A Dialética entre a Segurança e a Transição Energéticas: os casos de Alemanha, Brasil e EUA
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106133/tde-13012025-164456/ |
Resumo: | A redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) tem sido um dos maiores desafios do século XXI. Centrais para o desenvolvimento, a produção e o consumo de energia ainda são lastreados em combustíveis fósseis e respondem pela maior parcela das emissões. Desse modo, a transição energética é considerada uma das principais estratégias para a descarbonização do planeta. Por outro lado, a transição não pode negligenciar a segurança energética, vital para a estabilidade dos países. Nesse contexto, a presente dissertação tem por objetivo investigar a relação entre as estratégias de segurança e de transição energéticas de Alemanha, Brasil e EUA para extrair lições de mútuo aprendizado. A partir da revisão da literatura sobre o histórico, os paradigmas e as tendências de segurança e de transição energética dos países selecionados, as seguintes variáveis foram analisadas: (i) a dotação natural de fontes primárias de energia e o perfil da oferta energética; (ii) as principais políticas públicas para o setor de energia; (iii) a situação do país como exportador ou importador líquido de energia; (iv) o perfil de suas emissões de GEE; e (v) as estratégias de eficiência energética e de adição de fontes renováveis. Na sequência, essas variáveis foram utilizadas para compor uma matriz SWOT de forma a identificar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças das estratégias nacionais. Os resultados indicam que os três países selecionados, ainda que de formas diferentes, buscaram ampliar a participação de fontes menos emissoras e renováveis nos seus mixes energéticos. A Alemanha, a partir de 2000, buscou estratégia de aumentar a renovabilidade do setor elétrico por meio da substituição do carvão e da energia nuclear pelas fontes eólica, solar e biomassa. Essa estratégia, entretanto, também tornou o setor menos despachável e mais sensível à importação do gás da Rússia para obter despachabilidade. No Brasil, a partir de 1970, a lenha e o carvão vegetal foram substituídos por energia hidráulica, derivados de cana e gás, mas o petróleo manteve seu destaque no topo do consumo. A dependência da hidráulica na geração de eletricidade expôs o país a riscos, que foram reduzidos pela transição hidrotérmica e pelo forte acréscimo das novas renováveis. Já os EUA, na década de 2000, empreenderam acelerada substituição do carvão pelo gás natural. Além de abater emissões do setor elétrico, essa medida fortaleceu a segurança energética, ao reduzir as importações de petróleo e GNL. Por fim, constatou-se que há dois desafios comuns aos três países: a variabilidade causada pelo acréscimo de fontes renováveis na geração elétrica e a dificuldade de redução das emissões de GEE pelo setor de transportes. Esses tópicos poderão compor rota futura de cooperação trilateral em benefício de uma transição energética mais efetiva, que se desenvolva em harmonia com a segurança do provimento almejada por suas sociedades. |
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A Dialética entre a Segurança e a Transição Energéticas: os casos de Alemanha, Brasil e EUAThe Dialectic between Energy Security and Energy Transition: the cases of Brazil, Germany and the USAEnergy Security; Energy Transition; Brazil; Germany; United StatesSegurança Energética; Transição Energética; Alemanha; Brasil; EUAA redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) tem sido um dos maiores desafios do século XXI. Centrais para o desenvolvimento, a produção e o consumo de energia ainda são lastreados em combustíveis fósseis e respondem pela maior parcela das emissões. Desse modo, a transição energética é considerada uma das principais estratégias para a descarbonização do planeta. Por outro lado, a transição não pode negligenciar a segurança energética, vital para a estabilidade dos países. Nesse contexto, a presente dissertação tem por objetivo investigar a relação entre as estratégias de segurança e de transição energéticas de Alemanha, Brasil e EUA para extrair lições de mútuo aprendizado. A partir da revisão da literatura sobre o histórico, os paradigmas e as tendências de segurança e de transição energética dos países selecionados, as seguintes variáveis foram analisadas: (i) a dotação natural de fontes primárias de energia e o perfil da oferta energética; (ii) as principais políticas públicas para o setor de energia; (iii) a situação do país como exportador ou importador líquido de energia; (iv) o perfil de suas emissões de GEE; e (v) as estratégias de eficiência energética e de adição de fontes renováveis. Na sequência, essas variáveis foram utilizadas para compor uma matriz SWOT de forma a identificar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças das estratégias nacionais. Os resultados indicam que os três países selecionados, ainda que de formas diferentes, buscaram ampliar a participação de fontes menos emissoras e renováveis nos seus mixes energéticos. A Alemanha, a partir de 2000, buscou estratégia de aumentar a renovabilidade do setor elétrico por meio da substituição do carvão e da energia nuclear pelas fontes eólica, solar e biomassa. Essa estratégia, entretanto, também tornou o setor menos despachável e mais sensível à importação do gás da Rússia para obter despachabilidade. No Brasil, a partir de 1970, a lenha e o carvão vegetal foram substituídos por energia hidráulica, derivados de cana e gás, mas o petróleo manteve seu destaque no topo do consumo. A dependência da hidráulica na geração de eletricidade expôs o país a riscos, que foram reduzidos pela transição hidrotérmica e pelo forte acréscimo das novas renováveis. Já os EUA, na década de 2000, empreenderam acelerada substituição do carvão pelo gás natural. Além de abater emissões do setor elétrico, essa medida fortaleceu a segurança energética, ao reduzir as importações de petróleo e GNL. Por fim, constatou-se que há dois desafios comuns aos três países: a variabilidade causada pelo acréscimo de fontes renováveis na geração elétrica e a dificuldade de redução das emissões de GEE pelo setor de transportes. Esses tópicos poderão compor rota futura de cooperação trilateral em benefício de uma transição energética mais efetiva, que se desenvolva em harmonia com a segurança do provimento almejada por suas sociedades.The reduction of greenhouse gas emissions has been one of the greatest challenges of the 21st Century. Energy production and consumption are still heavily dependent on fossil fuels and account for the largest share of emissions. Thus, energy transition is one of the main strategies for curbing emissions. However, energy transition cannot neglect energy security, which is key for the stability of countries. This dissertation aims to investigate the relation between energy security and transition strategies in Brazil, Germany and the United States in order to identify lessons for mutual learning. After a literature review on the history, paradigms, and trends in both energy security and transition in the selected countries, the following aspects were analyzed: (i) the allocation of primary energy sources and the profile of energy supply; (ii) the main public policies for the energy sector; (iii) the country\'s status as a net energy exporter or importer; (iv) the national profile of GHG emissions; and (v) energy efficiency and renewable energy strategies. These aspects were presented on three SWOT matrixes, one for each country, aimed to identify the strengths, weaknesses, opportunities, and threats. The results indicate that Brazil, Germany and the United States, albeit in different ways, increased the participation of lower-emitting and renewable sources in their energy mixes. In Brazil, from 1970, hydropower, sugarcane products, and gas replaced firewood and charcoal as oil remained at the top. The dependence on hydropower posed risks then mitigated by a hydrothermal transition in the 21st century. In Germany, from 2000, the replacement of coal and nuclear energy with wind, solar, and biomass turned the electrical system cleaner, but also less dispatchable. Therefore, it has become more dependent on Russian gas. In the 2000s, the United States rapidly replaced coal with gas. This has not only reduced emissions, but also strengthened energy security through the cut on oil and LNG imports. It is worth highlighting that all the three countries have two common challenges: the intermittency of renewables and the GHG abatement in the transport sector. These items can be part of a future path of trilateral cooperation, to the benefit of a secure energy transition.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBarros, Virginia Parente deTeixeira, Igor Goulart2024-12-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106133/tde-13012025-164456/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-22T12:46:07Zoai:teses.usp.br:tde-13012025-164456Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-22T12:46:07Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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