Masculinidades, raça e fracasso escolar: narrativas de jovens na educação de jovens e adultos em uma escola pública municipal de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2009
Autor(a) principal: Brito, Rosemeire dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-02092009-111837/
Resumo: Nesta tese, busca-se uma reflexão sobre a dimensão simbólica dos conteúdos de gênero existentes em narrativas de jovens rapazes estudantes de um projeto de EJA da rede municipal da cidade de São Paulo, o chamado projeto CIEJA. A coleta de dados foi realizada em uma das unidades do referido projeto e o problema do estudo foi construído a partir da percepção da recente concentração de jovens rapazes, negros e pobres, na educação de jovens e adultos. Assim sendo, procurou-se verificar e investigar as possíveis relações entre masculinidades, raça e rendimento escolar, tendo por base os relatos dos jovens sobre as experiências escolares vividas antes e após seu ingresso no CIEJA. A proposta metodológica presente nessa investigação considera que relatos narrativos são portadores de reflexões que dotam de sentido as ações individuais, de tal forma que ao tomar em consideração as histórias contadas sobre a escolarização é possível ter acesso aos símbolos culturais que estruturam e fundamentam as masculinidades em sua relação com o rendimento escolar. Foram realizadas entrevistas com jovens, uma entrevista em grupo com o corpo docente da unidade do CIEJA e outra com a equipe técnica responsável pela gestão e orientação pedagógica da escola. A análise dos dados revela que os jovens compartilham significados de gênero condizentes com o que esperavam ser o modelo hegemônico de masculinidade nas escolas. A hegemonia e o caráter normativo dessa forma de identidade de gênero masculina foram mantidos ao longo de seus percursos escolares, através de práticas lingüísticas e corporais que lhes possibilitavam perceberem-se fortes, capazes de causar problemas e bem sucedidos em práticas esportivas associadas ao universo masculino, como o futebol. Desta forma, a medida do sucesso escolar, para esses jovens, está vinculada ao êxito das estratégias adotadas para preservar no espaço escolar os símbolos de gênero que estruturam o modo como entendem o que significa ser homem. O estudo constata também que jovens negros, embora estabeleçam relações de cumplicidade com o modelo hegemônico, compartilham uma masculinidade marginalizada, em função das contradições envolvidas em sua corporalidade, enquanto símbolo e fonte de expressão de masculinidade. Conclui-se que o projeto CIEJA procura resgatar a condição de sujeitos desses alunos, criando um espaço educacional diferenciado. Todavia, os significados do modelo hegemônico que esses jovens compartilharam, ao longo do ensino fundamental regular, permanecem incólumes durante sua trajetória no CIEJA, apontando assim outras possibilidades de reflexão para a compreensão e intervenção pedagógica junto a esses jovens.
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Assim sendo, procurou-se verificar e investigar as possíveis relações entre masculinidades, raça e rendimento escolar, tendo por base os relatos dos jovens sobre as experiências escolares vividas antes e após seu ingresso no CIEJA. A proposta metodológica presente nessa investigação considera que relatos narrativos são portadores de reflexões que dotam de sentido as ações individuais, de tal forma que ao tomar em consideração as histórias contadas sobre a escolarização é possível ter acesso aos símbolos culturais que estruturam e fundamentam as masculinidades em sua relação com o rendimento escolar. Foram realizadas entrevistas com jovens, uma entrevista em grupo com o corpo docente da unidade do CIEJA e outra com a equipe técnica responsável pela gestão e orientação pedagógica da escola. A análise dos dados revela que os jovens compartilham significados de gênero condizentes com o que esperavam ser o modelo hegemônico de masculinidade nas escolas. A hegemonia e o caráter normativo dessa forma de identidade de gênero masculina foram mantidos ao longo de seus percursos escolares, através de práticas lingüísticas e corporais que lhes possibilitavam perceberem-se fortes, capazes de causar problemas e bem sucedidos em práticas esportivas associadas ao universo masculino, como o futebol. Desta forma, a medida do sucesso escolar, para esses jovens, está vinculada ao êxito das estratégias adotadas para preservar no espaço escolar os símbolos de gênero que estruturam o modo como entendem o que significa ser homem. O estudo constata também que jovens negros, embora estabeleçam relações de cumplicidade com o modelo hegemônico, compartilham uma masculinidade marginalizada, em função das contradições envolvidas em sua corporalidade, enquanto símbolo e fonte de expressão de masculinidade. Conclui-se que o projeto CIEJA procura resgatar a condição de sujeitos desses alunos, criando um espaço educacional diferenciado. Todavia, os significados do modelo hegemônico que esses jovens compartilharam, ao longo do ensino fundamental regular, permanecem incólumes durante sua trajetória no CIEJA, apontando assim outras possibilidades de reflexão para a compreensão e intervenção pedagógica junto a esses jovens.In this thesis, I reflect on the symbolic dimension of gender contents found in narratives of young male students in a EJA (youth and adult education) project in the school system of the city of São Paulo, the so-called CIEJA project. Data collection was performed in a unit of the mentioned project and the study problem was around the perception of the recent concentration of young black poor men in this kind of education. Thus, I intended to verify and investigate the possible relations beteween masculinities, race and school achievement, based on the accounts of those young men about the school experiences they had lived before and after they had joined CIEJA. The methodological design utilized in this investigation considers that narrative accounts convey reflections that grant meaning to individual actions, so that when the histories on schooling are taken into consideration one may access the cultural symbols that provide the structure and foundation of masculinities in their relation to school achievement. Thirty-three interviews were conducted with young men, a group interview was conducted with the faculty of the CIEJA unit in question and another interview was made with the technical team in charge of the management and pedagogical guidance in the school. Data analysis shows that young men share gender meanings in compliance with what they expect to be the hegemonic model of masculinity in the schools. Hegemony and the normative character of this kind of gender identity (male) were maintained throughout their school trajectories, by means of linguistic and body practices which allowed them to perceive themselves as strong, capable of causing problems and successful in sport practices associated with the male universe such as soccer. Thus, the measure of school achievement for these young men is linked to the success in the strategies adopted to preserve in the school ambience the gender symbols that structure the way they understand what being a man means. The study also finds that young black men, although they establish complicity ties with the hegemonic model, share a marginalized masculinity, as a result of the contradictions involving their corporality, seen as a symbol and source of expressing their masculinity. I conclude that the CIEJA project seeks to rescue these students in their condition of true subjects by creating a different educational ambience. However, the meanings of the hegemonic model shared by these young men throughout regular high-school remain untouched along their trajectory in CIEJA, which points to other possible ways of thinking in order to understand and perform pedagogical actions toward these youths.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPVianna, Claudia PereiraBrito, Rosemeire dos Santos2009-05-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-02092009-111837/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:00Zoai:teses.usp.br:tde-02092009-111837Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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