Eventos adversos peri-intubação e mortalidade em 28 dias em pacientes críticos: um estudo de coorte prospectivo multicêntrico no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Maia, Ian Ward Abdalla
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5165/tde-04092025-113507/
Resumo: Introdução: A intubação endotraqueal de emergência é um procedimento de alto risco para pacientes críticos, e a sua prática varia consideravelmente ao redor do mundo. Apesar da importância de se compreender os eventos adversos peri-intubação e suas consequências, ainda há uma escassez de dados sobre o tema provenientes de países de baixa e média renda. Este estudo apresenta o primeiro registro multicêntrico de intubações de emergência em um país de média renda e analisa o impacto dos eventos adversos nos desfechos dos pacientes em cenários com recursos limitados. Métodos: Neste estudo de coorte prospectivo, recrutamos 2.846 adultos submetidos à intubação de emergência em 18 departamentos de emergência no Brasil, de março de 2022 a abril de 2024. Avaliamos a incidência de eventos adversos graves durante a intubação e sua associação com a mortalidade em 28 dias. Os eventos adversos graves incluíram hipoxemia grave, nova instabilidade hemodinâmica ou parada cardiorrespiratória dentro de 30 minutos após o início da intubação. Resultados: Eventos adversos graves ocorreram em 919 (32,3%) intubações. A instabilidade hemodinâmica foi o evento adverso mais comum (20,0%), seguido por hipoxemia grave (12,5%) e parada cardiorrespiratória (3,5%). A mortalidade geral em 28 dias foi de 45,1%. A ocorrência de um evento adverso grave foi associada a um aumento da mortalidade (hazard ratio ajustado 1,43, IC 95% 1,26-1,62, p<0,001). Esta associação persistiu em análises de sensibilidade. O sucesso na primeira tentativa de intubação foi associado a menores chances de eventos adversos graves peri-intubação (odds ratio ajustado 0,52, IC 95% 0,41-0,65, p<0,001). Conclusões: Um em cada três pacientes apresentou um evento adverso grave peri-intubação, o qual foi associado a uma maior mortalidade em 28 dias. Esses achados destacam a necessidade urgente de intervenções direcionadas para mitigar eventos adversos peri-intubação em cenários com recursos limitados, priorizando a prevenção de hipoxemia grave e parada cardiorrespiratória peri-intubação
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