Jovens em idade escolar e gangues: caracterização e fatores associados à participação
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/96/96131/tde-13112024-163836/ |
Resumo: | Esta tese de doutorado, composta por quatro capítulos, investiga a relação entre habilidades socioemocionais, fatores de risco, motivações de entrada e envolvimento de jovens em gangues. Foram utilizados dados longitudinais de 1870 estudantes do 5º e 6º anos do ensino fundamental, coletados em 2018 e 2019 na rede pública de Sobral, Ceará - Brasil. O primeiro capítulo contextualiza o problema, traçando um histórico do conceito de gangues e dos fatores de risco associados (individuais, familiares, escolares, de pares e comunitários), evidenciando as relações entre o envolvimento em gangues, a delinquência, a exposição de risco e os traços de personalidade medido por habilidades socioemocionais. O segundo capítulo, por meio de um modelo Logit, analisa a associação entre as habilidades socioemocionais e fatores de risco (problemas disciplinares na escola, envolvimento em brigas e contato com membros de gangues), medidos em 2018, com a participação em gangues em 2019. Maiores níveis das habilidades socioemocionais de respeito e determinação estão associados a menores probabilidades de participação em gangues, mesmo após o controle por outros fatores associados. Por sua vez, jovens expostos a múltiplos riscos tem quase cinco vezes mais chance de se envolver com gangues do que jovens não expostos a riscos. O terceiro capítulo, empregando a clusterização K-means, identifica três perfis distintos de jovens envolvidos em gangues em 2019, considerando suas habilidades socioemocionais, exposição de risco e motivações de entrada em gangues medidos em 2018. O primeiro grupo foi definido como \"jovens resilientes vítimas de violência psicológica\" (alto desenvolvimento socioemocional, menor comportamentos de risco e maior proporção de violência psicológica), tendo sua maior motivação de participação em gangue \"já ter amigos envolvidos em gangues\". O segundo grupo foi caracterizado como \"jovens violentos em busca de reconhecimento e proteção\" (baixo desenvolvimento socioemocional, muitos comportamentos de risco, especialmente violência e vitimização), tendo sua maior motivação para entrada em gangue \"ser respeitado\". O terceiro grupo foi caracterizado como \"jovens desengajados em busca de pertencimento e status\" (baixo desenvolvimento socioemocional, exposição moderada a riscos e desvinculação escolar), em que sua maior motivação de participação em gangue é \"para ficar bem na fita\". Cada perfil foi analisado em relação às suas motivações para entrar em gangues, como influência de amigos, busca por respeito e desejo de status. Em seguida, foram discutidas suas possíveis relações com a estrutura organizacional das gangues, em que o primeiro grupo, na ausência de intervenções adequadas, pode aspirar futuras posições de liderança dentro das gangues. Já os membros do segundo grupo, pelo alto nível de comportamentos de risco e baixa capacidade de organização e foco, provavelmente tem maior chance de se tornarem membros de baixo status nas gangues. Por fim, o terceiro grupo tem um perfil intermediário, podendo ocupar tanto alguma posição de liderança como posições de mais baixo escalão. O quarto capítulo conclui a tese, destacando a importância do desenvolvimento socioemocional como fator de proteção e a necessidade de políticas públicas que considerem a heterogeneidade dos jovens e seus contextos para prevenir a violência e a criminalidade juvenil. |
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Jovens em idade escolar e gangues: caracterização e fatores associados à participaçãoSchool-aged youth and gangs: characterization and factors associated with participationCumulative risk factorsEstrutura organizacional das ganguesFatores de risco acumuladosGang entry motivationsGang organizational structureGang participationHabilidades socioemocionaisMotivações de entrada em ganguesParticipação em ganguesSocioemotional skillsEsta tese de doutorado, composta por quatro capítulos, investiga a relação entre habilidades socioemocionais, fatores de risco, motivações de entrada e envolvimento de jovens em gangues. Foram utilizados dados longitudinais de 1870 estudantes do 5º e 6º anos do ensino fundamental, coletados em 2018 e 2019 na rede pública de Sobral, Ceará - Brasil. O primeiro capítulo contextualiza o problema, traçando um histórico do conceito de gangues e dos fatores de risco associados (individuais, familiares, escolares, de pares e comunitários), evidenciando as relações entre o envolvimento em gangues, a delinquência, a exposição de risco e os traços de personalidade medido por habilidades socioemocionais. O segundo capítulo, por meio de um modelo Logit, analisa a associação entre as habilidades socioemocionais e fatores de risco (problemas disciplinares na escola, envolvimento em brigas e contato com membros de gangues), medidos em 2018, com a participação em gangues em 2019. Maiores níveis das habilidades socioemocionais de respeito e determinação estão associados a menores probabilidades de participação em gangues, mesmo após o controle por outros fatores associados. Por sua vez, jovens expostos a múltiplos riscos tem quase cinco vezes mais chance de se envolver com gangues do que jovens não expostos a riscos. O terceiro capítulo, empregando a clusterização K-means, identifica três perfis distintos de jovens envolvidos em gangues em 2019, considerando suas habilidades socioemocionais, exposição de risco e motivações de entrada em gangues medidos em 2018. O primeiro grupo foi definido como \"jovens resilientes vítimas de violência psicológica\" (alto desenvolvimento socioemocional, menor comportamentos de risco e maior proporção de violência psicológica), tendo sua maior motivação de participação em gangue \"já ter amigos envolvidos em gangues\". O segundo grupo foi caracterizado como \"jovens violentos em busca de reconhecimento e proteção\" (baixo desenvolvimento socioemocional, muitos comportamentos de risco, especialmente violência e vitimização), tendo sua maior motivação para entrada em gangue \"ser respeitado\". O terceiro grupo foi caracterizado como \"jovens desengajados em busca de pertencimento e status\" (baixo desenvolvimento socioemocional, exposição moderada a riscos e desvinculação escolar), em que sua maior motivação de participação em gangue é \"para ficar bem na fita\". Cada perfil foi analisado em relação às suas motivações para entrar em gangues, como influência de amigos, busca por respeito e desejo de status. Em seguida, foram discutidas suas possíveis relações com a estrutura organizacional das gangues, em que o primeiro grupo, na ausência de intervenções adequadas, pode aspirar futuras posições de liderança dentro das gangues. Já os membros do segundo grupo, pelo alto nível de comportamentos de risco e baixa capacidade de organização e foco, provavelmente tem maior chance de se tornarem membros de baixo status nas gangues. Por fim, o terceiro grupo tem um perfil intermediário, podendo ocupar tanto alguma posição de liderança como posições de mais baixo escalão. O quarto capítulo conclui a tese, destacando a importância do desenvolvimento socioemocional como fator de proteção e a necessidade de políticas públicas que considerem a heterogeneidade dos jovens e seus contextos para prevenir a violência e a criminalidade juvenil.This doctoral thesis, composed of four chapters, investigates the relationship between socioemotional skills, risk factors, entry motivations, and involvement of youth in gangs. Longitudinal data from 1870 fifth and sixth-grade students, collected in 2018 and 2019 in the public school system of Sobral, Ceará - Brazil, were used. The first chapter contextualizes the problem, tracing the history of the concept of gangs and associated risk factors (individual, family, school, peer, and community), highlighting the relationships between gang involvement, delinquency, risk exposure, and personality traits measured by socioemotional skills. The second chapter, through a Logit model, analyzes the association between socioemotional skills and risk factors (disciplinary problems at school, involvement in fights, and contact with gang members), measured in 2018, with gang participation in 2019. Higher levels of the socioemotional skills of respect and determination are associated with lower probabilities of gang participation, even after controlling for other associated factors. In turn, young people exposed to multiple risks are almost five times more likely to become involved with gangs than young people not exposed to risks. The third chapter, using K-means clustering, identifies three distinct profiles of young people involved in gangs in 2019, considering their socioemotional skills, risk exposure, and motivations for joining gangs measured in 2018. The first group was defined as \"resilient youth victims of psychological violence\" (high socioemotional development, fewer risk behaviors, and a higher proportion of psychological violence), with their greatest motivation for gang participation being \"already having friends involved in gangs.\" The second group was characterized as \"violent youth seeking recognition and protection\" (low socioemotional development, many risk behaviors, especially violence and victimization), with their greatest motivation for joining a gang being \"to be respected.\" The third group was characterized as \"disengaged youth seeking belonging and status\" (low socioemotional development, moderate exposure to risks, and school disengagement), in which their greatest motivation for gang participation is \"to look cool.\" Each profile was analyzed in relation to their motivations for joining gangs, such as peer influence, the search for respect, and the desire for status. Next, their possible relationships with the organizational structure of gangs were discussed, in which the first group, in the absence of adequate interventions, may aspire to future leadership positions within gangs. Members of the second group, due to their high level of risk behaviors and low capacity for organization and focus, are likely to become low-status members in gangs. Finally, the third group has an intermediate profile, being able to occupy both leadership positions and lower-ranking positions. The fourth chapter concludes the thesis, highlighting the importance of socioemotional development as a protective factor and the need for public policies that consider the heterogeneity of youth and their contexts to prevent youth violence and crime.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPScorzafave, Luiz Guilherme Dacar da SilvaSilva Neto, Darcy Ramos da2024-09-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/96/96131/tde-13112024-163836/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-28T19:34:02Zoai:teses.usp.br:tde-13112024-163836Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-28T19:34:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Esta tese de doutorado, composta por quatro capítulos, investiga a relação entre habilidades socioemocionais, fatores de risco, motivações de entrada e envolvimento de jovens em gangues. Foram utilizados dados longitudinais de 1870 estudantes do 5º e 6º anos do ensino fundamental, coletados em 2018 e 2019 na rede pública de Sobral, Ceará - Brasil. O primeiro capítulo contextualiza o problema, traçando um histórico do conceito de gangues e dos fatores de risco associados (individuais, familiares, escolares, de pares e comunitários), evidenciando as relações entre o envolvimento em gangues, a delinquência, a exposição de risco e os traços de personalidade medido por habilidades socioemocionais. O segundo capítulo, por meio de um modelo Logit, analisa a associação entre as habilidades socioemocionais e fatores de risco (problemas disciplinares na escola, envolvimento em brigas e contato com membros de gangues), medidos em 2018, com a participação em gangues em 2019. Maiores níveis das habilidades socioemocionais de respeito e determinação estão associados a menores probabilidades de participação em gangues, mesmo após o controle por outros fatores associados. Por sua vez, jovens expostos a múltiplos riscos tem quase cinco vezes mais chance de se envolver com gangues do que jovens não expostos a riscos. O terceiro capítulo, empregando a clusterização K-means, identifica três perfis distintos de jovens envolvidos em gangues em 2019, considerando suas habilidades socioemocionais, exposição de risco e motivações de entrada em gangues medidos em 2018. O primeiro grupo foi definido como \"jovens resilientes vítimas de violência psicológica\" (alto desenvolvimento socioemocional, menor comportamentos de risco e maior proporção de violência psicológica), tendo sua maior motivação de participação em gangue \"já ter amigos envolvidos em gangues\". O segundo grupo foi caracterizado como \"jovens violentos em busca de reconhecimento e proteção\" (baixo desenvolvimento socioemocional, muitos comportamentos de risco, especialmente violência e vitimização), tendo sua maior motivação para entrada em gangue \"ser respeitado\". O terceiro grupo foi caracterizado como \"jovens desengajados em busca de pertencimento e status\" (baixo desenvolvimento socioemocional, exposição moderada a riscos e desvinculação escolar), em que sua maior motivação de participação em gangue é \"para ficar bem na fita\". Cada perfil foi analisado em relação às suas motivações para entrar em gangues, como influência de amigos, busca por respeito e desejo de status. Em seguida, foram discutidas suas possíveis relações com a estrutura organizacional das gangues, em que o primeiro grupo, na ausência de intervenções adequadas, pode aspirar futuras posições de liderança dentro das gangues. Já os membros do segundo grupo, pelo alto nível de comportamentos de risco e baixa capacidade de organização e foco, provavelmente tem maior chance de se tornarem membros de baixo status nas gangues. Por fim, o terceiro grupo tem um perfil intermediário, podendo ocupar tanto alguma posição de liderança como posições de mais baixo escalão. O quarto capítulo conclui a tese, destacando a importância do desenvolvimento socioemocional como fator de proteção e a necessidade de políticas públicas que considerem a heterogeneidade dos jovens e seus contextos para prevenir a violência e a criminalidade juvenil. |
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