O racismo amarelo como barreira invisível no lazer

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Kishigami, Flavio Daiji
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100140/tde-20012026-195555/
Resumo: No Brasil, o racismo amarelo se manifesta de forma distinta em três momentos históricos: com a eugenia no início da imigração, com o Perigo Amarelo durante a II Guerra Mundial e mais recentemente com o Mito da Minoria Modelo. O presente estudo tem como objetivo geral compreender a maneira que essa racialização atinge esses indivíduos amarelos, suas vivências, suas relações sociais e espaciais, e as consequências dessa estigmatização racial no processo de identificação e apropriação das práticas de lazer. Para esse propósito estabeleceu-se três objetivos específicos: a) verificar quais são as principais situações de discriminação vividas por pessoas amarelas e como essas situações se materializam; b) analisar as intersecções do racismo amarelo com as categorias classe social, gênero, sexualidade, corporalidade aprofundam ou atenuam a experiência do racismo na relação da pessoa amarela com os espaços e práticas de lazer, e c) subsidiar criticamente a discussão sobre o lazer como um espaço ambivalente, que tanto podem reproduzir e reforçar preconceitos, discriminações e racismo amarelo quanto podem constituir oportunidades de transformação, sociabilidade positiva e produção de saúde mental, considerando disputas ideológicas, tensões na militância contemporânea e práticas progressistas performativas que, muitas vezes, invisibilizam esse debate. O método de coleta de dados compreendeu dois momentos: o primeiro com um levantamento dos estereótipos mais conhecidos para designar uma pessoa amarela, por meio de uma pesquisa de opinião no Google Docs respondida por 140 pessoas; o segundo com 25 entrevistas semiestruturadas utilizando a amostragem snowball ou bola de neve. Os dados obtidos foram analisados por meio da triangulação de métodos, que articula a bibliografia, os dados coletados e a análise da conjuntura. Foi identificado que o racismo recreativo, as microagressões e as violências servem como instrumento de reprodução dos papéis sociais: ao mesmo tempo que a racialização permite acesso aos melhores trabalhos, restringem as possibilidades de lazer. Dentre as contribuições teóricas desse trabalho destaca-se a análise do papel social do lazer na construção de uma identidade positiva, na socialização e colaboração mútua entre pessoas estigmatizadas, o que influencia beneficamente a saúde mental e os índices de suicídio desse grupo, mas também aponta uma contradição desse movimento: ao se proteger em grupos que se formam em torno de uma identidade racial, reforça-se concomitantemente o racismo. A pesquisa revela como a militância performática contribui, por meio do espetáculo e do conceito de performativismo, para uma radicalização dos estereótipos e aprofundamento dos preconceitos, culminando em polarização e ausência de diálogo. Por fim, evidencia-se as contribuições desse estudo, nas reflexões para a superação desse antagonismo.
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Para esse propósito estabeleceu-se três objetivos específicos: a) verificar quais são as principais situações de discriminação vividas por pessoas amarelas e como essas situações se materializam; b) analisar as intersecções do racismo amarelo com as categorias classe social, gênero, sexualidade, corporalidade aprofundam ou atenuam a experiência do racismo na relação da pessoa amarela com os espaços e práticas de lazer, e c) subsidiar criticamente a discussão sobre o lazer como um espaço ambivalente, que tanto podem reproduzir e reforçar preconceitos, discriminações e racismo amarelo quanto podem constituir oportunidades de transformação, sociabilidade positiva e produção de saúde mental, considerando disputas ideológicas, tensões na militância contemporânea e práticas progressistas performativas que, muitas vezes, invisibilizam esse debate. O método de coleta de dados compreendeu dois momentos: o primeiro com um levantamento dos estereótipos mais conhecidos para designar uma pessoa amarela, por meio de uma pesquisa de opinião no Google Docs respondida por 140 pessoas; o segundo com 25 entrevistas semiestruturadas utilizando a amostragem snowball ou bola de neve. Os dados obtidos foram analisados por meio da triangulação de métodos, que articula a bibliografia, os dados coletados e a análise da conjuntura. Foi identificado que o racismo recreativo, as microagressões e as violências servem como instrumento de reprodução dos papéis sociais: ao mesmo tempo que a racialização permite acesso aos melhores trabalhos, restringem as possibilidades de lazer. Dentre as contribuições teóricas desse trabalho destaca-se a análise do papel social do lazer na construção de uma identidade positiva, na socialização e colaboração mútua entre pessoas estigmatizadas, o que influencia beneficamente a saúde mental e os índices de suicídio desse grupo, mas também aponta uma contradição desse movimento: ao se proteger em grupos que se formam em torno de uma identidade racial, reforça-se concomitantemente o racismo. A pesquisa revela como a militância performática contribui, por meio do espetáculo e do conceito de performativismo, para uma radicalização dos estereótipos e aprofundamento dos preconceitos, culminando em polarização e ausência de diálogo. Por fim, evidencia-se as contribuições desse estudo, nas reflexões para a superação desse antagonismo.In Brazil, yellow racism manifests itself differently in three historical moments: with eugenics at the beginning of immigration, with the Yellow Peril during World War II and more recently with the Myth of the Model Minority. The general objective of this study is to understand the way in which this racialization affects these yellow individuals, their experiences, their social and spatial relationships, and the consequences of this racial stigmatization in the process of identification and appropriation of leisure practices. For this purpose, three specific objectives were established: a) verify what are the main situations of discrimination experienced by yellow people and how these situations materialize; b) analyzing the intersections of yellow racism with the categories of social class, gender, sexuality, corporeality deepen or mitigate the experience of racism in the relationship between yellow people and leisure spaces and practices, and c) critically subsidize the discussion on leisure as an ambivalent space, which can both reproduce and reinforce prejudices, discrimination and yellow racism and can constitute opportunities for transformation, positive sociability and production of mental health, considering ideological disputes, tensions in contemporary militancy and progressive performative practices that often make this debate invisible. The data collection method comprised two moments: the first with a survey of the most well-known stereotypes to designate a yellow person, through an opinion survey on Google Docs answered by 140 people; the second with 25 semi-structured interviews using snowball sampling. The data obtained was analyzed through triangulation of methods, which articulates the bibliography, the data collected and the analysis of the situation. It was identified that recreational racism, microaggressions and violence serve as an instrument for reproducing social roles: at the same time that racialization allows access to the best jobs, it restricts leisure possibilities. Among the theoretical contributions of this work, the analysis of the social role of leisure in the construction of a positive identity, in the socialization and mutual collaboration between stigmatized people stands out, which beneficially influences the mental health and suicide rates of this group, but also points out a contradiction in this movement: by protecting oneself in groups that form around a racial identity, racism is concomitantly reinforced. The research reveals how performative activism contributes, through spectacle and the concept of performativism, to a radicalization of stereotypes and deepening of prejudices, culminating in polarization and a lack of dialogue. Finally, the contributions of this study are highlighted, in the reflections on overcoming this antagonism.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPStoppa, Edmur AntonioKishigami, Flavio Daiji2025-08-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100140/tde-20012026-195555/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-03T12:59:02Zoai:teses.usp.br:tde-20012026-195555Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-03T12:59:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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