Tecnologia de leveduras imobilizadas para produção de cerveja artesanal - projeto de biorreator, modelagem de fermentação e análise técnico-econômica.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Araujo, Thiago Machado de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3137/tde-29012026-113744/
Resumo: A imobilização de leveduras é o confinamento físico das células dentro de uma região delimitada, por meios químicos ou físicos, e foi extensivamente investigada na produção de cerveja entre 1970 e 1990. Apesar do entusiasmo inicial quanto ao seu potencial para revolucionar a fermentação por meio de maior carregamento de biomassa, facilidade de reutilização e aumento de produtividade, a aplicação industrial permaneceu limitada devido a alterações fisiológicas nas leveduras, restrições de transferência de massa e dificuldades em reproduzir os perfis de sabor típicos das cervejas tradicionais com células em suspensão. Esta tese de doutorado investigou a viabilidade da aplicação da tecnologia de leveduras imobilizadas na produção de cerveja artesanal, integrando projeto de reatores, cinética de fermentação, modelagem matemática e análise técnico-econômica. Uma nova matriz de imobilização à base de celulose (suporte ImoYeast) foi caracterizada. As principais propriedades físicas incluíram: diâmetro de partícula de 7,5 mm, área superficial BET de 4,12 m²·g¹, densidade de partícula de 1,44 g·mL¹ e diâmetro de poro de 285,55 Å. Análises hidrodinâmicas em regimes de leito fixo e fluidizado indicaram condições favoráveis para fermentação, com velocidade mínima de fluidização de 6,96 cm·s¹ e número de Reynolds do meio poroso de 716,8 (U = 0,92 cm·s¹). O biorreator ImoYeast foi projetado para operação em batelada com recirculação externa de mosto e escalonado para configurações de 50 L e 250 L, preservando a similaridade geométrica e hidrodinâmica. Fermentações foram inicialmente conduzidas em escala de bancada (2 L), utilizando recirculação de mosto a 1 L·min¹, para avaliar os efeitos da temperatura (T) e da concentração inicial de biomassa (X). Os resultados sugeriram que a eficiência da imobilização foi inversamente proporcional tanto a T quanto a X. Bateladas repetidas (1 L de volume de fermentação e 0,1 L·min¹ de recirculação) demonstraram rendimentos estáveis de etanol e glicerol ao longo de cinco ciclos, com aumento da produtividade total de biomassa e redução da integridade do suporte ImoYeast. Cinéticas detalhadas (quadruplicata, 1 L de volume de fermentação, 0,1 L·min¹ de recirculação) possibilitaram o desenvolvimento de um modelo matemático para descrever a dinâmica das células imobilizadas e desprendidas, o consumo de açúcares e a formação de produtos. Os resultados indicaram que o acúmulo celular não foi o principal fator de estresse para as células imobilizadas (B = 498,018 gS·gXim¹). Fermentações em escala piloto (50 L de volume, 510 L·min¹ de recirculação) confirmaram maior produção de álcoois superiores e maior resiliência ao estresse em sistemas imobilizados, mas também revelaram desvios de sabor e problemas de estabilidade a longo prazo. Uma análise técnicoeconômica comparou a fermentação tradicional com células livres (FREE) a sistemas imobilizados utilizando ImoYeast em taxas de recirculação de 1 L·min¹ (IMO1) e 0,1 L·min¹ (IMO2), com simulação dos processos no Aspen Plus V14. Os preços mínimos de venda ficaram abaixo do preço médio da cerveja no Brasil (3,43 US$·L¹): 2,33 US$·L¹ (FREE), 2,86 US$·L¹ (IMO1) e 1,97 US$·L¹ (IMO2). Embora o suporte ImoYeast tenha contribuído substancialmente para os custos operacionais (até 49,73% no IMO2), simulações de Monte Carlo indicaram altas probabilidades de lucratividade: 97,5% (FREE), 87,5% (IMO1) e 99% (IMO2). Os principais fatores econômicos foram os custos de equipamentos e o retorno sobre o investimento. Este trabalho demonstra que a imobilização de leveduras no suporte ImoYeast é técnica e economicamente viável para fermentação em batelada na produção de cerveja, especialmente no mercado artesanal, onde perfis sensoriais inovadores podem ser valorizados. Mas, a consistência do produto e a estabilidade da imobilização permanecem desafios críticos. Estudos para otimização do suporte, projeto de reatores e controle metabólico serão essenciais para explorar plenamente o potencial das leveduras imobilizadas na produção de cerveja.
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Apesar do entusiasmo inicial quanto ao seu potencial para revolucionar a fermentação por meio de maior carregamento de biomassa, facilidade de reutilização e aumento de produtividade, a aplicação industrial permaneceu limitada devido a alterações fisiológicas nas leveduras, restrições de transferência de massa e dificuldades em reproduzir os perfis de sabor típicos das cervejas tradicionais com células em suspensão. Esta tese de doutorado investigou a viabilidade da aplicação da tecnologia de leveduras imobilizadas na produção de cerveja artesanal, integrando projeto de reatores, cinética de fermentação, modelagem matemática e análise técnico-econômica. Uma nova matriz de imobilização à base de celulose (suporte ImoYeast) foi caracterizada. As principais propriedades físicas incluíram: diâmetro de partícula de 7,5 mm, área superficial BET de 4,12 m²·g¹, densidade de partícula de 1,44 g·mL¹ e diâmetro de poro de 285,55 Å. Análises hidrodinâmicas em regimes de leito fixo e fluidizado indicaram condições favoráveis para fermentação, com velocidade mínima de fluidização de 6,96 cm·s¹ e número de Reynolds do meio poroso de 716,8 (U = 0,92 cm·s¹). O biorreator ImoYeast foi projetado para operação em batelada com recirculação externa de mosto e escalonado para configurações de 50 L e 250 L, preservando a similaridade geométrica e hidrodinâmica. Fermentações foram inicialmente conduzidas em escala de bancada (2 L), utilizando recirculação de mosto a 1 L·min¹, para avaliar os efeitos da temperatura (T) e da concentração inicial de biomassa (X). Os resultados sugeriram que a eficiência da imobilização foi inversamente proporcional tanto a T quanto a X. Bateladas repetidas (1 L de volume de fermentação e 0,1 L·min¹ de recirculação) demonstraram rendimentos estáveis de etanol e glicerol ao longo de cinco ciclos, com aumento da produtividade total de biomassa e redução da integridade do suporte ImoYeast. Cinéticas detalhadas (quadruplicata, 1 L de volume de fermentação, 0,1 L·min¹ de recirculação) possibilitaram o desenvolvimento de um modelo matemático para descrever a dinâmica das células imobilizadas e desprendidas, o consumo de açúcares e a formação de produtos. Os resultados indicaram que o acúmulo celular não foi o principal fator de estresse para as células imobilizadas (B = 498,018 gS·gXim¹). Fermentações em escala piloto (50 L de volume, 510 L·min¹ de recirculação) confirmaram maior produção de álcoois superiores e maior resiliência ao estresse em sistemas imobilizados, mas também revelaram desvios de sabor e problemas de estabilidade a longo prazo. Uma análise técnicoeconômica comparou a fermentação tradicional com células livres (FREE) a sistemas imobilizados utilizando ImoYeast em taxas de recirculação de 1 L·min¹ (IMO1) e 0,1 L·min¹ (IMO2), com simulação dos processos no Aspen Plus V14. Os preços mínimos de venda ficaram abaixo do preço médio da cerveja no Brasil (3,43 US$·L¹): 2,33 US$·L¹ (FREE), 2,86 US$·L¹ (IMO1) e 1,97 US$·L¹ (IMO2). Embora o suporte ImoYeast tenha contribuído substancialmente para os custos operacionais (até 49,73% no IMO2), simulações de Monte Carlo indicaram altas probabilidades de lucratividade: 97,5% (FREE), 87,5% (IMO1) e 99% (IMO2). Os principais fatores econômicos foram os custos de equipamentos e o retorno sobre o investimento. Este trabalho demonstra que a imobilização de leveduras no suporte ImoYeast é técnica e economicamente viável para fermentação em batelada na produção de cerveja, especialmente no mercado artesanal, onde perfis sensoriais inovadores podem ser valorizados. Mas, a consistência do produto e a estabilidade da imobilização permanecem desafios críticos. Estudos para otimização do suporte, projeto de reatores e controle metabólico serão essenciais para explorar plenamente o potencial das leveduras imobilizadas na produção de cerveja.Yeast cell immobilisation, defined as the physical confinement of cells within a delimited region through chemical or physical means, was extensively investigated in brewing during the 1970-1990s. Despite early enthusiasm for its potential to revolutionise fermentation through higher biomass loading, ease of cell reuse, and improved productivity, industrial application remained limited due to yeast physiological changes, mass transfer constraints, and challenges in replicating the flavour profiles typical of traditional brewery with cells in suspension. This doctoral thesis investigated the feasibility of applying immobilised yeast technology to craft beer production, integrating reactor design, fermentation kinetics, mathematical modelling, and techno-economic analysis. A novel cellulose-based immobilisation matrix (ImoYeast support) was characterised. Key physical properties included particle diameter of 7.5 mm, BET surface area of 4.12 m².g-1, particle density of 1.44 g.mL-1, and pore diameter of 285.55 Å. Hydrodynamic analyses in fixed- and fluidised-bed regimes indicated favourable conditions for fermentation applications, with a minimum fluidisation velocity of 6.96 cm.s-1 and a porous medium Reynolds number of 716.8 (U = 0.92 cm.s-1). The ImoYeast bioreactor was designed for batch operation with external wort recirculation and scaled up to 50 L and 250 L configurations while maintaining geometric and hydrodynamic similarity. Fermentation experiments were first conducted at bench-scale (2 L) using a 1 L.min-1 malt recirculation rate to assess the effects of temperature (T) and biomass loading (X0). Results suggested that immobilisation efficiency was inversely proportional to both T and X0. Repeated batch fermentations (1 L fermentation volume and 0.1 L.min-1 recirculation rate) demonstrated stable ethanol and glycerol yields across five cycles, with increasing total biomass productivity and decreased integrity of the ImoYeast support. Detailed kinetic studies (quadruplicate, 1 L fermentation volume, 0.1 L.min-1 recirculation rate) enabled the development of a mathemat ic a l model to describe the dynamics of immobilised and detached cells, sugar consumption, and product formation. The results suggested that crowding was not the primary stress factor for immobilised cells (B = 498.018 gS.gXim -1). Pilot-scale fermentations (50 L volume, 5-10 L.min- 1 recirculation) confirmed enhanced higher alcohol production and stress resilience in immobilised systems, but also revealed flavour deviations and long-term stability issues. A techno-economic analysis compared traditional free-cell fermentation (FREE) with immobilised systems using ImoYeast at recirculation rates of 1 L.min-1 (IMO1) and 0.1 L.min- 1 (IMO2), applying Aspen Plus V14 for process simulation. Minimum selling prices were below the average Brazilian beer price (3.43 US$.L-1): 2.33 US$.L-1 (FREE), 2.86 US$.L-1 (IMO1), and 1.97 US$.L-1 (IMO2). Although the ImoYeast support contributed substantially to operational costs (up to 49.73% in IMO2), Monte Carlo simulations indicated high probabilit ies of profitability: 97.5% (FREE), 87.5% (IMO1), and 99% (IMO2). Key economic drivers were equipment costs and return on investment. This work demonstrates that yeast immobilisa t ion with the ImoYeast support is technically and economically viable for batch beer fermentat ion, particularly in the craft market, where novel sensory profiles may be valued. However, product consistency and immobilisation stability remain critical challenges. Continued research into support optimisation, reactor design, and metabolic control will be essential to fully harness the potential of immobilised yeast in brewing.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBasso, Thiago OlittaAraujo, Thiago Machado de2025-08-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3137/tde-29012026-113744/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-29T13:55:02Zoai:teses.usp.br:tde-29012026-113744Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-29T13:55:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description A imobilização de leveduras é o confinamento físico das células dentro de uma região delimitada, por meios químicos ou físicos, e foi extensivamente investigada na produção de cerveja entre 1970 e 1990. Apesar do entusiasmo inicial quanto ao seu potencial para revolucionar a fermentação por meio de maior carregamento de biomassa, facilidade de reutilização e aumento de produtividade, a aplicação industrial permaneceu limitada devido a alterações fisiológicas nas leveduras, restrições de transferência de massa e dificuldades em reproduzir os perfis de sabor típicos das cervejas tradicionais com células em suspensão. Esta tese de doutorado investigou a viabilidade da aplicação da tecnologia de leveduras imobilizadas na produção de cerveja artesanal, integrando projeto de reatores, cinética de fermentação, modelagem matemática e análise técnico-econômica. Uma nova matriz de imobilização à base de celulose (suporte ImoYeast) foi caracterizada. As principais propriedades físicas incluíram: diâmetro de partícula de 7,5 mm, área superficial BET de 4,12 m²·g¹, densidade de partícula de 1,44 g·mL¹ e diâmetro de poro de 285,55 Å. Análises hidrodinâmicas em regimes de leito fixo e fluidizado indicaram condições favoráveis para fermentação, com velocidade mínima de fluidização de 6,96 cm·s¹ e número de Reynolds do meio poroso de 716,8 (U = 0,92 cm·s¹). O biorreator ImoYeast foi projetado para operação em batelada com recirculação externa de mosto e escalonado para configurações de 50 L e 250 L, preservando a similaridade geométrica e hidrodinâmica. Fermentações foram inicialmente conduzidas em escala de bancada (2 L), utilizando recirculação de mosto a 1 L·min¹, para avaliar os efeitos da temperatura (T) e da concentração inicial de biomassa (X). Os resultados sugeriram que a eficiência da imobilização foi inversamente proporcional tanto a T quanto a X. Bateladas repetidas (1 L de volume de fermentação e 0,1 L·min¹ de recirculação) demonstraram rendimentos estáveis de etanol e glicerol ao longo de cinco ciclos, com aumento da produtividade total de biomassa e redução da integridade do suporte ImoYeast. Cinéticas detalhadas (quadruplicata, 1 L de volume de fermentação, 0,1 L·min¹ de recirculação) possibilitaram o desenvolvimento de um modelo matemático para descrever a dinâmica das células imobilizadas e desprendidas, o consumo de açúcares e a formação de produtos. Os resultados indicaram que o acúmulo celular não foi o principal fator de estresse para as células imobilizadas (B = 498,018 gS·gXim¹). Fermentações em escala piloto (50 L de volume, 510 L·min¹ de recirculação) confirmaram maior produção de álcoois superiores e maior resiliência ao estresse em sistemas imobilizados, mas também revelaram desvios de sabor e problemas de estabilidade a longo prazo. Uma análise técnicoeconômica comparou a fermentação tradicional com células livres (FREE) a sistemas imobilizados utilizando ImoYeast em taxas de recirculação de 1 L·min¹ (IMO1) e 0,1 L·min¹ (IMO2), com simulação dos processos no Aspen Plus V14. Os preços mínimos de venda ficaram abaixo do preço médio da cerveja no Brasil (3,43 US$·L¹): 2,33 US$·L¹ (FREE), 2,86 US$·L¹ (IMO1) e 1,97 US$·L¹ (IMO2). Embora o suporte ImoYeast tenha contribuído substancialmente para os custos operacionais (até 49,73% no IMO2), simulações de Monte Carlo indicaram altas probabilidades de lucratividade: 97,5% (FREE), 87,5% (IMO1) e 99% (IMO2). Os principais fatores econômicos foram os custos de equipamentos e o retorno sobre o investimento. Este trabalho demonstra que a imobilização de leveduras no suporte ImoYeast é técnica e economicamente viável para fermentação em batelada na produção de cerveja, especialmente no mercado artesanal, onde perfis sensoriais inovadores podem ser valorizados. Mas, a consistência do produto e a estabilidade da imobilização permanecem desafios críticos. Estudos para otimização do suporte, projeto de reatores e controle metabólico serão essenciais para explorar plenamente o potencial das leveduras imobilizadas na produção de cerveja.
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