Análise do proteoma diferencial da placenta murina em resposta à infecção por Plasmodium berghei durante a gestação.
| Ano de defesa: | 2022 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-19112025-170743/ |
Resumo: | A infecção por Plasmodium na gravidez é uma causa frequente de morte materna e prejuízos na gestação em áreas endêmicas para malária. As principais complicações da malária placentária são, aumento dos níveis de citocinas inflamatórias e sequestro de parasitas na placenta, levando à anemia materna, crescimento intrauterino deficiente e baixo peso ao nascer. Respostas imunes inatas desempenham papéis cruciais, mas as alterações moleculares decorrentes da infecção placentária ainda não são claras. O presente estudo teve como objetivo identificar, por uma abordagem proteômica quantitativa, o conjunto de proteínas diferencialmente expresso na placenta murina em resposta à infecção por Plasmodium berghei durante a gestação. Placentas de camundongos não infectados e infectados foram submetidas a uma análise morfométrica para quantificação da área vascular, sendo observado aumento significativo do espessamento da barreira placentária e a desorganização da zona labiríntica. Com a análise proteômica baseada em espectrometria de massas, foi identificado um total de 1.909 proteínas, 1.283 foram quantificadas em, pelo menos, uma amostra e 60 proteínas se encontravam diferencialmente reguladas, 35 superexpressas e 25 menos expressas pela infecção. Ao empregar esses dados, foi gerado um agrupamento por termos de Gene Ontology quanto à função molecular, à localização celular e aos processos biológicos associados à infecção por P. berghei. Em face disso, foi possível constatar que a infecção regulou a expressão de proteínas pertencentes a diferentes mecanismos celulares. No conjunto das proteínas superexpressas pela infecção foram identificadas proteínas importantes no transporte de gases e metabolismo energético. Entre as proteínas menos expressas pela infecção, a cadeia beta da hemoglobina, endofilina, ubiquitina conjugada a enzima E2 D3, agrina, subunidade da proteína transportadora de triglicerídeo e cadeia longa da 3-oxoacil-COA redutase. Foi feita uma análise de predição de interatores utilizando modelo de bioinformática para gerar uma rede de interações, de acordo com as relações funcionais estabelecidas entre si. Nessa rede, para as proteínas menos expressas foram identificados dois grupos principais, um com proteínas relacionadas à morte celular; e outro com a classe das transferases. Enquanto para as proteínas superexpressas, foram identificados grupos de proteínas relacionadas ao metabolismo de ATP, proteínas ribossomais, proteínas relacionadas à replicação do DNA, proteassomo, autofagia e reparo. Além disso, este estudo identificou proteínas relacionadas ao metabolismo de ferro superexpressas pela infecção, como a ceruloplasmina, hemopexina, proteína de membrana do eritrócito e subunidades de hemoglobina. Também foram identificadas menos expressas pela infecção, uma subunidade de hemoglobina, transferritina e a cadeia longa da ferritina. A identificação da cadeia longa da ferritina menos expressa pela infecção, pode estar envolvida no processo de morte celular induzida pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio dependentes de ferro, conhecido como ferroptose. Este achado nos levou a analisar a área ocupada pelo ferro na placenta, demonstrando aumento significativo de depósitos de ferro no tecido das placentas infectadas. Nossos resultados indicam que a ferroptose pode ser um mecanismo de morte celular relevante na malária placentária. Entretanto, a realização de outros estudos se faz necessário para a confirmação da via de ferroptose nesse modelo. |
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Análise do proteoma diferencial da placenta murina em resposta à infecção por Plasmodium berghei durante a gestação.Analysis of the differential proteome of the murine placenta in response to Plasmodium berghei infection during pregnancy.gestaçãoMalariaMaláriaplacentaplacentapregnancyproteômicaproteomicsA infecção por Plasmodium na gravidez é uma causa frequente de morte materna e prejuízos na gestação em áreas endêmicas para malária. As principais complicações da malária placentária são, aumento dos níveis de citocinas inflamatórias e sequestro de parasitas na placenta, levando à anemia materna, crescimento intrauterino deficiente e baixo peso ao nascer. Respostas imunes inatas desempenham papéis cruciais, mas as alterações moleculares decorrentes da infecção placentária ainda não são claras. O presente estudo teve como objetivo identificar, por uma abordagem proteômica quantitativa, o conjunto de proteínas diferencialmente expresso na placenta murina em resposta à infecção por Plasmodium berghei durante a gestação. Placentas de camundongos não infectados e infectados foram submetidas a uma análise morfométrica para quantificação da área vascular, sendo observado aumento significativo do espessamento da barreira placentária e a desorganização da zona labiríntica. Com a análise proteômica baseada em espectrometria de massas, foi identificado um total de 1.909 proteínas, 1.283 foram quantificadas em, pelo menos, uma amostra e 60 proteínas se encontravam diferencialmente reguladas, 35 superexpressas e 25 menos expressas pela infecção. Ao empregar esses dados, foi gerado um agrupamento por termos de Gene Ontology quanto à função molecular, à localização celular e aos processos biológicos associados à infecção por P. berghei. Em face disso, foi possível constatar que a infecção regulou a expressão de proteínas pertencentes a diferentes mecanismos celulares. No conjunto das proteínas superexpressas pela infecção foram identificadas proteínas importantes no transporte de gases e metabolismo energético. Entre as proteínas menos expressas pela infecção, a cadeia beta da hemoglobina, endofilina, ubiquitina conjugada a enzima E2 D3, agrina, subunidade da proteína transportadora de triglicerídeo e cadeia longa da 3-oxoacil-COA redutase. Foi feita uma análise de predição de interatores utilizando modelo de bioinformática para gerar uma rede de interações, de acordo com as relações funcionais estabelecidas entre si. Nessa rede, para as proteínas menos expressas foram identificados dois grupos principais, um com proteínas relacionadas à morte celular; e outro com a classe das transferases. Enquanto para as proteínas superexpressas, foram identificados grupos de proteínas relacionadas ao metabolismo de ATP, proteínas ribossomais, proteínas relacionadas à replicação do DNA, proteassomo, autofagia e reparo. Além disso, este estudo identificou proteínas relacionadas ao metabolismo de ferro superexpressas pela infecção, como a ceruloplasmina, hemopexina, proteína de membrana do eritrócito e subunidades de hemoglobina. Também foram identificadas menos expressas pela infecção, uma subunidade de hemoglobina, transferritina e a cadeia longa da ferritina. A identificação da cadeia longa da ferritina menos expressa pela infecção, pode estar envolvida no processo de morte celular induzida pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio dependentes de ferro, conhecido como ferroptose. Este achado nos levou a analisar a área ocupada pelo ferro na placenta, demonstrando aumento significativo de depósitos de ferro no tecido das placentas infectadas. Nossos resultados indicam que a ferroptose pode ser um mecanismo de morte celular relevante na malária placentária. Entretanto, a realização de outros estudos se faz necessário para a confirmação da via de ferroptose nesse modelo.Plasmodium infection in pregnancy is a frequent cause of maternal death and pregnancy loss in malaria-endemic areas. The main complications of placental malaria are increased levels of inflammatory cytokines and sequestration of parasites in the placenta, leading to maternal anemia, impaired intrauterine growth and low birth weight. Innate immune responses play crucial roles, but the molecular changes resulting from placental infection are still unclear. The present study aimed to identify, by a quantitative proteomic approach, the set of proteins differentially expressed in the murine placenta in response to Plasmodium berghei infection during pregnancy. Placentas from uninfected and infected mice were submitted to a morphometric analysis to quantify the vascular area, with a significant increase in the thickening of the placental barrier and disorganization of the labyrinthine zone. With proteomic analysis based on mass spectrometry, a total of 1,909 proteins were identified, 1,283 were quantified in at least one sample and 60 proteins were differentially regulated, 35 were overexpressed and 25 were underexpressed by the infection. Using these data, a grouping by Gene Ontology terms was generated regarding molecular function, cellular location and biological processes associated with P. berghei infection. In view of this, it was possible to verify that the infection regulated the expression of proteins belonging to different cellular mechanisms. In the set of proteins overexpressed by the infection, important proteins were identified in the transport of gases, energy metabolism. Among the proteins less expressed by the infection, the beta chain of hemoglobin, endophyllin, ubiquitin conjugated to the E2 D3 enzyme, agrin, subunit of the triglyceride transporter protein and the long chain of 3-oxoacyl-COA reductase. A prediction analysis of interactors was performed using a bioinformatics model to generate a network of interactions, according to the functional relationships established between them. In this network, for the less expressed proteins, two main groups were identified, one of them with proteins related to cell death; and the other to the transferase class. As for the overexpressed proteins, groups of proteins related to ATP metabolism, ribosomal proteins, proteins related to DNA replication, proteasome, autophagy and repair were identified. In addition, this study identified proteins related to iron metabolism overexpressed by infection, such as ceruloplasmin, hemopexin, erythrocyte membrane protein and hemoglobin subunits. Less expressed by the infection were also identified, a subunit of hemoglobin, transferritin and the long chain of ferritin. The identification of the long chain of ferritin that is less expressed by the infection may be involved in the process of cell death induced by the accumulation of iron-dependent reactive oxygen species, known as ferroptosis. This finding led us to analyze the area occupied by iron in the placenta, demonstrating a significant increase in iron deposits in the tissue of infected placentas. Our results indicate that ferroptosis may be a relevant cell death mechanism in placental malaria. However, further studies are necessary to confirm the ferroptosis pathway in this model.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMarinho, Claudio Romero FariasGaziola, Leticia Monica Coimbra2022-06-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-19112025-170743/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-24T16:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-19112025-170743Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-24T16:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A infecção por Plasmodium na gravidez é uma causa frequente de morte materna e prejuízos na gestação em áreas endêmicas para malária. As principais complicações da malária placentária são, aumento dos níveis de citocinas inflamatórias e sequestro de parasitas na placenta, levando à anemia materna, crescimento intrauterino deficiente e baixo peso ao nascer. Respostas imunes inatas desempenham papéis cruciais, mas as alterações moleculares decorrentes da infecção placentária ainda não são claras. O presente estudo teve como objetivo identificar, por uma abordagem proteômica quantitativa, o conjunto de proteínas diferencialmente expresso na placenta murina em resposta à infecção por Plasmodium berghei durante a gestação. Placentas de camundongos não infectados e infectados foram submetidas a uma análise morfométrica para quantificação da área vascular, sendo observado aumento significativo do espessamento da barreira placentária e a desorganização da zona labiríntica. Com a análise proteômica baseada em espectrometria de massas, foi identificado um total de 1.909 proteínas, 1.283 foram quantificadas em, pelo menos, uma amostra e 60 proteínas se encontravam diferencialmente reguladas, 35 superexpressas e 25 menos expressas pela infecção. Ao empregar esses dados, foi gerado um agrupamento por termos de Gene Ontology quanto à função molecular, à localização celular e aos processos biológicos associados à infecção por P. berghei. Em face disso, foi possível constatar que a infecção regulou a expressão de proteínas pertencentes a diferentes mecanismos celulares. No conjunto das proteínas superexpressas pela infecção foram identificadas proteínas importantes no transporte de gases e metabolismo energético. Entre as proteínas menos expressas pela infecção, a cadeia beta da hemoglobina, endofilina, ubiquitina conjugada a enzima E2 D3, agrina, subunidade da proteína transportadora de triglicerídeo e cadeia longa da 3-oxoacil-COA redutase. Foi feita uma análise de predição de interatores utilizando modelo de bioinformática para gerar uma rede de interações, de acordo com as relações funcionais estabelecidas entre si. Nessa rede, para as proteínas menos expressas foram identificados dois grupos principais, um com proteínas relacionadas à morte celular; e outro com a classe das transferases. Enquanto para as proteínas superexpressas, foram identificados grupos de proteínas relacionadas ao metabolismo de ATP, proteínas ribossomais, proteínas relacionadas à replicação do DNA, proteassomo, autofagia e reparo. Além disso, este estudo identificou proteínas relacionadas ao metabolismo de ferro superexpressas pela infecção, como a ceruloplasmina, hemopexina, proteína de membrana do eritrócito e subunidades de hemoglobina. Também foram identificadas menos expressas pela infecção, uma subunidade de hemoglobina, transferritina e a cadeia longa da ferritina. A identificação da cadeia longa da ferritina menos expressa pela infecção, pode estar envolvida no processo de morte celular induzida pelo acúmulo de espécies reativas de oxigênio dependentes de ferro, conhecido como ferroptose. Este achado nos levou a analisar a área ocupada pelo ferro na placenta, demonstrando aumento significativo de depósitos de ferro no tecido das placentas infectadas. Nossos resultados indicam que a ferroptose pode ser um mecanismo de morte celular relevante na malária placentária. Entretanto, a realização de outros estudos se faz necessário para a confirmação da via de ferroptose nesse modelo. |
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