Dinâmica espaço-temporal da epidemia da aids entre indivíduos do sexo masculino no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pedroso, Andrey Oeiras
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Men
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-08102025-125725/
Resumo: A aids persiste como um grave problema de saúde pública no Brasil, com expressivas desigualdades regionais e transformações recentes impulsionadas pelo contexto pós-pandemia de covid-19. Entre 2007 e 2024, mais de dois terços das infecções pelo HIV ocorreram em homens, tendência que se intensificou nos últimos anos e que, para a aids, se traduz em um padrão heterogêneo de risco, associado a determinantes sociais e desigualdade no acesso aos serviços de saúde. Compreender a evolução espacial e temporal dessa epidemia é fundamental para orientar políticas públicas mais equitativas e efetivas. Este estudo, pioneiro pela abrangência nacional e pela integração de diferentes métodos analíticos avançados, teve como objetivo analisar a dinâmica espaço-temporal da aids entre indivíduos do sexo masculino no Brasil, no período de 2014 a 2023. Trata-se de um estudo ecológico com unidades de análise correspondentes a todos os 5.570 municípios brasileiros, utilizando dados secundários do Ministério da Saúde. As taxas de detecção foram calculadas e representadas em mapas temáticos no ArcMap 10.8. As análises incluíram estatística de autocorrelação espacial global e local (I de Moran e LISA) para identificar padrões e clusters; estatística de varredura espaço-temporal retrospectiva e prospectiva, para detectar aglomerados de alto risco; e varredura de variação espacial nas tendências temporais (SVTT) no SaTScanTM, para identificar áreas com mudanças significativas nas tendências de detecção. Complementarmente, foi estimada a variação percentual anual (APC) por região no RStudio. No período estudado, foram registrados 264.810 casos de aids em homens, com taxa nacional variando de 28,4/100 mil hab. (2014) para 25,9/100 mil hab. (2023), com mínimo em 2020 (21,0/100 mil hab.). Foram identificados 27 aglomerados retrospectivos e 24 prospectivos de alto risco, predominantemente em capitais e áreas urbanas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste - territórios caracterizados por menor desenvolvimento socioeconômico e desigualdade no acesso aos serviços. A SVTT evidenciou bolsões de crescimento expressivo em contraste com a tendência nacional de queda, reforçando a heterogeneidade geográfica da epidemia. A originalidade desta tese reside na combinação inédita de análises espaço-temporais retrospectivas, prospectivas e de tendências com modelagem preditiva, aplicada a uma década de dados nacionais de alta resolução geográfica. Os resultados revelam não apenas a persistência de áreas historicamente negligenciadas, mas também a emergência de novas áreas de risco no período pós-pandemia, oferecendo evidências concretas para o redirecionamento de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas descentralizadas, com financiamento sustentável e respostas intersetoriais voltadas à redução das desigualdades estruturais que sustentam a epidemia de aids no Brasil.
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Compreender a evolução espacial e temporal dessa epidemia é fundamental para orientar políticas públicas mais equitativas e efetivas. Este estudo, pioneiro pela abrangência nacional e pela integração de diferentes métodos analíticos avançados, teve como objetivo analisar a dinâmica espaço-temporal da aids entre indivíduos do sexo masculino no Brasil, no período de 2014 a 2023. Trata-se de um estudo ecológico com unidades de análise correspondentes a todos os 5.570 municípios brasileiros, utilizando dados secundários do Ministério da Saúde. As taxas de detecção foram calculadas e representadas em mapas temáticos no ArcMap 10.8. As análises incluíram estatística de autocorrelação espacial global e local (I de Moran e LISA) para identificar padrões e clusters; estatística de varredura espaço-temporal retrospectiva e prospectiva, para detectar aglomerados de alto risco; e varredura de variação espacial nas tendências temporais (SVTT) no SaTScanTM, para identificar áreas com mudanças significativas nas tendências de detecção. Complementarmente, foi estimada a variação percentual anual (APC) por região no RStudio. No período estudado, foram registrados 264.810 casos de aids em homens, com taxa nacional variando de 28,4/100 mil hab. (2014) para 25,9/100 mil hab. (2023), com mínimo em 2020 (21,0/100 mil hab.). Foram identificados 27 aglomerados retrospectivos e 24 prospectivos de alto risco, predominantemente em capitais e áreas urbanas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste - territórios caracterizados por menor desenvolvimento socioeconômico e desigualdade no acesso aos serviços. A SVTT evidenciou bolsões de crescimento expressivo em contraste com a tendência nacional de queda, reforçando a heterogeneidade geográfica da epidemia. A originalidade desta tese reside na combinação inédita de análises espaço-temporais retrospectivas, prospectivas e de tendências com modelagem preditiva, aplicada a uma década de dados nacionais de alta resolução geográfica. Os resultados revelam não apenas a persistência de áreas historicamente negligenciadas, mas também a emergência de novas áreas de risco no período pós-pandemia, oferecendo evidências concretas para o redirecionamento de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas descentralizadas, com financiamento sustentável e respostas intersetoriais voltadas à redução das desigualdades estruturais que sustentam a epidemia de aids no Brasil.AIDS remains a major public health issue in Brazil, marked by significant regional disparities and recent shifts influenced by the post-COVID-19 pandemic context. Between 2007 and 2024, over two-thirds of HIV infections occurred in men, a trend that has intensified in recent years and, in the case of AIDS, reflects a heterogeneous risk pattern linked to social determinants and unequal access to health services. Understanding the spatial and temporal evolution of this epidemic is essential to guide more equitable and effective public policies. This study, unprecedented in its national scope and integration of advanced analytical methods, aimed to analyze the spatio-temporal dynamics of AIDS among male individuals in Brazil from 2014 to 2023. It is an ecological study with the 5,570 Brazilian municipalities as units of analysis, using secondary data from the Ministry of Health. Detection rates were calculated and represented in thematic maps using ArcMap 10.8. Analyses included global and local spatial autocorrelation statistics (Moran\'s I and LISA) to identify patterns and clusters; retrospective and prospective space-time scan statistics to detect high-risk clusters; and Spatial Variation in Temporal Trends (SVTT) in SaTScanTM to identify areas with significant changes in detection trends. Additionally, the annual percentage change (APC) was estimated by region in RStudio. During the study period, 264,810 AIDS cases in men were recorded, with the national rate ranging from 28.4/100,000 (2014) to 25.9/100,000 (2023), reaching its lowest in 2020 (21.0/100,000). Twenty-seven retrospective and 24 prospective high-risk clusters were identified, predominantly in capitals and urban areas of the North, Northeast, and Midwest regions - territories characterized by lower socioeconomic development and unequal access to healthcare. The SVTT revealed pockets of significant growth contrasting with the overall national downward trend, underscoring the epidemic\'s geographic heterogeneity. The originality of this thesis lies in the unprecedented combination of retrospective, prospective, and trend-based spatio-temporal analyses with predictive modeling, applied to a decade of high-resolution national data. The findings reveal not only the persistence of historically neglected areas but also the emergence of new post-pandemic hotspots, providing concrete evidence to redirect prevention, diagnosis, and treatment strategies. The results reinforce the need for decentralized public policies with sustainable funding and intersectoral responses aimed at reducing the structural inequalities that sustain the AIDS epidemic in Brazil.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPReis, Renata KarinaPedroso, Andrey Oeiras2025-07-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-08102025-125725/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-27T19:01:01Zoai:teses.usp.br:tde-08102025-125725Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-27T19:01:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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