Relações familiares, autocontrole e delinquência: um teste empírico da teoria geral do crime
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-10032025-110317/ |
Resumo: | A Teoria Geral do Crime (TGC) considera o autocontrole a variável central na explicação do cometimento de delitos, à medida em que indivíduos que apresentam baixo autocontrole estão mais suscetíveis a tentações e influências momentâneas, levando menos em consideração os riscos de comportamentos antissociais e os objetivos a longo prazo. Segundo a teoria, o desenvolvimento do autocontrole está intrinsecamente relacionado à socialização familiar. Estudos neurocientíficos recentes, como o Modelo de Sistema Dual (MSD), confirmam uma relação entre altos níveis de impulsividade e busca de sensações na adolescência com o aumento de comportamento antissociais, por uma lacuna temporal entre a maturação do sistema socioemocional e o de controle cognitivo. Apesar de a TGC ser uma das teorias criminológicas mais testadas e influentes, o enfoque nas variáveis familiares é menos proeminente na maioria dos estudos e sua aplicação no contexto sociocultural brasileiro é escassa. O objetivo da presente pesquisa foi testar a aplicabilidade da TGC na explicação da delinquência no Brasil, considerando sua relação com aspectos familiares (através do autocontrole), além de checar uma possível relação entre diferenças nos níveis de autocontrole e diferenças no engajamento infracional, adotando uma abordagem centrada na pessoa. A pesquisa foi realizada no escopo da quarta onda do International Self-Report Delinquency Study (ISRD4), um estudo colaborativo e transcultural sobre vitimização e delinquência na adolescência. Seguiu-se o protocolo padronizado de pesquisa do ISRD. A coleta de dados foi realizada em 54 escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto e Sertãozinho, de maneira aleatorizada e representativa, com uma amostra final de 1.909 adolescentes entre 13 e 17 anos (M = 15, DP = 1,2), dos quais 49,6% do gênero feminino, 48,3% do gênero masculino e 2,1% não-binário. Foram feitas análises de Modelagem de Equações Estruturais (SEM) para checar a relação entre as variáveis de interesse e, também, uma análise centrada na pessoa, por meio do agrupamento em clusters em função dos níveis de autocontrole. Verificou-se que o vínculo familiar e a supervisão parental predizem significativamente a impulsividade e a busca por sensações, sendo que o vínculo influencia as duas dimensões do autocontrole e a supervisão tem um efeito mais forte na busca por sensações, a qual foi o único preditor significativo de delitos gerais e violentos. Com relação aos clusters, os indivíduos com menor autocontrole também apresentaram menores índices de vínculo e supervisão, além de reportarem mais delitos, do que os com maiores níveis de autocontrole. O grupo com maior busca por sensações relatou mais delitos que os impulsivos e que os com alto autocontrole, sugerindo que a busca por sensações possa ter mais peso no cometimento de delitos por colocá-los em contextos mais criminogênicos e afastados da supervisão parental. De modo geral, os resultados indicam que a TGC oferece uma explicação parcial para o envolvimento de adolescentes brasileiros em atividades delituosas. O estudo traz contribuições relevantes, do ponto de vista teórico e científico, à medida em que auxilia no entendimento dos diferentes papéis das dimensões do autocontrole na conduta infracional e enfatiza a importância da socialização familiar adequada para o desenvolvimento social e cognitivo dos jovens. |
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Relações familiares, autocontrole e delinquência: um teste empírico da teoria geral do crimeFamily relations, self-control, and delinquency: an empirical test of the general theory of crimeAdolescenceAdolescênciaAutocontroleCriminologiaCriminologyDelinquência juvenilFamily relationsJuvenile delinquencyRelações familiaresSelf-controlA Teoria Geral do Crime (TGC) considera o autocontrole a variável central na explicação do cometimento de delitos, à medida em que indivíduos que apresentam baixo autocontrole estão mais suscetíveis a tentações e influências momentâneas, levando menos em consideração os riscos de comportamentos antissociais e os objetivos a longo prazo. Segundo a teoria, o desenvolvimento do autocontrole está intrinsecamente relacionado à socialização familiar. Estudos neurocientíficos recentes, como o Modelo de Sistema Dual (MSD), confirmam uma relação entre altos níveis de impulsividade e busca de sensações na adolescência com o aumento de comportamento antissociais, por uma lacuna temporal entre a maturação do sistema socioemocional e o de controle cognitivo. Apesar de a TGC ser uma das teorias criminológicas mais testadas e influentes, o enfoque nas variáveis familiares é menos proeminente na maioria dos estudos e sua aplicação no contexto sociocultural brasileiro é escassa. O objetivo da presente pesquisa foi testar a aplicabilidade da TGC na explicação da delinquência no Brasil, considerando sua relação com aspectos familiares (através do autocontrole), além de checar uma possível relação entre diferenças nos níveis de autocontrole e diferenças no engajamento infracional, adotando uma abordagem centrada na pessoa. A pesquisa foi realizada no escopo da quarta onda do International Self-Report Delinquency Study (ISRD4), um estudo colaborativo e transcultural sobre vitimização e delinquência na adolescência. Seguiu-se o protocolo padronizado de pesquisa do ISRD. A coleta de dados foi realizada em 54 escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto e Sertãozinho, de maneira aleatorizada e representativa, com uma amostra final de 1.909 adolescentes entre 13 e 17 anos (M = 15, DP = 1,2), dos quais 49,6% do gênero feminino, 48,3% do gênero masculino e 2,1% não-binário. Foram feitas análises de Modelagem de Equações Estruturais (SEM) para checar a relação entre as variáveis de interesse e, também, uma análise centrada na pessoa, por meio do agrupamento em clusters em função dos níveis de autocontrole. Verificou-se que o vínculo familiar e a supervisão parental predizem significativamente a impulsividade e a busca por sensações, sendo que o vínculo influencia as duas dimensões do autocontrole e a supervisão tem um efeito mais forte na busca por sensações, a qual foi o único preditor significativo de delitos gerais e violentos. Com relação aos clusters, os indivíduos com menor autocontrole também apresentaram menores índices de vínculo e supervisão, além de reportarem mais delitos, do que os com maiores níveis de autocontrole. O grupo com maior busca por sensações relatou mais delitos que os impulsivos e que os com alto autocontrole, sugerindo que a busca por sensações possa ter mais peso no cometimento de delitos por colocá-los em contextos mais criminogênicos e afastados da supervisão parental. De modo geral, os resultados indicam que a TGC oferece uma explicação parcial para o envolvimento de adolescentes brasileiros em atividades delituosas. O estudo traz contribuições relevantes, do ponto de vista teórico e científico, à medida em que auxilia no entendimento dos diferentes papéis das dimensões do autocontrole na conduta infracional e enfatiza a importância da socialização familiar adequada para o desenvolvimento social e cognitivo dos jovens.The General Theory of Crime (GTC) considers self-control as a central variable in the explanation of delinquent behaviors, as individuals who present low self-control are more susceptible to momentaneous influences and temptations, taking less into account the risks of antisocial behaviors and long-term goals. According to the GTC, self-control development is intrinsically linked to familial socialization. Recent neuroscientific studies, like the Dual Systems Model (DSM), confirm a relationship between high impulsivity and sensation-seeking levels in adolescence with increased antisocial behaviors, because of a temporal gap between the maturation of socioemotional and cognitive control systems. Besides the GTC being one of the most tested and influential theories, focusing on family variables is less frequent in the majority of studies, and its application within the Brazilian sociocultural context is scarce. This study\'s main goal was testing the applicability of the GTC in explaining juvenile delinquency in Brazil, considering its relations with family aspects (through self-control), in addition to checking a possible relation between different self-control levels and differences on infractional engagement, using a person-centered approach. The research was done within the scope of the International Self-Report Delinquency Study (ISRD4), a collaborative and transcultural study about victimization and delinquency in adolescence. The ISRD4 standardized protocol was followed. Data collection took place in 54 private and public schools of Ribeirão Preto and Sertãozinho, randomly and representatively, with a final sample of 1,909 adolescents between 13 and 17 years old (M = 15, SD = 1.2), of which 49.6% identified as feminine, 48.3% as masculine, and 2.1% as non-binary. Structural Equation Modeling (SEM) was used to check the relation between the interest variables and, also, a person-centered approach, by grouping adolescents in clusters regarding self-control levels. Family bond and parental supervision were significantly predictors of impulsivity and sensation-seeking, with family bond influencing both self-control dimensions, while parental supervision had a stronger effect on sensation-seeking, which was the only predictor of general and violent offenses. Considering cluster analysis, individuals with less self-control also showed the smallest levels of family bond and parental supervision, also reporting more offenses than the high self-control individuals. The group with more sensation-seeking reported more offenses than those with high impulsivity and high self-control, suggesting that sensation-seeking may have more influence on delinquent behaviors by placing adolescents in more criminogenic settings and away from parental monitoring. In general, the results indicate that the GTC offers a partial explanation to Brazilian adolescent involvement in offending activities. This study brings relevant contributions, from a theoretical and scientific perspective, by helping on the understanding of different rules of the self-control dimensions within delinquent conducts, also emphasizing the importance of an adequate family socialization to social and cognitive youth development.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBazon, Marina RezendeSchiavone, Ana Beatriz do Prado2025-01-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59141/tde-10032025-110317/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-07T09:05:02Zoai:teses.usp.br:tde-10032025-110317Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-07T09:05:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A Teoria Geral do Crime (TGC) considera o autocontrole a variável central na explicação do cometimento de delitos, à medida em que indivíduos que apresentam baixo autocontrole estão mais suscetíveis a tentações e influências momentâneas, levando menos em consideração os riscos de comportamentos antissociais e os objetivos a longo prazo. Segundo a teoria, o desenvolvimento do autocontrole está intrinsecamente relacionado à socialização familiar. Estudos neurocientíficos recentes, como o Modelo de Sistema Dual (MSD), confirmam uma relação entre altos níveis de impulsividade e busca de sensações na adolescência com o aumento de comportamento antissociais, por uma lacuna temporal entre a maturação do sistema socioemocional e o de controle cognitivo. Apesar de a TGC ser uma das teorias criminológicas mais testadas e influentes, o enfoque nas variáveis familiares é menos proeminente na maioria dos estudos e sua aplicação no contexto sociocultural brasileiro é escassa. O objetivo da presente pesquisa foi testar a aplicabilidade da TGC na explicação da delinquência no Brasil, considerando sua relação com aspectos familiares (através do autocontrole), além de checar uma possível relação entre diferenças nos níveis de autocontrole e diferenças no engajamento infracional, adotando uma abordagem centrada na pessoa. A pesquisa foi realizada no escopo da quarta onda do International Self-Report Delinquency Study (ISRD4), um estudo colaborativo e transcultural sobre vitimização e delinquência na adolescência. Seguiu-se o protocolo padronizado de pesquisa do ISRD. A coleta de dados foi realizada em 54 escolas públicas e privadas de Ribeirão Preto e Sertãozinho, de maneira aleatorizada e representativa, com uma amostra final de 1.909 adolescentes entre 13 e 17 anos (M = 15, DP = 1,2), dos quais 49,6% do gênero feminino, 48,3% do gênero masculino e 2,1% não-binário. Foram feitas análises de Modelagem de Equações Estruturais (SEM) para checar a relação entre as variáveis de interesse e, também, uma análise centrada na pessoa, por meio do agrupamento em clusters em função dos níveis de autocontrole. Verificou-se que o vínculo familiar e a supervisão parental predizem significativamente a impulsividade e a busca por sensações, sendo que o vínculo influencia as duas dimensões do autocontrole e a supervisão tem um efeito mais forte na busca por sensações, a qual foi o único preditor significativo de delitos gerais e violentos. Com relação aos clusters, os indivíduos com menor autocontrole também apresentaram menores índices de vínculo e supervisão, além de reportarem mais delitos, do que os com maiores níveis de autocontrole. O grupo com maior busca por sensações relatou mais delitos que os impulsivos e que os com alto autocontrole, sugerindo que a busca por sensações possa ter mais peso no cometimento de delitos por colocá-los em contextos mais criminogênicos e afastados da supervisão parental. De modo geral, os resultados indicam que a TGC oferece uma explicação parcial para o envolvimento de adolescentes brasileiros em atividades delituosas. O estudo traz contribuições relevantes, do ponto de vista teórico e científico, à medida em que auxilia no entendimento dos diferentes papéis das dimensões do autocontrole na conduta infracional e enfatiza a importância da socialização familiar adequada para o desenvolvimento social e cognitivo dos jovens. |
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