Relevância do estudo da autoimunidade em epilepsias farmacorresistentes: avaliação de prova de conceito

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Frezatti, Tomásia Oliveira de Holanda Monteiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-14072025-114951/
Resumo: A epilepsia é uma desordem cerebral que afeta de 0,5% a 1% da população mundial, na qual um em cada três casos não tem etiologia definida e 30% dos pacientes não alcançam um controle de suas crises mesmo com o uso adequado de medicamentos anticrise. Dentre esses casos farmacorresistentes, estudos têm mostrado que alguns pacientes possuem etiologia imune. O conceito de epilepsia associada à autoimunidade engloba a epilepsia mediada por anticorpos, além de outras desordens como a Encefalite de Rasmussen. O presente estudo visa discutir a relevância e a aplicabilidade da investigação de aspectos da autoimunidade em pacientes adultos com epilepsia farmacorresistente e etiologia desconhecida. O estudo incluiu 26 pacientes, avaliados com exames laboratoriais (PCR, VHS, FTAbs, anti-TPO, FAN, fator reumatoide e dosagem de complemento), ressonância magnética de encéfalo, eletroencefalograma e líquor, além dos escores APE2 e ACES. A amostra incluiu 12 pacientes do sexo feminino (46,15%) e 14 do masculino (53,85%), com idades entre 18 e 66 anos. O tempo de evolução da epilepsia teve mediana de 18,5 anos (3-50 anos). Os achados de EEG foram inespecíficos. Uma paciente recebeu o diagnóstico de provável displasia cortical após a nova RM e 6/26 pacientes, que tinham exame inicial normal ou com achados inespecíficos, evoluíram com alterações na região mesial temporal (5 sutis e 1 esclerose mesial temporal bilateral). Uma paciente apresentou anti-TPO positivo e 7/26 dos pacientes tiveram FAN reagente. A proteinorraquia teve mediana de 46 mg/dl (IIQ: 34,75-60,75 mg/dL), com bandas oligoclonais positivas em 13,6% (3/22) dos pacientes e o índice de IgG aumentado em 18,18% (4/22). O escore APE2 foi ≥ 4 em 15/26 (57,69%) pacientes e o escore ACES foi ≥ 2 em 3/26 pacientes (11,5%). Uma paciente realizou um painel para testagem de anticorpos no LCR e confirmou a positividade para anti-GAD65. Esse estudo confirma a relevância da investigação de epilepsia associada à autoimunidade em pacientes farmacorresistentes com etiologia desconhecida, identificando pacientes que podem se beneficiar da testagem de autoanticorpos. O custo da investigação pode ser reduzido se a testagem for direcionada a pacientes com maior probabilidade pré-teste, podendo a avaliação laboratorial incluir exames relativamente acessíveis, como testagem de FAN, anti-TPO e LCR com celularidade e pesquisa de bandas oligoclonais. Além disso, a implementação de protocolos de triagem direcionados para o perfil de pacientes e adaptados para a realidade local pode ser fundamental.
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O presente estudo visa discutir a relevância e a aplicabilidade da investigação de aspectos da autoimunidade em pacientes adultos com epilepsia farmacorresistente e etiologia desconhecida. O estudo incluiu 26 pacientes, avaliados com exames laboratoriais (PCR, VHS, FTAbs, anti-TPO, FAN, fator reumatoide e dosagem de complemento), ressonância magnética de encéfalo, eletroencefalograma e líquor, além dos escores APE2 e ACES. A amostra incluiu 12 pacientes do sexo feminino (46,15%) e 14 do masculino (53,85%), com idades entre 18 e 66 anos. O tempo de evolução da epilepsia teve mediana de 18,5 anos (3-50 anos). Os achados de EEG foram inespecíficos. Uma paciente recebeu o diagnóstico de provável displasia cortical após a nova RM e 6/26 pacientes, que tinham exame inicial normal ou com achados inespecíficos, evoluíram com alterações na região mesial temporal (5 sutis e 1 esclerose mesial temporal bilateral). Uma paciente apresentou anti-TPO positivo e 7/26 dos pacientes tiveram FAN reagente. A proteinorraquia teve mediana de 46 mg/dl (IIQ: 34,75-60,75 mg/dL), com bandas oligoclonais positivas em 13,6% (3/22) dos pacientes e o índice de IgG aumentado em 18,18% (4/22). O escore APE2 foi ≥ 4 em 15/26 (57,69%) pacientes e o escore ACES foi ≥ 2 em 3/26 pacientes (11,5%). Uma paciente realizou um painel para testagem de anticorpos no LCR e confirmou a positividade para anti-GAD65. Esse estudo confirma a relevância da investigação de epilepsia associada à autoimunidade em pacientes farmacorresistentes com etiologia desconhecida, identificando pacientes que podem se beneficiar da testagem de autoanticorpos. O custo da investigação pode ser reduzido se a testagem for direcionada a pacientes com maior probabilidade pré-teste, podendo a avaliação laboratorial incluir exames relativamente acessíveis, como testagem de FAN, anti-TPO e LCR com celularidade e pesquisa de bandas oligoclonais. Além disso, a implementação de protocolos de triagem direcionados para o perfil de pacientes e adaptados para a realidade local pode ser fundamental.Epilepsy is a brain disorder that affects 0.5% to 1% of the global population, with one in three cases having unknown etiology and 30% of patients failing to achieve seizure control despite appropriate use of antiseizure drugs. Among these drug-resistant cases, studies indicate that some patients have an immune-related etiology. The concept of autoimmunity-associated epilepsy encompasses antibody-mediated epilepsy plus other disorders such as Rasmussen\'s encephalitis. This study aims to discuss the relevance and applicability of investigating autoimmunity in adult patients with drug-resistant epilepsy of unknown etiology. The study included 26 patients who underwent laboratory tests (PCR, ESR, FTAbs, anti-TPO, ANA, rheumatoid factor, and complement levels), brain MRI, electroencephalogram (EEG), and cerebrospinal fluid (CSF) analysis, in addition to APE2 and ACES scores. The sample included 12 female patients (46.15%) and 14 male patients (53.85%), aged between 18 and 66 years. The duration of epilepsy had a median of 18.5 years (range: 3-50 years). EEG\'s findings were nonspecific. One patient was diagnosed with probable cortical dysplasia after a new MRI, and 6 out of 26 patients, who initially had normal or nonspecific MRI findings, developed alterations in the mesial temporal region (5 subtle changes and 1 with bilateral hippocampal atrophy). One patient tested positive for anti-TPO, and 7 out of 26 patients had positive ANA results. The CSF protein concentration had a median of 46 mg/dL (IQR: 34.75-60.75 mg/dL), with oligoclonal bands present in 13.6% (3/22) of patients and an increased IgG index in 18.18% (4/22). The APE2 score was ≥ 4 in 15 out of 26 (57.69%) patients, while the ACES score was ≥ 2 in 3 out of 26 patients (11.5%). One patient underwent antibody panel testing in the CSF and confirmed antiGAD65 positivity. This study confirms the relevance of investigating autoimmunity in patients with drug-resistant epilepsy of unknown etiology, demonstrating that some patients may benefit from autoantibody testing. The cost of investigation can be reduced if testing is targeted to patients with a higher pre-test probability, and laboratory evaluations tailoring to include accessible tests, such as ANA and anti-TPO screening, as well as CSF analysis for cell count and oligoclonal band detection. Moreover, the use of screening protocols tailored to patient profiles and adapted to local realities may be essential.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSakamoto, Américo CeikiFrezatti, Tomásia Oliveira de Holanda Monteiro2025-04-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-14072025-114951/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-24T18:45:02Zoai:teses.usp.br:tde-14072025-114951Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-24T18:45:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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