic rhinosinusitis, and asthma. SE-IgE sensitization has been linked to greater asthma severity, acute exacerbations, use of oral corticosteroids, reduced lung function, and the presence of CRSwNP frequently associated with more severe asthma. Additionally, SE-sIgE has been significantly associated with eosinophilic asthma and its severity in elderly patients with late-onset asthma. Objectives - To evaluate the presence of IgE response to Staphylococcus aureus enterotoxins in a cohort of adult patients d iagnosed with Aspirin- Exacerbated Respiratory Disease (AERD), and to compare this response with patients with allergic rhinitis and healthy individuals. Methods - Specific IgE to S. aureus enterotoxins SEA, SEB, and SEC was measured using a fluorescence enzyme method with the ImmunoCAP system. The detection limit was ≥0.1 kUA/L, using serum from patients with AERD (n = 29), allergic rhinitis (n = 12), and healthy individuals (n = 22). Results - IgE antibodies to at least one S. aureus enterotoxin were detectable in 22/29 (76%) of patients with AERD, 7/12 (58%) of patients with allergic rhinitis, and 6/22 (27%) of healthy individuals. However, there was no statistically significant difference in IgE levels for S. aureus enterotoxins among the three groups. AERD patients who had detectable specific IgE to at least one S. aureus enterotoxin (n = 22) showed higher total IgE levels (median 224.5 kU/L vs. 130 kU/L) and a higher number of eosinophils per high-power field (mean 123.3 eos/HPF vs. 91.4 eos/HPF) compared to AERD patients without detectable SE-specific IgE (n = 7). There was no significant difference in patient age or peripheral blood eosinophil count. Conclusions - The results suggest that the presence of IgE antibodies to S. aureus enterotoxins in patients with AERD may be associated with exacerbated type 2 inflammatory response, reflected by higher total IgE levels and greater tissue eosinophilia. Therefore, SE-IgE may serve as a potential biomarker of disease severity in patients with AERD.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPArruda, Luisa Karla de PaulaLaignier, Bruno Ferreira Franco2025-08-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-28112025-115651/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-19T19:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-28112025-115651Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-19T19:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução - A Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não-esteroidais (DREA) é caracterizada por uma tríade clínica que inclui asma, rinossinusite crônica com pólipos nasais e hipersensibilidade a aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). Essa condição é frequentemente associada a inflamação eosinofílica crônica das vias aéreas, que se agrava com a exposição a AINEs, resultando em exacerbações respiratórias graves. Sensibilização IgE a enterotoxinas de S. aureus (SE) está associada a doenças das vias aéreas como rinite alérgica, rinossinusite crônica e asma. A sensibilização SE-IgE foi associada a maior gravidade da asma, a exacerbações agudas, ao uso de corticosteroides orais, a diminuição da função pulmonar e a presença de rinossinusite crônica com pólipos nasais frequentemente associada a asma mais grave. Além disso, SE-sIgE esteve significativamente associada a asma eosinofílica e a sua gravidade em pacientes idosos com asma de inicio tardio. Objetivos - Avaliar a presença de resposta IgE a enterotoxinas de Staphylococus aureus em uma coorte de pacientes adultos com diagnóstico de Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina e Anti-inflamatórios não esteroidais (DREA), e comparar com a resposta em pacientes com rinite alérgica e em indivíduos saudáveis. Métodos - Dosagem de IgE específica para as enterotoxinas de S. aureus SEA, SEB e SEC foi realizada por método de fluorescência enzimática, utilizando o sistema ImmunoCAP, com limite de detecção igual ou maior que 0,1 kUA/L, em soro de pacientes com DREA (n = 29), rinite alérgica (n = 12) e indivíduos saudáveis (n = 22). Resultados - Anticorpos IgE para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus foram detectáveis em 22/29 (76%); 7/12 (58%); e 6/22 (27%) pacientes com DREA, rinite alérgica e indivíduos saudáveis. Entretanto, não houve diferença significante entre os níveis de IgE para enterotoxinas de S. aureus nos 3 grupos estudados. Pacientes com DREA que tiveram IgE específica detectável para pelo menos uma enterotoxina de S. aureus (n = 22) tiveram IgE total mais elevada (mediana 224,5 kU/L e 130 kU/L) e maior número de eosinófilos por campo de grande aumento (média 123,3 eos/CGA e 91,4 eos/CGA) quando comparados a pacientes com DREA que não apresentaram IgE específica para enterotoxinas de S. aureus (n = 7), respectivamente. Não houve diferença significante na idade dos pacientes e na contagem de eosinófilos em sangue periférico. Conclusões - Os resultados sugerem que a presença de anticorpos IgE para enterotoxinas de S. aureus em pacientes com DREA pode estar associada a resposta tipo 2 mais exacerbada, dada por níveis mais elevados de IgE total e maior eosinofilia tecidual, sendo portanto potencial biomarcador de maior gravidade de doença em pacientes com DREA. |
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