\"Meu partido é o Brasil\": a ascensão do movimento pela intervenção militar nos protestos brasileiros (2011 – 2019)
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11082023-120355/ |
Resumo: | O crescimento de pedidos públicos pela intervenção dos militares no governo brasileiro tem se tornado um fenômeno notório ao longo dos últimos anos. Baseada na perspectiva da Teoria do Confronto Político, a presente tese analisa como ocorreu a ascensão dessa reivindicação e a ação do movimento social intervencionista nos protestos de rua, desde setembro de 2011, logo antes da publicação da lei que criou a Comissão Nacional da Verdade, até março de 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro fechou o primeiro trimestre do seu mandato com a comemoração da ditadura iniciada em 1964. O termo \"intervencionista\" foi adotado nesta tese para se referir aos ativistas que reivindicam a tutela militar sobre o poder nacional, sendo esta a forma pela qual se autodefinem. Os intervencionistas se mobilizaram como parte do campo patriota, mais amplo, atuando nos protestos de oposição a Dilma Rousseff. Aos poucos, conquistaram autonomia na convocação de mobilizações, difundindo-se durante os protestos pelo impeachment presidencial, entre 2015 e 2016. Anteriormente, já haviam realizado mobilizações pela memória da ditadura civil-militar e contra a Comissão Nacional da Verdade, em 2014. Desse modo, durante o período analisado (2011 - 2019), consolidaram-se como um setor próprio na ação contenciosa nacional, revitalizando uma expressão antiga do ativismo brasileiro. Esta tese argumenta que o fenômeno chamado pela literatura nacional de \"nova direita\" tem raízes mais profundas, com estruturas organizacionais anteriores à conjuntura atual. O nacionalismo autoritário, que parecia ter restado como algo marginal no Brasil desde a redemocratização, mostrou persistência e capacidade de renovação. Como esse processo foi possível, nas interações dos ativistas entre si e com outras arenas sociais, é a questão que guia a tese. A pesquisa empírica consistiu no levantamento de matérias do portal de notícias G1 e na análise das publicações e depoimentos de membros dos grupos intervencionistas. Embora procure abarcar todo o movimento intervencionista, a tese focaliza o grupo de maior atuação no período estudado, \"O Pesadelo de Qualquer Político\", analisando as interações na ação confrontacional, os enquadramentos interpretativos utilizados e as performances políticas de rua. Ao reconstruir ações de um movimento intervencionista no Brasil anteriores ao governo Bolsonaro, a tese busca contribuir para a sociologia sobre o processo político brasileiro e para a compreensão do crescimento de movimentos de extrema-direita na conjuntura internacional contemporânea. |
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\"Meu partido é o Brasil\": a ascensão do movimento pela intervenção militar nos protestos brasileiros (2011 – 2019)“My party is Brazil”: the rise of the movement for military intervention in brazilian protests (2011 – 2019)Extrema-direitaFar-rightIntervenção militarInterventionist movementMilitary interventionMovimento intervencionistaMovimentos sociaisProtestosProtestsSocial movementsO crescimento de pedidos públicos pela intervenção dos militares no governo brasileiro tem se tornado um fenômeno notório ao longo dos últimos anos. Baseada na perspectiva da Teoria do Confronto Político, a presente tese analisa como ocorreu a ascensão dessa reivindicação e a ação do movimento social intervencionista nos protestos de rua, desde setembro de 2011, logo antes da publicação da lei que criou a Comissão Nacional da Verdade, até março de 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro fechou o primeiro trimestre do seu mandato com a comemoração da ditadura iniciada em 1964. O termo \"intervencionista\" foi adotado nesta tese para se referir aos ativistas que reivindicam a tutela militar sobre o poder nacional, sendo esta a forma pela qual se autodefinem. Os intervencionistas se mobilizaram como parte do campo patriota, mais amplo, atuando nos protestos de oposição a Dilma Rousseff. Aos poucos, conquistaram autonomia na convocação de mobilizações, difundindo-se durante os protestos pelo impeachment presidencial, entre 2015 e 2016. Anteriormente, já haviam realizado mobilizações pela memória da ditadura civil-militar e contra a Comissão Nacional da Verdade, em 2014. Desse modo, durante o período analisado (2011 - 2019), consolidaram-se como um setor próprio na ação contenciosa nacional, revitalizando uma expressão antiga do ativismo brasileiro. Esta tese argumenta que o fenômeno chamado pela literatura nacional de \"nova direita\" tem raízes mais profundas, com estruturas organizacionais anteriores à conjuntura atual. O nacionalismo autoritário, que parecia ter restado como algo marginal no Brasil desde a redemocratização, mostrou persistência e capacidade de renovação. Como esse processo foi possível, nas interações dos ativistas entre si e com outras arenas sociais, é a questão que guia a tese. A pesquisa empírica consistiu no levantamento de matérias do portal de notícias G1 e na análise das publicações e depoimentos de membros dos grupos intervencionistas. Embora procure abarcar todo o movimento intervencionista, a tese focaliza o grupo de maior atuação no período estudado, \"O Pesadelo de Qualquer Político\", analisando as interações na ação confrontacional, os enquadramentos interpretativos utilizados e as performances políticas de rua. Ao reconstruir ações de um movimento intervencionista no Brasil anteriores ao governo Bolsonaro, a tese busca contribuir para a sociologia sobre o processo político brasileiro e para a compreensão do crescimento de movimentos de extrema-direita na conjuntura internacional contemporânea.The rise of public calls for the intervention of the military in the Brazilian government has become a notorious phenomenon over the late years. Based on the perspective of the Contentious Politics, the present thesis analyzes how the rise of this claim ocurred and the action of the interventionist social movement during the street protests since September 2011, just before the publication of the law that created the Comissão Nacional da Verdade (National Commission of the Truth), until March 2019, when President Jair Bolsonaro finished the first three months of his presidential term with the celebration of the Dictatorship which began in 1964. The term \"interventionist\" was adopted in this thesis to refer to the activists who claim the military guardianship over national power, this being the way in which they define themselves. The interventionists mobilized as part of the patriot field, acting in the protests against Dilma Rousseff. Gradually, they conquered autonomy in promoting mobilizations, spreading their ideas during the protests for the presidential impeachment between 2015 and 2016. Previously, they had already carried out mobilizations for the memory of the civil-military dictatorship and against the National Commission of the Truth, in 2014. Thus, during the period analyzed (2011 - 2019), they became consolidated as a distinct sector in national legal actions, revitalizing an old expression of Brazilian activism. This thesis argues that the phenomenon called \"new right\" in the national literature has deeper roots, with organizational structures that predate the current conjuncture. Authoritarian nationalism, which seemed to have remained as something marginal in Brazil since the redemocratization, showed persistence and capacity for renewal. How this process was possible, in the interactions of activists among themselves and with other social arenas, is the question that guides the present thesis. The empirical research consisted in a survey of articles from the G1 news portal and in the analysis of publications and testimonials from members of the interventionist groups. Although it tries to encompass the whole interventionist movement, the thesis focuses on the most active group during the studied period, O Pesadelo de Qualquer Político (The Nightmare of Any Politician), analyzing the interactions in the confrontational action, the interpretative framings used, and the political street performances. By reconstructing actions of an interventionist movement in Brazil prior to Bolsonaro government, the thesis aims to contribute to sociology regarding the Brazilian political process and to the understanding of the growth of farright movements in the contemporary international conjuncture.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlonso, Angela MariaFreitas, Veronica Tavares de2023-03-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11082023-120355/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-08-11T15:44:52Zoai:teses.usp.br:tde-11082023-120355Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-08-11T15:44:52Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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