Implante autólogo heterotópico de tecido ovariano fresco em mulheres jovens com câncer do colo do útero, candidatas a tratamento com radioterapia pélvica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Bertolazzi, Marilia Albanezi
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-04032026-150342/
Resumo: A radioterapia exclusiva ou concomitante com cisplatina no tratamento do câncer do colo do útero localmente avançado faz cessar a função ovariana, tanto reprodutiva (produção de oócitos) quanto hormonal (produção de estrogênios e progesterona). O hipoestrogenismo traz consequências sérias na qualidade de vida das mulheres - perda de massa óssea, atrofia geniturinária, aumento do risco de desenvolvimento de osteoporose, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas. Em pacientes jovens, as consequências da insuficiência ovariana prematura são ainda mais deletérias. Dentre as neoplasias ginecológicas malignas, o câncer do colo do útero é o que acomete mulheres mais jovens. A reposição hormonal, embora não seja contraindicada em pacientes com insuficiência ovariana prematura decorrente de radioterapia para tratamento do câncer do colo do útero, raramente é mantida de forma efetiva a médio e longo prazo. Alternativas para contornar os efeitos adversos da insuficiência ovariana prematura (IOP) têm emergido, tais como a transposição ovariana para fora do campo de irradiação. Nesta abordagem, as gônadas, com seu suprimento vascular original, são fixadas em sítio extrapélvico. As taxas de sucesso deste procedimento são variáveis, e ainda se discute se este é efetivo quando à preservação da função ovariana. Esta tese apresenta os resultados de um ensaio clínico randomizado cujo objetivo foi avaliar a viabilidade e a funcionalidade endócrina da técnica de implante autólogo de tecido ovariano fresco no tecido subcutâneo, fora do campo de radioterapia. Foram incluídas mulheres de até 35 anos de idade, com diagnóstico de câncer do colo do útero localmente avançado, com indicação terapêutica de radioterapia pélvica. Das 19 participantes incluídas, 10 foram randomizadas para o grupo controle e 9 foram submetidas a intervenção antes do início do tratamento oncológico. Até o momento, quinze participantes completaram o seguimento de 6 meses após o término do tratamento oncológico, oito do grupo controle e sete do grupo intervenção. Após tratamento oncológico, todas as pacientes do grupo controle apresentaram níveis hormonais compatíveis com o diagnóstico de insuficiência ovariana prematura, enquanto 6/7 (85%) das pacientes do grupo intervenção apresentaram níveis hormonais compatíveis com a menacme. A única paciente do grupo intervenção que não apresentou funcionalidade endócrina do enxerto foi o primeiro caso realizado, tendo o implante recebido pequena quantidade de radiação residual. O sítio dos implantes subsequentes foi reajustado. Nenhuma paciente submetida à intervenção teve qualquer complicação decorrente dos procedimentos envolvidos no implante. A técnica proposta é simples, de baixo custo e tem o potencial e reduzir o tempo de exposição ao hipoestrogenismo em pacientes jovens que serão submetidas a tratamento oncológico com radioterapia pélvica.
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Em pacientes jovens, as consequências da insuficiência ovariana prematura são ainda mais deletérias. Dentre as neoplasias ginecológicas malignas, o câncer do colo do útero é o que acomete mulheres mais jovens. A reposição hormonal, embora não seja contraindicada em pacientes com insuficiência ovariana prematura decorrente de radioterapia para tratamento do câncer do colo do útero, raramente é mantida de forma efetiva a médio e longo prazo. Alternativas para contornar os efeitos adversos da insuficiência ovariana prematura (IOP) têm emergido, tais como a transposição ovariana para fora do campo de irradiação. Nesta abordagem, as gônadas, com seu suprimento vascular original, são fixadas em sítio extrapélvico. As taxas de sucesso deste procedimento são variáveis, e ainda se discute se este é efetivo quando à preservação da função ovariana. Esta tese apresenta os resultados de um ensaio clínico randomizado cujo objetivo foi avaliar a viabilidade e a funcionalidade endócrina da técnica de implante autólogo de tecido ovariano fresco no tecido subcutâneo, fora do campo de radioterapia. Foram incluídas mulheres de até 35 anos de idade, com diagnóstico de câncer do colo do útero localmente avançado, com indicação terapêutica de radioterapia pélvica. Das 19 participantes incluídas, 10 foram randomizadas para o grupo controle e 9 foram submetidas a intervenção antes do início do tratamento oncológico. Até o momento, quinze participantes completaram o seguimento de 6 meses após o término do tratamento oncológico, oito do grupo controle e sete do grupo intervenção. Após tratamento oncológico, todas as pacientes do grupo controle apresentaram níveis hormonais compatíveis com o diagnóstico de insuficiência ovariana prematura, enquanto 6/7 (85%) das pacientes do grupo intervenção apresentaram níveis hormonais compatíveis com a menacme. A única paciente do grupo intervenção que não apresentou funcionalidade endócrina do enxerto foi o primeiro caso realizado, tendo o implante recebido pequena quantidade de radiação residual. O sítio dos implantes subsequentes foi reajustado. Nenhuma paciente submetida à intervenção teve qualquer complicação decorrente dos procedimentos envolvidos no implante. A técnica proposta é simples, de baixo custo e tem o potencial e reduzir o tempo de exposição ao hipoestrogenismo em pacientes jovens que serão submetidas a tratamento oncológico com radioterapia pélvica.Pelvic radiotherapy for cervical cancer treatment, alone or in combination with cisplatin, results in the cessation of ovarian function, both reproductive (oocyte production) and hormonal (estrogen and progesterone production). Hypoestrogenism leads to significant impairments in quality of life, including bone mass loss, genitourinary atrophy, and increased risk of osteoporosis, cardiovascular diseases, and neurodegenerative disorders. In young patients, the consequences of premature ovarian insufficiency (POI) are particularly detrimental. Among gynecological malignancies, cervical cancer predominantly affects younger women. Although hormone replacement therapy (HRT) is not contraindicated in cases of early menopause resulting from radiotherapy for cervical cancer, it is rarely maintained effectively over the medium and long term. Alternatives aimed at mitigating the adverse effects of POI have emerged, such as ovarian transposition outside the radiation field. In this approach, the ovaries are surgically relocated to an extrapelvic site, preserving original vascular supply. However, the success rates of this procedure vary, and its effectiveness in preserving ovarian function remains under debate. This dissertation presents the results of a randomized clinical trial designed to evaluate the feasibility and endocrine functionality of a technique involving autologous implantation of fresh ovarian graft into subcutaneous tissue outside the radiotherapy field. The study included women aged 35 years or younger diagnosed with locally advanced cervical cancer and indicated for pelvic radiotherapy. Of the 19 participants enrolled, 10 were randomized to the control group and 9 to the intervention group, with the latter undergoing the implantation procedure prior to initiation of oncologic treatment. Fifteen participants completed the six-month follow-up after cancer therapyeight from the control group and seven from the intervention group. Among the control group, all patients presented hormonal levels consistent with a diagnosis of premature ovarian insufficiency. In contrast, 6 out of 7 (85%) patients in the intervention group maintained hormonal levels consistent with reproductive age (menacme). The only patient in the intervention group who did not exhibit endocrine graft function was the first case performed, whose implant received a small dose of residual radiation. The implantation site was subsequently adjusted in later cases. No patient undergoing the intervention experienced complications related to the implantation procedure. The proposed technique is simple, low-cost, and holds promise for reducing the duration of hypoestrogenism in young women undergoing pelvic radiotherapy as part of cancer treatment.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarvalho, Jesus PaulaBertolazzi, Marilia Albanezi2025-10-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-04032026-150342/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-04T19:10:02Zoai:teses.usp.br:tde-04032026-150342Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-04T19:10:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Bertolazzi, Marilia Albanezi
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