Melaço de laranja como ingrediente energético em dietas para ovinos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Cruz Filho, Guilherme Francisco da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11139/tde-06112025-154134/
Resumo: O melaço de laranja é um coproduto da produção de suco de laranja com grande disponibilidade no estado de São Paulo, cujo uso na alimentação animal é limitado por falta de informações científicas que definam os teores ideais de inclusão na dieta, bem como seus efeitos na produção animal. Dois experimentos foram conduzidos para avaliar os efeitos do melaço quando incluído em dietas para ovinos. No experimento 1 foram utilizadas 40 ovelhas (e sua(s) cria(s)), distribuídas em blocos completos casualizados (10 blocos e 4 tratamentos), que receberam dietas com teores crescentes (0,10%, 20% ou 30%) de inclusão de melaço de laranja na dieta em substituição ao milho, para avaliação do CMS, EA, produção e composição do leite das ovelhas e desempenho das crias (CMS, EA, GMD). Observou-se aumento linear na produção de leite (P=0,04), LCG (P=0,04), LCPG (P=0,04), produção de proteína (P=0,02), gordura (P=0,03) e sólidos totais (P=0,02) com a inclusão do melaço de laranja nas dietas. oi observado o aumento linear da concentração do ESD (P=0,02) porém sem alterar a concentração do outros componentes do leite. Os cordeiros não apresentaram diferença no CMS, GMD, porém observou-se o aumento linear (P=0,05) do peso ao final do experimento à medida que houve a substituição do melaço de laranja até o tratamento ML30. No experimento 2 foram utilizados 28 cordeiros, distribuídos em blocos completos casualizados, os quais receberam as mesmas dietas do experimento I. Neste experimento, as variáveis avaliadas foram: CMS, digestibilidade dos nutrientes (MS, MO, PB, EE, FDN, CNF), características de fermentação ruminal (AGCC, pH e amônia) e balanço de nitrogênio (N ingerido, N excretado nas fezes e urina e N retido). Houve tendência de aumento linear no CMS (P=0,07), MO (P=0,09) e FDN (P=0,07), bem como aumento linear no CNF (P<0,0001), EE (P<0,0001) e FDA (P=0,03) até o tratamento ML30. Observou-se efeito quadrático quando avaliada a digestibilidade da MS (P=0,03) e MO (P=0,04) com a inclusão do melaço de laranja, alcançando maior valor nos tratamentos Controle e ML30. Não houve efeito na digestibilidade da FDN (P<0,001) e da FDA (P<0,001) com a inclusão do melaço. O EE (P=0,02) e os CNF (P=0,01) apresentaram aumento linear quando avaliadas suas digestibilidades, aumentando até o tratamento ML30. O consumo de N, perda de N fecal e a retenção de N não diferiram. Embora, tenha havido aumento linear na concentração de N urinário (P=0,01), com o pico da concentração no tratamento ML30. Houve diminuição linear nas concentrações de acetato (P<0,001), propionato (P<0,01) e isovalerato (P<0,001) com a substituição do milho pelo melaço de laranja, cujas menores concentrações foram observadas no tratamento ML30. Houve aumento linear da concentração de butirato (P<0,0001) e valerato (P<0,0001) no qual o tratamento ML30 apresentou a maior concentração. Apesar das alterações nas concentrações dos AGCC avaliados, não houve alteração na quantidade total dos AGCC. Com a substituição do milho pelo melaço de laranja, houve aumento linear no pH do líquido ruminal (P<0,001), em que o tratamento ML30 apresentou o maior pH médio entre os tratamentos. A concentração de N-amoniacal do líquido ruminal apresentou tendência de efeito quadrático (P=0,06). A substituição do milho pelo melaço de laranja apresentou efeitos benéficos na alimentação de ovelhas em lactação, aumentando o ganho de peso das ovelhas, o CMS, a produção de leite e o peso final de seus cordeiro, também se mostrou seguro quanto a fermentação ruminal, mantendo o pH médio em níveis seguros, possivelmente modulando a microbiota ruminal, alterando produção de AGCC para perfis mais adequados para a fase de lactação e mostrando bom aproveitamento das frações proteicas ingeridas, mostrando o grande potencial que esse coproduto ainda pouco explorado possui na nutrição animal.
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No experimento 1 foram utilizadas 40 ovelhas (e sua(s) cria(s)), distribuídas em blocos completos casualizados (10 blocos e 4 tratamentos), que receberam dietas com teores crescentes (0,10%, 20% ou 30%) de inclusão de melaço de laranja na dieta em substituição ao milho, para avaliação do CMS, EA, produção e composição do leite das ovelhas e desempenho das crias (CMS, EA, GMD). Observou-se aumento linear na produção de leite (P=0,04), LCG (P=0,04), LCPG (P=0,04), produção de proteína (P=0,02), gordura (P=0,03) e sólidos totais (P=0,02) com a inclusão do melaço de laranja nas dietas. oi observado o aumento linear da concentração do ESD (P=0,02) porém sem alterar a concentração do outros componentes do leite. Os cordeiros não apresentaram diferença no CMS, GMD, porém observou-se o aumento linear (P=0,05) do peso ao final do experimento à medida que houve a substituição do melaço de laranja até o tratamento ML30. No experimento 2 foram utilizados 28 cordeiros, distribuídos em blocos completos casualizados, os quais receberam as mesmas dietas do experimento I. Neste experimento, as variáveis avaliadas foram: CMS, digestibilidade dos nutrientes (MS, MO, PB, EE, FDN, CNF), características de fermentação ruminal (AGCC, pH e amônia) e balanço de nitrogênio (N ingerido, N excretado nas fezes e urina e N retido). Houve tendência de aumento linear no CMS (P=0,07), MO (P=0,09) e FDN (P=0,07), bem como aumento linear no CNF (P<0,0001), EE (P<0,0001) e FDA (P=0,03) até o tratamento ML30. Observou-se efeito quadrático quando avaliada a digestibilidade da MS (P=0,03) e MO (P=0,04) com a inclusão do melaço de laranja, alcançando maior valor nos tratamentos Controle e ML30. Não houve efeito na digestibilidade da FDN (P<0,001) e da FDA (P<0,001) com a inclusão do melaço. O EE (P=0,02) e os CNF (P=0,01) apresentaram aumento linear quando avaliadas suas digestibilidades, aumentando até o tratamento ML30. O consumo de N, perda de N fecal e a retenção de N não diferiram. Embora, tenha havido aumento linear na concentração de N urinário (P=0,01), com o pico da concentração no tratamento ML30. Houve diminuição linear nas concentrações de acetato (P<0,001), propionato (P<0,01) e isovalerato (P<0,001) com a substituição do milho pelo melaço de laranja, cujas menores concentrações foram observadas no tratamento ML30. Houve aumento linear da concentração de butirato (P<0,0001) e valerato (P<0,0001) no qual o tratamento ML30 apresentou a maior concentração. Apesar das alterações nas concentrações dos AGCC avaliados, não houve alteração na quantidade total dos AGCC. Com a substituição do milho pelo melaço de laranja, houve aumento linear no pH do líquido ruminal (P<0,001), em que o tratamento ML30 apresentou o maior pH médio entre os tratamentos. A concentração de N-amoniacal do líquido ruminal apresentou tendência de efeito quadrático (P=0,06). A substituição do milho pelo melaço de laranja apresentou efeitos benéficos na alimentação de ovelhas em lactação, aumentando o ganho de peso das ovelhas, o CMS, a produção de leite e o peso final de seus cordeiro, também se mostrou seguro quanto a fermentação ruminal, mantendo o pH médio em níveis seguros, possivelmente modulando a microbiota ruminal, alterando produção de AGCC para perfis mais adequados para a fase de lactação e mostrando bom aproveitamento das frações proteicas ingeridas, mostrando o grande potencial que esse coproduto ainda pouco explorado possui na nutrição animal.Orange molasses is a byproduct of orange juice production and is widely available in the state of São Paulo. However, its use in animal feed is limited due to a lack of scientific information defining ideal inclusion levels in the diet, as well as its effects on animal production. Two experiments were conducted to evaluate the effects of molasses when included in sheep diets. In experiment 1, 40 ewes (and their offspring) were used, distributed in randomized complete blocks (10 blocks and 4 treatments), receiving diets with increasing levels (0, 10%, 20%, or 30%) of orange molasses inclusion in the diet as a replacement for corn, to evaluate dry matter intake (DMI), feed efficiency (FE), milk production and composition of the ewes, and offspring performance (DMI, FE, ADG). A linear increase was observed in milk production (P=0.04), LCG (P=0.04), LCPG (P=0.04), protein production (P=0.02), fat (P=0.03), and total solids (P=0.02) with the inclusion of orange molasses in the diets. A linear increase in the concentration of ESD (P=0.02) was observed, but without altering the concentration of the other milk components. The lambs did not show a difference in CMS or ADG, but a linear increase (P=0.05) in weight was observed at the end of the experiment as the replacement of orange molasses progressed up to treatment ML30. In experiment 2, 28 lambs were used, distributed in randomized complete blocks, which received the same diets as in experiment 1. In this experiment, the variables evaluated were: dry matter intake (DMI), nutrient digestibility (DM, OM, CP, EE, NDF, NFC), ruminal fermentation characteristics (VFA, pH and ammonia) and nitrogen balance (N ingested, N excreted in feces and urine and N retained). There was a trend of linear increase in DMI (P=0.07), OM (P=0.09) and NDF (P=0.07), as well as a linear increase in NFC (P<0.0001), EE (P<0.0001) and ADF (P=0.03) up to the ML30 treatment. A quadratic effect was observed when evaluating the digestibility of DM (P=0.03) and OM (P=0.04) with the inclusion of orange molasses, reaching the highest value in the Control and ML30 treatments. There was no effect on the digestibility of NDF (P<0.001) and ADF (P<0.001) with the inclusion of molasses. EE (P=0.02) and NFC (P=0.01) showed a linear increase when their digestibilities were evaluated, increasing up to the ML30 treatment. N intake, fecal N loss, and N retention did not differ. However, there was a linear increase in urinary N concentration (P=0.01), with the peak concentration in the ML30 treatment. There was a linear decrease in the concentrations of acetate (P<0.001), propionate (P<0.01), and isovalerate (P<0.001) with the substitution of corn with orange molasses, with the lowest concentrations observed in the ML30 treatment. There was a linear increase in the concentration of butyrate (P<0.0001) and valerate (P<0.0001), with the ML30 treatment showing the highest concentration. Despite the changes in the concentrations of the evaluated VFAs, there was no change in the total amount of VFAs. With the substitution of corn for orange molasses, there was a linear increase in the pH of the ruminal fluid (P<0.001), with the ML30 treatment showing the highest average pH among the treatments. The concentration of ammoniacal nitrogen in the ruminal fluid showed a tendency towards a quadratic effect (P=0.06). The substitution of corn for orange molasses showed beneficial effects in the feeding of lactating ewes, increasing the weight gain of the ewes, dry matter intake, milk production and the final weight of their lambs. It also proved safe regarding ruminal fermentation, maintaining the average pH at safe levels, possibly modulating the ruminal microbiota, altering VFA production to profiles more suitable for the lactation phase and showing good utilization of ingested protein fractions, demonstrating the great potential that this still little-explored co-product has in animal nutrition.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFerreira, Evandro MaiaCruz Filho, Guilherme Francisco da2025-08-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11139/tde-06112025-154134/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-07T13:24:02Zoai:teses.usp.br:tde-06112025-154134Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-07T13:24:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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