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Por uma caracterização da divulgação científica politizada

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Isola-Lanzoni, Gabriel
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-25082025-120250/
Resumo: Nesta tese, temos como objetivo central caracterizar uma prática sociossemiótica emergente que temos denominado Divulgação Científica Politizada (DCP) (Isola-Lanzoni; 2024; Isola Lanzoni; Da Silva, 2024a; Isola-Lanzoni, Gonçalves-Segundo, 2025). Para fazer isso, adotamos uma perspectiva multidisciplinar que articula estudos da Argumentação (Gonçalves-Segundo, 2023; 2024a; Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2006[1958]; Plantin, 2008; Walton; Reed; Macagno, 2008; Grácio, 2022), do Discurso (Reisigl; Wodak, 2016; Fairclough, 2003), da Divulgação Científica (Giering, 2008; Motta-Roth; Scherer, 2016; Grillo, 2013; Grillo; Giering; Motta Roth, 2016; Cavalcante Filho, 2022), da Comunicação Pública da Ciência (Lewenstein, 2003; 2022; Bucchi, 2008), assim como da Filosofia da Ciência (Allchin, 2022a; 2022b; Rosenau, 2012; Rosenberg, 2009), da Natureza da Ciência (Gil Pérez et al., 2001; Bagdonas; Silva, 2013) e das Humanidades Científicas (Latour, 2016[2010]; Latour, 2019[1991]). As discussões foram conduzidas considerando três eixos de caracterização: a origem (ou exigência), alvo de debate do capítulo 1, que versa sobre o problema social que motiva a emergência desta nova prática; o ideal (ou objetivo), alvo de detalhamento no capítulo 2, que explora o tipo de intervenção que a prática procura realizar no espaço e no debate público; e a constituição, alvo de descrição no capítulo 3, que mostra como explicações e argumentações se articulam nesta nova prática. Defendemos que a Divulgação Científica Politizada (DCP) consiste em uma prática sociossemiótica que se engaja em controvérsias públicas sobre temas primariamente científicos, mas disputados pelo campo político, apoiando-se tanto na ponderação crítica de posições e de razões a partir de uma perspectiva institucionalizada da ciência quanto no esclarecimento de fenômenos como modos conducentes de influenciar o horizonte de perspectivas do outro, tornando-o mais consciente em sua tomada de decisão. Isso é realizado não só pela construção de um auditório que se identifica com as posições alternativas à ciência institucionalizada ou que, pelo menos, não as rejeita por princípio, o que é sinalizado pelo diálogo crítico que divulgadores instauram com argumentos circulantes que compõem o argumentário da controvérsia, como também pela construção de explicações de fenômenos pertinentes aos temas, embasadas pela ciência institucionalizada, orientadas a reduzir potenciais ceticismos em relação a premissas e reservas construídas pelo divulgador para atacar o discurso alternativo e defender as posições cientificamente legitimadas. Dessa forma, práticas de DCP encontram-se orientadas a reduzir a conturbação do debate público sobre o tema, ou seja, a resistir ao projeto de redefinição de atores e de instituições reconhecidos como autoridades para falar sobre e pela ciência, mitigando, portanto, o braço da guerrilha informacional que visa reorganizar as relações de influência e de confiança entre o científico e o político na tomada de decisões relevantes para a continuidade da vida social. Tais resultados foram alcançados pela análise de vídeos publicados no YouTube que, ao se engajarem nas controvérsias sobre as vacinas da Covid-19 e sobre o estatuto ideológico do nazismo - ambos temas que nuclearam debates públicos em variados espaços na contemporaneidade -, materializavam a prática
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spelling Por uma caracterização da divulgação científica politizadaTowards a characterization of politically engaged science communicationArgumentaçãoArgumentationControvérsiaControversyDivulgação científica politizadaExplanationExplicaçãoPolitically engaged science communicationYouTubeYouTubeNesta tese, temos como objetivo central caracterizar uma prática sociossemiótica emergente que temos denominado Divulgação Científica Politizada (DCP) (Isola-Lanzoni; 2024; Isola Lanzoni; Da Silva, 2024a; Isola-Lanzoni, Gonçalves-Segundo, 2025). Para fazer isso, adotamos uma perspectiva multidisciplinar que articula estudos da Argumentação (Gonçalves-Segundo, 2023; 2024a; Perelman; Olbrechts-Tyteca, 2006[1958]; Plantin, 2008; Walton; Reed; Macagno, 2008; Grácio, 2022), do Discurso (Reisigl; Wodak, 2016; Fairclough, 2003), da Divulgação Científica (Giering, 2008; Motta-Roth; Scherer, 2016; Grillo, 2013; Grillo; Giering; Motta Roth, 2016; Cavalcante Filho, 2022), da Comunicação Pública da Ciência (Lewenstein, 2003; 2022; Bucchi, 2008), assim como da Filosofia da Ciência (Allchin, 2022a; 2022b; Rosenau, 2012; Rosenberg, 2009), da Natureza da Ciência (Gil Pérez et al., 2001; Bagdonas; Silva, 2013) e das Humanidades Científicas (Latour, 2016[2010]; Latour, 2019[1991]). As discussões foram conduzidas considerando três eixos de caracterização: a origem (ou exigência), alvo de debate do capítulo 1, que versa sobre o problema social que motiva a emergência desta nova prática; o ideal (ou objetivo), alvo de detalhamento no capítulo 2, que explora o tipo de intervenção que a prática procura realizar no espaço e no debate público; e a constituição, alvo de descrição no capítulo 3, que mostra como explicações e argumentações se articulam nesta nova prática. Defendemos que a Divulgação Científica Politizada (DCP) consiste em uma prática sociossemiótica que se engaja em controvérsias públicas sobre temas primariamente científicos, mas disputados pelo campo político, apoiando-se tanto na ponderação crítica de posições e de razões a partir de uma perspectiva institucionalizada da ciência quanto no esclarecimento de fenômenos como modos conducentes de influenciar o horizonte de perspectivas do outro, tornando-o mais consciente em sua tomada de decisão. Isso é realizado não só pela construção de um auditório que se identifica com as posições alternativas à ciência institucionalizada ou que, pelo menos, não as rejeita por princípio, o que é sinalizado pelo diálogo crítico que divulgadores instauram com argumentos circulantes que compõem o argumentário da controvérsia, como também pela construção de explicações de fenômenos pertinentes aos temas, embasadas pela ciência institucionalizada, orientadas a reduzir potenciais ceticismos em relação a premissas e reservas construídas pelo divulgador para atacar o discurso alternativo e defender as posições cientificamente legitimadas. Dessa forma, práticas de DCP encontram-se orientadas a reduzir a conturbação do debate público sobre o tema, ou seja, a resistir ao projeto de redefinição de atores e de instituições reconhecidos como autoridades para falar sobre e pela ciência, mitigando, portanto, o braço da guerrilha informacional que visa reorganizar as relações de influência e de confiança entre o científico e o político na tomada de decisões relevantes para a continuidade da vida social. Tais resultados foram alcançados pela análise de vídeos publicados no YouTube que, ao se engajarem nas controvérsias sobre as vacinas da Covid-19 e sobre o estatuto ideológico do nazismo - ambos temas que nuclearam debates públicos em variados espaços na contemporaneidade -, materializavam a práticaIn this doctoral thesis, our central objective is to characterize an emerging socio-semiotic practice that we have termed Politically Engaged Science Communication (PESC) (Isola Lanzoni, 2024; Isola-Lanzoni & Da Silva, 2024a; Isola-Lanzoni & Gonçalves-Segundo, forthcoming). To achieve this, we adopt a multidisciplinary approach that integrates studies in Argumentation (Gonçalves-Segundo, 2023, 2024a; Perelman & Olbrechts-Tyteca, 2006[1958]; Plantin, 2008; Walton, Reed, & Macagno, 2008; Grácio, 2022), Discourse (Reisigl & Wodak, 2016; Fairclough, 2003), Science Communication (Giering, 2008; Motta-Roth & Scherer, 2016; Grillo, 2013; Grillo, Giering, & Motta-Roth, 2016; Cavalcante Filho, 2022), Public Communication of Science (Lewenstein, 2003, 2022; Bucchi, 2008), as well as Philosophy of Science (Allchin, 2022a, 2022b; Rosenau, 2012; Rosenberg, 2009), Nature of Science (Gil Pérez et al., 2001; Bagdonas & Silva, 2013), and Scientific Humanities (Latour, 2016[2010], 2019[1991]). The discussions are structured around three axes of characterization: the origin (or exigence), addressed in Chapter 1, which explores the social problem that drives the emergence of this new practice; the ideal (or goal), examined in Chapter 2, which investigates the type of intervention the practice seeks to make in public space and debate; and the constitution, described in Chapter 3, which analyzes how explanations and argumentations are articulated in this new practice. We argue that Politically Engaged Science Communication (PESC) is a socio-semiotic practice that engages in public controversies on topics that are primarily scientific but disputed by the political field. It does so by critically weighing positions and reasons from an institutionalized scientific perspective, as well as by clarifying phenomena as a means of influencing the audience\'s horizon of perspectives, making them more conscious in their decision-making process. This is achieved not only through the construction of an audience that identifies with alternative positions to institutionalized science--or at least does not reject them outright--but also through critical dialogue with circulating arguments that shape the controversy\'s argumentative script. Additionally, PESC constructs scientifically grounded explanations of phenomena relevant to these topics, with the goal of reducing potential skepticism toward premises and rebuttals advanced by the communicator to both challenge alternative discourses and defend scientifically legitimized positions. Thus, PESC practices are oriented toward reducing the turmoil of public debate on these topics, that is, resisting the project of redefining actors and institutions recognized as authoritative voices in and for science. In doing so, they mitigate the effects of the informational guerrilla warfare aimed at reorganizing relations of influence and trust between scientific and political domains in decision-making processes that are crucial to the continuity of social life. These conclusions were reached through the analysis of YouTube videos that engage in controversies surrounding COVID-19 vaccines and the ideological status of Nazism, two topics that have been prominent in public debates across various contemporary space, thus materializing the practiceBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGonçalves Segundo, Paulo RobertoIsola-Lanzoni, Gabriel 2025-05-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-25082025-120250/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-25T15:18:02Zoai:teses.usp.br:tde-25082025-120250Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-25T15:18:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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