Theodor W. Adorno e a heresia do jazz: as fissuras dialéticas de um objeto que ultrapassou a crítica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-145736/ |
Resumo: | Essa tese se debruça criticamente sobre a análise do jazz empreendida por Theodor W. Adorno. Ao longo de seus escritos sobre o tema, que vão desde a década de 1930 até meados dos anos 1950, o autor descreveu o jazz como o epíteto da música comercial, padronizada e avessa às conquistas artísticas de seu tempo. Apesar do jazz com o qual Adorno travou contato nas primeiras décadas do séc. XX fosse majoritariamente esvaziado de características mais disruptivas, essa situação se alterou profundamente no pós-guerra, a partir do bebop e do free jazz. A avaliação negativa do autor em relação ao jazz mesmo diante desse novo cenário, porém, manteve-se fundamentalmente a mesma. Assim, defendemos que sua crítica tomou o objeto de modo muito monolítico sem se atentar para as suas fissuras. Com as profundas transformações sofridas pelo jazz e a centralidade do seu elemento herético e radical, o objeto acabou por ultrapassar a crítica. Por meio da improvisação livre e, como consequência, de um ideal de sujeito descentrado e aberto ao diálogo intersubjetivo com os demais músicos, as formas mais radicais do jazz passaram a elaborar um tipo de prática musical processual e aberta, abolindo a separação entre composição e performance e ampliando consideravelmente as possibilidades melódicas, harmônicas e rítmicas. Desse modo, o \"jazz não estabilizado\" tensionou muitos dos pressupostos da concepção adorniana de obra de arte. Os limites da crítica adorniana ao jazz, desse modo, dizem respeito aos próprios limites de sua estética. Por outro lado, defendemos que o jazz ofereceu uma resposta alternativa, e não concorrente, à noção de arte autônoma de Adorno. Nessa perspectiva, buscamos ler Adorno à contrapelo, buscando em sua extensa obra respostas para os limites de sua crítica ao jazz. Para isso, a pesquisa acompanha detalhadamente não só toda a produção textual de Adorno sobre o tema, como adentra na história do jazz e de sua diversidade |
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Theodor W. Adorno e a heresia do jazz: as fissuras dialéticas de um objeto que ultrapassou a críticaTheodor W. Adorno and the heresy of jazz: the dialectical fractures of an object that surpassed critiqueCrítica musicalCritical theory of societyCulture industryIndústria culturalJazzJazzMusical critiqueTeoria crítica da sociedadeTheodor W. AdornoTheodor W. AdornoEssa tese se debruça criticamente sobre a análise do jazz empreendida por Theodor W. Adorno. Ao longo de seus escritos sobre o tema, que vão desde a década de 1930 até meados dos anos 1950, o autor descreveu o jazz como o epíteto da música comercial, padronizada e avessa às conquistas artísticas de seu tempo. Apesar do jazz com o qual Adorno travou contato nas primeiras décadas do séc. XX fosse majoritariamente esvaziado de características mais disruptivas, essa situação se alterou profundamente no pós-guerra, a partir do bebop e do free jazz. A avaliação negativa do autor em relação ao jazz mesmo diante desse novo cenário, porém, manteve-se fundamentalmente a mesma. Assim, defendemos que sua crítica tomou o objeto de modo muito monolítico sem se atentar para as suas fissuras. Com as profundas transformações sofridas pelo jazz e a centralidade do seu elemento herético e radical, o objeto acabou por ultrapassar a crítica. Por meio da improvisação livre e, como consequência, de um ideal de sujeito descentrado e aberto ao diálogo intersubjetivo com os demais músicos, as formas mais radicais do jazz passaram a elaborar um tipo de prática musical processual e aberta, abolindo a separação entre composição e performance e ampliando consideravelmente as possibilidades melódicas, harmônicas e rítmicas. Desse modo, o \"jazz não estabilizado\" tensionou muitos dos pressupostos da concepção adorniana de obra de arte. Os limites da crítica adorniana ao jazz, desse modo, dizem respeito aos próprios limites de sua estética. Por outro lado, defendemos que o jazz ofereceu uma resposta alternativa, e não concorrente, à noção de arte autônoma de Adorno. Nessa perspectiva, buscamos ler Adorno à contrapelo, buscando em sua extensa obra respostas para os limites de sua crítica ao jazz. Para isso, a pesquisa acompanha detalhadamente não só toda a produção textual de Adorno sobre o tema, como adentra na história do jazz e de sua diversidadeThis thesis critically examines Theodor W. Adorno\'s analysis of jazz. Throughout his writings on the subject, spanning from the 1930s to the mid-1950s, Adorno described jazz as the epitome of commercial music, standardized and antithetical to the artistic achievements of his time. Although the jazz Adorno encountered during the early 20th century was largely stripped of its more disruptive characteristics, this situation changed profoundly in the post-war era with the emergence of bebop and free jazz. However, Adorno\'s negative evaluation of jazz remained fundamentally unchanged even in this new context. Thus, we argue that his critique approached the subject in a highly monolithic manner failing to account for its internal fissures. With the profound transformations in jazz and the centrality of its heretical and radical elements, the object ultimately surpassed the critique. Through free improvisation and, consequently, an ideal of a decentered subject open to intersubjective dialogue with other musicians, the most radical forms of jazz developed a type of open and processual musical practice. This practice abolished the separation between composition and performance, significantly expanding melodic, harmonic, and rhythmic possibilities. In this way, \"unstabilized jazz\" challenged many of the assumptions underlying Adorno\'s conception of the artwork. The limitations of Adorno\'s critique of jazz, therefore, reflect the broader limits of his aesthetic theory. On the other hand, we argue that jazz offered an alternative – not competing – response to Adorno\'s notion of autonomous art. From this perspective, we aim to read Adorno against the grain, seeking in his extensive body of work answers to the limits of his critique of jazz. To this end, the research not only closely examines all of Adorno\'s writings on the subject but also delves into the history of jazz and its diversityBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMusse, RicardoEstevez, Lucas Fiaschetti2025-04-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-145736/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-26T18:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-26062025-145736Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-26T18:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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