Propriedades de soluções de polieletrólitos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1994
Autor(a) principal: Rodrigues, Maíra Regina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-24102025-164740/
Resumo: O interesse no estudo de soluções de polieletrólitos deve-se às suas inúmeras aplicações, entre as quais se destaca a utilização desses compostos como possíveis substitutos dos surfactantes na indução da catálise micelar. Dessa forma, torna-se necessária a realização de estudos sobre os microdomínios formados pela dissolução de polieletrólitos em solução aquosa, a região de concentração onde esses microdomínios começam a se formar e as constantes de ligação de reagentes a esses domínios. Este trabalho apresenta-se como uma contribuição para a elucidação de tais propriedades, ainda não completamente definidas. Para isso, propôs-se uma modificação do método de Encinas e Lissi para micelas, o qual considera o número de microdomínios proporcional ao número de equivalentes monoméricos do polieletrólito em solução. A partir dessa modificação, obtiveram-se informações sobre a região de concentração em que os domínios hidrofóbicos começam a se formar e sobre a capacidade de ligação de diversos substratos a esses domínios. Polieletrólitos de diferentes massas moleculares e densidades de carga foram estudados por técnicas viscosimétricas e de espectroscopia de fluorescência. Utilizaram-se as sondas pireno, iodeto de 1-pirenometiltrimetilamônio, 9-metilantraceno e safranina, cujas fluorescências foram suprimidas por moléculas neutras orgânicas e íons metálicos. A concentração de agregação crítica (CAC) ou seja, a região de concentração onde os domínios hidrofóbicos começam a se formar não apresentou dependência com a massa molecular dos polieletrólitos, mas mostrou-se dependente da densidade de carga sobre as cadeias. Verificou-se que a formação dos domínios ocorre em concentrações maiores quanto maior a densidade de carga. Os valores de CAC foram confirmados pelas medidas viscosimétricas. As constantes de ligação dos íons metálicos aos polieletrólitos, apresentadas na tabela a seguir, mostraram-se dependentes da atmosfera iônica sentida pelos íons metálicos e, portanto, da densidade de carga sobre cada macromolécula. Entretanto, verificou-se que essas constantes são independentes da massa molecular (MM) do polieletrólito, da carga do íon e da força iônica do meio. Para moléculas neutras, observou-se uma dependência das constantes de ligação com a solubilidade dessas moléculas nos domínios hidrofóbicos. As constantes de ligação (K) dos supressores iônicos aos polieletrólitos mostraram valores distintos conforme o tipo de íon e a massa molecular das amostras estudadas. Para o íon Fe3+, obteve-se um valor de K = 160 ± 11 L·mol-1. O íon Pb2+ apresentou K = 93 ± 7 L·mol-1 para uma das amostras e 697 ± 49 L·mol-1 para a de maior massa molecular. O íon Cu2+ apresentou valores de 40 ± 3 e 38 ± 3 L·mol-1, enquanto Ni2+ apresentou 33 ± 2, 111 ± 8 e 225 ± 16 L·mol-1, dependendo da massa molecular do polieletrólito. Para Cs+, observaram-se valores de 27 ± 2, 33 ± 2 e 94 ± 7 L·mol-1, e para Co2+, de 24 ± 2, 30 ± 2 e 201 ± 14 L·mol-1. O íon Cr3+ apresentou um valor de 162 ± 11 L·mol-1, enquanto Na apresentou 15 ± 1 L·mol-1. Por fim, o íon Al3+ apresentou valores de 4,4 ± 0,3 e 4,1 ± 0,3 L·mol-1, nas diferentes massas moleculares estudadas. Esses resultados indicam que as constantes de ligação variam de acordo com a densidade de carga das macromoléculas e o tipo de íon, mas não apresentam dependência significativa com a massa molecular, a carga do íon ou a força iônica do meio.
id USP_8cc5b0c8b9b91fff6a99f7c43b686295
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-24102025-164740
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Propriedades de soluções de polieletrólitosProperties of polyelectrolyte solutionsaqueous solutionscondutividade elétricaelectrical conductivityinteração iônicaionic interactionphysicochemical propertiespolieletrólitospolyelectrolytespropriedades físico-químicassoluções aquosasviscosidadeviscosityO interesse no estudo de soluções de polieletrólitos deve-se às suas inúmeras aplicações, entre as quais se destaca a utilização desses compostos como possíveis substitutos dos surfactantes na indução da catálise micelar. Dessa forma, torna-se necessária a realização de estudos sobre os microdomínios formados pela dissolução de polieletrólitos em solução aquosa, a região de concentração onde esses microdomínios começam a se formar e as constantes de ligação de reagentes a esses domínios. Este trabalho apresenta-se como uma contribuição para a elucidação de tais propriedades, ainda não completamente definidas. Para isso, propôs-se uma modificação do método de Encinas e Lissi para micelas, o qual considera o número de microdomínios proporcional ao número de equivalentes monoméricos do polieletrólito em solução. A partir dessa modificação, obtiveram-se informações sobre a região de concentração em que os domínios hidrofóbicos começam a se formar e sobre a capacidade de ligação de diversos substratos a esses domínios. Polieletrólitos de diferentes massas moleculares e densidades de carga foram estudados por técnicas viscosimétricas e de espectroscopia de fluorescência. Utilizaram-se as sondas pireno, iodeto de 1-pirenometiltrimetilamônio, 9-metilantraceno e safranina, cujas fluorescências foram suprimidas por moléculas neutras orgânicas e íons metálicos. A concentração de agregação crítica (CAC) ou seja, a região de concentração onde os domínios hidrofóbicos começam a se formar não apresentou dependência com a massa molecular dos polieletrólitos, mas mostrou-se dependente da densidade de carga sobre as cadeias. Verificou-se que a formação dos domínios ocorre em concentrações maiores quanto maior a densidade de carga. Os valores de CAC foram confirmados pelas medidas viscosimétricas. As constantes de ligação dos íons metálicos aos polieletrólitos, apresentadas na tabela a seguir, mostraram-se dependentes da atmosfera iônica sentida pelos íons metálicos e, portanto, da densidade de carga sobre cada macromolécula. Entretanto, verificou-se que essas constantes são independentes da massa molecular (MM) do polieletrólito, da carga do íon e da força iônica do meio. Para moléculas neutras, observou-se uma dependência das constantes de ligação com a solubilidade dessas moléculas nos domínios hidrofóbicos. As constantes de ligação (K) dos supressores iônicos aos polieletrólitos mostraram valores distintos conforme o tipo de íon e a massa molecular das amostras estudadas. Para o íon Fe3+, obteve-se um valor de K = 160 ± 11 L·mol-1. O íon Pb2+ apresentou K = 93 ± 7 L·mol-1 para uma das amostras e 697 ± 49 L·mol-1 para a de maior massa molecular. O íon Cu2+ apresentou valores de 40 ± 3 e 38 ± 3 L·mol-1, enquanto Ni2+ apresentou 33 ± 2, 111 ± 8 e 225 ± 16 L·mol-1, dependendo da massa molecular do polieletrólito. Para Cs+, observaram-se valores de 27 ± 2, 33 ± 2 e 94 ± 7 L·mol-1, e para Co2+, de 24 ± 2, 30 ± 2 e 201 ± 14 L·mol-1. O íon Cr3+ apresentou um valor de 162 ± 11 L·mol-1, enquanto Na apresentou 15 ± 1 L·mol-1. Por fim, o íon Al3+ apresentou valores de 4,4 ± 0,3 e 4,1 ± 0,3 L·mol-1, nas diferentes massas moleculares estudadas. Esses resultados indicam que as constantes de ligação variam de acordo com a densidade de carga das macromoléculas e o tipo de íon, mas não apresentam dependência significativa com a massa molecular, a carga do íon ou a força iônica do meio.The interest in studies of polyelectrolyte solutions is due to their numerous applications, such as the potential to replace surfactants in micellar catalysis. A considerable number of studies have reported on the determination and characterization of microdomain formation by the dissolution of polyelectrolytes in aqueous solution. However, few studies address the concentration regions where these microdomains begin to form, and there are limited reports on the binding constants of ions and neutral molecules to these domains. The aim of the present study is to contribute to the elucidation of these still poorly defined properties. We proposed a modification of the Encinas and Lissi method, considering that the number of microdomains is proportional to the equivalents of charged monomers of the polyelectrolyte in solution. From this approach, information was obtained on the concentration region where hydrophobic microdomains start to form and on the binding ability of various substrates to the polyelectrolytes. Polyelectrolytes of different molecular weights and charge densities were studied using viscosimetry and fluorescence spectroscopy, employing pyrene, 1-pyrenemethyltrimethylammonium iodide, 9-methylanthracene, and safranine as fluorescent probes, with neutral organic molecules and metallic ions as quenchers. The critical aggregation concentrations (CAC), or the concentration regions where hydrophobic domains begin to form, did not show dependence on the molecular weight of the polyelectrolytes but did depend on the charge density along the chains. Higher charge density corresponded to higher CAC values. The CAC values were confirmed by viscosimetric measurements. The binding constants of metallic ions to polyelectrolytes depend on the ionic environment around the ions and on the charge density of the macromolecules. They are independent of the molecular weight of the polyelectrolytes, the ion charge, and the ionic strength of the medium. For neutral molecules, the binding constants depend on their solubility within the hydrophobic domains. The binding constants (K) of metallic ions to the polyelectrolytes were observed as follows: Fe3+: 160 ± 11 L·mol-1; Pb2+: 93 ± 7 and 697 ± 49 L·mol-1 (depending on molecular weight); Cu2+: 40 ± 3 and 38 ± 3 L·mol-1; Ni2+: 33 ± 2, 111 ± 8, and 225 ± 16 L·mol-1; Cs: 27 ± 2, 33 ± 2, and 94 ± 7 L·mol-1; Co2+: 24 ± 2, 30 ± 2, and 201 ± 14 L·mol-1; Cr3+: 162 ± 11 L·mol-1; Na: 15 ± 1 L·mol-1; Al3+: 4.4 ± 0.3 and 4.1 ± 0.3 L·mol-1. These results indicate that binding constants vary with the charge density of the macromolecule and the type of ion but are largely independent of the polyelectrolyte molecular weight, the ionic strength of the medium, or the ion charge.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNeumann, Miguel GuillermoRodrigues, Maíra Regina1994-12-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-24102025-164740/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-29T18:30:08Zoai:teses.usp.br:tde-24102025-164740Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-29T18:30:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Propriedades de soluções de polieletrólitos
Properties of polyelectrolyte solutions
title Propriedades de soluções de polieletrólitos
spellingShingle Propriedades de soluções de polieletrólitos
Rodrigues, Maíra Regina
aqueous solutions
condutividade elétrica
electrical conductivity
interação iônica
ionic interaction
physicochemical properties
polieletrólitos
polyelectrolytes
propriedades físico-químicas
soluções aquosas
viscosidade
viscosity
title_short Propriedades de soluções de polieletrólitos
title_full Propriedades de soluções de polieletrólitos
title_fullStr Propriedades de soluções de polieletrólitos
title_full_unstemmed Propriedades de soluções de polieletrólitos
title_sort Propriedades de soluções de polieletrólitos
author Rodrigues, Maíra Regina
author_facet Rodrigues, Maíra Regina
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Neumann, Miguel Guillermo
dc.contributor.author.fl_str_mv Rodrigues, Maíra Regina
dc.subject.por.fl_str_mv aqueous solutions
condutividade elétrica
electrical conductivity
interação iônica
ionic interaction
physicochemical properties
polieletrólitos
polyelectrolytes
propriedades físico-químicas
soluções aquosas
viscosidade
viscosity
topic aqueous solutions
condutividade elétrica
electrical conductivity
interação iônica
ionic interaction
physicochemical properties
polieletrólitos
polyelectrolytes
propriedades físico-químicas
soluções aquosas
viscosidade
viscosity
description O interesse no estudo de soluções de polieletrólitos deve-se às suas inúmeras aplicações, entre as quais se destaca a utilização desses compostos como possíveis substitutos dos surfactantes na indução da catálise micelar. Dessa forma, torna-se necessária a realização de estudos sobre os microdomínios formados pela dissolução de polieletrólitos em solução aquosa, a região de concentração onde esses microdomínios começam a se formar e as constantes de ligação de reagentes a esses domínios. Este trabalho apresenta-se como uma contribuição para a elucidação de tais propriedades, ainda não completamente definidas. Para isso, propôs-se uma modificação do método de Encinas e Lissi para micelas, o qual considera o número de microdomínios proporcional ao número de equivalentes monoméricos do polieletrólito em solução. A partir dessa modificação, obtiveram-se informações sobre a região de concentração em que os domínios hidrofóbicos começam a se formar e sobre a capacidade de ligação de diversos substratos a esses domínios. Polieletrólitos de diferentes massas moleculares e densidades de carga foram estudados por técnicas viscosimétricas e de espectroscopia de fluorescência. Utilizaram-se as sondas pireno, iodeto de 1-pirenometiltrimetilamônio, 9-metilantraceno e safranina, cujas fluorescências foram suprimidas por moléculas neutras orgânicas e íons metálicos. A concentração de agregação crítica (CAC) ou seja, a região de concentração onde os domínios hidrofóbicos começam a se formar não apresentou dependência com a massa molecular dos polieletrólitos, mas mostrou-se dependente da densidade de carga sobre as cadeias. Verificou-se que a formação dos domínios ocorre em concentrações maiores quanto maior a densidade de carga. Os valores de CAC foram confirmados pelas medidas viscosimétricas. As constantes de ligação dos íons metálicos aos polieletrólitos, apresentadas na tabela a seguir, mostraram-se dependentes da atmosfera iônica sentida pelos íons metálicos e, portanto, da densidade de carga sobre cada macromolécula. Entretanto, verificou-se que essas constantes são independentes da massa molecular (MM) do polieletrólito, da carga do íon e da força iônica do meio. Para moléculas neutras, observou-se uma dependência das constantes de ligação com a solubilidade dessas moléculas nos domínios hidrofóbicos. As constantes de ligação (K) dos supressores iônicos aos polieletrólitos mostraram valores distintos conforme o tipo de íon e a massa molecular das amostras estudadas. Para o íon Fe3+, obteve-se um valor de K = 160 ± 11 L·mol-1. O íon Pb2+ apresentou K = 93 ± 7 L·mol-1 para uma das amostras e 697 ± 49 L·mol-1 para a de maior massa molecular. O íon Cu2+ apresentou valores de 40 ± 3 e 38 ± 3 L·mol-1, enquanto Ni2+ apresentou 33 ± 2, 111 ± 8 e 225 ± 16 L·mol-1, dependendo da massa molecular do polieletrólito. Para Cs+, observaram-se valores de 27 ± 2, 33 ± 2 e 94 ± 7 L·mol-1, e para Co2+, de 24 ± 2, 30 ± 2 e 201 ± 14 L·mol-1. O íon Cr3+ apresentou um valor de 162 ± 11 L·mol-1, enquanto Na apresentou 15 ± 1 L·mol-1. Por fim, o íon Al3+ apresentou valores de 4,4 ± 0,3 e 4,1 ± 0,3 L·mol-1, nas diferentes massas moleculares estudadas. Esses resultados indicam que as constantes de ligação variam de acordo com a densidade de carga das macromoléculas e o tipo de íon, mas não apresentam dependência significativa com a massa molecular, a carga do íon ou a força iônica do meio.
publishDate 1994
dc.date.none.fl_str_mv 1994-12-07
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-24102025-164740/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-24102025-164740/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Liberar o conteúdo para acesso público.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1848370477159940096