Estudos Sociais e História nas séries iniciais (1971-2001): desvelando a construção dos saberes docentes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ribeiro, Fabio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-16042026-144759/
Resumo: O Ensino de História no nível Fundamental I reveste-se de particularidades e de uma dinâmica própria, sendo relevante analisar saberes e práticas docentes neste estágio escolar. Este trabalho objetiva investigar como ocorria o ensino de Estudos Sociais/História nas séries iniciais do 1º grau, na rede estadual paulista, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990. Pensando a escola e os saberes escolares a partir de uma perspectiva histórica e tomando o professor não como mero executor de modelos e propostas construídos alhures, mas como sujeito de seu próprio conhecimento e arquiteto de sua prática, a referência para análise será a conceituação oferecida por Maurice Tardif sobre o Saber Docente, que o define como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais. Esquadrinhar estes saberes é compor uma trama a partir de vários fios. Assim, busca analisar as reformas educacionais ocorridas na educação básica paulista nos últimos 30 anos do século XX, perscrutar os cursos de formação de professores em nível de 2° Grau, examinar propostas curriculares e livros didáticos de História e Estudos Sociais utilizados no ensino de 1ª a 4ª séries e, por fim, entrevistar docentes que lecionaram nas séries iniciais do 1º grau entre 1971 e 2001. Perpassando esta investigação, propõe observar de que maneira o ensino das Ciências Humanas nas séries iniciais foi impactado pelo ambiente autoritário que se instalou no país após 1964 e de que maneira os docentes lideram com esta situação. Conclui que a disciplina de Estudos Sociais estava presente na grade curricular das séries iniciais entre as décadas de 1970 e 1980, e que, a partir dos anos 1990, ocorre o retorno da História como matéria autônoma. Quanto aos cursos de formação docente, observa a permanência de disciplinas voltadas ao preparo para o ensino de Ciências Humanas, embora com variações em nomenclatura e carga horária, e que o Guia Curricular de Estudos Sociais destes cursos priorizava instrumentalizar o futuro professor na utilização do currículo vigente. A partir das memórias dos professores entrevistados, conclui que a escolha pela docência está ligada a vivências afetivas, familiares e escolares e que a formação no curso Normal/Magistério é mais valorizada do que o ensino superior, por seu enfoque prático, porém, a qualificação recebida para o ensino de Ciências Humanas é considerada frágil. Sobre os métodos e práticas em sala de aula, constata que apesar da ênfase no ensino da leitura, escrita e cálculo, as aulas de Estudos Sociais/História ocorrem semanalmente. O livro didático é apontado como ferramenta central do trabalho docente, ajudando a preencher possíveis lacunas formativas e proporcionando mais segurança na hora de ensinar. Os depoentes também indicam que a convivência com os colegas mais experientes exerce influência direta no estilo de lecionar, sobretudo dos profissionais iniciantes. Apesar da introdução do modelo dos círculos concêntricos de aprendizagem, a prática docente é marcada por permanências, como o foco nas datas comemorativas e nos grandes personagens históricos. Não obstante as adversidades, muitos professores inovam no ensino de Ciências Humanas, desenvolvendo experiências extremamente fecundas e inventivas
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Pensando a escola e os saberes escolares a partir de uma perspectiva histórica e tomando o professor não como mero executor de modelos e propostas construídos alhures, mas como sujeito de seu próprio conhecimento e arquiteto de sua prática, a referência para análise será a conceituação oferecida por Maurice Tardif sobre o Saber Docente, que o define como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais. Esquadrinhar estes saberes é compor uma trama a partir de vários fios. Assim, busca analisar as reformas educacionais ocorridas na educação básica paulista nos últimos 30 anos do século XX, perscrutar os cursos de formação de professores em nível de 2° Grau, examinar propostas curriculares e livros didáticos de História e Estudos Sociais utilizados no ensino de 1ª a 4ª séries e, por fim, entrevistar docentes que lecionaram nas séries iniciais do 1º grau entre 1971 e 2001. Perpassando esta investigação, propõe observar de que maneira o ensino das Ciências Humanas nas séries iniciais foi impactado pelo ambiente autoritário que se instalou no país após 1964 e de que maneira os docentes lideram com esta situação. Conclui que a disciplina de Estudos Sociais estava presente na grade curricular das séries iniciais entre as décadas de 1970 e 1980, e que, a partir dos anos 1990, ocorre o retorno da História como matéria autônoma. Quanto aos cursos de formação docente, observa a permanência de disciplinas voltadas ao preparo para o ensino de Ciências Humanas, embora com variações em nomenclatura e carga horária, e que o Guia Curricular de Estudos Sociais destes cursos priorizava instrumentalizar o futuro professor na utilização do currículo vigente. A partir das memórias dos professores entrevistados, conclui que a escolha pela docência está ligada a vivências afetivas, familiares e escolares e que a formação no curso Normal/Magistério é mais valorizada do que o ensino superior, por seu enfoque prático, porém, a qualificação recebida para o ensino de Ciências Humanas é considerada frágil. Sobre os métodos e práticas em sala de aula, constata que apesar da ênfase no ensino da leitura, escrita e cálculo, as aulas de Estudos Sociais/História ocorrem semanalmente. O livro didático é apontado como ferramenta central do trabalho docente, ajudando a preencher possíveis lacunas formativas e proporcionando mais segurança na hora de ensinar. Os depoentes também indicam que a convivência com os colegas mais experientes exerce influência direta no estilo de lecionar, sobretudo dos profissionais iniciantes. Apesar da introdução do modelo dos círculos concêntricos de aprendizagem, a prática docente é marcada por permanências, como o foco nas datas comemorativas e nos grandes personagens históricos. Não obstante as adversidades, muitos professores inovam no ensino de Ciências Humanas, desenvolvendo experiências extremamente fecundas e inventivasThe Teaching of History at the Elementary School Level I presents particularities and its own dynamics, making it relevant to analyze knowledge and teaching practices at this stage of schooling. This study aims to investigate how Social Studies/History was taught in the early grades of elementary education in the state school system of São Paulo during the 1970s, 1980s, and 1990s. Thinking about the school and school knowledge from a historical perspective and considering the teacher not as a mere executor of externally created models and proposals, but as a subject of their own knowledge and architect of their practice, the reference for analysis will be the concept provided by Maurice Tardif on Teacher Knowledge, which defines it \"as a plural knowledge, formed by a more or less coherent amalgamation of knowledge derived from professional training and disciplinary, curricular, and experiential knowledge.\" To explore this knowledge is to weave a narrative from several threads. Thus, this study seeks to analyze the educational reforms that occurred in basic education in São Paulo during the last 30 years of the 20th century, investigate teacher training courses at the secondary level, examine curricular proposals and textbooks of History and Social Studies used in teaching grades 1 through 4, and finally, interview teachers who taught in the early grades of elementary school between 1971 and 2001. Throughout this investigation, it proposes to observe how the teaching of the Humanities in the early grades was impacted by the authoritarian environment that took over the country after 1964 and how teachers coped with this situation. It concludes that the Social Studies subject was present in the curriculum of early grades during the 1970s and 1980s, and that from the 1990s, History returned as an autonomous subject. Regarding teacher training courses, it observes the persistence of subjects aimed at preparing teachers for the teaching of Humanities, albeit with variations in nomenclature and workload, and that the Curriculum Guide for Social Studies in these courses prioritized equipping future teachers with the use of the current curriculum. Based on the memories of the interviewed teachers, the study concludes that the choice of teaching as a profession is linked to emotional, family, and school experiences, and that the training in Normal/Teaching courses is more valued than higher education due to its practical focus. However, the training received for teaching Humanities is considered weak. Regarding classroom methods and practices, the study finds that despite the emphasis on teaching reading, writing, and arithmetic, Social Studies/History classes occur weekly. The textbook is identified as the central tool for teaching work, helping to fill formative gaps and providing more security in teaching. The interviewees also indicate that interaction with more experienced colleagues directly influences teaching style, particularly for novice professionals. Despite the introduction of the concentric circles learning model, teaching practices are marked by continuities, such as a focus on commemorative dates and major historical figures. Despite the adversities, many teachers innovate in the teaching of Humanities, developing highly productive and inventive experiencesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasFernandes, Antonia Terra de CalazansRibeiro, Fabio2025-11-182026-04-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-16042026-144759/doi:10.11606/T.8.2025.tde-16042026-144759Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-16T17:52:02Zoai:teses.usp.br:tde-16042026-144759Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-16T17:52:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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