Confiança da população no Sistema Único de Saúde nos entremeios da pandemia e os determinantes da vacinação contra a COVID-19: estudo aninhado ao Projeto Termômetro Social

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Araújo, Juliana Soares Tenório de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-21052025-104637/
Resumo: Introdução - A COVID 19 é uma doença que matou milhões de pessoas em todo o mundo, e desde 2021 a vacina contra o agravo foi aprovada para uso na população geral. Apesar do excelente custobenefício e da redução dos casos graves e mortes, a adesão à vacina não é universal. Para tal, objetivou-se investigar a confiança da população no Sistema Único de Saúde nos entremeios da pandemia e os determinantes da vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Métodos - Para tal, desenvolveu-se tese conformada em quatro artigos. Para fins didáticos, a presente tese está constituída em dois eixos: Confiança nos serviços de saúde/ SUS (eixo I) e os determinantes da aceitação e hesitação da vacina da COVID-19 (eixo II). Inicialmente, conduzimos uma revisão sistemática, relacionada ao segundo eixo, e um estudo transversal, contemplando os eixos 1 e 2, realizados por meio de entrevistas online e de campo, no período de agosto de 2020 a outubro de 2023, nas 26 capitais e no Distrito Federal, utilizando um instrumento validado. A revisão esteve construída de estudos originais, em que se definiu a pergunta de pesquisa, busca abrangente em bases de dados relevantes, a seleção criteriosa de estudos com base em critérios definidos, extração sistemática de dados, a avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos e a síntese dos resultados. Para os demais artigos, utilizou-se abordagem híbrida, pesquisa on-line e de campo, conduzidas por entrevistadores treinados. A população foi composta de brasileiros e não brasileiros residentes no país há pelo menos 6 meses, migrantes e ou refugiados internacionais e populações em situação de rua. Para as análises foram empreendidas análises em nível individual e agregadas, com aplicação de estatísticas descritivas, inferenciais, de regressão logística binária e análises espaciais. Resultados - No artigo 1, identificou-se 5.268 publicações com o tema, das quais 31 foram incluídas na RS. Os fatores preditivos associados à aceitação vacinal foram: maior escolaridade, maior renda, maior idade e diagnóstico de comorbidades, no que tange a hesitação vacinal, as pessoas com baixa escolaridade, acesso a informações por mídias sociais, desconfiança na segurança das vacinas, bem como medo dos efeitos colaterais, tiveram mais associação em hesitar a vacina contra COVID-19. No artigo 2, um total de 50,6% da população arrolada na pesquisa, relatou confiar nos serviços de atenção terciária do país, enquanto 41,4% não confiavam nos serviços de atenção primária à saúde. Há uma associação espacial estatisticamente significativa predominante nas regiões Centro-Oeste, com altas taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 com baixo nível de confiança nos serviços de saúde. Na região Norte do país nota-se o oposto, ou seja, baixas taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 com alto nível de confiança nos serviços de saúde. O nível de confiança foi associado à educação, religião, região do país e renda. O artigo 3 identificou-se que a maior densidade de pessoas em situação de rua está localizada nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Os fatores associados ao cumprimento do esquema vacinal nesta população foram: receber auxílio governamental, ter visitas de Agentes de Saúde do Consultório na Rua, ter histórico de infecção por COVID-19, concordar com a obrigatoriedade da vacinação contra COVID-19, confiar na eficácia das vacinas, buscar informações em ONGs, ambulatórios, comunidade líderes e confiança na liderança do Governo Federal no que tange às declarações sobre as vacinas. O artigo 4 identificou que a maioria dos migrantes eram homens, com idade entre 30 e 59 anos, negros ou pardos e desempregados. Em relação à cobertura vacinal, os migrantes brancos e aqueles com apenas ensino fundamental completo tinham maior probabilidade de serem vacinados. Em relação ao acesso aos serviços de saúde, os migrantes com ensino superior e aqueles que relataram confiança nos hospitais e profissionais de saúde tiveram maior acesso aos serviços de saúde e, portanto, à vacina. Conclusão - No que tange a confiança, mais da metade da amostra relatou confiar nos serviços de saúde para o combate a COVID 19. A confiança nas instituições de saúde também teve uma forte associação com maior aceitação da vacina. Os principais fatores associados à aceitação da vacina foram: maior escolaridade, renda elevada e idade avançada. Quanto à hesitação foi o medo dos efeitos colaterais, a desconfiança na segurança da vacina e desinformação. O estudo avança no conhecimento ao evidenciar a questão da confiança no SUS e adesão às vacinas, servindo como base de evidência não apenas para a compreensão sobre os gargalos da crise da pandemia e assim superação da situação da COVID-19 no Brasil, mas também para subsidiar as autoridades sanitárias, gestores e profissionais para preparo a novas pandemias e futuras emergências sanitárias.
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Para fins didáticos, a presente tese está constituída em dois eixos: Confiança nos serviços de saúde/ SUS (eixo I) e os determinantes da aceitação e hesitação da vacina da COVID-19 (eixo II). Inicialmente, conduzimos uma revisão sistemática, relacionada ao segundo eixo, e um estudo transversal, contemplando os eixos 1 e 2, realizados por meio de entrevistas online e de campo, no período de agosto de 2020 a outubro de 2023, nas 26 capitais e no Distrito Federal, utilizando um instrumento validado. A revisão esteve construída de estudos originais, em que se definiu a pergunta de pesquisa, busca abrangente em bases de dados relevantes, a seleção criteriosa de estudos com base em critérios definidos, extração sistemática de dados, a avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos e a síntese dos resultados. Para os demais artigos, utilizou-se abordagem híbrida, pesquisa on-line e de campo, conduzidas por entrevistadores treinados. A população foi composta de brasileiros e não brasileiros residentes no país há pelo menos 6 meses, migrantes e ou refugiados internacionais e populações em situação de rua. Para as análises foram empreendidas análises em nível individual e agregadas, com aplicação de estatísticas descritivas, inferenciais, de regressão logística binária e análises espaciais. Resultados - No artigo 1, identificou-se 5.268 publicações com o tema, das quais 31 foram incluídas na RS. Os fatores preditivos associados à aceitação vacinal foram: maior escolaridade, maior renda, maior idade e diagnóstico de comorbidades, no que tange a hesitação vacinal, as pessoas com baixa escolaridade, acesso a informações por mídias sociais, desconfiança na segurança das vacinas, bem como medo dos efeitos colaterais, tiveram mais associação em hesitar a vacina contra COVID-19. No artigo 2, um total de 50,6% da população arrolada na pesquisa, relatou confiar nos serviços de atenção terciária do país, enquanto 41,4% não confiavam nos serviços de atenção primária à saúde. Há uma associação espacial estatisticamente significativa predominante nas regiões Centro-Oeste, com altas taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 com baixo nível de confiança nos serviços de saúde. Na região Norte do país nota-se o oposto, ou seja, baixas taxas de incidência e mortalidade por COVID-19 com alto nível de confiança nos serviços de saúde. O nível de confiança foi associado à educação, religião, região do país e renda. O artigo 3 identificou-se que a maior densidade de pessoas em situação de rua está localizada nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil. Os fatores associados ao cumprimento do esquema vacinal nesta população foram: receber auxílio governamental, ter visitas de Agentes de Saúde do Consultório na Rua, ter histórico de infecção por COVID-19, concordar com a obrigatoriedade da vacinação contra COVID-19, confiar na eficácia das vacinas, buscar informações em ONGs, ambulatórios, comunidade líderes e confiança na liderança do Governo Federal no que tange às declarações sobre as vacinas. O artigo 4 identificou que a maioria dos migrantes eram homens, com idade entre 30 e 59 anos, negros ou pardos e desempregados. Em relação à cobertura vacinal, os migrantes brancos e aqueles com apenas ensino fundamental completo tinham maior probabilidade de serem vacinados. Em relação ao acesso aos serviços de saúde, os migrantes com ensino superior e aqueles que relataram confiança nos hospitais e profissionais de saúde tiveram maior acesso aos serviços de saúde e, portanto, à vacina. Conclusão - No que tange a confiança, mais da metade da amostra relatou confiar nos serviços de saúde para o combate a COVID 19. A confiança nas instituições de saúde também teve uma forte associação com maior aceitação da vacina. Os principais fatores associados à aceitação da vacina foram: maior escolaridade, renda elevada e idade avançada. Quanto à hesitação foi o medo dos efeitos colaterais, a desconfiança na segurança da vacina e desinformação. O estudo avança no conhecimento ao evidenciar a questão da confiança no SUS e adesão às vacinas, servindo como base de evidência não apenas para a compreensão sobre os gargalos da crise da pandemia e assim superação da situação da COVID-19 no Brasil, mas também para subsidiar as autoridades sanitárias, gestores e profissionais para preparo a novas pandemias e futuras emergências sanitárias.Introduction - COVID-19 is a disease that has killed millions of people worldwide, and since 2021 the vaccine against the disease has been approved for use in the general population. Despite the excellent cost-benefit and the reduction in severe cases and deaths, adherence to the vaccine is not universal. To this end, the objective was to investigate the public\'s trust in the Unified Health System during the pandemic and the determinants of vaccination against COVID-19 in Brazil. Methods - To this end, a thesis consisting of four articles was developed. For educational purposes, this thesis is divided into two axes: Trust in health services/SUS (axis I) and the determinants of acceptance and hesitancy of the COVID-19 vaccine (axis II). Initially, we conducted a systematic review, related to the second axis, and a cross-sectional study, covering axes 1 and 2, carried out through online and field interviews, from August 2020 to October 2023, in the 26 capitals and the Federal District, using a validated instrument. The review was constructed from original studies, in which the research question was defined, a comprehensive search in relevant databases, the careful selection of studies based on defined criteria, systematic data extraction, the assessment of the methodological quality of the included studies and the synthesis of the results. For the remaining articles, a hybrid approach was used, online and field research, conducted by trained interviewers. The population was composed of Brazilians and non-Brazilians residing in the country for at least 6 months, international migrants and/or refugees and homeless populations. For the analyses, analyses were performed at the individual and aggregate levels, with the application of descriptive, inferential statistics, binary logistic regression and spatial analyses. Results - In article 1, 5,268 publications on the topic were identified, of which 31 were included in the RS. The predictive factors associated with vaccine acceptance were higher education level, higher income, older age and diagnosis of comorbidities. Regarding vaccine hesitancy, people with low education level, access to information through social media, distrust in the safety of vaccines, as well as fear of side effects, were more associated with hesitancy to the COVID-19 vaccine. In article 2, a total of 50.6% of the population enrolled in the survey reported trusting the country\'s tertiary care services, while 41.4% did not trust primary health care services. There is a statistically significant spatial association predominant in the Central-West regions, with high incidence and mortality rates from COVID-19 and low levels of trust in health services. In the North of the country, the opposite was observed, that is, low incidence and mortality rates from COVID-19 with a high level of trust in health services. The level of trust was associated with education, religion, region of the country, and income. Article 3 identified that the highest density of homeless people is located in the Northeast, Southeast, and South regions of Brazil. The factors associated with compliance with the vaccination schedule in this population were: receiving government assistance, having visits from Health Agents from the Street Clinic, having a history of COVID-19 infection, agreeing with the mandatory vaccination against COVID-19, trusting in the effectiveness of vaccines, seeking information from NGOs, outpatient clinics, community leaders, and trusting the leadership of the Federal Government regarding statements about vaccines. Article 4 identified that the majority of migrants were men, aged between 30 and 59 years, black or brown, and unemployed. Regarding vaccination coverage, white migrants and those with only completed elementary education were more likely to be vaccinated. Regarding access to health services, migrants with higher education and those who reported trust in hospitals and health professionals had greater access to health services and, therefore, to the vaccine. Conclusion - Regarding trust, more than half of the sample reported trust in health services to combat COVID-19. Trust in health institutions also had a strong association with greater acceptance of the vaccine. The main factors associated with acceptance of the vaccine were: higher education, high income and advanced age. Regarding hesitancy, it was fear of side effects, distrust in the safety of the vaccine and misinformation. The study advances knowledge by highlighting the issue of trust in the SUS and adherence to vaccines, serving as an evidence base not only for understanding the bottlenecks of pandemic crisis and thus overcome the COVID-19 situation in Brazil, but also to support health authorities, managers and professionals to prepare for new pandemics and future health emergencies.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPArcêncio, Ricardo AlexandreAraújo, Juliana Soares Tenório de2025-02-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-21052025-104637/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-22T15:58:02Zoai:teses.usp.br:tde-21052025-104637Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-22T15:58:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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