Funções executivas: uma análise acerca de seu desempenho em pessoas criminalmente reincidentes
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47135/tde-18032026-142757/ |
Resumo: | O Brasil ocupa a terceira posição entre os países com maior população carcerária do mundo. Esse cenário revela um processo de encarceramento em massa, para além do aumento da criminalidade. Tais dados apontam falhas estruturais nas políticas de segurança pública, bem como nas estratégias de reintegração social de pessoas egressas do sistema prisional. Um fator crítico nesse contexto é a elevada taxa de reincidência criminal e prisional, o que evidencia a necessidade de aprofundar a compreensão das variáveis associadas à sua ocorrência. Entre essas variáveis, destaca-se o papel das Funções Executivas (FEs), cuja relação com o comportamento delitivo tem sido apontada na literatura. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo investigar se há associação entre FEs e reincidência criminal. Participaram da pesquisa 124 homens, divididos em três grupos: grupo controle (n = 38), sem histórico criminal; grupo 2, com histórico criminal sem reincidência (n = 43); e grupo 3, com histórico criminal reincidente (n = 43). Os instrumentos utilizados foram o Questionário Sociodemográfico, o Teste dos Cinco Dígitos (FDT), a subescala Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência (WAIS), a Escala Abreviada de Inteligência Wechsler (WASI) e a Escala de Desregulação Emocional (EDE-A). As análises de regressão logística multinomial indicaram que déficits nas funções executivas estiveram significativamente associados à reincidência. No grupo reincidente, o desempenho reduzido em flexibilidade cognitiva foi o principal preditor (B = 1,057; p < 0,001; OR = 0,347; IC95% = 0,2200,549), seguido por prejuízos na memória de trabalho (B = 1,045; p < 0,001; OR = 0,352) e controle inibitório (B = 0,554; p = 0,005; OR = 0,574). No grupo de não reincidentes, também se observou desempenho reduzido significativo em memória de trabalho (B = 0,970; p < 0,001; OR = 0,379). Além disso, o uso de estratégias adaptativas de enfrentamento emocional (Fator 1 da EDE-A) esteve associado à menor probabilidade de reincidência (B = 0,486; p = 0,032; OR = 0,615). Esses resultados destacam a relevância da avaliação neuropsicológica em contextos prisionais e sugerem que intervenções voltadas ao fortalecimento das funções executivas e da regulação emocional podem ser estratégias eficazes para a prevenção da reincidência e promoção da reintegração social de indivíduos com histórico criminal. |
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Entre essas variáveis, destaca-se o papel das Funções Executivas (FEs), cuja relação com o comportamento delitivo tem sido apontada na literatura. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo investigar se há associação entre FEs e reincidência criminal. Participaram da pesquisa 124 homens, divididos em três grupos: grupo controle (n = 38), sem histórico criminal; grupo 2, com histórico criminal sem reincidência (n = 43); e grupo 3, com histórico criminal reincidente (n = 43). Os instrumentos utilizados foram o Questionário Sociodemográfico, o Teste dos Cinco Dígitos (FDT), a subescala Dígitos da Escala Wechsler de Inteligência (WAIS), a Escala Abreviada de Inteligência Wechsler (WASI) e a Escala de Desregulação Emocional (EDE-A). As análises de regressão logística multinomial indicaram que déficits nas funções executivas estiveram significativamente associados à reincidência. No grupo reincidente, o desempenho reduzido em flexibilidade cognitiva foi o principal preditor (B = 1,057; p < 0,001; OR = 0,347; IC95% = 0,2200,549), seguido por prejuízos na memória de trabalho (B = 1,045; p < 0,001; OR = 0,352) e controle inibitório (B = 0,554; p = 0,005; OR = 0,574). No grupo de não reincidentes, também se observou desempenho reduzido significativo em memória de trabalho (B = 0,970; p < 0,001; OR = 0,379). Além disso, o uso de estratégias adaptativas de enfrentamento emocional (Fator 1 da EDE-A) esteve associado à menor probabilidade de reincidência (B = 0,486; p = 0,032; OR = 0,615). Esses resultados destacam a relevância da avaliação neuropsicológica em contextos prisionais e sugerem que intervenções voltadas ao fortalecimento das funções executivas e da regulação emocional podem ser estratégias eficazes para a prevenção da reincidência e promoção da reintegração social de indivíduos com histórico criminal.Brazil ranks third among the countries with the largest prison populations in the world. This scenario reflects a process of mass incarceration that goes beyond the rise in criminality, revealing the recurrent use of imprisonment as the state\'s main response to violence and social disorder. These data point to structural failures in public security policies, as well as in the strategies for the social reintegration of individuals released from prison. A critical factor in this context is the high rate of criminal and prison recidivism, highlighting the need to deepen the understanding of the variables associated with its occurrence. Among these variables, the role of Executive Functions (EFs) stands out, as their relationship with delinquent behavior has been noted in the literature. In this context, the present study aimed to investigate whether there is a relationship between EFs and criminal recidivism. A total of 124 men participated in the study, divided into three groups: a control group (n = 38), with no criminal history; group 2, with a criminal history but no recidivism (n = 43); and group 3, with a history of criminal recidivism (n = 43). The instruments used were a Sociodemographic Questionnaire, the Five Digit Test (FDT), the Digit Span subtest of the Wechsler Adult Intelligence Scale (WAIS), the Wechsler Abbreviated Scale of Intelligence (WASI) and the Emotional Dysregulation Scale (EDE-A). Multinomial logistic regression analyses indicated that executive function deficits were significantly associated with recidivism. In the recidivist group, reduced cognitive flexibility was the strongest predictor (B = 1.057; p < .001; OR = 0.347; 95% CI = 0.2200.549), followed by working memory deficits (B = 1.045; p < .001; OR = 0.352) and inhibitory control impairment (B = 0.554; p = .005; OR = 0.574). In the non-recidivist group, reduced working memory performance was also a significant finding (B = 0.970; p < .001; OR = 0.379). Furthermore, the use of adaptive emotional coping strategies (Factor 1 of the EDE-A) was associated with a lower likelihood of recidivism (B = 0.486; p = .032; OR = 0.615). These results underscore the relevance of neuropsychological assessment in prison settings and suggest that interventions aimed at strengthening executive functions and emotional regulation may be effective strategies for preventing recidivism and promoting the social reintegration of individuals with criminal histories.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSerafim, Antonio de PaduaVieira, Laís Maria Cavalcante2025-08-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47135/tde-18032026-142757/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-19T15:45:01Zoai:teses.usp.br:tde-18032026-142757Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-19T15:45:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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