Nem lá nem cá: Um estudo qualitativo e psicanalítico sobre a experiência de adaptação cultural em casais migrantes e sua influência na parentalidade e na conjugalidade
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-11062025-105156/ |
Resumo: | Esta pesquisa teve como objetivo compreender de que maneira a experiência de adaptação cultural influencia a parentalidade e a conjugalidade em casais migrantes. esta investigação buscou aprofundar o entendimento das dinâmicas emocionais e relacionais que emergem nesse contexto. Parte-se da necessidade de ampliar o diálogo da psicologia com outros campos do saber como a psicanálise, a sociologia e as políticas públicas a fim de promover uma compreensão mais integrada e sensível dos efeitos subjetivos da migração nas experiências conjugais e parentais. Para isso, foram entrevistados dois casais heterossexuais com filhos nascidos no país de origem, selecionados por meio de instituições e entidades que oferecem apoio a migrantes. Utilizou-se um método qualitativo, baseado em levantamento bibliográfico, entrevistas semidirigidas e o procedimento de Narrativas Interativas (NI), que permitiu o acesso a conteúdos subjetivos por meio da criação simbólica de histórias fictícias. A análise dos dados foi realizada a partir da técnica de análise de conteúdo e interpretada sob a ótica da psicanálise, com ênfase na teoria das configurações vinculares. Os resultados revelaram que a migração é uma experiência complexa que vai além do deslocamento geográfico, promovendo intensas transformações identitárias, psíquicas e relacionais. Os casais enfrentam um duplo desafio: reconstruir sua identidade em um novo país, ao mesmo tempo que sustentam os vínculos familiares e conjugais sem as redes de apoio anteriores. Nesse cenário, observou-se que a conjugalidade pode se fortalecer, assumindo um papel de suporte emocional mútuo, embora também possa carregar tensões e angústias da migração, o que, por vezes, gera processos de fusão ou distanciamento. A parentalidade se destacou como um espaço central de negociação cultural, em que os pais oscilam entre a manutenção das tradições do país de origem e a adaptação à cultura do país de acolhimento. Os filhos tornam-se, assim, pontos de conexão entre dois mundos, vivenciando simultaneamente continuidade e ruptura. A NI mostrou-se uma ferramenta eficaz para acessar conteúdos inconscientes, evidenciando a potência simbólica dessa abordagem. Outro aspecto relevante foi a vivência persistente de não pertencimento, marcada por sentimentos de estrangeiridade, ambivalência e culpa diante da decisão de migrar, mesmo quando voluntária. A sensação de viver entre mundos afeta a identidade e os vínculos, sendo agravada por barreiras culturais, sociais e institucionais. O conceito winnicottiano de ambiente suficientemente bom revelou-se útil para entender como o acolhimento sociocultural pode facilitar ou dificultar a adaptação. A pesquisa conclui que a migração, apesar das perdas e rupturas, pode ser também um espaço de reinvenção subjetiva, fortalecimento dos vínculos conjugais e familiares, e de criação de novos sentidos de pertencimento. Destaca-se, ainda, a importância de políticas públicas sensíveis às necessidades emocionais dos migrantes, promovendo suporte social e espaços de escuta e acolhimento. A migração, enfim, é um processo intersubjetivo contínuo, que atravessa gerações e transforma profundamente o modo como os indivíduos se relacionam consigo, com o outro e com o mundo. |
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Nem lá nem cá: Um estudo qualitativo e psicanalítico sobre a experiência de adaptação cultural em casais migrantes e sua influência na parentalidade e na conjugalidadeNeither here nor there: A qualitative and psychoanalytic study on the experience of cultural adaptation in migrant couples and its influence on parenthood and conjugalityAdaptaçãoAdaptationConjugalidadeConjugalityMigraçãoMigrationParentalidadeParenthoodPsicanálisePsychoanalysisEsta pesquisa teve como objetivo compreender de que maneira a experiência de adaptação cultural influencia a parentalidade e a conjugalidade em casais migrantes. esta investigação buscou aprofundar o entendimento das dinâmicas emocionais e relacionais que emergem nesse contexto. Parte-se da necessidade de ampliar o diálogo da psicologia com outros campos do saber como a psicanálise, a sociologia e as políticas públicas a fim de promover uma compreensão mais integrada e sensível dos efeitos subjetivos da migração nas experiências conjugais e parentais. Para isso, foram entrevistados dois casais heterossexuais com filhos nascidos no país de origem, selecionados por meio de instituições e entidades que oferecem apoio a migrantes. Utilizou-se um método qualitativo, baseado em levantamento bibliográfico, entrevistas semidirigidas e o procedimento de Narrativas Interativas (NI), que permitiu o acesso a conteúdos subjetivos por meio da criação simbólica de histórias fictícias. A análise dos dados foi realizada a partir da técnica de análise de conteúdo e interpretada sob a ótica da psicanálise, com ênfase na teoria das configurações vinculares. Os resultados revelaram que a migração é uma experiência complexa que vai além do deslocamento geográfico, promovendo intensas transformações identitárias, psíquicas e relacionais. Os casais enfrentam um duplo desafio: reconstruir sua identidade em um novo país, ao mesmo tempo que sustentam os vínculos familiares e conjugais sem as redes de apoio anteriores. Nesse cenário, observou-se que a conjugalidade pode se fortalecer, assumindo um papel de suporte emocional mútuo, embora também possa carregar tensões e angústias da migração, o que, por vezes, gera processos de fusão ou distanciamento. A parentalidade se destacou como um espaço central de negociação cultural, em que os pais oscilam entre a manutenção das tradições do país de origem e a adaptação à cultura do país de acolhimento. Os filhos tornam-se, assim, pontos de conexão entre dois mundos, vivenciando simultaneamente continuidade e ruptura. A NI mostrou-se uma ferramenta eficaz para acessar conteúdos inconscientes, evidenciando a potência simbólica dessa abordagem. Outro aspecto relevante foi a vivência persistente de não pertencimento, marcada por sentimentos de estrangeiridade, ambivalência e culpa diante da decisão de migrar, mesmo quando voluntária. A sensação de viver entre mundos afeta a identidade e os vínculos, sendo agravada por barreiras culturais, sociais e institucionais. O conceito winnicottiano de ambiente suficientemente bom revelou-se útil para entender como o acolhimento sociocultural pode facilitar ou dificultar a adaptação. A pesquisa conclui que a migração, apesar das perdas e rupturas, pode ser também um espaço de reinvenção subjetiva, fortalecimento dos vínculos conjugais e familiares, e de criação de novos sentidos de pertencimento. Destaca-se, ainda, a importância de políticas públicas sensíveis às necessidades emocionais dos migrantes, promovendo suporte social e espaços de escuta e acolhimento. A migração, enfim, é um processo intersubjetivo contínuo, que atravessa gerações e transforma profundamente o modo como os indivíduos se relacionam consigo, com o outro e com o mundo.This study aimed to understand how the experience of cultural adaptation influences parenting and conjugal dynamics in migrant couples. It sought to deepen the understanding of the emotional and relational dynamics that emerge in this context. The research is grounded in the need to expand the dialogue between psychology and other fields of knowledgesuch as psychoanalysis, sociology, and public policyin order to foster a more integrated and sensitive understanding of the subjective effects of migration on conjugal and parental experiences. Two heterosexual couples with children born in their country of origin were interviewed, selected through institutions and organizations that provide support to migrants. A qualitative methodology was employed, including bibliographic review, semi-structured interviews, and the Interactive Narratives (IN) procedure, which enabled access to subjective content through the symbolic creation of fictional stories. Data analysis was conducted using content analysis and interpreted through the lens of psychoanalysis, with an emphasis on bonding configurations theory. Findings revealed that migration is a complex experience that goes beyond geographical displacement, generating profound identity, psychological, and relational transformations. Couples face a dual challenge: rebuilding their identities in a new country while sustaining familial and conjugal bonds without previous support networks. In this context, conjugal relationships can become stronger, serving as a source of mutual emotional support, though they may also bear tensions and anxieties related to migration, sometimes resulting in dynamics of fusion or distancing. Parenting emerged as a central space of cultural negotiation, where parents oscillate between preserving traditions from their country of origin and adapting to the host culture. Children thus become points of connection between two worlds, experiencing both continuity and rupture. The IN method proved effective in accessing unconscious content, highlighting the symbolic power of this approach. Another relevant aspect was the persistent experience of non-belonging, marked by feelings of foreignness, ambivalence, and guilt regarding the decision to migrate, even when voluntary. The sense of living between worlds affects identity and relationships, and is further intensified by cultural, social, and institutional barriers. Winnicotts concept of a good enough environment was found to be useful in understanding how sociocultural reception can either facilitate or hinder adaptation. The study concludes that, despite the losses and ruptures, migration can also be a space for subjective reinvention, strengthening of conjugal and family bonds, and the creation of new senses of belonging. It also underscores the importance of public policies that are sensitive to migrants\' emotional needs, offering social support and spaces for listening and care. Migration, ultimately, is a continuous intersubjective process that spans generations and deeply transforms the way individuals relate to themselves, to others, and to the world.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGomes, Isabel CristinaMenezes, Joao Pedro de Paula2025-05-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-11062025-105156/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-30T19:34:56Zoai:teses.usp.br:tde-11062025-105156Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-30T19:34:56Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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