Entre inovação e estabilidade: reflexões para a contenção de riscos na implementação do Drex pelo Banco Central do Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Nasaret, Mariana Zilio da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28112025-162446/
Resumo: A pesquisa parte do diagnóstico de que a expansão das blockchains públicas, do DeFi e dos contratos inteligentes desloca parte da infraestrutura monetária para fora do perímetro regulatório, ameaçando o papel dos bancos centrais como guardiões da moeda e da estabilidade financeira. No caso brasileiro, esse desafio se materializa no Drex, projeto-piloto de CBDC que pretende integrar liquidação em tempo real a finanças programáveis e à tokenização de ativos. O problema central investigado é como desenhar uma arquitetura jurídico-institucional que permita ao Drex conciliar inovação, inclusão e competitividade sem sacrificar a solidez do Sistema Financeiro Nacional nem a privacidade dos usuários. O percurso analítico combina três lentes teóricas: a teoria econômica dos bens públicos, que justifica a provisão estatal de infraestruturas digitais de pagamento quando o mercado tende à suboferta; a teoria do risco sistêmico, que evidencia a rapidez do contágio em ecossistemas tokenizados e, portanto, a necessidade de colchões prudenciais e a Nova Economia Institucional, que mostra como regras formais e informais moldam custos de transação e confiança. A pesquisa compara diretrizes internacionais do BIS com o desenho do Drex, toma o sucesso empírico do Pix como evidência de que o Estado pode internalizar externalidades de rede e emprega análise documental, estudo de caso e revisão bibliográfica para mapear riscos de privacidade, cibersegurança, desintermediação e crowding-out. Os resultados apontam para quatro teses principais. Primeiro, a CBDC bem desenhada comporta-se como bem público digital: liquidez em reserva soberana, acesso não discriminatório e APIs abertas são condições para maximizar externalidades positivas. Segundo, o risco de crowding-out decorre menos da existência da CBDC e mais de escolhas de design que podem preservar ou erodir a base de depósitos bancários. Terceiro, governança em camadas é crucial: o BCB deve manter o núcleo de emissão e liquidação, enquanto provedores licenciados desenvolvem carteiras e aplicações sob supervisão de comitê público-privado responsável por padrões de interoperabilidade e atualizações de protocolo. Quarto, legitimidade democrática é pré-requisito para confiança de longo prazo; por isso, propõe-se consultas públicas vinculantes, matrizes claras de competência entre reguladores e um marco legal que converta princípios de proteção de dados, segurança cibernética e governança em obrigações cogentes. Conclui-se que equilibrar inovação e estabilidade é possível se o Drex for tratado como infraestrutura pública sujeita a regulação proporcional: requisitos mínimos universais para segurança e interoperabilidade, fast-track para projetos de baixo impacto e exigências reforçadas (auditorias independentes, capital adicional) para casos sistêmicos. Atendidas essas condições, o Drex pode replicar, em ambiente programável, o êxito do Pix, posicionando o Brasil como referência internacional em CBDC, ao mesmo tempo em que abre agenda de pesquisa sobre programabilidade de contratos, efeitos distributivos da remuneração da moeda digital e integração a sistemas de liquidação de atacado.
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O problema central investigado é como desenhar uma arquitetura jurídico-institucional que permita ao Drex conciliar inovação, inclusão e competitividade sem sacrificar a solidez do Sistema Financeiro Nacional nem a privacidade dos usuários. O percurso analítico combina três lentes teóricas: a teoria econômica dos bens públicos, que justifica a provisão estatal de infraestruturas digitais de pagamento quando o mercado tende à suboferta; a teoria do risco sistêmico, que evidencia a rapidez do contágio em ecossistemas tokenizados e, portanto, a necessidade de colchões prudenciais e a Nova Economia Institucional, que mostra como regras formais e informais moldam custos de transação e confiança. A pesquisa compara diretrizes internacionais do BIS com o desenho do Drex, toma o sucesso empírico do Pix como evidência de que o Estado pode internalizar externalidades de rede e emprega análise documental, estudo de caso e revisão bibliográfica para mapear riscos de privacidade, cibersegurança, desintermediação e crowding-out. Os resultados apontam para quatro teses principais. Primeiro, a CBDC bem desenhada comporta-se como bem público digital: liquidez em reserva soberana, acesso não discriminatório e APIs abertas são condições para maximizar externalidades positivas. Segundo, o risco de crowding-out decorre menos da existência da CBDC e mais de escolhas de design que podem preservar ou erodir a base de depósitos bancários. Terceiro, governança em camadas é crucial: o BCB deve manter o núcleo de emissão e liquidação, enquanto provedores licenciados desenvolvem carteiras e aplicações sob supervisão de comitê público-privado responsável por padrões de interoperabilidade e atualizações de protocolo. Quarto, legitimidade democrática é pré-requisito para confiança de longo prazo; por isso, propõe-se consultas públicas vinculantes, matrizes claras de competência entre reguladores e um marco legal que converta princípios de proteção de dados, segurança cibernética e governança em obrigações cogentes. Conclui-se que equilibrar inovação e estabilidade é possível se o Drex for tratado como infraestrutura pública sujeita a regulação proporcional: requisitos mínimos universais para segurança e interoperabilidade, fast-track para projetos de baixo impacto e exigências reforçadas (auditorias independentes, capital adicional) para casos sistêmicos. Atendidas essas condições, o Drex pode replicar, em ambiente programável, o êxito do Pix, posicionando o Brasil como referência internacional em CBDC, ao mesmo tempo em que abre agenda de pesquisa sobre programabilidade de contratos, efeitos distributivos da remuneração da moeda digital e integração a sistemas de liquidação de atacado.The dissertation begins by diagnosing that the expansion of public blockchains, DeFi, and smart contracts is shifting part of the monetary infrastructure outside the regulatory perimeter, thereby threatening central banks role as guardians of money and financial stability. In Brazil, this challenge takes shape in Drex, a CBDC pilot project that seeks to combine real-time settlement with programmable finance and asset tokenisation. The core question explored is how to craft a legal-institutional architecture that allows Drex to reconcile innovation, financial inclusion, and competitiveness without undermining the soundness of the National Financial System or user privacy. The analytical framework blends three theoretical lenses: the economic theory of public goods, which justifies state provision of digital payment infrastructure when markets under-supply it; systemic-risk theory, highlighting the speed of contagion in tokenised ecosystems and the consequent need for prudential buffers; and New Institutional Economics, which shows how formal and informal rules shape transaction costs and trust. The study compares BIS international guidelines with Drexs design, leverages the empirical success of Pix to demonstrate how the state can internalise network externalities, and employs documentary analysis, a case study, and a literature review to map risks related to privacy, cybersecurity, disintermediation, and crowding-out. The findings point out to four main theses. First, a well-designed CBDC functions as a digital public good: sovereign-reserve liquidity, non-discriminatory access, and open APIs are prerequisites for maximising positive externalities. Second, the crowding-out risk stems less from the CBDCs mere existence than from design choices that can preserve or erode the commercial-bank deposit base. Third, layered governance is essential: the BCB should retain the core of issuance and settlement, while licensed providers develop wallets and applications under a public-private committee that sets interoperability standards and updates protocols. Fourth, democratic legitimacy is crucial for long-term trust; hence the dissertation advocates binding public consultations, clear competency matrices among regulators, and a legal framework that transforms data-protection, cybersecurity, and governance principles into enforceable duties. The study concludes that balancing innovation and stability is achievable if Drex is treated as public infrastructure subject to proportional regulation: universal minimum requirements for security and interoperability, a fast-track for low-impact projects, and enhanced obligations (independent audits, additional capital) for systemic applications. Under these conditions, Drex can replicate Pixs success in a programmable environment, positioning Brazil as an international reference for CBDCs while opening a research agenda on contract programmability, distributive effects of CBDC remuneration, and integration with wholesale settlement systems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDomingues, Juliana OliveiraNasaret, Mariana Zilio da Silva2025-08-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/107/107131/tde-28112025-162446/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-18T13:34:02Zoai:teses.usp.br:tde-28112025-162446Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-18T13:34:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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