Impacto dos inibidores de checkpoint imune no sistema endócrino: um estudo prospectivo
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17165/tde-21012025-124503/ |
Resumo: | Introdução: Inibidores de checkpoint imune (ICIs), anti-CTLA-4 e anti-PD1/anti-PD-L1, revolucionaram o tratamento de vários tipos de cânceres metastáticos. Os ICIs têm como efeitos adversos reações autoimunes, incluindo endocrinopatias. Objetivos: Avaliação prospectiva dos eventos endócrinos adversos do tratamento com ICIs em pacientes com câncer renal de células claras (CCR). Pacientes e Métodos: pacientes (n=43) seguidos pela Oncologia do HC-FMRP-USP em uso de doses combinadas de nivolumabe (3 mg/kg) e ipilimumabe (1 mg/kg) EV a cada 3 semanas, por 12 semanas, seguidas de doses de manutenção de nivolumab (480 mg) a cada 4 semanas. No início do estudo e no dia anterior a cada novo ciclo, os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e dosagens de TSH, T4 livre, cortisol e ACTH, IGF1, Prolactina, LH, FSH, testosterona, cálcio, PTH, glicemia, hemoglobina glicada e peptídeo C. Ressonância Magnética (RM) de sela túrcica foi realizada inicialmente e a cada 4-6 meses ou após ocorrência sugestiva de hipofisite. Resultados: Os pacientes (81%M) apresentavam idade mediana de 56 (32-77anos) e foram seguidos por 21 (3-74) semanas e 5 (1-19) ciclos de imunoterapia. Seis pacientes (6/42, 14,3%) desenvolveram insuficiência adrenal central/hipofisite (IAC), com mediana no ciclo 4 (3-6). Desses, três apresentaram mal estar geral, anorexia, fadiga intensa e mialgia que melhoraram com glicocorticoides; em outros três, o diagnóstico foi laboratorial. Nenhum paciente com hipofisite apresentou sintomas compressivos do quiasma óptico, porém a RM detectou aumento de volume da hipófise/haste hipofisária em três dos seis pacientes. As concentrações basais de cortisol e ACTH foram menores nos pacientes que desenvolveram (12±1,2 mcg/dL e 18±8 pg/mL, respectivamente) comparadas aos que não desenvolveram hipofisite (21±9 mcg/dL e 62±62 pg/mL, respectivamente). Disfunção tireoidiana ocorreu em 12/36 (33,3%) dos pacientes que não apresentavam alterações na condição basal; 1/12 apresentou hipotireoidismo primário; 3/12 apresentaram hipertireoidismo subclínico; desses, dois evoluíram para hipotireoidismo primário e 1 recuperou a função tireoidiana; 8/12 desenvolveram tireotoxicose, sendo que três evoluíram para hipotireoidismo primário, 2 saíram do estudo (óbito não relacionado aos efeitos adversos dos ICIs) e 1 desenvolveu hipotireoidismo central, por posterior hipofisite. Dois pacientes com disfunção tireoidiana necessitaram de hospitalização por crise tireotóxica. Não houve diferença nas concentrações basais de TSH e T4L nos indivíduos que desenvolveram ou não doença tireoidiana. Três pacientes com disfunção tireoidiana apresentaram, também, hipofisite. A doença tireoidiana ocorreu mais precocemente que a hipofisite (mediana 2,4 vs 4,2 ciclos, p<0,005). Não houve alteração nas concentrações de prolactina. Deficiência gonadal foi difícil avaliar no contexto oncológico. Um paciente com hipofisite apresentou déficit de GH com diminuição progressiva de IGF-1. Alterações no metabolismo do cálcio foram frequentes e variaram de hipercalcemia a hipocalcemia com valores variáveis de PTH. Um caso de diabete melito autoimune foi diagnosticado. Conclusão: Nossos dados confirmam que a tireoidite é um evento mais precoce que hipofisite. A prevalência de disfunções endócrinas foi maior do que a da literatura, incluindo crise tireotóxica, o que pode ser justificado pelo tratamento com duas classes de ICIs e pelo caráter prospectivo do estudo. A alta prevalência de complicações 21 ressalta a importância da vigilância ativa em pacientes em tratamento com ICIs para diminuir comorbidades e evitar mortes não relacionadas à doença neoplásica. |
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Impacto dos inibidores de checkpoint imune no sistema endócrino: um estudo prospectivoImpact of immune checkpoint inhibitors on the endocrine system: a prospective studyAdrenal insufficiencyAutoimmunityAutoimunidadeHipofisiteHypophysitisImmune checkpoint inhibitorsInibidores de checkpoint imunológicoInsuficiência adrenalThyroiditisTireoiditeIntrodução: Inibidores de checkpoint imune (ICIs), anti-CTLA-4 e anti-PD1/anti-PD-L1, revolucionaram o tratamento de vários tipos de cânceres metastáticos. Os ICIs têm como efeitos adversos reações autoimunes, incluindo endocrinopatias. Objetivos: Avaliação prospectiva dos eventos endócrinos adversos do tratamento com ICIs em pacientes com câncer renal de células claras (CCR). Pacientes e Métodos: pacientes (n=43) seguidos pela Oncologia do HC-FMRP-USP em uso de doses combinadas de nivolumabe (3 mg/kg) e ipilimumabe (1 mg/kg) EV a cada 3 semanas, por 12 semanas, seguidas de doses de manutenção de nivolumab (480 mg) a cada 4 semanas. No início do estudo e no dia anterior a cada novo ciclo, os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e dosagens de TSH, T4 livre, cortisol e ACTH, IGF1, Prolactina, LH, FSH, testosterona, cálcio, PTH, glicemia, hemoglobina glicada e peptídeo C. Ressonância Magnética (RM) de sela túrcica foi realizada inicialmente e a cada 4-6 meses ou após ocorrência sugestiva de hipofisite. Resultados: Os pacientes (81%M) apresentavam idade mediana de 56 (32-77anos) e foram seguidos por 21 (3-74) semanas e 5 (1-19) ciclos de imunoterapia. Seis pacientes (6/42, 14,3%) desenvolveram insuficiência adrenal central/hipofisite (IAC), com mediana no ciclo 4 (3-6). Desses, três apresentaram mal estar geral, anorexia, fadiga intensa e mialgia que melhoraram com glicocorticoides; em outros três, o diagnóstico foi laboratorial. Nenhum paciente com hipofisite apresentou sintomas compressivos do quiasma óptico, porém a RM detectou aumento de volume da hipófise/haste hipofisária em três dos seis pacientes. As concentrações basais de cortisol e ACTH foram menores nos pacientes que desenvolveram (12±1,2 mcg/dL e 18±8 pg/mL, respectivamente) comparadas aos que não desenvolveram hipofisite (21±9 mcg/dL e 62±62 pg/mL, respectivamente). Disfunção tireoidiana ocorreu em 12/36 (33,3%) dos pacientes que não apresentavam alterações na condição basal; 1/12 apresentou hipotireoidismo primário; 3/12 apresentaram hipertireoidismo subclínico; desses, dois evoluíram para hipotireoidismo primário e 1 recuperou a função tireoidiana; 8/12 desenvolveram tireotoxicose, sendo que três evoluíram para hipotireoidismo primário, 2 saíram do estudo (óbito não relacionado aos efeitos adversos dos ICIs) e 1 desenvolveu hipotireoidismo central, por posterior hipofisite. Dois pacientes com disfunção tireoidiana necessitaram de hospitalização por crise tireotóxica. Não houve diferença nas concentrações basais de TSH e T4L nos indivíduos que desenvolveram ou não doença tireoidiana. Três pacientes com disfunção tireoidiana apresentaram, também, hipofisite. A doença tireoidiana ocorreu mais precocemente que a hipofisite (mediana 2,4 vs 4,2 ciclos, p<0,005). Não houve alteração nas concentrações de prolactina. Deficiência gonadal foi difícil avaliar no contexto oncológico. Um paciente com hipofisite apresentou déficit de GH com diminuição progressiva de IGF-1. Alterações no metabolismo do cálcio foram frequentes e variaram de hipercalcemia a hipocalcemia com valores variáveis de PTH. Um caso de diabete melito autoimune foi diagnosticado. Conclusão: Nossos dados confirmam que a tireoidite é um evento mais precoce que hipofisite. A prevalência de disfunções endócrinas foi maior do que a da literatura, incluindo crise tireotóxica, o que pode ser justificado pelo tratamento com duas classes de ICIs e pelo caráter prospectivo do estudo. A alta prevalência de complicações 21 ressalta a importância da vigilância ativa em pacientes em tratamento com ICIs para diminuir comorbidades e evitar mortes não relacionadas à doença neoplásica.Introduction: Immune checkpoint inhibitors (ICIs), anti-CTLA-4 and anti-PD1/anti-PD-L1, have changed the treatment of several metastatic cancers. However, ICIs are associated with autoimmune adverse effects, including endocrinopathies. Objectives: Prospective evaluation of adverse endocrine events in patients with clear cell renal cancer (CRC) undergoing treatment with ICIs. Patients and Methods: patients (n=43) followed by Oncology at HC-FMRP-USP using combined doses of nivolumab (3mg/kg) and ipilimumab (1mg/kg) IV every 3 weeks, for 12 weeks, followed by maintenance doses of nivolumab (480mg) every 4 weeks. Clinical evaluation and measurements of TSH, free T4, cortisol and ACTH, IGF-1, Prolactin, LH, FSH, testosterone, calcium, PTH, blood glucose, glycated hemoglobin and C-peptide were performed at the beginning of the study and the day before each cycle. Magnetic Resonance Imaging (MRI) of the sella turcica was performed initially and every 4-6 months or after an occurrence suggestive of hypophysitis. Results: Patients (81%M) with a median age of 56 (32-77 years) were followed for 21 (3-74) weeks and for 5 (1-19) cycles of immunotherapy. Six patients (6/42, 14,3%) developed central adrenal insufficiency/hypophysitis (CAI), with a median at cycle 4 (3-6). Three patients presented general symptoms such as malaise, anorexia, intense fatigue and myalgia that improved with glucocorticoids; the diagnosis was laboratory-based and in another three. No patient with hypophysitis presented optic chiasm compressive symptoms, but MRI detected increased volume of the pituitary gland/pituitary stalk in three out of six patients. Basal cortisol and ACTH concentrations were lower in patients who developed hypophysitis (12±1.2 mcg/dL and 18±8 pg/mL, respectively) compared to those who did not (21±9 mcg/dL and 62±62 pg/mL, respectively). Thyroid dysfunction occurred in 12/36 (33.3%); 1/12 had primary hypothyroidism; 8/12 developed thyrotoxicosis, whereas three out of these 8 patients progressed to primary hypothyroidism, 2 left the study due to death unrelated to the adverse effects of ICIs, and 1 developed central hypothyroidism, due to subsequent development of hypophysitis; and 3/12 presented subclinical hyperthyroidism. Among these, two progressed to primary hypothyroidism and 1 recovered the thyroid function. Two patients with thyroid dysfunction required hospitalization due to thyrotoxic crisis. There was no difference in baseline TSH and T4L concentrations in individuals who developed or not thyroid disease. Among patients with thyroid dysfunction, three also developed hypophysitis /CAI. Thyroid disease occurred earlier than hypophysitis (median 2.4 vs 4.2 cycles, p<0.005). There was no change in prolactin concentrations and gonadal deficiency was difficult to assess in the oncological context. One patient with hypophysitis presented GH deficiency with progressive decrease in IGF1 and impairment of the corticotroph and gonadal axes. Three patients had IGF-1 values slightly above the ULN. Changes in calcium metabolism were frequent and ranged from hypercalcemia to hypocalcemia with variable PTH levels. One case of autoimmune diabetes mellitus was diagnosed after ICIs treatment. Conclusion: Our data confirm that thyroiditis is an earlier event than hypophysitis. The prevalence of endocrine dysfunction was higher than that observed in the literature, including thyrotoxic crisis, which can be justified by the treatment with two classes of ICIs but also due to the prospective nature of the study. The high prevalence of endocrinological events highlights the importance 24 of active surveillance in patients undergoing treatment with ICIs to reduce comorbidities and avoid deaths unrelated to neoplastic disease.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCastro, Margaret deBeldi, Vinicius Fernando Machado2024-08-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17165/tde-21012025-124503/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-18T17:12:09Zoai:teses.usp.br:tde-21012025-124503Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-18T17:12:09Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: Inibidores de checkpoint imune (ICIs), anti-CTLA-4 e anti-PD1/anti-PD-L1, revolucionaram o tratamento de vários tipos de cânceres metastáticos. Os ICIs têm como efeitos adversos reações autoimunes, incluindo endocrinopatias. Objetivos: Avaliação prospectiva dos eventos endócrinos adversos do tratamento com ICIs em pacientes com câncer renal de células claras (CCR). Pacientes e Métodos: pacientes (n=43) seguidos pela Oncologia do HC-FMRP-USP em uso de doses combinadas de nivolumabe (3 mg/kg) e ipilimumabe (1 mg/kg) EV a cada 3 semanas, por 12 semanas, seguidas de doses de manutenção de nivolumab (480 mg) a cada 4 semanas. No início do estudo e no dia anterior a cada novo ciclo, os pacientes foram submetidos à avaliação clínica e dosagens de TSH, T4 livre, cortisol e ACTH, IGF1, Prolactina, LH, FSH, testosterona, cálcio, PTH, glicemia, hemoglobina glicada e peptídeo C. Ressonância Magnética (RM) de sela túrcica foi realizada inicialmente e a cada 4-6 meses ou após ocorrência sugestiva de hipofisite. Resultados: Os pacientes (81%M) apresentavam idade mediana de 56 (32-77anos) e foram seguidos por 21 (3-74) semanas e 5 (1-19) ciclos de imunoterapia. Seis pacientes (6/42, 14,3%) desenvolveram insuficiência adrenal central/hipofisite (IAC), com mediana no ciclo 4 (3-6). Desses, três apresentaram mal estar geral, anorexia, fadiga intensa e mialgia que melhoraram com glicocorticoides; em outros três, o diagnóstico foi laboratorial. Nenhum paciente com hipofisite apresentou sintomas compressivos do quiasma óptico, porém a RM detectou aumento de volume da hipófise/haste hipofisária em três dos seis pacientes. As concentrações basais de cortisol e ACTH foram menores nos pacientes que desenvolveram (12±1,2 mcg/dL e 18±8 pg/mL, respectivamente) comparadas aos que não desenvolveram hipofisite (21±9 mcg/dL e 62±62 pg/mL, respectivamente). Disfunção tireoidiana ocorreu em 12/36 (33,3%) dos pacientes que não apresentavam alterações na condição basal; 1/12 apresentou hipotireoidismo primário; 3/12 apresentaram hipertireoidismo subclínico; desses, dois evoluíram para hipotireoidismo primário e 1 recuperou a função tireoidiana; 8/12 desenvolveram tireotoxicose, sendo que três evoluíram para hipotireoidismo primário, 2 saíram do estudo (óbito não relacionado aos efeitos adversos dos ICIs) e 1 desenvolveu hipotireoidismo central, por posterior hipofisite. Dois pacientes com disfunção tireoidiana necessitaram de hospitalização por crise tireotóxica. Não houve diferença nas concentrações basais de TSH e T4L nos indivíduos que desenvolveram ou não doença tireoidiana. Três pacientes com disfunção tireoidiana apresentaram, também, hipofisite. A doença tireoidiana ocorreu mais precocemente que a hipofisite (mediana 2,4 vs 4,2 ciclos, p<0,005). Não houve alteração nas concentrações de prolactina. Deficiência gonadal foi difícil avaliar no contexto oncológico. Um paciente com hipofisite apresentou déficit de GH com diminuição progressiva de IGF-1. Alterações no metabolismo do cálcio foram frequentes e variaram de hipercalcemia a hipocalcemia com valores variáveis de PTH. Um caso de diabete melito autoimune foi diagnosticado. Conclusão: Nossos dados confirmam que a tireoidite é um evento mais precoce que hipofisite. A prevalência de disfunções endócrinas foi maior do que a da literatura, incluindo crise tireotóxica, o que pode ser justificado pelo tratamento com duas classes de ICIs e pelo caráter prospectivo do estudo. A alta prevalência de complicações 21 ressalta a importância da vigilância ativa em pacientes em tratamento com ICIs para diminuir comorbidades e evitar mortes não relacionadas à doença neoplásica. |
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