A linguagem feita imagem: a Ciranda de Pedra de Lygia Fagundes Telles

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Embuaba, Larissa Escanhuela
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-12062025-174613/
Resumo: Nesta pesquisa, propusemos análise do romance Ciranda de Pedra (1954) de Lygia Fagundes Telles a fim de destacar aspectos formais relevante à poética da autora. À luz do conceito de formação (Bildung), buscou-se confirmar a hipótese de que a forma do romance assenta-se sobre aprendizagens, e de que nele há exposição de imagens de metamorfose que codificam o imaginário e a subjetividade de personagens. Buscou-se interpretar se há traços de formação na trajetória de Virgínia, a protagonista, e analisar as experiências de Laura, sua mãe, pois a linguagem do romance demonstra a recursividade de imagens e de símbolos que conectam as experiências das duas. Há construção de paralelos e de imagens de metamorfoses animais, os quais dão forma a concorrências e a conflitos familiares. Observamos a deformação de personagens, cujo comportamento desvia-se do status quo, e que sofrem as dores da marginalização. Além disto, há discussão acerca dos espaços e da convivência familiar, pois interferem decisivamente na aprendizagem sentimental da protagonista, e delas decorre a deformação da identidade. Notamos que a projeção de duas casas, o sobrado e o casarão, reforça o aspecto dual observado nas metamorfoses e expõe a tensão entre os espaços. A contraposição de imagens do sobrado às imagens do casarão diz respeito à leitura que Virgínia realiza das famílias das quais é parte, e às quais atribui traços positivos ou negativos, ligados ao acesso a bens materiais, ao prestígio social e ao modelo familiar tradicional. Esta interpretação dos espaços e das famílias, organizada por um olhar infantil, ao qual se alia o eu-narrativo, aparece em diálogos, na separação dos capítulos, na constituição das personalidades e nos momentos de aprendizagem. A síntese imagética desse imbricado sistema de relações, introjetado na casa, que se torna espaço de tudo aquilo que é coletivo, está no título: a Ciranda de Pedra. Buscamos comprovar que a imagem da ciranda de pedra remonta a um complexo sistema de relações sociais que referencia à imutabilidade deste material do qual são feitas as estátuas. Quisemos demonstrar que a transmissão de crenças e costumes, baseados em moralismos e preconceitos, não significa a rejeição do modelo familiar perseguido e dos privilégios adquiridos, e denota a necessidade de preservar certa posição social. Em suma, nesta pesquisa lançou-se luz nas imagens que expõem a construção de identidades, e as relações entre as imagens produzidas pelas subjetividades das personagens e os espaços onde habitam e transitam, a fim de demonstrar a relevância da construção de imagens à tessitura do romance de estreia de Lygia Fagundes Telles
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Há construção de paralelos e de imagens de metamorfoses animais, os quais dão forma a concorrências e a conflitos familiares. Observamos a deformação de personagens, cujo comportamento desvia-se do status quo, e que sofrem as dores da marginalização. Além disto, há discussão acerca dos espaços e da convivência familiar, pois interferem decisivamente na aprendizagem sentimental da protagonista, e delas decorre a deformação da identidade. Notamos que a projeção de duas casas, o sobrado e o casarão, reforça o aspecto dual observado nas metamorfoses e expõe a tensão entre os espaços. A contraposição de imagens do sobrado às imagens do casarão diz respeito à leitura que Virgínia realiza das famílias das quais é parte, e às quais atribui traços positivos ou negativos, ligados ao acesso a bens materiais, ao prestígio social e ao modelo familiar tradicional. Esta interpretação dos espaços e das famílias, organizada por um olhar infantil, ao qual se alia o eu-narrativo, aparece em diálogos, na separação dos capítulos, na constituição das personalidades e nos momentos de aprendizagem. A síntese imagética desse imbricado sistema de relações, introjetado na casa, que se torna espaço de tudo aquilo que é coletivo, está no título: a Ciranda de Pedra. Buscamos comprovar que a imagem da ciranda de pedra remonta a um complexo sistema de relações sociais que referencia à imutabilidade deste material do qual são feitas as estátuas. Quisemos demonstrar que a transmissão de crenças e costumes, baseados em moralismos e preconceitos, não significa a rejeição do modelo familiar perseguido e dos privilégios adquiridos, e denota a necessidade de preservar certa posição social. Em suma, nesta pesquisa lançou-se luz nas imagens que expõem a construção de identidades, e as relações entre as imagens produzidas pelas subjetividades das personagens e os espaços onde habitam e transitam, a fim de demonstrar a relevância da construção de imagens à tessitura do romance de estreia de Lygia Fagundes TellesThis research proposes an analysis of the novel The Marble Dance (1954) by Lygia Fagundes Telles, aiming to highlight formal aspects relevant to the author\'s poetics. Drawing from the concept of Bildung (formation or development), the study seeks to support the hypothesis that the novel\'s form is rooted in learning processes, and that it presents images of metamorphosis that encode the characters\' imagination and subjectivity. The research examines whether elements of formation can be found in the protagonist Virgínia\'s trajectory and analyzes the experiences of her mother, Laura, as the novel\'s language reveals a recursive use of images and symbols that link the experiences of both women. Parallels are drawn through images of animal metamorphoses, which shape the family dynamics and underlying conflicts. The study observes character deformations in those whose behavior diverges from the status quo and who suffer the pains of marginalization. Additionally, it discusses domestic spaces and family life, as they play a decisive role in the protagonist\'s emotional learning and contribute to the distortion of her identity. The contrast between two houses – the townhouse and the mansion – reinforces the dual aspect found in the metamorphoses and reveals spatial tension. The juxtaposition of images of the townhouse and the mansion reflects Virgínia\'s perception of the two families to which she belongs, to which she attributes positive or negative traits associated with material wealth, social prestige, and traditional family values. This interpretation of space and family, filtered through a child\'s perspective allied with the narrative self, is expressed through dialogue, chapter structure, character construction, and learning moments. The imagistic synthesis of this intricate web of social relations, projected onto the house as a collective space, is encapsulated in the title: The Marble Dance. The study argues that this image evokes a complex system of social relations that points to the unchanging nature of the material from which statues are made. It demonstrates that the transmission of beliefs and customs – rooted in moralism and prejudice – does not entail a rejection of the pursued family model or of acquired privileges, but rather denotes a need to preserve a certain social status. In short, this research sheds light on the images that reveal the construction of identity and explores the relationship between the images shaped by the characters\' subjectivities and the spaces they inhabit and traverse, in order to demonstrate the central role of image-making in the fabric of Lygia Fagundes Telles\' debut novelBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPacheco, Ana Paula Sá e SouzaEmbuaba, Larissa Escanhuela2025-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-12062025-174613/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-12T20:53:02Zoai:teses.usp.br:tde-12062025-174613Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-12T20:53:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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