Evolução da área construída em terrenos suscetíveis a movimentos gravitacionais de massa e inundações na região metropolitana de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sandre, Lucas Henrique
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-12062025-151058/
Resumo: O direito à moradia é reconhecido internacionalmente pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e, no Brasil, pela Constituição Federal de 1988, como um direito social fundamental. No entanto, o acesso à moradia digna ainda é limitado, levando muitas famílias a ocupar informalmente terras ociosas e a construir suas próprias habitações. A pandemia de COVID-19 agravou as desigualdades habitacionais, dificultando o acesso a direitos básicos e aumentando a vulnerabilidade social. Iniciativas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Marco de Sendai, buscam mitigar impactos climáticos e fortalecer a resiliência das comunidades. No Brasil, a Lei Federal nº 12.608/2012, em seu artigo 3°-B, determina que os municípios adotem medidas para reduzir riscos em áreas suscetíveis a deslizamentos, inundações e outros processos geológicos e hidrológicos. Nesse contexto, compreender a evolução das áreas construídas em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações é essencial para aprimorar a gestão de riscos e a prevenção de desastres. Este estudo analisou a evolução anual da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações na região metropolitana de São Paulo (RMSP), entre 2016 e 2022. Para isso, foram utilizados mapas de uso e cobertura da terra do Dynamic World, por meio do Google Earth Engine. O percentual de área construída dentro dos polígonos de suscetibilidade foi calculado para cada ano e comparado com indicadores como a população municipal, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e o Índice Paulista de Desenvolvimento Municipal (IPDM). Os resultados indicaram um aumento da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações no período analisado, com destaque para áreas de baixa suscetibilidade a inundações e todas as classes de suscetibilidade a deslizamentos (alta, média e baixa). Em 2021, ano seguinte ao início da pandemia no Brasil, a RMSP e a maioria de seus municípios registraram o maior percentual de área construída em todas as classes de suscetibilidade. Além disso, observou-se uma correlação negativa entre o IDHM e a expansão das áreas construídas em terrenos suscetíveis na RMSP, sendo essa relação mais intensa em áreas suscetíveis a deslizamentos. A análise por município revelou padrões variados de correlação entre o IPDM e a área construída, sugerindo dinâmicas urbanas complexas. Esses achados sugerem que a evolução da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações na RMSP pode ser influenciada por fatores socioeconômicos, além de fatores como aumento da população residente, migração populacional, crescimento do número de domicílios vagos e redução da média de moradores por domicílio. Assim, políticas públicas eficazes para a gestão de risco na região deveriam considerar a dinâmica do desenvolvimento urbano e a promoção do desenvolvimento humano de maneira equitativa entre os municípios. O estudo destaca a importância da Lei 12.608/2012, que estabelece a elaboração das cartas de suscetibilidade, utilizadas nesta pesquisa. Além disso, reforça a relevância de iniciativas globais, como o ODS 13 e o Marco de Sendai, ao fornecer subsídios para políticas de resiliência urbana e fortalecimento da governança do risco.
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Iniciativas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Marco de Sendai, buscam mitigar impactos climáticos e fortalecer a resiliência das comunidades. No Brasil, a Lei Federal nº 12.608/2012, em seu artigo 3°-B, determina que os municípios adotem medidas para reduzir riscos em áreas suscetíveis a deslizamentos, inundações e outros processos geológicos e hidrológicos. Nesse contexto, compreender a evolução das áreas construídas em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações é essencial para aprimorar a gestão de riscos e a prevenção de desastres. Este estudo analisou a evolução anual da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações na região metropolitana de São Paulo (RMSP), entre 2016 e 2022. Para isso, foram utilizados mapas de uso e cobertura da terra do Dynamic World, por meio do Google Earth Engine. O percentual de área construída dentro dos polígonos de suscetibilidade foi calculado para cada ano e comparado com indicadores como a população municipal, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e o Índice Paulista de Desenvolvimento Municipal (IPDM). Os resultados indicaram um aumento da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações no período analisado, com destaque para áreas de baixa suscetibilidade a inundações e todas as classes de suscetibilidade a deslizamentos (alta, média e baixa). Em 2021, ano seguinte ao início da pandemia no Brasil, a RMSP e a maioria de seus municípios registraram o maior percentual de área construída em todas as classes de suscetibilidade. Além disso, observou-se uma correlação negativa entre o IDHM e a expansão das áreas construídas em terrenos suscetíveis na RMSP, sendo essa relação mais intensa em áreas suscetíveis a deslizamentos. A análise por município revelou padrões variados de correlação entre o IPDM e a área construída, sugerindo dinâmicas urbanas complexas. Esses achados sugerem que a evolução da área construída em terrenos suscetíveis a deslizamentos e inundações na RMSP pode ser influenciada por fatores socioeconômicos, além de fatores como aumento da população residente, migração populacional, crescimento do número de domicílios vagos e redução da média de moradores por domicílio. Assim, políticas públicas eficazes para a gestão de risco na região deveriam considerar a dinâmica do desenvolvimento urbano e a promoção do desenvolvimento humano de maneira equitativa entre os municípios. O estudo destaca a importância da Lei 12.608/2012, que estabelece a elaboração das cartas de suscetibilidade, utilizadas nesta pesquisa. Além disso, reforça a relevância de iniciativas globais, como o ODS 13 e o Marco de Sendai, ao fornecer subsídios para políticas de resiliência urbana e fortalecimento da governança do risco.The right to housing is recognized internationally by the Universal Declaration of Human Rights and, in Brazil, by the Federal Constitution of 1988, as a fundamental social right. However, access to decent housing is still limited, leading many families to informally occupy idle lands and build their own dwellings. The COVID-19 pandemic has exacerbated housing inequalities, hindering access to basic rights and increasing social vulnerability. Global initiatives, such as the UN Sustainable Development Goals (SDG) and the Sendai Framework, seek to mitigate climate impacts and strengthen community resilience. In Brazil, Federal Law No. 12.608/2012, in its article 3°-B, mandates that municipalities adopt measures to reduce risks in areas susceptible to landslides, floods, and other geological and hydrological processes. In this context, understanding the evolution of built-up areas in terrains susceptible to landslides and floods is essential to improve risk management and disaster prevention. This study analyzed the annual evolution of the built-up area in terrains susceptible to landslides and floods in the São Paulo metropolitan region (RMSP), between 2016 and 2022. For this, land use and land cover maps from Dynamic World were used, through Google Earth Engine. The percentage of built-up area within the susceptibility polygons was calculated for each year and compared with indicators such as municipal population, the Municipal Human Development Index (IDHM), and the São Paulo Municipal Development Index (IPDM). The results indicated an increase in the built-up area in terrains susceptible to landslides and floods in the analyzed period, with emphasis on areas of low susceptibility to floods and all classes of susceptibility to landslides (high, medium, and low). In 2021, the year following the start of the pandemic in Brazil, the RMSP and most of its municipalities recorded the highest percentage of built-up area in all susceptibility classes. Furthermore, a negative correlation was observed between the IDHM and the expansion of built-up areas in susceptible terrains in the RMSP, with this relationship being more intense in areas susceptible to landslides. The analysis by municipality revealed varied patterns of correlation between the IPDM and the built-up area, suggesting complex urban dynamics. These findings suggest that the evolution of the built-up area in terrains susceptible to landslides and floods in the RMSP may be influenced by socioeconomic factors, in addition to factors such as increase in the resident population, population migration, growth in the number of vacant households, and reduction in the average number of residents per household. Thus, effective public policies for risk management in the region should consider the dynamics of urban development and the promotion of human development in an equitable manner among municipalities. The study highlights the importance of Law 12.608/2012, which establishes the elaboration of susceptibility charts, used in this research. Furthermore, it reinforces the relevance of global initiatives, such as SDG 13 and the Sendai Framework, by providing subsidies for urban resilience policies and strengthening risk governance.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCorsi, Alessandra CristinaQuintanilha, Jose AlbertoSandre, Lucas Henrique2025-04-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-12062025-151058/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-24T18:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-12062025-151058Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-24T18:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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