Aluno \"difícil\": por quê? Para quem?: um olhar para a educação escolar contemporânea a partir da relação professor-aluno

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Tatit, Diana Ribeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-04112013-113030/
Resumo: O objetivo dessa pesquisa foi identificar e analisar porque alguns alunos são considerados difíceis e como o professor e a escola se relacionam com eles. Para tanto, partiu-se da indicação por parte da equipe pedagógica de quem eram os alunos difíceis e, através de observações realizadas por dois anos consecutivos na sala de dois estudantes apontados e de entrevistas com suas professoras em cada um desses anos, pretendeu-se discutir as razões deles serem considerados difíceis, bem como analisar como cada professora lidou com tais alunos e que efeitos suas dificuldades lhes causaram. Para mostrar as várias faces do problema, na tentativa de compreender a dificuldade sofrida pelo professor, muitas vezes de forma solitária e culposa, o embasamento teórico desta pesquisa apresenta um diálogo entre diversas matrizes: os aspectos do cotidiano escolar, apresentado por Izabel Galvão e Julio Groppa Aquino; a perspectiva histórico-cultural vygotskiana e suas contribuições para a educação, sobretudo nos trabalhos de Teresa Rego; a psicologia escolar e a discussão sobre os encaminhamentos advindos da queixa desta instituição feita por Aquino, Adriana Machado Marcondes e Marilene Proença Rebello de Souza; o campo da Sociologia da Infância, através de seus principais autores Willian Corsaro e Jens Qvortrup, e a dimensão relacional do ensino, a partir dos estudo de gênero realizados por Marília Pinto de Carvalho. Esse estudo traz, ainda, um histórico da noção de aluno problema, apoiado nas pesquisas de Maria Helena Souza Patto e Ana Laura Godinho de Lima. Como esse fenômeno ocorre indiscriminadamente em escolas públicas e particulares, a hipótese inicial era a de que essa questão não estaria ligada a fatores estruturais ou a métodos didáticos; parecia relacionar-se com aspectos mais sutis e mais profundos da educação escolar como um todo. Ao eleger, como locus da pesquisa empírica, uma escola privada de excelência, cujo trabalho tem amplo reconhecimento, que ministra cursos de formação de professores e que serve de modelo a outras instituições, a hipótese foi confirmada ao constatar-se a presença, nesse cenário aparentemente exemplar, dos mesmos alunos difíceis de quaisquer escolas. A tentativa de compreender por que isso ocorria levou às questões que fundamentaram a discussão realizada neste trabalho, quais sejam: que a dificuldade reside na relação entre professor e aluno; que é fruto de um desencontro entre as expectativas da instituição, impressas no docente, e a singularidade e heterogeneidade do alunado; e que há um envolvimento emocional inquestionável no ensino de crianças, que desmente a ideia corrente de a docência ser um trabalho leve, fácil e pouco exigente. Esta dissertação precisou abordar, ainda, o tema paralelo, mas absolutamente ligado à questão, do deslocamento de responsabilidades por parte dos agentes escolares, através de um grande número de encaminhamentos dos chamados alunos difíceis para profissionais de saúde. Longe de querer estabelecer soluções para as dificuldades da escola e dos professores com esses alunos, intencionou-se localizar e legitimar o problema, buscando-se assim contribuir para uma discussão já abordada em outros trabalhos.
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spelling Aluno \"difícil\": por quê? Para quem?: um olhar para a educação escolar contemporânea a partir da relação professor-aluno\"Difficult\" student: why? For whom? A look at the contemporary school education from the perspective of the teacher-student relationshipBasic educationBasic school educationBehavior in the classroomComportamento na sala de aulaCriança-problemaEducação escolar básicaEnsino e aprendizagemEnsino fundamentalInteração professor alunoProblem-childTeacher-student interactionTeaching and learningO objetivo dessa pesquisa foi identificar e analisar porque alguns alunos são considerados difíceis e como o professor e a escola se relacionam com eles. Para tanto, partiu-se da indicação por parte da equipe pedagógica de quem eram os alunos difíceis e, através de observações realizadas por dois anos consecutivos na sala de dois estudantes apontados e de entrevistas com suas professoras em cada um desses anos, pretendeu-se discutir as razões deles serem considerados difíceis, bem como analisar como cada professora lidou com tais alunos e que efeitos suas dificuldades lhes causaram. Para mostrar as várias faces do problema, na tentativa de compreender a dificuldade sofrida pelo professor, muitas vezes de forma solitária e culposa, o embasamento teórico desta pesquisa apresenta um diálogo entre diversas matrizes: os aspectos do cotidiano escolar, apresentado por Izabel Galvão e Julio Groppa Aquino; a perspectiva histórico-cultural vygotskiana e suas contribuições para a educação, sobretudo nos trabalhos de Teresa Rego; a psicologia escolar e a discussão sobre os encaminhamentos advindos da queixa desta instituição feita por Aquino, Adriana Machado Marcondes e Marilene Proença Rebello de Souza; o campo da Sociologia da Infância, através de seus principais autores Willian Corsaro e Jens Qvortrup, e a dimensão relacional do ensino, a partir dos estudo de gênero realizados por Marília Pinto de Carvalho. Esse estudo traz, ainda, um histórico da noção de aluno problema, apoiado nas pesquisas de Maria Helena Souza Patto e Ana Laura Godinho de Lima. Como esse fenômeno ocorre indiscriminadamente em escolas públicas e particulares, a hipótese inicial era a de que essa questão não estaria ligada a fatores estruturais ou a métodos didáticos; parecia relacionar-se com aspectos mais sutis e mais profundos da educação escolar como um todo. Ao eleger, como locus da pesquisa empírica, uma escola privada de excelência, cujo trabalho tem amplo reconhecimento, que ministra cursos de formação de professores e que serve de modelo a outras instituições, a hipótese foi confirmada ao constatar-se a presença, nesse cenário aparentemente exemplar, dos mesmos alunos difíceis de quaisquer escolas. A tentativa de compreender por que isso ocorria levou às questões que fundamentaram a discussão realizada neste trabalho, quais sejam: que a dificuldade reside na relação entre professor e aluno; que é fruto de um desencontro entre as expectativas da instituição, impressas no docente, e a singularidade e heterogeneidade do alunado; e que há um envolvimento emocional inquestionável no ensino de crianças, que desmente a ideia corrente de a docência ser um trabalho leve, fácil e pouco exigente. Esta dissertação precisou abordar, ainda, o tema paralelo, mas absolutamente ligado à questão, do deslocamento de responsabilidades por parte dos agentes escolares, através de um grande número de encaminhamentos dos chamados alunos difíceis para profissionais de saúde. Longe de querer estabelecer soluções para as dificuldades da escola e dos professores com esses alunos, intencionou-se localizar e legitimar o problema, buscando-se assim contribuir para uma discussão já abordada em outros trabalhos.The objective of this research was to identify and analyze why some students are considered \"difficult\" and how the teacher and the school relate to them. To do so, we asked the teaching staff who were the difficult students and through observations made for two consecutive years in the classroom of two of them and interviews with their teachers in each of these years, we intended to discuss the reasons why they were called \"difficult\" and analyze how each teacher dealt with such students and the effects their difficulties have caused on them (teachers) . To show the various facets of the problem, in an attempt to understand the difficulty experienced by the teacher, usually in a solitary and guilty way, the theoretical basis of this research presents a dialogue between various sources: aspects of everyday school life, presented by Izabel Galvão and Julio Groppa Aquino, the historical-cultural Vygotskian and its contributions to education, particularly in the works of Teresa Rego; the Educational and School Psychology, and the discussion about referrals arising from complaints of this institution made by Aquino, Adriana Marcondes Machado and Marilene Proença Rebello de Souza; The Sociology of Childhood, through its principal authors William Corsaro and Jens Qvortrup, and the relational dimension of teaching, from the gender study perspective conducted by Marilia de Carvalho Pinto. This study also brings a historical notion of the problematic student, supported by the research of Maria Helena Souza Patto and Laura Ana Godinho de Lima. As this phenomenon occurs indiscriminately in public and private schools, the initial hypothesis was that this issue would not be linked to structural factors or teaching methods; it seemed to be related to subtler and deeper aspects of school education as a whole. By electing, as a locus of empirical research, a private school of excellence, whose work has been broadly acknowledged and that gives teacher training courses and serves as a model for other institutions, the hypothesis was confirmed as we noticed the presence, in this apparently exemplary scenario, of the same \"difficult\" students of any other schools. The attempt to understand why this occurs has led to questions that underlie the discussion conducted in this dissertation, namely: that the difficulty lies in the relationship between teacher and student, which is the result of a mismatch between the expectations of the institution, printed in the teaching staff, and the uniqueness and diversity of the student body, and that there is an undeniable emotional involvement in teaching children, which contradicts the current idea of teaching being a light, easy and undemanding work. This thesis had also to address the parallel theme, but absolutely linked to the issue, of the displacement of responsibility on the part of school agents, through a large number of referrals of students called \"difficult\" for health professionals. Far from wanting to find solutions to the problems of the school and teachers with these students, the purpose was to locate and legitimize the problem, seeking to contribute to a discussion already addressed in other works.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMoraes, Teresa Cristina Rebolho Rego deTatit, Diana Ribeiro2013-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-04112013-113030/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:37Zoai:teses.usp.br:tde-04112013-113030Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:37Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description O objetivo dessa pesquisa foi identificar e analisar porque alguns alunos são considerados difíceis e como o professor e a escola se relacionam com eles. Para tanto, partiu-se da indicação por parte da equipe pedagógica de quem eram os alunos difíceis e, através de observações realizadas por dois anos consecutivos na sala de dois estudantes apontados e de entrevistas com suas professoras em cada um desses anos, pretendeu-se discutir as razões deles serem considerados difíceis, bem como analisar como cada professora lidou com tais alunos e que efeitos suas dificuldades lhes causaram. Para mostrar as várias faces do problema, na tentativa de compreender a dificuldade sofrida pelo professor, muitas vezes de forma solitária e culposa, o embasamento teórico desta pesquisa apresenta um diálogo entre diversas matrizes: os aspectos do cotidiano escolar, apresentado por Izabel Galvão e Julio Groppa Aquino; a perspectiva histórico-cultural vygotskiana e suas contribuições para a educação, sobretudo nos trabalhos de Teresa Rego; a psicologia escolar e a discussão sobre os encaminhamentos advindos da queixa desta instituição feita por Aquino, Adriana Machado Marcondes e Marilene Proença Rebello de Souza; o campo da Sociologia da Infância, através de seus principais autores Willian Corsaro e Jens Qvortrup, e a dimensão relacional do ensino, a partir dos estudo de gênero realizados por Marília Pinto de Carvalho. Esse estudo traz, ainda, um histórico da noção de aluno problema, apoiado nas pesquisas de Maria Helena Souza Patto e Ana Laura Godinho de Lima. Como esse fenômeno ocorre indiscriminadamente em escolas públicas e particulares, a hipótese inicial era a de que essa questão não estaria ligada a fatores estruturais ou a métodos didáticos; parecia relacionar-se com aspectos mais sutis e mais profundos da educação escolar como um todo. Ao eleger, como locus da pesquisa empírica, uma escola privada de excelência, cujo trabalho tem amplo reconhecimento, que ministra cursos de formação de professores e que serve de modelo a outras instituições, a hipótese foi confirmada ao constatar-se a presença, nesse cenário aparentemente exemplar, dos mesmos alunos difíceis de quaisquer escolas. A tentativa de compreender por que isso ocorria levou às questões que fundamentaram a discussão realizada neste trabalho, quais sejam: que a dificuldade reside na relação entre professor e aluno; que é fruto de um desencontro entre as expectativas da instituição, impressas no docente, e a singularidade e heterogeneidade do alunado; e que há um envolvimento emocional inquestionável no ensino de crianças, que desmente a ideia corrente de a docência ser um trabalho leve, fácil e pouco exigente. Esta dissertação precisou abordar, ainda, o tema paralelo, mas absolutamente ligado à questão, do deslocamento de responsabilidades por parte dos agentes escolares, através de um grande número de encaminhamentos dos chamados alunos difíceis para profissionais de saúde. Longe de querer estabelecer soluções para as dificuldades da escola e dos professores com esses alunos, intencionou-se localizar e legitimar o problema, buscando-se assim contribuir para uma discussão já abordada em outros trabalhos.
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