Mães que perpetram violência/negligência e suas filhas adolescentes: uma leitura psicanalítica a partir do procedimento de desenhos-estórias com tema
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-04092025-101917/ |
Resumo: | Para que o processo de amadurecimento emocional caminhe em direção à consolidação do Self verdadeiro é necessário que o ambiente seja sensível às necessidades da pessoa em desenvolvimento, facilitando tanto a expressão como o atendimento dessas demandas. Quando a violência/negligência está presente, esses aspectos não são contemplados. Em consequência, os filhos podem ter mais dificuldade para percorrer as etapas do desenvolvimento, por conta da interrupção do sentimento de continuidade existencial que uma adversidade desse tipo provoca. A violência/negligência tem repercussões particulares durante a adolescência, um período de transição sensível, marcado pela revivência de estágios anteriores, que pode levar a conquistas importantes rumo à consolidação da personalidade madura. Nesse sentido, a relação entre mães e filhas, nessa etapa evolutiva e em tais contextos, é de especial interesse para a psicologia. O presente estudo teve como objetivo conhecer a percepção de mães e filhas adolescentes sobre a relação materno-filial quando o vínculo é permeado por violência/negligência materna. Trata-se de estudo descritivo, exploratório e transversal, que empregou o enfoque clínico-qualitativo e norteou-se pelo referencial da psicanálise winnicottiana. A estratégia metodológica foi a de estudos de caso múltiplos e as sete díades foram selecionadas em serviço especializado em violência. Os resultados foram apresentados no formato das narrativas psicanalíticas e os encontros individuais foram mediados pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. A análise das narrativas sugeriu que as mães apresentavam fragilidades narcísicas resultantes de necessidades emocionais não atendidas em suas histórias. O desamparo que marcava suas subjetividades se reatualizava no relacionamento com as jovens, configurando um ciclo de repetição transgeracional da violência/negligência. A ausência de rede de apoio e o contexto de vulnerabilidade social e material criavam obstáculos adicionais ao exercício da maternidade. A entrada das jovens na adolescência, com seus movimentos emancipatórios, era exigente aos recursos já enfraquecidos das genitoras. A precariedade do holding materno recebido fazia com que as adolescentes não encontrassem sustentação para vivenciarem as contradições desse estágio do desenvolvimento, o que repercutia negativamente no processo de integração dos seus Selves. Como as jovens estavam expostas a um contexto de violência familiar desde a infância, as turbulências da adolescência estavam sendo vividas de forma ainda mais desorganizadora. Excursões no meio extrafamiliar eram buscadas como refúgio contra as desproteções vividas no seio da família. De modo geral, as indefinições do adolescer não estavam sendo contidas no espaço transicional do vínculo, inviabilizando a transformação da relação materno-filial em uma dimensão mais simbólica. As violências maternas refletiram a precariedade dos recursos maternos e a negligência também estava atrelada à precariedade material. Considerando que esse momento de crise da adolescência pode ser uma nova chance para a elaboração de conflitos e integração de aspectos não amadurecidos nos Selves das envolvidas, destaca-se o potencial dos conhecimentos produzidos nessa pesquisa para respaldar as intervenções dos serviços especializados. |
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Mães que perpetram violência/negligência e suas filhas adolescentes: uma leitura psicanalítica a partir do procedimento de desenhos-estórias com temaMothers who perpetrate violence/neglect and their adolescent daughters: a psychoanalytic reading based on the themed drawing and story procedureAdolescenceAdolescênciaFamily relationsFamily violenceMaternidadeMotherhoodPsicanálisePsychoanalysisRelações familiaresViolência na famíliaPara que o processo de amadurecimento emocional caminhe em direção à consolidação do Self verdadeiro é necessário que o ambiente seja sensível às necessidades da pessoa em desenvolvimento, facilitando tanto a expressão como o atendimento dessas demandas. Quando a violência/negligência está presente, esses aspectos não são contemplados. Em consequência, os filhos podem ter mais dificuldade para percorrer as etapas do desenvolvimento, por conta da interrupção do sentimento de continuidade existencial que uma adversidade desse tipo provoca. A violência/negligência tem repercussões particulares durante a adolescência, um período de transição sensível, marcado pela revivência de estágios anteriores, que pode levar a conquistas importantes rumo à consolidação da personalidade madura. Nesse sentido, a relação entre mães e filhas, nessa etapa evolutiva e em tais contextos, é de especial interesse para a psicologia. O presente estudo teve como objetivo conhecer a percepção de mães e filhas adolescentes sobre a relação materno-filial quando o vínculo é permeado por violência/negligência materna. Trata-se de estudo descritivo, exploratório e transversal, que empregou o enfoque clínico-qualitativo e norteou-se pelo referencial da psicanálise winnicottiana. A estratégia metodológica foi a de estudos de caso múltiplos e as sete díades foram selecionadas em serviço especializado em violência. Os resultados foram apresentados no formato das narrativas psicanalíticas e os encontros individuais foram mediados pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. A análise das narrativas sugeriu que as mães apresentavam fragilidades narcísicas resultantes de necessidades emocionais não atendidas em suas histórias. O desamparo que marcava suas subjetividades se reatualizava no relacionamento com as jovens, configurando um ciclo de repetição transgeracional da violência/negligência. A ausência de rede de apoio e o contexto de vulnerabilidade social e material criavam obstáculos adicionais ao exercício da maternidade. A entrada das jovens na adolescência, com seus movimentos emancipatórios, era exigente aos recursos já enfraquecidos das genitoras. A precariedade do holding materno recebido fazia com que as adolescentes não encontrassem sustentação para vivenciarem as contradições desse estágio do desenvolvimento, o que repercutia negativamente no processo de integração dos seus Selves. Como as jovens estavam expostas a um contexto de violência familiar desde a infância, as turbulências da adolescência estavam sendo vividas de forma ainda mais desorganizadora. Excursões no meio extrafamiliar eram buscadas como refúgio contra as desproteções vividas no seio da família. De modo geral, as indefinições do adolescer não estavam sendo contidas no espaço transicional do vínculo, inviabilizando a transformação da relação materno-filial em uma dimensão mais simbólica. As violências maternas refletiram a precariedade dos recursos maternos e a negligência também estava atrelada à precariedade material. Considerando que esse momento de crise da adolescência pode ser uma nova chance para a elaboração de conflitos e integração de aspectos não amadurecidos nos Selves das envolvidas, destaca-se o potencial dos conhecimentos produzidos nessa pesquisa para respaldar as intervenções dos serviços especializados.For the process of emotional maturation to move towards the consolidation of the True Self, the environment must be sensitive to the needs of the developing person, facilitating both the expression and the meeting of these demands. When violence/neglect is present, these aspects are not taken into account. As a result, children may find it more difficult to go through the stages of development, due to the interruption of the feeling of existential continuity that such adversity causes. Violence/neglect has particular repercussions during adolescence, a period of sensitive transition, marked by the reliving of previous stages, which can lead to important achievements towards the consolidation of the mature personality. In this sense, the relationship between mothers and daughters, at this stage of development and in these contexts, is of particular interest to psychology. The present study aimed to understand the perceptions of mothers and adolescent daughters regarding the mother-daughter relationship when the bond is permeated by maternal violence/neglect. This is a descriptive, exploratory, cross-sectional study which used a clinical-qualitative approach and was guided by the framework of Winnicottian psychoanalysis. The methodological strategy was multiple case studies and the seven dyads were selected from a service specializing in violence. The results were presented in the format of psychoanalytic narratives and the individual meetings were mediated by the Themed Drawing and Story Procedure. The analysis of the narratives suggested that the mothers had narcissistic weaknesses resulting from unmet emotional needs in their stories. The helplessness that marked their subjectivities was replayed in their relationships with the girls, setting up a transgenerational cycle of repetition of violence/neglect. The lack of a support network and the context of social and material vulnerability created additional obstacles to the exercise of motherhood. The young women\'s entry into adolescence, with its emancipatory movements, was demanding on their parents\' already weakened resources. The precariousness of the maternal holding they received meant that the adolescents were unable to find the support they needed to experience the contradictions of this stage of development, which had negative repercussions on the process of integrating their Selves. As the girls had been exposed to family violence since childhood, the turbulence of adolescence was being experienced in an even more disorganizing way. Excursions outside the family were sought as a refuge from the lack of protection experienced within the family. In general, the uncertainties of adolescence were not being contained in the transitional space of the bond, making it impossible to transform the mother-child relationship into a more symbolic dimension. Maternal violence reflected the precariousness of maternal resources and neglect was also linked to material precariousness. Considering that this moment of adolescent crisis can be a new chance to work out conflicts and integrate unripened aspects of the Selves of those involved, the potential of the knowledge produced in this research to support the interventions of specialized services stands out.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBarbieri, ValeriaPadilha, Carolina Rizzatto Martins2025-08-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-04092025-101917/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-03T19:48:02Zoai:teses.usp.br:tde-04092025-101917Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-03T19:48:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Para que o processo de amadurecimento emocional caminhe em direção à consolidação do Self verdadeiro é necessário que o ambiente seja sensível às necessidades da pessoa em desenvolvimento, facilitando tanto a expressão como o atendimento dessas demandas. Quando a violência/negligência está presente, esses aspectos não são contemplados. Em consequência, os filhos podem ter mais dificuldade para percorrer as etapas do desenvolvimento, por conta da interrupção do sentimento de continuidade existencial que uma adversidade desse tipo provoca. A violência/negligência tem repercussões particulares durante a adolescência, um período de transição sensível, marcado pela revivência de estágios anteriores, que pode levar a conquistas importantes rumo à consolidação da personalidade madura. Nesse sentido, a relação entre mães e filhas, nessa etapa evolutiva e em tais contextos, é de especial interesse para a psicologia. O presente estudo teve como objetivo conhecer a percepção de mães e filhas adolescentes sobre a relação materno-filial quando o vínculo é permeado por violência/negligência materna. Trata-se de estudo descritivo, exploratório e transversal, que empregou o enfoque clínico-qualitativo e norteou-se pelo referencial da psicanálise winnicottiana. A estratégia metodológica foi a de estudos de caso múltiplos e as sete díades foram selecionadas em serviço especializado em violência. Os resultados foram apresentados no formato das narrativas psicanalíticas e os encontros individuais foram mediados pelo Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema. A análise das narrativas sugeriu que as mães apresentavam fragilidades narcísicas resultantes de necessidades emocionais não atendidas em suas histórias. O desamparo que marcava suas subjetividades se reatualizava no relacionamento com as jovens, configurando um ciclo de repetição transgeracional da violência/negligência. A ausência de rede de apoio e o contexto de vulnerabilidade social e material criavam obstáculos adicionais ao exercício da maternidade. A entrada das jovens na adolescência, com seus movimentos emancipatórios, era exigente aos recursos já enfraquecidos das genitoras. A precariedade do holding materno recebido fazia com que as adolescentes não encontrassem sustentação para vivenciarem as contradições desse estágio do desenvolvimento, o que repercutia negativamente no processo de integração dos seus Selves. Como as jovens estavam expostas a um contexto de violência familiar desde a infância, as turbulências da adolescência estavam sendo vividas de forma ainda mais desorganizadora. Excursões no meio extrafamiliar eram buscadas como refúgio contra as desproteções vividas no seio da família. De modo geral, as indefinições do adolescer não estavam sendo contidas no espaço transicional do vínculo, inviabilizando a transformação da relação materno-filial em uma dimensão mais simbólica. As violências maternas refletiram a precariedade dos recursos maternos e a negligência também estava atrelada à precariedade material. Considerando que esse momento de crise da adolescência pode ser uma nova chance para a elaboração de conflitos e integração de aspectos não amadurecidos nos Selves das envolvidas, destaca-se o potencial dos conhecimentos produzidos nessa pesquisa para respaldar as intervenções dos serviços especializados. |
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