Avaliação do surto de febre amarela silvestre e da vacinação para febre amarela na Região do Vale do Ribeira São Paulo, nos anos de 2018 e 2019, pela perspectiva de comunidades quilombolas
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5134/tde-29042025-140235/ |
Resumo: | Introdução: o Brasil enfrentou, entre 2016 e 2019, o mais importante surto de febre amarela (FA) das últimas décadas. Em 2019, os casos concentraram-se na Região do Vale do Ribeira São Paulo, na qual habitam comunidades rurais quilombolas. Estas podem ter a sua origem em escravizados fugitivos, libertos ou abandonados em meados do século XIX. Eles tradicionalmente praticam a agricultura de subsistência. Objetivo: descrever as características do surto de FA e da vacinação para FA na Região do Vale do Ribeira - SP, pela perspectiva de comunidades quilombolas. Métodos: estudo quantitativo, transversal, descritivo do tipo inquérito, com análise qualitativa exploratória, realizado em duas comunidades quilombolas na Região do Vale do Ribeira (Sapatu e Nhunguara). Para a análise qualitativa do conteúdo obtido nas transcrições das entrevistas, foram utilizados os princípios da análise temática; posteriormente, interpretados de acordo com o Theoretical Domains Framework (TDF), para identificar e categorizar os facilitadores e barreiras relatados à vacinação para FA. Resultados: foram incluídos 226 participantes: 46% do sexo masculino, mediana de idade de 44 anos. Oitenta participantes relataram adoecimento agudo durante o surto; febre, cefaleia, mialgia e náusea foram os sintomas mais comuns. Apenas oito participantes tiveram FA confirmada laboratorialmente e foram oficialmente notificados; todos casos com necessidade de internação hospitalar. Os participantes relataram vacinação para FA em 96,5% das entrevistas. Dos vacinados: menos de dois terços receberam a primeira dose de vacina antes do primeiro caso de FA na Região do Vale do Ribeira; mais de um terço receberam a primeira dose de vacina após a morte de um líder comunitário local, em janeiro de 2019. Os temas identificados como barreiras e facilitadores à vacinação foram: preocupação com a vacina de FA, dificuldade de acesso à saúde, percepção do risco da doença, conhecimento sobre a gravidade da doença, crenças culturais e influência de lideranças. Conclusões: as comunidades quilombolas possuem características socioculturais únicas e os líderes comunitários tiveram um papel significativo na definição das decisões sobre vacinação. O surto na Região do Vale do Ribeira poderia ter sido evitado com a melhor compreensão do processo de tomada de decisão sobre vacinação, influenciado por fatores individuais, socioculturais e contextuais |
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Avaliação do surto de febre amarela silvestre e da vacinação para febre amarela na Região do Vale do Ribeira São Paulo, nos anos de 2018 e 2019, pela perspectiva de comunidades quilombolasPerspective of quilombola communities on the yellow fever outbreak and vaccination in Ribeira Valley Region Sao Paulo, in 2018 and 2019Febre amarelaPopulação ruralQuilombola communitiesQuilombolasRural populationVaccinationVacina contra febre amarelaVacinaçãoYellow feverYellow fever vaccineIntrodução: o Brasil enfrentou, entre 2016 e 2019, o mais importante surto de febre amarela (FA) das últimas décadas. Em 2019, os casos concentraram-se na Região do Vale do Ribeira São Paulo, na qual habitam comunidades rurais quilombolas. Estas podem ter a sua origem em escravizados fugitivos, libertos ou abandonados em meados do século XIX. Eles tradicionalmente praticam a agricultura de subsistência. Objetivo: descrever as características do surto de FA e da vacinação para FA na Região do Vale do Ribeira - SP, pela perspectiva de comunidades quilombolas. Métodos: estudo quantitativo, transversal, descritivo do tipo inquérito, com análise qualitativa exploratória, realizado em duas comunidades quilombolas na Região do Vale do Ribeira (Sapatu e Nhunguara). Para a análise qualitativa do conteúdo obtido nas transcrições das entrevistas, foram utilizados os princípios da análise temática; posteriormente, interpretados de acordo com o Theoretical Domains Framework (TDF), para identificar e categorizar os facilitadores e barreiras relatados à vacinação para FA. Resultados: foram incluídos 226 participantes: 46% do sexo masculino, mediana de idade de 44 anos. Oitenta participantes relataram adoecimento agudo durante o surto; febre, cefaleia, mialgia e náusea foram os sintomas mais comuns. Apenas oito participantes tiveram FA confirmada laboratorialmente e foram oficialmente notificados; todos casos com necessidade de internação hospitalar. Os participantes relataram vacinação para FA em 96,5% das entrevistas. Dos vacinados: menos de dois terços receberam a primeira dose de vacina antes do primeiro caso de FA na Região do Vale do Ribeira; mais de um terço receberam a primeira dose de vacina após a morte de um líder comunitário local, em janeiro de 2019. Os temas identificados como barreiras e facilitadores à vacinação foram: preocupação com a vacina de FA, dificuldade de acesso à saúde, percepção do risco da doença, conhecimento sobre a gravidade da doença, crenças culturais e influência de lideranças. Conclusões: as comunidades quilombolas possuem características socioculturais únicas e os líderes comunitários tiveram um papel significativo na definição das decisões sobre vacinação. O surto na Região do Vale do Ribeira poderia ter sido evitado com a melhor compreensão do processo de tomada de decisão sobre vacinação, influenciado por fatores individuais, socioculturais e contextuaisIntroduction: In 2016-2019, Brazil faced the most important yellow fever (YF) outbreak in recent decades. In 2019, cases were concentrated in Ribeira Valley Region, characterized by rural quilombola communities. These can trace their origins back to escaped, freed or abandoned slaved persons in the mid-1800s. They traditionally practice subsistence agriculture. Objective: We aimed to explore aspects of the YF outbreak and vaccination from the perspective of the quilombola communities. Methods: Quantitative, cross-sectional, survey-type descriptive study, with exploratory qualitative analysis, conducted in two quilombola communities in Ribeira Valley Region (Sapatu and Nhunguara). Thematic analysis principles were applied for qualitative analysis of the content obtained from interview transcripts. We adopted Theoretical Domains Framework (TDF) to identify and categorize reported facilitators and barriers to YF vaccination. Results: A total of 226 participants were enrolled: 46% male, median age 44 years. Eighty participants reported acute illness during the outbreak; fever, headache, myalgia, and nausea were the most common symptoms. Only eight participants were laboratory-confirmed YF and had officially been reported to healt authorities; all were cases admitted to hospitals. Participants reported YF vaccination in 96.5% of the interviews, of which: less than two thirds were vaccinated before the first case in the Ribeira Valley Region; over a third were vaccinated following the death of a community leader, in January 2019. The themes identified as barriers and enablers to vaccination were: concerns about the YF vaccine, difficulty in accessing healthcare, perception of disease risk, knowledge about disease severity, cultural beliefs and influence of leaders. Conclusion: The outbreak in the Ribeira Valley Region may have been averted with an understanding of the vaccination decision-making process, influenced by individual, sociocultural, and contextual factorsBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLevin, Anna Sara ShaffermanLeão, Aline Carralas Queiroz de2024-12-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5134/tde-29042025-140235/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-07T17:30:02Zoai:teses.usp.br:tde-29042025-140235Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-07T17:30:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: o Brasil enfrentou, entre 2016 e 2019, o mais importante surto de febre amarela (FA) das últimas décadas. Em 2019, os casos concentraram-se na Região do Vale do Ribeira São Paulo, na qual habitam comunidades rurais quilombolas. Estas podem ter a sua origem em escravizados fugitivos, libertos ou abandonados em meados do século XIX. Eles tradicionalmente praticam a agricultura de subsistência. Objetivo: descrever as características do surto de FA e da vacinação para FA na Região do Vale do Ribeira - SP, pela perspectiva de comunidades quilombolas. Métodos: estudo quantitativo, transversal, descritivo do tipo inquérito, com análise qualitativa exploratória, realizado em duas comunidades quilombolas na Região do Vale do Ribeira (Sapatu e Nhunguara). Para a análise qualitativa do conteúdo obtido nas transcrições das entrevistas, foram utilizados os princípios da análise temática; posteriormente, interpretados de acordo com o Theoretical Domains Framework (TDF), para identificar e categorizar os facilitadores e barreiras relatados à vacinação para FA. Resultados: foram incluídos 226 participantes: 46% do sexo masculino, mediana de idade de 44 anos. Oitenta participantes relataram adoecimento agudo durante o surto; febre, cefaleia, mialgia e náusea foram os sintomas mais comuns. Apenas oito participantes tiveram FA confirmada laboratorialmente e foram oficialmente notificados; todos casos com necessidade de internação hospitalar. Os participantes relataram vacinação para FA em 96,5% das entrevistas. Dos vacinados: menos de dois terços receberam a primeira dose de vacina antes do primeiro caso de FA na Região do Vale do Ribeira; mais de um terço receberam a primeira dose de vacina após a morte de um líder comunitário local, em janeiro de 2019. Os temas identificados como barreiras e facilitadores à vacinação foram: preocupação com a vacina de FA, dificuldade de acesso à saúde, percepção do risco da doença, conhecimento sobre a gravidade da doença, crenças culturais e influência de lideranças. Conclusões: as comunidades quilombolas possuem características socioculturais únicas e os líderes comunitários tiveram um papel significativo na definição das decisões sobre vacinação. O surto na Região do Vale do Ribeira poderia ter sido evitado com a melhor compreensão do processo de tomada de decisão sobre vacinação, influenciado por fatores individuais, socioculturais e contextuais |
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