Mecanismos de formação e evolução de nanopartículas orgânicas na atmosfera amazônica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/43/43134/tde-05082025-092333/ |
Resumo: | Apesar da importância global da Floresta Amazônica, persistem grandes lacunas quanto aos mecanismos de formação de nanopartículas atmosféricas na região, que diferem substancialmente dos observados em outros ambientes do planeta. Essas nanopartículas têm um papel climatológico fundamental, pois afetam o balanço radiativo e atuam como núcleos de condensação de nuvens (CCN), influenciando a formação de nuvens e precipitação. A atmosfera amazônica, especialmente durante a estação chuvosa, apresenta características próximas à condições pré-industriais, sendo um cenário ideal para investigar processos naturais ainda pouco compreendidos de formação, crescimento e transformação de aerossóis. Foram analisadas séries temporais de uma década de composição química e distribuição de tamanho de aerossóis finos (PM) no sítio ATTO, complementadas por campanhas intensivas dedicadas à caracterização de compostos orgânicos oxigenados (OOMs) gasosos e nanopartículas recém-formadas. Os resultados mostram que aerossóis orgânicos secundários (SOA) dominam a composição do PM durante todo o ano, com maior contribuição de produtos de oxidação de isopreno e outros compostos pouco oxigenados na estação chuvosa. Observamos aumento de aerossóis altamente oxigenados e de queima de biomassa durante a estação seca. A variabilidade do PM é modulada por processos sazonais e, sobretudo, por uma variabilidade intrasazonal acentuada, mesmo fora do período típico de queimadas. Em fevereiro e março, devido ao transporte de massas de ar africanas, a fração de aerossóis orgânicos (OA) atinge seu mínimo anual (74%), enquanto Black Carbon (BC) e sulfato alcançam seus máximos (8% e 10%). Em maio/junho, a fração de OA é máxima (84%), enquanto BC e sulfato são mínimos, refletindo o predomínio de processos biogênicos locais. Observa-se ainda um processamento químico vertical rápido do SOA, com aumento da razão oxigênio/carbono de 0.74 em 60 m para 1.09 em 325 m. A análise da distribuição de tamanho de partículas revelou, pela primeira vez, a ocorrência de um processo contínuo de formação de novas partículas (Quiet NPF), com taxa média de crescimento (GR) de 2,4 nm h¹ e responsável por cerca de 47% das partículas de 1025 nm durante a estação chuvosa. Medidas originais permitiram identificar mais de 700 espécies distintas de OOMs e outros compostos de baixa volatilidade, incluindo ELVOCs e ULVOCs, fortemente associados à formação de clusters moleculares atmosféricos. O perfil químico dos OOMs mostrou-se sensível à temperatura, com redução de ULVOCs e ELVOCs de cadeia longa e aumento relativo de MSA e compostos derivados de monoterpenos (C) e isopreno (C) em condições mais quentes, influenciando diretamente a nucleação e o crescimento de nanopartículas. Os resultados revelam que a composição e a dinâmica dos aerossóis na Amazônia são moduladas por processos mais complexos do que a simples distinção entre estação seca e chuvosa, e que mecanismos silenciosos de nucleação e a variabilidade química dos OOMs desempenham papel fundamental e anteriormente desconhecido na manutenção da população atmosférica de nanopartículas. Essas características são essenciais para aprimorar a representação dos aerossóis tropicais em modelos climáticos, sobretudo no contexto de rápidas mudanças ambientais na Amazônia. |
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Mecanismos de formação e evolução de nanopartículas orgânicas na atmosfera amazônicaMechanisms of formation and evolution of organic nanoparticles in the Amazonian atmosphereaerossóis orgânicos secundáriosamazonamazôniaatmospheric nucleationformação de novas partículasnew particle formationnucleação atmosféricasecondary organic aerosolsApesar da importância global da Floresta Amazônica, persistem grandes lacunas quanto aos mecanismos de formação de nanopartículas atmosféricas na região, que diferem substancialmente dos observados em outros ambientes do planeta. Essas nanopartículas têm um papel climatológico fundamental, pois afetam o balanço radiativo e atuam como núcleos de condensação de nuvens (CCN), influenciando a formação de nuvens e precipitação. A atmosfera amazônica, especialmente durante a estação chuvosa, apresenta características próximas à condições pré-industriais, sendo um cenário ideal para investigar processos naturais ainda pouco compreendidos de formação, crescimento e transformação de aerossóis. Foram analisadas séries temporais de uma década de composição química e distribuição de tamanho de aerossóis finos (PM) no sítio ATTO, complementadas por campanhas intensivas dedicadas à caracterização de compostos orgânicos oxigenados (OOMs) gasosos e nanopartículas recém-formadas. Os resultados mostram que aerossóis orgânicos secundários (SOA) dominam a composição do PM durante todo o ano, com maior contribuição de produtos de oxidação de isopreno e outros compostos pouco oxigenados na estação chuvosa. Observamos aumento de aerossóis altamente oxigenados e de queima de biomassa durante a estação seca. A variabilidade do PM é modulada por processos sazonais e, sobretudo, por uma variabilidade intrasazonal acentuada, mesmo fora do período típico de queimadas. Em fevereiro e março, devido ao transporte de massas de ar africanas, a fração de aerossóis orgânicos (OA) atinge seu mínimo anual (74%), enquanto Black Carbon (BC) e sulfato alcançam seus máximos (8% e 10%). Em maio/junho, a fração de OA é máxima (84%), enquanto BC e sulfato são mínimos, refletindo o predomínio de processos biogênicos locais. Observa-se ainda um processamento químico vertical rápido do SOA, com aumento da razão oxigênio/carbono de 0.74 em 60 m para 1.09 em 325 m. A análise da distribuição de tamanho de partículas revelou, pela primeira vez, a ocorrência de um processo contínuo de formação de novas partículas (Quiet NPF), com taxa média de crescimento (GR) de 2,4 nm h¹ e responsável por cerca de 47% das partículas de 1025 nm durante a estação chuvosa. Medidas originais permitiram identificar mais de 700 espécies distintas de OOMs e outros compostos de baixa volatilidade, incluindo ELVOCs e ULVOCs, fortemente associados à formação de clusters moleculares atmosféricos. O perfil químico dos OOMs mostrou-se sensível à temperatura, com redução de ULVOCs e ELVOCs de cadeia longa e aumento relativo de MSA e compostos derivados de monoterpenos (C) e isopreno (C) em condições mais quentes, influenciando diretamente a nucleação e o crescimento de nanopartículas. Os resultados revelam que a composição e a dinâmica dos aerossóis na Amazônia são moduladas por processos mais complexos do que a simples distinção entre estação seca e chuvosa, e que mecanismos silenciosos de nucleação e a variabilidade química dos OOMs desempenham papel fundamental e anteriormente desconhecido na manutenção da população atmosférica de nanopartículas. Essas características são essenciais para aprimorar a representação dos aerossóis tropicais em modelos climáticos, sobretudo no contexto de rápidas mudanças ambientais na Amazônia.Despite the global importance of the Amazon Rainforest, significant gaps remain regarding the mechanisms of atmospheric nanoparticle formation in the region, which differ substantially from those observed in other environments on the planet. These nanoparticles play a fundamental climatological role, as they affect the radiative balance and act as cloud condensation nuclei (CCN), influencing cloud formation and precipitation. The Amazonian atmosphere, especially during the rainy season, exhibits characteristics similar to pre-industrial conditions, making it an ideal setting to investigate the natural processes of aerosol formation, growth, and transformation that are still poorly understood. We analyzed a decade-long time series of the chemical composition and size distribution of fine aerosols (PM) at the ATTO site, complemented by intensive campaigns dedicated to characterizing gaseous oxygenated organic compounds (OOMs) and newly formed nanoparticles. The results show that secondary organic aerosols (SOA) dominate the PM composition throughout the year, with a greater contribution from isoprene oxidation products and other low-oxygenated compounds in the wet season. We observed an increase in highly oxygenated aerosols and biomass burning during the dry season. PM variability is modulated by seasonal processes and, above all, by a marked intraseasonal variability, even outside the typical burning period. In February and March, due to the transport of African air masses, the organic aerosol (OA) fraction reaches its annual minimum (74%), while black carbon (BC) and sulfate reach their maximums (8% and 10%). In May and June, the OA fraction reaches its maximum (84%), while BC and sulfate are at their minimum, reflecting the predominance of local biogenic processes. A rapid vertical chemical processing of SOA was also observed, with an increase in the oxygen/carbon ratio from 0.74 at 60 m to 1.09 at 325 m. Analysis of the particle size distribution revealed, for the first time, a continuous occurrence of new particle formation (called Quiet NPF), with an average growth rate (GR) of 2.4 nm h¹ and responsible for approximately 47% of the 1025 nm particles during the rainy season. Original measurements enabled the identification of more than 700 distinct species of OOMs and other low-volatility compounds, including ELVOCs and ULVOCs, which are strongly associated with the formation of atmospheric molecular clusters. The chemical profile of OOMs was temperature-sensitive, with a reduction in ULVOCs and long-chain ELVOCs and a relative increase in MSA and compounds derived from monoterpenes (C) and isoprene (C) in warmer conditions, directly influencing the nucleation and growth of nanoparticles. The results reveal that more complex processes modulate the composition and dynamics of aerosols in the Amazon than the simple distinction between dry and rainy seasons, and that silent nucleation mechanisms and the chemical variability of OOMs play a fundamental and previously unknown role in maintaining the atmospheric population of nanoparticles. These characteristics are crucial for improving the representation of tropical aerosols in climate models, particularly in the context of rapid environmental changes in the Amazon.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPArtaxo Netto, Paulo EduardoMeller, Bruno Backes2025-07-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/43/43134/tde-05082025-092333/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-12T20:53:03Zoai:teses.usp.br:tde-05082025-092333Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-12T20:53:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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