Distribuição e contribuição dos foraminíferos aglutinantes opacos na caracterização ambiental da Bacia de Santos (Atlântico Sudoeste)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Kropiwiec, Isabela Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21136/tde-09012026-162240/
Resumo: Este trabalho investiga a distribuição e composição das assembleias de foraminíferos aglutinantes não-transparentes na plataforma continental e talude continental da Bacia de Santos (BS), com o objetivo de mapear a distribuição deste grupo nesta bacia e avaliar sua contribuição para a caracterização ambiental regional. Apesar de vários autores indicarem as dificuldades e necessidade de quebrar a carapaça de foraminíferos aglutinantes não transparentes para inspeção do protoplasma, estudos que abordam os aspectos ecológicos, sedimentológicos e químicos relacionados com essas espécies são escassos. Foram analisadas amostras do Projeto Santos coordenado pela PETROBRAS/CENPES, provenientes de diferentes profundidades e coletadas em triplicatas com amostradores de fundo. As amostras para foraminíferos bentônicos foram fixadas com formol 10% tamponado com bórax e coradas com rosa de Bengala (2 g.L-1). Todas as testas de foraminíferos aglutinantes não transparentes encontradas em 20 cm3 de sedimento foram separadas para contagem, identificação e posterior quebra das carapaças, a fim de averiguar se o protoplasma estava corado. Indivíduos retrabalhados, quebrados, amarelados ou com sinais de abrasão foram excluídos da análise por não representarem organismos da fauna vivente. Espécimes contendo protoplasma corado com rosa de Bengala foram considerados vivos e, o percentual de vivos por espécie foi calculado para cada uma das amostras. Esse percentual foi utilizado para estimar a quantidade de indivíduos vivos na réplica que não foi quebrada, utilizando uma regra de três. Foram contabilizadas 13.550 carapaças (vivos+mortos) e foram identificados 17 morfotipos de foraminíferos pertencentes a 11 gêneros; a maioria dos organismos vivos foi registrada na profundidade de 150 m. As três primeiras componentes da análise de componentes principais representam 82% da variância total dos dados. A análise de agrupamento hierárquico utilizando os loadings da ACP indicam três principais agrupamentos, que correlacionam os foraminíferos estudados com a disponibilidade de matéria orgânica, conteúdo de carbonato, tamanho e seletividade do sedimento. O grupo 1 está correlacionado com a matéria orgânica e os sedimentos finos presentes nas isóbatas mais rasas da plataforma (75 m e 100 m de profundidade); o grupo 2 com sedimentos finos e carbono orgânico total das regiões mais profundas do talude (entre 400 e 1000 m de profundidade); e o grupo 3 mais concentrado na região de quebra da plataforma (150 m de profundidade) correlacionado aos carbonatos, areia e pouca matéria orgânica. Os foraminíferos estudados representam 2,5% da quantidade de foraminíferos vivos na plataforma continental e 1% no talude, sendo mais representativos na profundidade de 150 m, onde representam 5,7% do total da assembleia de foraminíferos vivos. Este estudo reforça a importância de métodos que considerem toda a diversidade, inclusive de espécies com baixa abundância, contribuindo para uma estimativa mais precisa da diversidade regional e somando dados para uma melhor compreensão sobre as assembleias de foraminíferos na BS. Pode cooperar na definição de futuras pesquisas e ações de gestão ambiental na margem continental brasileira.
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Apesar de vários autores indicarem as dificuldades e necessidade de quebrar a carapaça de foraminíferos aglutinantes não transparentes para inspeção do protoplasma, estudos que abordam os aspectos ecológicos, sedimentológicos e químicos relacionados com essas espécies são escassos. Foram analisadas amostras do Projeto Santos coordenado pela PETROBRAS/CENPES, provenientes de diferentes profundidades e coletadas em triplicatas com amostradores de fundo. As amostras para foraminíferos bentônicos foram fixadas com formol 10% tamponado com bórax e coradas com rosa de Bengala (2 g.L-1). Todas as testas de foraminíferos aglutinantes não transparentes encontradas em 20 cm3 de sedimento foram separadas para contagem, identificação e posterior quebra das carapaças, a fim de averiguar se o protoplasma estava corado. Indivíduos retrabalhados, quebrados, amarelados ou com sinais de abrasão foram excluídos da análise por não representarem organismos da fauna vivente. Espécimes contendo protoplasma corado com rosa de Bengala foram considerados vivos e, o percentual de vivos por espécie foi calculado para cada uma das amostras. Esse percentual foi utilizado para estimar a quantidade de indivíduos vivos na réplica que não foi quebrada, utilizando uma regra de três. Foram contabilizadas 13.550 carapaças (vivos+mortos) e foram identificados 17 morfotipos de foraminíferos pertencentes a 11 gêneros; a maioria dos organismos vivos foi registrada na profundidade de 150 m. As três primeiras componentes da análise de componentes principais representam 82% da variância total dos dados. A análise de agrupamento hierárquico utilizando os loadings da ACP indicam três principais agrupamentos, que correlacionam os foraminíferos estudados com a disponibilidade de matéria orgânica, conteúdo de carbonato, tamanho e seletividade do sedimento. O grupo 1 está correlacionado com a matéria orgânica e os sedimentos finos presentes nas isóbatas mais rasas da plataforma (75 m e 100 m de profundidade); o grupo 2 com sedimentos finos e carbono orgânico total das regiões mais profundas do talude (entre 400 e 1000 m de profundidade); e o grupo 3 mais concentrado na região de quebra da plataforma (150 m de profundidade) correlacionado aos carbonatos, areia e pouca matéria orgânica. Os foraminíferos estudados representam 2,5% da quantidade de foraminíferos vivos na plataforma continental e 1% no talude, sendo mais representativos na profundidade de 150 m, onde representam 5,7% do total da assembleia de foraminíferos vivos. Este estudo reforça a importância de métodos que considerem toda a diversidade, inclusive de espécies com baixa abundância, contribuindo para uma estimativa mais precisa da diversidade regional e somando dados para uma melhor compreensão sobre as assembleias de foraminíferos na BS. Pode cooperar na definição de futuras pesquisas e ações de gestão ambiental na margem continental brasileira.This study investigates the distribution and composition of non-transparent agglutinated foraminiferal assemblages on the continental shelf and slope of the Santos Basin, map the distribution of this group in the basin and assess its contribution to regional environmental characterization. Although several authors have pointed out the challenges and need to break the test of non-transparent agglutinated foraminifera to inspect the protoplasm, studies addressing the ecological, sedimentological, and chemical aspects of these species remain scarce. Samples analyzed in this study were obtained from the Santos Project coordinated by PETROBRAS/CENPES, collected at different depths and in triplicates using bottom samplers. The samples for benthic foraminifera were fixed in 10% formalin buffered with borax and stained with rose Bengal (2 g.L-1). All non-transparent agglutinated foraminiferal tests found in 20 cm3 of sediment were separated for counting, identification, and subsequent test-breaking to check for the presence of stained protoplasm. Reworked, broken, yellowed, or abraded individuals were excluded from the analysis, as they do not represent living fauna. Specimens containing protoplasm stained with rose Bengal were considered living, and the percentage of live individuals per species was calculated for each sample. Using a proportion based method, this percentage was then used to estimate the number of living individuals in the unbroken replicate. A total of 13,550 tests (living + dead) were counted, and 17 morphotypes belonging to 11 genera of foraminifera were identified. Most of the living organisms were recorded at a depth of 150 m. The first three principal components of the Principal Component Analysis (PCA) accounted for 82% of the total data variance. The hierarchical cluster analysis based on the PCA loadings indicated three main groups that correlate the studied foraminifera with organic matter availability, carbonate content, and sediment grain size and sorting. Group 1 is correlated with organic matter and fine sediments present in the shallower isobaths of the shelf (75 m and 100 m depth); Group 2 with fine sediments and total organic carbon from deeper slope regions (between 400 and 1000 m depth); and Group 3, more concentrated around the shelf break (150 m depth), is associated with carbonates, sand, and low organic matter content. The studied foraminifera represent 2.5% of the total living foraminiferal assemblage on the continental shelf and 1% on the slope, being more representative at 150 m depth, where they account for 5.7% of the total living foraminiferal assemblage. This study highlights the importance of methods considering the entire diversity, including low-abundance species, contributing to a more accurate estimate of regional diversity, and enhancing the understanding of foraminiferal assemblages in the Santos Basin. It may support the design of future research and environmental management actions on the Brazilian continental margin.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDisaró, Sibelle TrevisanSousa, Silvia Helena de Mello eKropiwiec, Isabela Santos2025-10-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/21/21136/tde-09012026-162240/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-20T13:57:34Zoai:teses.usp.br:tde-09012026-162240Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-20T13:57:34Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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