Caracterização evolutiva de pacientes com oftalmoplegia externa progressiva crônica causada por deleção única no DNA mitocondrial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Scarpellini, Giuliano Roberto
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-17012025-113647/
Resumo: A oftalmoplegia externa progressiva crônica (CPEO) é uma manifestação comum das miopatias mitocondriais e se caracteriza por fraqueza da musculatura ocular extrínseca e ptose palpebral. Há uma grande variabilidade fenotípica, podendo existir miopatia ocular pura, acometimento miopático mais difuso com mialgia, fadiga e fraqueza ou uma apresentação multissistêmica com distúrbio de condução cardíaca, endocrinopatia, ataxia, surdez neurossensorial e comprometimento cognitivo. A maioria dos casos decorre de grande deleção única no DNA mitocondrial (DNAmt), ou, em uma menor proporção, de mutações de ponto no DNA nuclear ou DNAmt. Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva e prospectiva de pacientes com CPEO associado a deleção única do DNAmt que realizam seguimento no HC-FMRPUSP e já previamente avaliados em estudo de 2007. O objetivo foi caracterizar a evolução clinica, incluindo exame físico e achados laboratoriais, associações com características das deleções e identificar possíveis fatores de prognóstico evolutivo. Foram incluídos 10 pacientes, dos quais 4 evoluíram a óbito durante o seguimento. Eram 7 mulheres e 3 homens, de 10 diferentes famílias. A idade média de início foi de 19,4 anos. O sintoma inicial mais frequente foi ptose palpebral (70%), seguido de oftalmoparesia (10%), fraqueza de membros (10%) e diplopia (10%). Observa-se uma alta frequência de sintomas musculares como fraqueza (70%), disfagia (30%), disfonia (20%), fadiga (30%) e mialgia (20%), em avaliação inicial. Porém ao longo do seguimento longitudinal esses sintomas são ainda mais prevalentes: intolerância ao exercício (100%), fraqueza (100%), disfagia (30%), disfonia (50%), fadiga (70%), mialgia (70%) e cãibras (30%). Sintomas sistêmicos também foram importantes em avaliação inicial: queixas visuais (10%), hipoacusia (10%), alterações gastrointestinais (10%); e durante o seguimento também tiveram incidência aumentada: queixa visual (70%), hipoacusia (20%) alterações gastrointestinais (50%), ataxia de marcha (50%). As avaliações funcionais aplicadas (Escala de Vignos modifica por Brooke e Barthel) não tiveram alterações significativas em seguimento longitudinal. Porém escores de somatório de MRC (Escala de força do Conselho de Pesquisas Médicas) tiveram associação com óbito e foram capazes de demonstrar caráter evolutivo da doença. Os exames laboratoriais utilizados no acompanhamento não identificaram alterações no período analisado. Não foi encontrada correlação entre o tamanho da deleção e a porcentagem de fibras vermelhas rasgadas em biópsia de músculo ou entre tamanho de deleções e variação dos escores de MRC entre as avaliações. Assim o estudo reforça o acometimento multissistêmico da CPEO, ressaltando a importância do rastreio e investigação sistematizada de queixas e sintomas ao longo do seguimento. A utilização de avaliação estruturada e a somatória de escores do MRC são úteis no seguimento longitudinal dos pacientes e na avaliação de prognóstico.
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A maioria dos casos decorre de grande deleção única no DNA mitocondrial (DNAmt), ou, em uma menor proporção, de mutações de ponto no DNA nuclear ou DNAmt. Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva e prospectiva de pacientes com CPEO associado a deleção única do DNAmt que realizam seguimento no HC-FMRPUSP e já previamente avaliados em estudo de 2007. O objetivo foi caracterizar a evolução clinica, incluindo exame físico e achados laboratoriais, associações com características das deleções e identificar possíveis fatores de prognóstico evolutivo. Foram incluídos 10 pacientes, dos quais 4 evoluíram a óbito durante o seguimento. Eram 7 mulheres e 3 homens, de 10 diferentes famílias. A idade média de início foi de 19,4 anos. O sintoma inicial mais frequente foi ptose palpebral (70%), seguido de oftalmoparesia (10%), fraqueza de membros (10%) e diplopia (10%). Observa-se uma alta frequência de sintomas musculares como fraqueza (70%), disfagia (30%), disfonia (20%), fadiga (30%) e mialgia (20%), em avaliação inicial. Porém ao longo do seguimento longitudinal esses sintomas são ainda mais prevalentes: intolerância ao exercício (100%), fraqueza (100%), disfagia (30%), disfonia (50%), fadiga (70%), mialgia (70%) e cãibras (30%). Sintomas sistêmicos também foram importantes em avaliação inicial: queixas visuais (10%), hipoacusia (10%), alterações gastrointestinais (10%); e durante o seguimento também tiveram incidência aumentada: queixa visual (70%), hipoacusia (20%) alterações gastrointestinais (50%), ataxia de marcha (50%). As avaliações funcionais aplicadas (Escala de Vignos modifica por Brooke e Barthel) não tiveram alterações significativas em seguimento longitudinal. Porém escores de somatório de MRC (Escala de força do Conselho de Pesquisas Médicas) tiveram associação com óbito e foram capazes de demonstrar caráter evolutivo da doença. Os exames laboratoriais utilizados no acompanhamento não identificaram alterações no período analisado. Não foi encontrada correlação entre o tamanho da deleção e a porcentagem de fibras vermelhas rasgadas em biópsia de músculo ou entre tamanho de deleções e variação dos escores de MRC entre as avaliações. Assim o estudo reforça o acometimento multissistêmico da CPEO, ressaltando a importância do rastreio e investigação sistematizada de queixas e sintomas ao longo do seguimento. A utilização de avaliação estruturada e a somatória de escores do MRC são úteis no seguimento longitudinal dos pacientes e na avaliação de prognóstico.Chronic progressive external ophthalmoplegia (CPEO) is one of the most common manifestations of mitochondrial myopathies, characterized by extraocular muscles weakness and ptosis. There is wide phenotypic variability, may present with pure ocular myopathy, diffuse myopathic involvement, with myalgia, fatigue, and weakness, or have a multisystemic presentation, with cardiac conduction disorder, endocrinopathy, ataxia, sensorineural deafness, and cognitive impairment. Most cases arise from large single deletions of mitochondrial DNA (mtDNA), and to a lesser extent from point mutations in nuclear DNA or mtDNA. A retrospective and prospective cohort study was conducted on patients with CPEO associated with a single deletion of mtDNA who were followed up at HC-FMRPUSP and previously evaluated in a 2007 study. The objective was to characterize the clinical evolution, including physical examination, laboratory findings, associations with deletion characteristics and identification of possible evolutionary prognostic factors. Ten patients were included, of whom 4 died during follow-up. There were 7 women and 3 men, from 10 different families. The onset mean age was 19.4 years. The most frequent initial symptom was ptosis (70%), followed by ophthalmoparesis (10%), limb weakness (10%), and diplopia (10%). There was a high frequency of muscular symptoms such as weakness (70%), dysphagia (30%), dysphonia (20%), fatigue (30%), and myalgia (20%) on initial evaluation. However, over the longitudinal follow-up, these symptoms were even more prevalent: exercise intolerance (100%), weakness (100%), dysphagia (30%), dysphonia (50%), fatigue (70%), myalgia (70%) and cramps (30%). Systemic symptoms were also important at initial evaluation: visual complaints (10%), hypoacusis (10%), gastrointestinal changes (10%); and during follow-up they also had significant incidence: visual alteration (70%), hypoacusis (20%), gastrointestinal changes (50%), gait ataxia (50%). The functional assessments applied (Vignos Scale modified by Brooke and Barthel) had no significant changes in the longitudinal follow-up. However, MRC (Medical Research Council Strength Scale) sum scores were associated with death and were able to demonstrate the evolutionary nature of the disease. The laboratory tests used in monitoring did not identify changes during the analyze period. There was no correlation between deletion size and the percentage of COX-negative or red ragged fibers in muscle biopsy, or between deletion size and variation in MRC scores. Thus, the study reinforces the multisystemic nature of CPEO, highlighting the importance of screening and systematic investigation of complaints and symptoms throughout follow-up. The use of structured assessment and the sum of MRC scores are useful in longitudinal patient follow-up and prognosis assessment.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSobreira, Claudia Ferreira da RosaScarpellini, Giuliano Roberto2024-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17161/tde-17012025-113647/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-29T19:33:02Zoai:teses.usp.br:tde-17012025-113647Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-29T19:33:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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