Análise epidemiológica dos atendimentos a pacientes pediátricos vítimas de politraumatismo admitidos em um Hospital Universitário do interior do Estado de São Paulo no período de 2020 e 2021

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Fial, Raíssa Gonçalves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17144/tde-08092025-160628/
Resumo: Introdução: O trauma é uma das principais causas de morbidade e mortalidade na população pediátrica, sendo os acidentes de trânsito e atropelamentos os mecanismos mais comuns. Pacientes pediátricos politraumatizados apresentam desafios específicos no manejo clínico, e a abordagem especializada está associada a melhores desfechos. No entanto, há escassez de estudos epidemiológicos detalhados sobre esse grupo no Brasil. Este estudo visa descrever o perfil epidemiológico e os fatores associados à gravidade dos traumas pediátricos em um hospital de referência. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo e observacional baseado na análise de prontuários de crianças menores de 16 anos atendidas na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto entre 2020 e 2021. Foram incluídos pacientes admitidos na sala de estabilização, transportados com imobilização cervical e atendidos por equipes multidisciplinares. Variáveis clínicas, laboratoriais e escores de gravidade (BIG score, Pediatric Trauma Score (PTS) e Injury Severity Score (ISS)) foram analisados e correlacionados com desfechos como internação em UTI pediátrica (UTIP), presença de sequelas e mortalidade. Resultados: Dos 1.787 prontuários analisados, 133 pacientes atenderam aos critérios de inclusão. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (65,4%) e adolescentes (44,4%). Os acidentes automobilísticos (42,1%) e atropelamentos (29,3%) foram as principais causas de trauma. O traumatismo cranioencefálico (TCE) foi identificado em 70,5% dos casos, sendo grave em 11,3%. A coagulopatia induzida pelo trauma (CIT) esteve presente em 29,3% dos pacientes e foi significativamente mais comum entre os admitidos na UTIP (48%, p < 0,01). A mortalidade foi de 2,3% e 3,8% dos pacientes apresentaram sequelas graves. O BIG score (> 8,2), PTS (< 7,5) e ISS (> 12) foram preditores significativos de necessidade de internação na UTIP (p < 0,01), com o BIG score sendo o marcador mais robusto. Conclusão: O estudo identificou fatores associados à gravidade do trauma pediátrico e destacou a importância do uso de escores de gravidade na triagem e manejo clínico. A presença de TCE e CIT foram fatores associados a desfechos desfavoráveis. O atendimento especializado demonstrou impacto positivo na sobrevida dos pacientes, mas a presença de sequelas reforça a necessidade de estratégias de reabilitação precoce. O BIG score (> 8,2) demonstrou forte associação com a internação em UTIP e maior necessidade de suporte intensivo, sugerindo que sua aplicação pode auxiliar na identificação precoce de pacientes críticos. Além disso, a frequência de exames de imagem, como a pantomografia, sugere a necessidade de protocolos mais bem definidos para otimizar sua utilização. Futuros estudos são necessários para aprofundar a compreensão dos desfechos e otimizar o atendimento pediátrico em casos de politrauma.
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No entanto, há escassez de estudos epidemiológicos detalhados sobre esse grupo no Brasil. Este estudo visa descrever o perfil epidemiológico e os fatores associados à gravidade dos traumas pediátricos em um hospital de referência. Métodos: Trata-se de um estudo retrospectivo e observacional baseado na análise de prontuários de crianças menores de 16 anos atendidas na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto entre 2020 e 2021. Foram incluídos pacientes admitidos na sala de estabilização, transportados com imobilização cervical e atendidos por equipes multidisciplinares. Variáveis clínicas, laboratoriais e escores de gravidade (BIG score, Pediatric Trauma Score (PTS) e Injury Severity Score (ISS)) foram analisados e correlacionados com desfechos como internação em UTI pediátrica (UTIP), presença de sequelas e mortalidade. Resultados: Dos 1.787 prontuários analisados, 133 pacientes atenderam aos critérios de inclusão. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (65,4%) e adolescentes (44,4%). Os acidentes automobilísticos (42,1%) e atropelamentos (29,3%) foram as principais causas de trauma. O traumatismo cranioencefálico (TCE) foi identificado em 70,5% dos casos, sendo grave em 11,3%. A coagulopatia induzida pelo trauma (CIT) esteve presente em 29,3% dos pacientes e foi significativamente mais comum entre os admitidos na UTIP (48%, p < 0,01). A mortalidade foi de 2,3% e 3,8% dos pacientes apresentaram sequelas graves. O BIG score (> 8,2), PTS (< 7,5) e ISS (> 12) foram preditores significativos de necessidade de internação na UTIP (p < 0,01), com o BIG score sendo o marcador mais robusto. Conclusão: O estudo identificou fatores associados à gravidade do trauma pediátrico e destacou a importância do uso de escores de gravidade na triagem e manejo clínico. A presença de TCE e CIT foram fatores associados a desfechos desfavoráveis. O atendimento especializado demonstrou impacto positivo na sobrevida dos pacientes, mas a presença de sequelas reforça a necessidade de estratégias de reabilitação precoce. O BIG score (> 8,2) demonstrou forte associação com a internação em UTIP e maior necessidade de suporte intensivo, sugerindo que sua aplicação pode auxiliar na identificação precoce de pacientes críticos. Além disso, a frequência de exames de imagem, como a pantomografia, sugere a necessidade de protocolos mais bem definidos para otimizar sua utilização. Futuros estudos são necessários para aprofundar a compreensão dos desfechos e otimizar o atendimento pediátrico em casos de politrauma.Introduction: Trauma is one of the leading causes of morbidity and mortality in the pediatric population, with traffic accidents and pedestrian injuries being the most common mechanisms. Polytraumatized pediatric patients present specific challenges in clinical management, and specialized care is associated with better outcomes. However, there is a lack of detailed epidemiological studies on this group in Brazil. This study aims to describe the epidemiological profile and factors associated with the severity of pediatric trauma in a reference hospital. Methods: This is a retrospective observational study based on the analysis of medical records of children under 16 years of age treated at the Emergency Unit of the Hospital das Clínicas in Ribeirão Preto between 2020 and 2021. Included patients were admitted to the stabilization room, transported with cervical immobilization, and attended by multidisciplinary teams. Clinical, laboratory, and trauma severity scores (BIG score, Pediatric Trauma Score, and Injury Severity Score) were analyzed and correlated with outcomes such as admission to the Pediatric Intensive Care Unit (PICU), presence of sequelae, and mortality. Results: Among the 1,787 records analyzed, 133 patients met the inclusion criteria. Most patients were male (65.4%) and adolescents (44.4%). Traffic accidents (42.1%) and pedestrian injuries (29.3%) were the main causes of trauma. Traumatic brain injury (TBI) was identified in 70.5% of cases, with 11.3% classified as severe. Traumainduced coagulopathy (TIC) was present in 29.3% of patients and significantly more common among those admitted to the PICU (48%, p < 0.01). Mortality was 2.3%, and 3.8% of patients presented severe sequelae. The BIG score (> 8.2), PTS (< 7.5), and ISS (> 12) were significant predictors of PICU admission (p < 0.01), with the BIG score being the most robust marker. Conclusion: The study identified factors associated with the severity of pediatric trauma and highlighted the importance of using trauma severity scores in triage and clinical management. The presence of TBI and TIC were associated with unfavorable outcomes. Specialized care demonstrated a positive impact on patient survival, but the presence of sequelae underscores the need for early rehabilitation strategies. The BIG score (> 8.2) showed a strong association with PICU admission and the need for intensive support, suggesting its application can help identify critically ill patients early. Additionally, the frequent use of imaging exams, such as whole-body CT scans, suggests the need for more clearly defined protocols to optimize their use. Further studies are necessary to deepen the understanding of outcomes and improve pediatric trauma care.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMatsuno, Alessandra KimieFial, Raíssa Gonçalves2025-05-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17144/tde-08092025-160628/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-18T18:30:02Zoai:teses.usp.br:tde-08092025-160628Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-18T18:30:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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