Comparação de métodos de processamento de aloenxertos de nervos acelulares em humanos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Wataya, Erick Yoshio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-18112025-165028/
Resumo: INTRODUÇÃO: o tratamento de lesões de nervos periféricos com perda segmentar é um desafio para os cirurgiões. O uso de aloenxertos de nervos acelulares é uma alternativa, porém necessitam de processamento para que haja remoção dos debris celulares e manutenção da matriz extracelular afim de estimular regeneração axonal sem que ocorra imunogenicidade. Várias técnicas de processamento de aloenxertos de nervos são descritas, porém ainda é incerto qual é mais eficaz. OBJETIVO: comparar qual o método de processamento de nervos de cadáveres preservação a frio, com detergentes, ou com glicerol - é melhor, em relação à: contagem de axônios, densidade de axônios, espessura da bainha de mielina, manutenção da matriz extracelular e retirada de debris celulares pela análise histomorfométrica. MÉTODOS: foram ressecados 44 nervos, que incluíam os nervos musculocutâneo, radial, ulnar e mediano de cadáveres. Cada nervo foi dividido em três segmentos, que foram encaminhados aos grupos: C (preservados a frio), D (preservados em detergentes segundo o protocolo de Hudson) e G (preservados em glicerol). Após o processamento, foi ressecado um segmento da parte média para fixação e análise histomorfométrica. RESULTADOS: do total de 44 nervos avaliados, para a contagem de axônios, houve diferença entre os métodos (p = 0,025) em favor do grupo C sobre o G (p = 0,007). Para a densidade axonal houve diferença entre os métodos (p = 0,002) em favor do grupo D sobre o grupo C (p = 0,018) e o G (p < 0,001). Para a espessura da bainha de mielina houve diferença (p = 0,003) em favor do grupo C sobre o G (p=0,011) e em favor do grupo D sobre o G (p < 0,001). A análise entre os quatro nervos mostrou diferença em relação à contagem de axônios (p = 0,004) e à área no grupo D (p = 0,003). Em relação à contagem de axônios para o grupo D, o nervo musculocutâneo apresentou menor número de axônios em relação ao nervo mediano (p = 0,012). Na comparação da matriz extracelular normal e destruída dentro de cada grupo, não foi possível analisar no grupo C, pois só existiam n = 2 de destruídos. No grupo D não se identificou diferença estatisticamente significante para nenhuma das variáveis e no grupo G houve diferença entre os nervos normais e destruídos para contagem de axônios (p = 0,027) e para área (p = 0,025). A comparação entre os três grupos após exclusão dos casos com matriz extracelular destruída apresentou diferença estatística somente para densidade de axônios (p = 0,017) em favor do grupo D sobre o grupo G (p = 0,018). A comparação entre os quatro tipos de nervos, após a exclusão dos que tiveram matriz extracelular destruída identificou diferença no grupo D para contagem de axônios (p < 0,001), favorecendo o nervo radial em relação ao nervo mediano (p = 0,033); o nervo musculocutâneo em relação ao nervo mediano (p < 0,001) e o nervo ulnar sobre o nervo mediano (p = 0,003). CONCLUSÃO: a análise comparativa histomorfométrica de nervos de cadáveres nos três grupos demostrou: superioridade do resfriamento na contagem de axônios; do detergente na densidade axonal e de ambos na espessura da bainha de mielina. O glicerol apresentou tendência a piores resultados. Não se observou diferença na preservação da matriz extracelular na comparação dos três métodos, exceto no grupo G na análise da contagem de axônios. Na análise do tipo de nervo utilizado, o nervo mediano apresentou piores resultados na contagem de axônios no grupo D.
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spelling Comparação de métodos de processamento de aloenxertos de nervos acelulares em humanosA Comparative Analysis of Processing Methods for Acellular Nerve Allografts in HumansAllograftAloenxertoDescellularized nerve graftEnxerto de nervo acelularLesões nervosasNerve injuryNerve regenerationNerve transferPeripheral nerve injuriesRegeneração nervosaTransferência de nervosTraumatismos dos nervos periféricosINTRODUÇÃO: o tratamento de lesões de nervos periféricos com perda segmentar é um desafio para os cirurgiões. O uso de aloenxertos de nervos acelulares é uma alternativa, porém necessitam de processamento para que haja remoção dos debris celulares e manutenção da matriz extracelular afim de estimular regeneração axonal sem que ocorra imunogenicidade. Várias técnicas de processamento de aloenxertos de nervos são descritas, porém ainda é incerto qual é mais eficaz. OBJETIVO: comparar qual o método de processamento de nervos de cadáveres preservação a frio, com detergentes, ou com glicerol - é melhor, em relação à: contagem de axônios, densidade de axônios, espessura da bainha de mielina, manutenção da matriz extracelular e retirada de debris celulares pela análise histomorfométrica. MÉTODOS: foram ressecados 44 nervos, que incluíam os nervos musculocutâneo, radial, ulnar e mediano de cadáveres. Cada nervo foi dividido em três segmentos, que foram encaminhados aos grupos: C (preservados a frio), D (preservados em detergentes segundo o protocolo de Hudson) e G (preservados em glicerol). Após o processamento, foi ressecado um segmento da parte média para fixação e análise histomorfométrica. RESULTADOS: do total de 44 nervos avaliados, para a contagem de axônios, houve diferença entre os métodos (p = 0,025) em favor do grupo C sobre o G (p = 0,007). Para a densidade axonal houve diferença entre os métodos (p = 0,002) em favor do grupo D sobre o grupo C (p = 0,018) e o G (p < 0,001). Para a espessura da bainha de mielina houve diferença (p = 0,003) em favor do grupo C sobre o G (p=0,011) e em favor do grupo D sobre o G (p < 0,001). A análise entre os quatro nervos mostrou diferença em relação à contagem de axônios (p = 0,004) e à área no grupo D (p = 0,003). Em relação à contagem de axônios para o grupo D, o nervo musculocutâneo apresentou menor número de axônios em relação ao nervo mediano (p = 0,012). Na comparação da matriz extracelular normal e destruída dentro de cada grupo, não foi possível analisar no grupo C, pois só existiam n = 2 de destruídos. No grupo D não se identificou diferença estatisticamente significante para nenhuma das variáveis e no grupo G houve diferença entre os nervos normais e destruídos para contagem de axônios (p = 0,027) e para área (p = 0,025). A comparação entre os três grupos após exclusão dos casos com matriz extracelular destruída apresentou diferença estatística somente para densidade de axônios (p = 0,017) em favor do grupo D sobre o grupo G (p = 0,018). A comparação entre os quatro tipos de nervos, após a exclusão dos que tiveram matriz extracelular destruída identificou diferença no grupo D para contagem de axônios (p < 0,001), favorecendo o nervo radial em relação ao nervo mediano (p = 0,033); o nervo musculocutâneo em relação ao nervo mediano (p < 0,001) e o nervo ulnar sobre o nervo mediano (p = 0,003). CONCLUSÃO: a análise comparativa histomorfométrica de nervos de cadáveres nos três grupos demostrou: superioridade do resfriamento na contagem de axônios; do detergente na densidade axonal e de ambos na espessura da bainha de mielina. O glicerol apresentou tendência a piores resultados. Não se observou diferença na preservação da matriz extracelular na comparação dos três métodos, exceto no grupo G na análise da contagem de axônios. Na análise do tipo de nervo utilizado, o nervo mediano apresentou piores resultados na contagem de axônios no grupo D.Background: The treatment of peripheral nerve injuries with segmental loss continues to pose challenges for surgeons. Acellular nerve allografts present a promising alternative, but they require processing to eliminate cellular debris while preserving the extracellular matrix to encourage axonal regeneration without inducing immunogenicity. Although various cadaveric nerve processing techniques have been documented, their effectiveness remains uncertain. Objective: This study aims to compare different cadaveric nerve processing methodscold preservation, detergent-based preservation, and glycerol-based preservationconcerning axon count, axon density, myelin sheath thickness, extracellular matrix preservation, and cellular debris removal via histomorphometric analysis. Methods: A total of 44 nerves, including the musculocutaneous, radial, ulnar, and median nerves from cadavers, were resected. Each nerve was divided into three segments and assigned to the following groups: C (cold preservation), D (detergent-based preservation following Hudsons protocol), and G (glycerol-based preservation). Following processing, a mid-portion segment was resected for fixation and histomorphometric analysis. Results: Among the 44 evaluated nerves, axon count analysis identified differences between methods (p=0.025), favoring group C over group G (p=0.007). Axon density demonstrated differences (p=0.002), favoring group D over both group C (p=0.018) and group G (p<0.001). Myelin sheath thickness analysis indicated differences (p=0.003), favoring group C over group G (p=0.011) and group D over group G (p<0.001). Significant differences in axon count (p=0.004) and area were noted in group D (p=0.003) among the four nerve types. Within group D, the musculocutaneous nerve had fewer axons than the median nerve (p=0.012). The comparison of extracellular matrix within each group was inconclusive for group C due to a low number of destroyed extracellular matrices (n=2). In group D, no statistically significant differences were observed; however, in group G, axon count (p=0.027) and area (p=0.025) differed between normal and destroyed extracellular matrix. Upon excluding cases with destroyed extracellular matrix, a statistical difference in axon density (p=0.017) favored group D over group G (p=0.018). After exclusion, significant differences in axon count (p<0.001) emerged in group D, favoring the radial (p=0.033), musculocutaneous (p<0.001), and ulnar (p=0.003) nerves over the median nerve. Conclusion: Histomorphometric analysis revealed that cold preservation was superior for axon count, detergent processing excelled in axon density, and both methods outperformed others regarding myelin sheath thickness. Glycerol-based preservation indicated a tendency for poorer results. No significant differences in extracellular matrix preservation appeared among the three methods, except for group G in the axon count analysis. Among the nerve types, the median nerve displayed worse results in the axon count in group D.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNakamoto, Hugo AlbertoRezende, Marcelo Rosa deWataya, Erick Yoshio2025-07-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-18112025-165028/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-19T14:51:02Zoai:teses.usp.br:tde-18112025-165028Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-19T14:51:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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