Educação superior em enfermagem: desafios e possibilidades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Saraiva, Ana Karinne de Moura
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-11112024-143817/
Resumo: Introdução: No projeto civilizatório hegemônico, a educação passou à condição de mercadoria que contribui para a acumulação do capital. Como prática social, a Educação Superior em Enfermagem está articulada a esse contexto, com desafios e possibilidades de resistência ao projeto do capital. Objetivos: Analisar os desafios e as possibilidades da Educação Superior em Enfermagem, considerando o fortalecimento do ideário neoliberal, o neoconservadorismo e a perda de direitos sociais historicamente conquistados. Método: Estudo qualitativo organizado em três movimentos. No primeiro, foram realizadas entrevistas com quatro enfermeiras potiguares reconhecidas nacionalmente pelo envolvimento no Movimento Participação da Enfermagem. No segundo, desenvolveu-se o estudo documental dos Relatórios/Cartas do Seminário Nacional de Diretrizes para Educação em Enfermagem. No terceiro, construiu-se um quadro com a síntese das principais temáticas presentes nas entrevistas e nos documentos. Resultados: Os desafios identificados foram a expansão prioritária de cursos de graduação em Enfermagem em instituições privadas; o crescimento do Ensino a Distância; a expansão de cursos de graduação, em geral desarticulada das necessidades de saúde, do trabalho em Enfermagem e do Sistema Único de Saúde. Acrescenta-se a relação público/privado e seu desdobramento na compreensão de qualidade, na construção das políticas públicas de avaliação para a educação superior, no compromisso social da Universidade e da formação em Enfermagem, bem como nas condições de funcionamento de seus cursos de graduação. Outro desafio é a permanência hegemônica de concepções, princípios e práticas político-pedagógicas conservadores, biomédicos e tecnicistas orientando a educação superior em Enfermagem. Identificou-se ainda a precarização da vida e do trabalho, a perda de direitos sociais historicamente conquistados e o enfraquecimento da organização política da enfermagem. As possibilidades para o enfrentamento desses desafios foram a regulação da expansão e da qualidade dos cursos de graduação em Enfermagem; a ação coletiva para a suspensão imediata dos cursos a distância; o envolvimento da Enfermagem na defesa da Universidade pública e gratuita, comprometida com a sociedade democrática e inclusiva e na construção de políticas públicas de avaliação formativas. Soma-se a isso a discussão coletiva, crítica e contextualizada de saberes e práticas político-pedagógicas que orientam a formação em Enfermagem, assim como o fortalecimento da organização política e a construção de um projeto político para Enfermagem Brasileira. Conclusões: A Educação Superior em Enfermagem no Brasil teve conquistas quanti-qualitativas significativas no que diz respeito ao direito à educação superior com qualidade e pertinência social, comprometida com o SUS. Por outro lado, ainda enfrenta a permanência de um projeto do capital que tem produzido a barbárie e o embrutecimento das condições de vida e trabalho, requerendo ação política coletiva para resistir e enfrentar esse projeto de sociedade.
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No segundo, desenvolveu-se o estudo documental dos Relatórios/Cartas do Seminário Nacional de Diretrizes para Educação em Enfermagem. No terceiro, construiu-se um quadro com a síntese das principais temáticas presentes nas entrevistas e nos documentos. Resultados: Os desafios identificados foram a expansão prioritária de cursos de graduação em Enfermagem em instituições privadas; o crescimento do Ensino a Distância; a expansão de cursos de graduação, em geral desarticulada das necessidades de saúde, do trabalho em Enfermagem e do Sistema Único de Saúde. Acrescenta-se a relação público/privado e seu desdobramento na compreensão de qualidade, na construção das políticas públicas de avaliação para a educação superior, no compromisso social da Universidade e da formação em Enfermagem, bem como nas condições de funcionamento de seus cursos de graduação. Outro desafio é a permanência hegemônica de concepções, princípios e práticas político-pedagógicas conservadores, biomédicos e tecnicistas orientando a educação superior em Enfermagem. Identificou-se ainda a precarização da vida e do trabalho, a perda de direitos sociais historicamente conquistados e o enfraquecimento da organização política da enfermagem. As possibilidades para o enfrentamento desses desafios foram a regulação da expansão e da qualidade dos cursos de graduação em Enfermagem; a ação coletiva para a suspensão imediata dos cursos a distância; o envolvimento da Enfermagem na defesa da Universidade pública e gratuita, comprometida com a sociedade democrática e inclusiva e na construção de políticas públicas de avaliação formativas. Soma-se a isso a discussão coletiva, crítica e contextualizada de saberes e práticas político-pedagógicas que orientam a formação em Enfermagem, assim como o fortalecimento da organização política e a construção de um projeto político para Enfermagem Brasileira. Conclusões: A Educação Superior em Enfermagem no Brasil teve conquistas quanti-qualitativas significativas no que diz respeito ao direito à educação superior com qualidade e pertinência social, comprometida com o SUS. Por outro lado, ainda enfrenta a permanência de um projeto do capital que tem produzido a barbárie e o embrutecimento das condições de vida e trabalho, requerendo ação política coletiva para resistir e enfrentar esse projeto de sociedade.Introduction: In the hegemonic civilizing project, education became a commodity that contributes to the accumulation of capital. As a social practice, Higher Education in Nursing is articulated to this context, with challenges and possibilities of resistance to the capital project. Objectives: To analyze the challenges and possibilities of Higher Education in Nursing, considering the strengthening of neoliberal ideas, the neoconservatism and the loss of historically conquered social rights. Method: Qualitative study organized in three movements. In the first one, interviews were carried out with four Potiguar nurses nationally recognized for their involvement in the Nursing Participation Movement. In the second, a documentary study of the Reports/Letters of the National Seminar on Guidelines for Nursing Education was carried out. In the third, a matrix was built with the synthesis of the main themes presented in the interviews and documents. Results: The identified challenges were the priority expansion of undergraduate nursing courses in private institutions; the growth of Distance Learning; the expansion of undergraduate courses, generally disconnected from health needs, nursing work and the Unified Health System. The public/private relationship and its unfolding in the understanding of quality in the construction of public evaluation policies for Higher Education, in the social commitment of the University and in Nursing training, as well as in the operating conditions of undergraduate Nursing courses are added. Another challenge is the hegemonic permanence of conservative, biomedical and technical concepts, principles and political-pedagogical practices guiding Higher Education in Nursing. It was also identified the precariousness of life and work, the loss of historically conquered social rights and the weakening of the political organization of Nursing. The identified possibilities facing these challenges were the regulation of the expansion and quality of undergraduate Nursing courses; collective action for the immediate suspension of distance courses; the involvement of Nursing in the defense of the public and free University committed to a democratic and inclusive society, and the construction of public policies for formative evaluation. Added to this is the collective, critical and contextualized discussion of knowledge and political-pedagogical practices that guide Nursing training, as well as the strengthening of political organization and the construction of a political project for Brazilian Nursing. Conclusions: Higher Education in Nursing in Brazil has had significant quantitative and qualitative achievements regarding the right to education with quality and social relevance, committed to the Unified Health System. On the other hand, it still faces the permanence of the capital project that has simultaneously produced barbarism and the brutalization of living and working conditions, requiring collective political action to resist and face this project of society.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOliveira, Maria Amelia de CamposSaraiva, Ana Karinne de Moura2022-09-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-11112024-143817/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-28T13:34:02Zoai:teses.usp.br:tde-11112024-143817Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-28T13:34:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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