Agroecologia como Outra estrutura agrária: o devir camponês no Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Barra, no Brasil, e na Zona de Reserva Campesina de Cabrera, na Colômbia
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-09022026-180434/ |
Resumo: | Em seu estado da arte, a Agroecologia se apresenta como uma tríade: um novo campo do conhecimento, um conjunto de princípios agrícolas e um movimento agrário transnacional. Entretanto, no atual momento de seu devir, esta deve ser compreendida como Outra estrutura agrária. Isso é percebido por análises pela Lógica Dialética e pelo novo materialismo com pressupostos spinozistas enquanto método, bem como por quadros teóricos pós-humanistas que consideram os corpos não-humanos como agentes protagonistas da realidade social. As contestações sociais já não são os produtos finais para compreender a Agroecologia. São as experiências camponesas que, ao produzirem sistemas de conhecimento situados no cultivo de agroecossistemas e se apresentarem como formas organizativas particulares na estruturação de sistemas agroalimentares, aprofundam a reforma agrária no contexto latino-americano e do Sul Global para além do humano, com o plantio de alimentos e a recuperação de ecossistemas locais. Neste contexto, objetivou-se categorizar como as camponesas e camponeses do Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Barra, no Brasil, e a Zona de Reserva Camponesa, na Colômbia, impulsionam a Agroecologia como Outra estrutura agrária. Além de instrumentos de pesquisa tradicionais, foram desenvolvidos passeios agroecopedagógicos como método de coleta de dados, capazes de posicionar camponesas e camponeses como os reais conhecedores de suas agriculturas e o presente pesquisador como aprendiz. Diversas categorias socialmente estruturantes foram identificadas como resultado direto do devir camponês que, em seus espaços de vida, ao se territorializarem, territorializam as mundos mais-que-humanos. Desde a conformação de um campesinato sintrópico baseado na recuperação das florestas atlânticas locais e na proteção do Aquífero Guarani no campo brasileiro, até a identificação de um agrarismo agroecológico voltado ao ressurgimento da agricultura camponesa e ao cuidado dos bosques andinos e do Páramo de Sumapaz no campo colombiano, nota-se que, além de Outra estrutura agrária, a Agroecologia é necessariamente raizal, pluriversal e contra-hegemônica. Raizal, pois as experiências agroecológicas acontecem em espaços com profunda identidade territorial e buscam nas espacialidades e temporalidades pré-capitalistas, pré-hispânicas e précabralinas suas naturezas-culturas. Pluriversal, pois é no encontro de experiências situadas, bem como entre mundos humanos e não-humanos que o tecido social agroecológico é estruturado em dialogismo. Contra-hegemônica, pois é necessário que os sistemas de conhecimento situado e os agroecossistemas cultivados sejam o centro dinâmico das políticas agrárias populares que, por sua vez, necessitam Outras formas sociais para além do mundo do capital |
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Agroecologia como Outra estrutura agrária: o devir camponês no Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Barra, no Brasil, e na Zona de Reserva Campesina de Cabrera, na ColômbiaAgroecology as Other agrarian structure: the peasant becoming in the Barra Sustainable Development Project, in Brazil, and in the Cabrera Peasant Reserve Zone, in ColombiaAgrarian ReformAgroecologiaAgroecologyDialecticsDialéticaPeasant PedagogyPedagogia CamponesaReforma AgráriaRooted SocialismSocialismo RaizalEm seu estado da arte, a Agroecologia se apresenta como uma tríade: um novo campo do conhecimento, um conjunto de princípios agrícolas e um movimento agrário transnacional. Entretanto, no atual momento de seu devir, esta deve ser compreendida como Outra estrutura agrária. Isso é percebido por análises pela Lógica Dialética e pelo novo materialismo com pressupostos spinozistas enquanto método, bem como por quadros teóricos pós-humanistas que consideram os corpos não-humanos como agentes protagonistas da realidade social. As contestações sociais já não são os produtos finais para compreender a Agroecologia. São as experiências camponesas que, ao produzirem sistemas de conhecimento situados no cultivo de agroecossistemas e se apresentarem como formas organizativas particulares na estruturação de sistemas agroalimentares, aprofundam a reforma agrária no contexto latino-americano e do Sul Global para além do humano, com o plantio de alimentos e a recuperação de ecossistemas locais. Neste contexto, objetivou-se categorizar como as camponesas e camponeses do Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Barra, no Brasil, e a Zona de Reserva Camponesa, na Colômbia, impulsionam a Agroecologia como Outra estrutura agrária. Além de instrumentos de pesquisa tradicionais, foram desenvolvidos passeios agroecopedagógicos como método de coleta de dados, capazes de posicionar camponesas e camponeses como os reais conhecedores de suas agriculturas e o presente pesquisador como aprendiz. Diversas categorias socialmente estruturantes foram identificadas como resultado direto do devir camponês que, em seus espaços de vida, ao se territorializarem, territorializam as mundos mais-que-humanos. Desde a conformação de um campesinato sintrópico baseado na recuperação das florestas atlânticas locais e na proteção do Aquífero Guarani no campo brasileiro, até a identificação de um agrarismo agroecológico voltado ao ressurgimento da agricultura camponesa e ao cuidado dos bosques andinos e do Páramo de Sumapaz no campo colombiano, nota-se que, além de Outra estrutura agrária, a Agroecologia é necessariamente raizal, pluriversal e contra-hegemônica. Raizal, pois as experiências agroecológicas acontecem em espaços com profunda identidade territorial e buscam nas espacialidades e temporalidades pré-capitalistas, pré-hispânicas e précabralinas suas naturezas-culturas. Pluriversal, pois é no encontro de experiências situadas, bem como entre mundos humanos e não-humanos que o tecido social agroecológico é estruturado em dialogismo. Contra-hegemônica, pois é necessário que os sistemas de conhecimento situado e os agroecossistemas cultivados sejam o centro dinâmico das políticas agrárias populares que, por sua vez, necessitam Outras formas sociais para além do mundo do capitalIn its current state of the art, Agroecology presents itself as a triad: a new field of knowledge, a set of agricultural principles, and a transnational agrarian movement. However, this thesis proposes that Agroecology should now be understood as an Other agrarian structure. This perspective emerges through analysis using dialectical logic and new materialism with Spinozist assumptions, as well as by post humanist frameworks which recognize non-human bodies as protagonist agents in social reality, understanding Agroecology now extends beyond social protests. By generating situated knowledge systems through agroecosystem cultivation and creating distinct organizational forms in agri-food systems, peasant experiences have deepen agrarian reform in Latin America and the Global South. This reform transcends human concerns through food cultivation and local ecosystem restoration. Thus, this thesis aimed to categorize how peasantry of the Barra Sustainable Development Project in Brazil and the Cabrera Peasant Reserve Zone in Colombia materialize Agroecology as Other agrarian structure. Beyond traditional research methods, agroecopedagogical walks were developed as a data collection approach that positions peasants as the true experts of their agricultural practices and the researcher as apprentice. The research identified several structuring categories resulting directly from peasant becoming. In their living spaces, as peasants territorialize themselves, they also territorialize more-than-human worlds. In Brazil, this manifests as a Syntropic Peasantry focused on restoring local Atlantic forests and protecting the Guarani Aquifer. In Colombia, it appears as an Agroecological Agrarism centered on reviving peasant agriculture and caring for Andean forests and the Sumapaz Páramo. These findings reveal that Agroecology is necessarily rooted, pluriversal, and counter-hegemonic. It is rooted because the agroecological experiences are developed in spaces with profound territorial identity wherein pre-capitalists, pre-Hispanics and pre-Cabralians nature-cultures are found. It is pluriversal because the meeting of diverse situated experiences, as well as between human and non-human worlds form the agroecological social fabric in dialogism. Counter-hegemonic because the situated knowledge systems and local agroecosystems must be the dynamic center of popular agrarian policies driven by Other social forms beyond the capitalist worldBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSuzuki, Julio CesarZonetti, Vitor Moretti2025-11-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-09022026-180434/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-10T09:01:02Zoai:teses.usp.br:tde-09022026-180434Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-10T09:01:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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