Estudo do gene do receptor do glicocorticóide em adenomas hipofisários produtores de ACTH

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2001
Autor(a) principal: Antonini, Sonir Roberto Rauber
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17144/tde-14042026-131004/
Resumo: O mecanismo de retro-alimentação negativa do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) está alterado no adenoma hipofisário produtor de ACTH, responsável pela doença de Cushing, sendo a secreção de ACTH parcialmente resistente à regulação exercida pelos glicocorticóides. As alterações moleculares que levam ao desenvolvimento destes tumores são apenas parcialmente conhecidas. Alterações cromossômicas e a expressão de proto-oncogenes específicos da hipófise podem contribuir para iniciação dos adenomas hipofisários. Fatores permissivos como sinais traduzidos pelos receptores dos hormônios hipotalâmicos, pelos fatores de crescimento parácrinos e por reguladores do ciclo celular permitiriam a expansão clonal da célula hipofisária transformada. Finalmente, um outro gene candidato envolvido na gênese dos corticotrofinomas seria o gene do receptor do glicocorticóide (GR) humano. Mutações neste gene poderiam justificar a resistência hipofisária relativa aos efeitos dos glicocorticóides encontrada na doença de Cushing. No presente projeto realizamos a pesquisa de mutações na região codificadora e regiões de transição intron/exon do gene do hGR, em tumores hipofisários produtores de ACTH. Adicionalmente, avaliamos a freqüência de polimorfismos deste gene nestes tumores e sua possível relação com a resistência tecido-específica aos glicocorticóides, com o intuito de entender melhor a patogénese da doença de Cushing. Foram extraídos DNA e/ou RNA de 19 tumores de pacientes com doença de Cushing, o gene do GR foi amplificado por PCR ou RT-PCR e a análise de mutações ou polimorfismos no gene do GR foi realizada por meio de seqüenciamento automatizado. Não encontramos mutações na região codificadora do gene do GR em nenhum dos 19 tumores estudados. O polimorfismo AAT→AGT, no códon 363 (N363S) foi encontrado em uma freqüência de 18% e o polimorfismo AAT→AAC, no códon 766 (N766N), em 10,5%, ambos em heterozigose. Não observamos em nossa série outros polimorfismos do gene do GR, previamente descritos em estudo populacional: GAG→GAA, no códon 22 (E22E); AGG→AAG, no códon 23 (R23K); G→C no íntron 3; G→T, no íntron 4 e GCA→GCG, no códon 618 (A618A). Concluindo, polimorfismos dentro do receptor do glicocorticóide poderiam contribuir para a resistência relativa aos glicocorticóides observada nos corticotrofinomas. É possível que polimorfismos dentre deste gene ou em outros genes associados à regulação da secreção de ACTH possam exercer influências individuais que contribuam para o espectro variável do fenótipo observado nas diversas doenças que cursam com resistência relativa aos glicocorticóides, inclusive nos adenomas hipofisários produtores de ACTH. Adicionalmente, nosso estudo sugere que mutações somáticas em qualquer parte da região codificadora do gene do GR, incluindo o domínio de ligação ao hormônio, não são freqüentes em adenomas hipofisários produtores de ACTH e, portanto, não seriam responsáveis pela resistência relativa ao cortisol observada nestes tumores. Finalmente, futuros estudos deverão focalizar possíveis alterações em fatores associados com eventos pós-ligação ao receptor, como os co-ativadores ou co-repressores que, também, são moduladores da regulação da ação dos glicocorticóides.
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Finalmente, um outro gene candidato envolvido na gênese dos corticotrofinomas seria o gene do receptor do glicocorticóide (GR) humano. Mutações neste gene poderiam justificar a resistência hipofisária relativa aos efeitos dos glicocorticóides encontrada na doença de Cushing. No presente projeto realizamos a pesquisa de mutações na região codificadora e regiões de transição intron/exon do gene do hGR, em tumores hipofisários produtores de ACTH. Adicionalmente, avaliamos a freqüência de polimorfismos deste gene nestes tumores e sua possível relação com a resistência tecido-específica aos glicocorticóides, com o intuito de entender melhor a patogénese da doença de Cushing. Foram extraídos DNA e/ou RNA de 19 tumores de pacientes com doença de Cushing, o gene do GR foi amplificado por PCR ou RT-PCR e a análise de mutações ou polimorfismos no gene do GR foi realizada por meio de seqüenciamento automatizado. Não encontramos mutações na região codificadora do gene do GR em nenhum dos 19 tumores estudados. O polimorfismo AAT→AGT, no códon 363 (N363S) foi encontrado em uma freqüência de 18% e o polimorfismo AAT→AAC, no códon 766 (N766N), em 10,5%, ambos em heterozigose. Não observamos em nossa série outros polimorfismos do gene do GR, previamente descritos em estudo populacional: GAG→GAA, no códon 22 (E22E); AGG→AAG, no códon 23 (R23K); G→C no íntron 3; G→T, no íntron 4 e GCA→GCG, no códon 618 (A618A). Concluindo, polimorfismos dentro do receptor do glicocorticóide poderiam contribuir para a resistência relativa aos glicocorticóides observada nos corticotrofinomas. É possível que polimorfismos dentre deste gene ou em outros genes associados à regulação da secreção de ACTH possam exercer influências individuais que contribuam para o espectro variável do fenótipo observado nas diversas doenças que cursam com resistência relativa aos glicocorticóides, inclusive nos adenomas hipofisários produtores de ACTH. Adicionalmente, nosso estudo sugere que mutações somáticas em qualquer parte da região codificadora do gene do GR, incluindo o domínio de ligação ao hormônio, não são freqüentes em adenomas hipofisários produtores de ACTH e, portanto, não seriam responsáveis pela resistência relativa ao cortisol observada nestes tumores. Finalmente, futuros estudos deverão focalizar possíveis alterações em fatores associados com eventos pós-ligação ao receptor, como os co-ativadores ou co-repressores que, também, são moduladores da regulação da ação dos glicocorticóides.The inhibitory action of glucocorticoids (GCs) on the hypothalamus-hypophysis is disrupted in the ACTH-secreting pituitary tumors, and the ACTH secretion is partially resistant to the negative feedback exerted by GCs. The molecular events leading to the development of these tumors are only partially known. Chromosomic alterations and the expression of specific pituitary proto-oncogenes may contribute for the tumorigenesis. Permissive factors as translated signals by the pituitary receptors of the hypothalamic hormones, paracrine growth factors and regulators of the cellular cycle would allow the clonal expansion of the transformed pituitary cell. Finally, another candidate would be the glucocorticoid receptor (GR) gene. Mutations in this gene could be responsible for the relative resistance to the effect of the GCs found in Cushing disease. ln the present study, we investigated the presence of GR gene mutations in ACTH-producing pituitary tumors. Additionally we evaluated the frequency of GR gene polymorphisms and its relationship with the tissue-specific resistance to the GCs. DNA and/or RNA were extracted from 19 tumors of patients with Cushing disease. The GR gene was amplified by PCR or RT-PCR and analyzed by automatic direct sequencing. No mutation was found in the coding or boundaries regions of the GR gene. The polymorphism AAT→AGT at codon 363 (N363S) was found in 18% and the polymorphisrn AAT→AAC at codon 766 (N766N) in 10,5% of the tumors, both in heterozygosity. We did not observe polymorphisms such as GAG→GAA, at codon 22; AGG→AAG, at codon 23 (R23K); G→C at intron 3; G→T, at intron 4 and GCA→GCG, at codon 618, as previously described in normal population. ln conclusion, polymorphisms within the GR gene could contribute for the relative resistance to GCs observed in the corticotrophinomas. lt is possible that polymorphisms in this gene or in other genes associated to the regulation of ACTH secretion can play a role in the various phenotype observed in different causes of relative CG resistance syndromes, including Cushing disease. Additionally, our results suggest that mutations in the coding region of the GR gene are not frequent in ACTH-producing pituitary tumors; therefore, they could not be responsible for the relative resistance to cortisol observed in all tumors. Finally, further studies should focus on possible alterations in factors associated with post receptor events, as coactivators or corepressors that also modulate the regulation of GC action.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Medicina de Ribeirão PretoCastro, Margaret deAntonini, Sonir Roberto Rauber2001-04-252026-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17144/tde-14042026-131004/doi:10.11606/T.17.2001.tde-14042026-131004Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-14T17:17:01Zoai:teses.usp.br:tde-14042026-131004Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-14T17:17:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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