Sintomas psicóticos em uma amostra comunitária de idosos sem demência da cidade de São Paulo: incidência e fatores de risco

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Soares, Walter Barbalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-11092017-083150/
Resumo: Pouco se sabe sobre a presença de sintomas psicóticos em idosos sem diagnóstico de demência, levando a dificuldades no esclarecimento da etiologia, na ausência de informações quanto a possíveis diagnósticos e no manejo clínico. Os estudos sobre a incidência de sintomas psicóticos nessa população são ainda mais escassos e limitados. Os dados disponíveis na literatura são todos provenientes de estudos em populações de países desenvolvidos. A prevalência de sintomas psicóticos em idosos sem diagnóstico de demência varia de 0,9 a 10,5%, já a incidência na literatura varia entre 4,8 e 8,0%. É possível especular sobre alguns fatores de risco para o desenvolvimento de sintomas psicóticos em indivíduos sem demência: idade avançada, gênero feminino, comprometimento sensorial, pior desempenho cognitivo, isolamento social, pior funcionalidade. Dados recentes sugerem os sintomas psicóticos como uma expressão prodrômica da demência, devido a sintomas como alucinações, delírios e ideação paranoide estarem associados ao aumento da incidência de demência no acompanhamento, à maior presença deles à medida que a faixa etária sobe e à menor média no escore do Miniexame do Estado Mental (MEEM) em indivíduos com tais sintomas. Objetivamos determinar a incidência de sintomas psicóticos, correlacioná-los com características clínicas e estabelecer uma taxa de conversão em idosos sem comprometimento cognitivo. Este estudo foi realizado em uma amostra de idosos de comunidade de São Paulo, sendo a amostra inicial composta por 1.125 indivíduos acima de 60 anos. Destes, 547 foram reavaliados em 2011 e submetidos ao mesmo protocolo inicial. Não tinham sintomas psicóticos na primeira fase 199 e 64 já possuíam em 2006. A incidência de ao menos um sintoma psicótico em 7 anos foi 8,0% (alucinações visuais/táteis: 4,5%; ideias persecutórias: 3,0%; alucinações auditivas: 2,5%). A incidência esteve relacionada à epilepsia (OR: 7,75 e 15,83), baixa pontuação no MEEM (OR: 0,72) e depressão referida (OR: 6,48). 57,8% dos indivíduos com sintomas psicóticos, mas sem demência na fase I, desenvolveram comprometimento cognitivo em 7 anos (alucinações visuais/táteis foram preditivas - OR: 5,66), o que estava relacionado a baixo MEEM e comprometimento funcional. A incidência de sintomas psicóticos e a taxa de conversão em comprometimento cognitivo estão no limite superior dos dados da literatura. Alucinações visuais/táteis foram os sintomas mais incidentes e os únicos preditivos para a evolução para comprometimento cognitivo em 5 anos. Encontramos importantes relações entre sintomas psicóticos e MEEM, crises convulsivas, depressão referida, diabetes e sífilis
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A prevalência de sintomas psicóticos em idosos sem diagnóstico de demência varia de 0,9 a 10,5%, já a incidência na literatura varia entre 4,8 e 8,0%. É possível especular sobre alguns fatores de risco para o desenvolvimento de sintomas psicóticos em indivíduos sem demência: idade avançada, gênero feminino, comprometimento sensorial, pior desempenho cognitivo, isolamento social, pior funcionalidade. Dados recentes sugerem os sintomas psicóticos como uma expressão prodrômica da demência, devido a sintomas como alucinações, delírios e ideação paranoide estarem associados ao aumento da incidência de demência no acompanhamento, à maior presença deles à medida que a faixa etária sobe e à menor média no escore do Miniexame do Estado Mental (MEEM) em indivíduos com tais sintomas. Objetivamos determinar a incidência de sintomas psicóticos, correlacioná-los com características clínicas e estabelecer uma taxa de conversão em idosos sem comprometimento cognitivo. Este estudo foi realizado em uma amostra de idosos de comunidade de São Paulo, sendo a amostra inicial composta por 1.125 indivíduos acima de 60 anos. Destes, 547 foram reavaliados em 2011 e submetidos ao mesmo protocolo inicial. Não tinham sintomas psicóticos na primeira fase 199 e 64 já possuíam em 2006. A incidência de ao menos um sintoma psicótico em 7 anos foi 8,0% (alucinações visuais/táteis: 4,5%; ideias persecutórias: 3,0%; alucinações auditivas: 2,5%). A incidência esteve relacionada à epilepsia (OR: 7,75 e 15,83), baixa pontuação no MEEM (OR: 0,72) e depressão referida (OR: 6,48). 57,8% dos indivíduos com sintomas psicóticos, mas sem demência na fase I, desenvolveram comprometimento cognitivo em 7 anos (alucinações visuais/táteis foram preditivas - OR: 5,66), o que estava relacionado a baixo MEEM e comprometimento funcional. A incidência de sintomas psicóticos e a taxa de conversão em comprometimento cognitivo estão no limite superior dos dados da literatura. Alucinações visuais/táteis foram os sintomas mais incidentes e os únicos preditivos para a evolução para comprometimento cognitivo em 5 anos. Encontramos importantes relações entre sintomas psicóticos e MEEM, crises convulsivas, depressão referida, diabetes e sífilisBackground: Studies of the incidence of psychotic symptoms in elderly people at risk of dementia are scarce. This is a seven year follow up study aiming to determine the incidence of psychotic symptoms and their correlation with other clinical aspects as well as conversion rates to cognitive impairment. Objectives: To determine the incidence of psychotic symptoms, correlate these symptoms with clinical characteristics and establish the conversion rate to cognitively impaired individuals. Design: Cross-sectional study of a community-based sample of elderly subjects. Setting: City of Sao Paulo, State of Sao Paulo, Brazil. Participants: The original sample was composed of 1,125 individuals aged 60 years and older from a community. Among this sample, 547 subjects were re-evaluated in 2011 and submitted to the same protocol. Of these, 199 did not have psychotic symptoms at phase I and 64 already had psychotic symptoms in 2006. Results: The incidence of at least one psychotic symptom in 7 years was 8.0% (Visual/tactile hallucinations: 4.5%; Persecutory delusions: 3.0%; Auditory hallucinations: 2.5%). Psychotic symptom incidence was associated with epilepsy (OR: 7.75 and 15.83), lower MMSE (OR: 0.72) and reported depression (OR: 6.48). A total of 57.8% of individuals with psychotic symptoms but without dementia at phase I developed cognitive impairment after 7 years (visual/tactile hallucinations were the only psychotic symptom predictive of this impairment - OR: 5.66), which was related to lower MMSE and increased functional impairment. Conclusions: The incidence of psychotic symptoms and the conversion rate to cognitive impairment was in the upper range of previous literature reports. Visual/tactile hallucinations were the most incident symptoms and the only predictive psychotic symptoms for cognitive impairment in 5 years. Important relationships were found between psychotic symptoms incidence and MMSE, epilepsy, reported depression, diabetes and syphilisBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPElkis, HelioSoares, Walter Barbalho2017-06-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-11092017-083150/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2018-07-17T16:38:18Zoai:teses.usp.br:tde-11092017-083150Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212018-07-17T16:38:18Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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