Investigação das bases genéticas e epigenéticas de osteossarcomas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Pires, Sara Ferreira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41131/tde-24012025-153947/
Resumo: INTRODUÇÃO: Cânceres pediátricos são a principal causa de mortalidade por doença nessa faixa etária, no Brasil e no mundo. Os tumores ósseos primários correspondem a cerca de 3% de todos os tumores da infância e adolescência, sendo osteossarcoma o mais prevalente. Osteossarcomas têm curso clínico agressivo, alta propensão à metástase ao diagnóstico e genomas instáveis e complexos. Apresentam extensa heterogeneidade intertumoral, taxa de mutação superior à maioria dos tumores pediátricos e poucas mutações recorrentes que expliquem sua iniciação, progressão e desfechos clínicos. Neste contexto, o estudo de osteossarcomas continua a ter relevância científica e clínica significativa, com o objetivo de aprofundar a compreensão das vias biológicas subjacentes a essa doença e, potencialmente, aplicar as descobertas ao diagnóstico e tratamento. OBJETIVOS: O objetivo deste estudo foi investigar o perfil genético e epigenético de 28 osteossarcomas primários derivados de pacientes brasileiros, majoritariamente diagnosticados na fase infanto-juvenil, para identificar genes e vias biológicas recorrentemente alterados, com potencial relevância para o desenvolvimento e progressão tumoral. MATERIAIS E MÉTODOS: Para acessar o catálogo completo de alterações genéticas, incluindo mutações de ponto (SNVs single nucleotide variants, e indels pequenas inserções e deleções) e alterações de número de cópias (CNAs copy number alterations), utilizamos painel de 4.800 genes (TruSight One, Illumina) em sequenciamento de nova geração de amostras de DNA de 28 osteossarcomas. Para investigação de alterações epigenéticas (padrão de metilação de DNA), utilizamos microarranjo de metilação HM450K (Illumina), comparando amostras de DNA de 28 osteossarcomas com tecido ósseo não tumoral (n = 3). Posteriormente, a partir da lista de genes afetados por alterações genômicas e epigenéticas, realizamos análises in silico de enriquecimento funcional (vias e processos biológicos) e análise de interação proteína-proteína (PPI). Selecionamos um subgrupo de genes de interesse que emergiram dessas análises para quantificação de expressão gênica utilizando PCR quantitativa em tempo real (RTqPCR), comparando amostras de cDNA de osteossarcomas (n = 11), linhagens celulares de osteossarcoma (n = 3) e amostras de tecido ósseo não tumoral (n = 3). Além disso, exploramos possíveis relações entre as alterações identificadas e características clínicas dos pacientes, como presença de metástase e estado de óbito. RESULTADOS: Identificamos em osteossarcomas um conjunto de alterações envolvendo 445 variantes codificadoras do tipo SNV/indel e 1.176 CNAs, bem como 585 loci com metilação diferencial em relação a amostras ósseas não tumorais. As alterações genéticas e epigenéticas se apresentaram amplamente distribuídas por todo o genoma dos tumores, com número e padrão variável entre as amostras, evidenciando heterogeneidade e complexidade. Oitenta alterações do tipo SNV/indel foram selecionadas como provavelmente mais prejudiciais à função da proteína, incluindo mutações em genes relevantes em câncer e em predisposição a câncer, como ATRX, RB1 e TP53, e outros genes supressores tumorais e oncogenes, como AXL, CREBBP e SETD2. Genes não comumente reportados em estudos com osteossarcomas foram também observados como mutados, como ACADM, ADH7 e G6PC2. Alterações em genes como DMD, KNL1 e ZFHX4 foram prevalentes em pacientes com metástase ao diagnóstico ou que vieram a óbito em decorrência do câncer, sendo potencialmente indicativas de pior prognóstico. Cinco variantes em RB1 e TP53 foram classificadas como possivelmente germinativas, conforme as diretrizes da European Society for Medical Oncology (ESMO) para análise de amostras tumorais não pareadas com germinativas; parte destes casos foi relacionado ao perfil genômico global diferenciado, incluindo número total de alterações aumentado em relação ao grupo e presença de rearranjos cromossômicos complexos. Cinco alterações do tipo CNA foram as mais recorrentes (>60% da coorte), incluindo ganhos em 1q, 6p, 8q, e perdas em 10q e 13. Também identificamos padrão genômico de CNA sugestivo da ocorrência de rearranjos complexos (cromotripse e cromoanassíntese) em 25% da coorte. A análise de metiloma revelou um padrão de hipometilação global do genoma em osteossarcomas, com enriquecimento de hipermetilação em ilhas CpG. Identificamos diversos genes supressores tumorais mapeados em regiões com hipermetilação, como HIC1, PAX6 e ZIC1, e oncogenes em regiões com hipometilação, como NANOG, NOTCH4 e RUNX3. Relacionamos os achados epigenéticos, especialmente o padrão de hipermetilação preferencial em ilhas CpG, a alterações genômicas recorrentes em moduladores epigenéticos, especialmente ganhos envolvendo DNMT3B e deleções envolvendo TET1. Os principais módulos funcionais (vias e processos biológicos) enriquecidos foram relacionados à regulação do ciclo celular, resposta imune, resposta ao estresse, desenvolvimento, diferenciação celular, metabolismo e regulação da expressão gênica. Selecionamos quatro genes (DNMT3B, KNL1, TNFRSF11B e ZFHX4) para validação do impacto dos achados prévios de genoma e epigenoma no nível de expressão; estes genes são envolvidos em regulação dos padrões de metilação de DNA, ciclo celular, regulação transcricional ou desenvolvimento do sistema esquelético. Detectamos aumento de expressão de todos os genes avaliados em osteossarcomas e linhagens celulares em comparação aos controles de tecido ósseo não tumoral. TNFRSF11B e ZFHX4 se destacaram com maiores aumentos de expressão. O gene ZFHX4 é apresentado como um gene candidato promissor à osteossarcomagênese e/ou progressão, com perspectivas futuras para fortalecer essa hipótese. CONTRIBUIÇÕES: A caracterização genômica e epigenômica apresentada neste trabalho contribui com dados inéditos e fornece uma nova perspectiva para entendimento das bases moleculares de osteossarcomas. Os resultados obtidos, a maior parte apresentada em dois artigos científicos publicados em periódicos internacionais, abrem caminho para investigações futuras, com foco em genes candidatos ainda pouco explorados na etiologia da doença. Por fim, foram produzidos materiais de divulgação científica e ensino em genética do câncer pediátrico, com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre o tema na comunidade não universitária.
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Neste contexto, o estudo de osteossarcomas continua a ter relevância científica e clínica significativa, com o objetivo de aprofundar a compreensão das vias biológicas subjacentes a essa doença e, potencialmente, aplicar as descobertas ao diagnóstico e tratamento. OBJETIVOS: O objetivo deste estudo foi investigar o perfil genético e epigenético de 28 osteossarcomas primários derivados de pacientes brasileiros, majoritariamente diagnosticados na fase infanto-juvenil, para identificar genes e vias biológicas recorrentemente alterados, com potencial relevância para o desenvolvimento e progressão tumoral. MATERIAIS E MÉTODOS: Para acessar o catálogo completo de alterações genéticas, incluindo mutações de ponto (SNVs single nucleotide variants, e indels pequenas inserções e deleções) e alterações de número de cópias (CNAs copy number alterations), utilizamos painel de 4.800 genes (TruSight One, Illumina) em sequenciamento de nova geração de amostras de DNA de 28 osteossarcomas. 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RESULTADOS: Identificamos em osteossarcomas um conjunto de alterações envolvendo 445 variantes codificadoras do tipo SNV/indel e 1.176 CNAs, bem como 585 loci com metilação diferencial em relação a amostras ósseas não tumorais. As alterações genéticas e epigenéticas se apresentaram amplamente distribuídas por todo o genoma dos tumores, com número e padrão variável entre as amostras, evidenciando heterogeneidade e complexidade. Oitenta alterações do tipo SNV/indel foram selecionadas como provavelmente mais prejudiciais à função da proteína, incluindo mutações em genes relevantes em câncer e em predisposição a câncer, como ATRX, RB1 e TP53, e outros genes supressores tumorais e oncogenes, como AXL, CREBBP e SETD2. Genes não comumente reportados em estudos com osteossarcomas foram também observados como mutados, como ACADM, ADH7 e G6PC2. Alterações em genes como DMD, KNL1 e ZFHX4 foram prevalentes em pacientes com metástase ao diagnóstico ou que vieram a óbito em decorrência do câncer, sendo potencialmente indicativas de pior prognóstico. Cinco variantes em RB1 e TP53 foram classificadas como possivelmente germinativas, conforme as diretrizes da European Society for Medical Oncology (ESMO) para análise de amostras tumorais não pareadas com germinativas; parte destes casos foi relacionado ao perfil genômico global diferenciado, incluindo número total de alterações aumentado em relação ao grupo e presença de rearranjos cromossômicos complexos. Cinco alterações do tipo CNA foram as mais recorrentes (>60% da coorte), incluindo ganhos em 1q, 6p, 8q, e perdas em 10q e 13. Também identificamos padrão genômico de CNA sugestivo da ocorrência de rearranjos complexos (cromotripse e cromoanassíntese) em 25% da coorte. A análise de metiloma revelou um padrão de hipometilação global do genoma em osteossarcomas, com enriquecimento de hipermetilação em ilhas CpG. Identificamos diversos genes supressores tumorais mapeados em regiões com hipermetilação, como HIC1, PAX6 e ZIC1, e oncogenes em regiões com hipometilação, como NANOG, NOTCH4 e RUNX3. Relacionamos os achados epigenéticos, especialmente o padrão de hipermetilação preferencial em ilhas CpG, a alterações genômicas recorrentes em moduladores epigenéticos, especialmente ganhos envolvendo DNMT3B e deleções envolvendo TET1. Os principais módulos funcionais (vias e processos biológicos) enriquecidos foram relacionados à regulação do ciclo celular, resposta imune, resposta ao estresse, desenvolvimento, diferenciação celular, metabolismo e regulação da expressão gênica. Selecionamos quatro genes (DNMT3B, KNL1, TNFRSF11B e ZFHX4) para validação do impacto dos achados prévios de genoma e epigenoma no nível de expressão; estes genes são envolvidos em regulação dos padrões de metilação de DNA, ciclo celular, regulação transcricional ou desenvolvimento do sistema esquelético. Detectamos aumento de expressão de todos os genes avaliados em osteossarcomas e linhagens celulares em comparação aos controles de tecido ósseo não tumoral. TNFRSF11B e ZFHX4 se destacaram com maiores aumentos de expressão. O gene ZFHX4 é apresentado como um gene candidato promissor à osteossarcomagênese e/ou progressão, com perspectivas futuras para fortalecer essa hipótese. CONTRIBUIÇÕES: A caracterização genômica e epigenômica apresentada neste trabalho contribui com dados inéditos e fornece uma nova perspectiva para entendimento das bases moleculares de osteossarcomas. Os resultados obtidos, a maior parte apresentada em dois artigos científicos publicados em periódicos internacionais, abrem caminho para investigações futuras, com foco em genes candidatos ainda pouco explorados na etiologia da doença. Por fim, foram produzidos materiais de divulgação científica e ensino em genética do câncer pediátrico, com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre o tema na comunidade não universitária.INTRODUCTION: Pediatric cancers are the leading cause of disease-related mortality in this age group, both in Brazil and worldwide. Primary bone tumors account for approximately 3% of all tumors from childhood and adolescence, with osteosarcoma being the most prevalent. Osteosarcomas have an aggressive clinical course, a high propensity for metastasis at diagnosis, and unstable, complex genomes. They also present extensive intertumoral heterogeneity, a higher mutation rate than most other pediatric tumors, and few recurrent mutations that could explain their initiation, progression, and clinical outcomes. In this context, the study of osteosarcomas remains of significant scientific and clinical relevance, aiming to deepen the understanding of the biological pathways underlying this disease and, potentially, to apply these findings to diagnosis and treatment. OBJECTIVES: The aim of this study was to investigate the genetic and epigenetic profiles of 28 primary osteosarcomas derived from Brazilian patients, primarily diagnosed during childhood or adolescence, to identify recurrently altered genes and biological pathways with potential relevance to tumor development and progression. MATERIALS AND METHODS: To assess the spectrum of genetic alterations, including point mutations (SNVs single nucleotide variants, and indels small insertions and deletions) and copy number alterations (CNAs), we used a panel of 4,800 genes (TruSight One, Illumina) on next-generation sequencing of DNA samples from 28 osteosarcomas. For the investigation of epigenetic alterations (DNA methylation patterns), we used the HM450K methylation array (Illumina), comparing DNA samples from 28 osteosarcomas with non-tumoral bone tissue (n = 3). Subsequently, from the list of genes affected by genomic and epigenetic alterations, we performed in silico functional enrichment analyses (biological pathways and processes) and protein-protein interaction (PPI) analysis. We selected a subgroup of genes of interest from our analyses to perform gene expression quantification using real-time quantitative PCR (RTqPCR), comparing cDNA samples from osteosarcomas (n = 11), osteosarcoma cell lines (n = 3), and non-tumoral bone tissue samples (n = 3). Additionally, we explored possible relationships between the identified alterations and clinical aspects of the patients, such as the presence of metastasis and survival status. RESULTS: We identified in osteosarcomas a set of alterations involving 445 SNV/indel coding variants, 1,176 CNAs, as well as 585 loci with differential methylation compared to non-tumoral bone samples. Genetic and epigenetic alterations were widely distributed across the tumor genomes, with varying numbers and patterns between samples, reflecting a heterogeneous and complex pattern. Eighty SNV/indel alterations were selected as the most likely to impair protein function, including mutations in genes relevant to cancer and cancer predisposition genes, such as ATRX, RB1 and TP53, and other tumor suppressor genes and oncogenes, such as AXL, CREBBP and SETD2. Genes not frequently reported in osteosarcoma studies were also observed as mutated, such as ACADM, ADH7 and G6PC2. Alterations in genes such as DMD, KNL1 and ZFHX4 were prevalent in patients with metastasis at diagnosis or who died from cancer, potentially indicating poor prognosis. Five variants in RB1 and TP53 were classified as potentially germline, according to the European Society for Medical Oncology (ESMO) guidelines for the analysis of tumor-only sequencing data; some of these cases were related with a distinct global genomic profile of the samples, including an increased total number of alterations compared to the group and the presence of complex chromosomal rearrangements. Five CNA alterations were the most recurrent (>60% of the cohort), including gains in 1q, 6p, 8q, and losses in 10q and 13. We also identified alterations suggestive of the occurrence of complex rearrangements (chromothripsis and chromoanasynthesis) in 25% of the cohort. The methylome analysis revealed a global hypomethylation pattern in osteosarcoma genomes, with enrichment of hypermethylation in CpG islands. We identified several tumor suppressor genes mapped to hypermethylated regions, such as HIC1, PAX6 and ZIC1, and oncogenes in hypomethylated regions, such as NANOG, NOTCH4 and RUNX3. We related our epigenetic findings, particularly the preferential hypermethylation pattern at CpG islands, to genomic alterations in epigenetic modulators, especially recurrent gains involving DNMT3B and recurrent deletions involving TET1. The main enriched functional modules (biological pathways and processes) were related to cell cycle regulation, immune response, stress response, development, cell differentiation, metabolism and gene expression regulation. We selected four genes (DNMT3B, KNL1, TNFRSF11B and ZFHX4) to validate the impact of the previous genome and epigenome findings at the expression levels; these genes are involved in the regulation of DNA methylation patterns, cell cycle, transcriptional regulation or skeletal system development. We detected increased expression of all evaluated genes in osteosarcomas and cell lines compared to non-tumoral bone tissue controls.TNFRSF11B and ZFHX4 showed the most expressive increases. We present ZFHX4 as a promising candidate gene for osteosarcomagenesis and/or progression, with future perspectives to strengthen this hypothesis. CONTRIBUTIONS: The genomic and epigenomic characterization presented in this work provides novel data and offers a new perspective for understanding the molecular basis of osteosarcomas. The results obtained, primarily presented in two scientific articles published in international journals, pave the way for future investigations, focusing on candidate genes that are still underexplored in the etiology of the disease. Finally, we produced scientific and educational materials on pediatric cancer genetics, aiming to disseminate knowledge about the topic to the non-academic community.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPKrepischi, Ana Cristina VictorinoMaschietto, Mariana CamargoPires, Sara Ferreira2024-11-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41131/tde-24012025-153947/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-27T19:36:02Zoai:teses.usp.br:tde-24012025-153947Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-27T19:36:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description INTRODUÇÃO: Cânceres pediátricos são a principal causa de mortalidade por doença nessa faixa etária, no Brasil e no mundo. Os tumores ósseos primários correspondem a cerca de 3% de todos os tumores da infância e adolescência, sendo osteossarcoma o mais prevalente. Osteossarcomas têm curso clínico agressivo, alta propensão à metástase ao diagnóstico e genomas instáveis e complexos. Apresentam extensa heterogeneidade intertumoral, taxa de mutação superior à maioria dos tumores pediátricos e poucas mutações recorrentes que expliquem sua iniciação, progressão e desfechos clínicos. Neste contexto, o estudo de osteossarcomas continua a ter relevância científica e clínica significativa, com o objetivo de aprofundar a compreensão das vias biológicas subjacentes a essa doença e, potencialmente, aplicar as descobertas ao diagnóstico e tratamento. OBJETIVOS: O objetivo deste estudo foi investigar o perfil genético e epigenético de 28 osteossarcomas primários derivados de pacientes brasileiros, majoritariamente diagnosticados na fase infanto-juvenil, para identificar genes e vias biológicas recorrentemente alterados, com potencial relevância para o desenvolvimento e progressão tumoral. MATERIAIS E MÉTODOS: Para acessar o catálogo completo de alterações genéticas, incluindo mutações de ponto (SNVs single nucleotide variants, e indels pequenas inserções e deleções) e alterações de número de cópias (CNAs copy number alterations), utilizamos painel de 4.800 genes (TruSight One, Illumina) em sequenciamento de nova geração de amostras de DNA de 28 osteossarcomas. Para investigação de alterações epigenéticas (padrão de metilação de DNA), utilizamos microarranjo de metilação HM450K (Illumina), comparando amostras de DNA de 28 osteossarcomas com tecido ósseo não tumoral (n = 3). Posteriormente, a partir da lista de genes afetados por alterações genômicas e epigenéticas, realizamos análises in silico de enriquecimento funcional (vias e processos biológicos) e análise de interação proteína-proteína (PPI). Selecionamos um subgrupo de genes de interesse que emergiram dessas análises para quantificação de expressão gênica utilizando PCR quantitativa em tempo real (RTqPCR), comparando amostras de cDNA de osteossarcomas (n = 11), linhagens celulares de osteossarcoma (n = 3) e amostras de tecido ósseo não tumoral (n = 3). Além disso, exploramos possíveis relações entre as alterações identificadas e características clínicas dos pacientes, como presença de metástase e estado de óbito. RESULTADOS: Identificamos em osteossarcomas um conjunto de alterações envolvendo 445 variantes codificadoras do tipo SNV/indel e 1.176 CNAs, bem como 585 loci com metilação diferencial em relação a amostras ósseas não tumorais. As alterações genéticas e epigenéticas se apresentaram amplamente distribuídas por todo o genoma dos tumores, com número e padrão variável entre as amostras, evidenciando heterogeneidade e complexidade. Oitenta alterações do tipo SNV/indel foram selecionadas como provavelmente mais prejudiciais à função da proteína, incluindo mutações em genes relevantes em câncer e em predisposição a câncer, como ATRX, RB1 e TP53, e outros genes supressores tumorais e oncogenes, como AXL, CREBBP e SETD2. Genes não comumente reportados em estudos com osteossarcomas foram também observados como mutados, como ACADM, ADH7 e G6PC2. Alterações em genes como DMD, KNL1 e ZFHX4 foram prevalentes em pacientes com metástase ao diagnóstico ou que vieram a óbito em decorrência do câncer, sendo potencialmente indicativas de pior prognóstico. Cinco variantes em RB1 e TP53 foram classificadas como possivelmente germinativas, conforme as diretrizes da European Society for Medical Oncology (ESMO) para análise de amostras tumorais não pareadas com germinativas; parte destes casos foi relacionado ao perfil genômico global diferenciado, incluindo número total de alterações aumentado em relação ao grupo e presença de rearranjos cromossômicos complexos. Cinco alterações do tipo CNA foram as mais recorrentes (>60% da coorte), incluindo ganhos em 1q, 6p, 8q, e perdas em 10q e 13. Também identificamos padrão genômico de CNA sugestivo da ocorrência de rearranjos complexos (cromotripse e cromoanassíntese) em 25% da coorte. A análise de metiloma revelou um padrão de hipometilação global do genoma em osteossarcomas, com enriquecimento de hipermetilação em ilhas CpG. Identificamos diversos genes supressores tumorais mapeados em regiões com hipermetilação, como HIC1, PAX6 e ZIC1, e oncogenes em regiões com hipometilação, como NANOG, NOTCH4 e RUNX3. Relacionamos os achados epigenéticos, especialmente o padrão de hipermetilação preferencial em ilhas CpG, a alterações genômicas recorrentes em moduladores epigenéticos, especialmente ganhos envolvendo DNMT3B e deleções envolvendo TET1. Os principais módulos funcionais (vias e processos biológicos) enriquecidos foram relacionados à regulação do ciclo celular, resposta imune, resposta ao estresse, desenvolvimento, diferenciação celular, metabolismo e regulação da expressão gênica. Selecionamos quatro genes (DNMT3B, KNL1, TNFRSF11B e ZFHX4) para validação do impacto dos achados prévios de genoma e epigenoma no nível de expressão; estes genes são envolvidos em regulação dos padrões de metilação de DNA, ciclo celular, regulação transcricional ou desenvolvimento do sistema esquelético. 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