Os tempos da adolescência: uma proposição teórico-clínica psicanalítica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-05112025-113526/ |
Resumo: | Nesta tese investigamos e propomos indicadores teórico-clínicos sobre o tempo da adolescência para uma abordagem psicanalítica do sofrimento que considere os atravessamentos discursivos de uma época na experiência do adolescer. Questionamos: é possível estabelecer indicadores, desde uma temporalidade lógica, voltados ao trabalho clínico e institucional, que diferenciem as posições da criança, do adolescente e do adulto? O que se conclui e o que não se conclui na adolescência? Tais perguntas emergem da escuta de adolescentes em sofrimento em relação à passagem para a vida adulta e de inquietações expostas por profissionais de escolas e de hospitais sobre os sintomas apresentados por esta população com a qual trabalham. Observamos a significativa presença de diagnósticos psiquiátricos operando enquanto chave interpretativa do adolescente e justificativa para o tratamento medicamentoso do sofrimento e do mal-estar, fenômeno o qual acreditamos ter efeitos discursivos na experiência do adolescer. A partir do método psicanalítico de investigação, presente no estudo de obras de Freud e Lacan, além de outros psicanalistas que se detiveram na temática da adolescência, e na escuta de adolescentes e de seus cuidadores, sustentamos uma cartografia sobre o tempo da adolescência que entrelaça e tensiona a constituição subjetiva e o desenvolvimento. Apresentamos quatro perspectivas de estudo sobre a adolescência: (1) a perspectiva histórica, que contempla a origem da adolescência enquanto tempo de vida em diferentes contextos sócio-históricos, a adolescência enquanto período reconhecido por diferentes instituições e pelo Estado e, por fim, a construção da adolescência enquanto objeto de pesquisa das ciências médicas, psicológicas e da psicanálise; (2) a perspectiva teórica psicanalítica depurada da leitura de Freud entrelaçada à obra O despertar da Primavera de Frank Wedekind; (3) a perspectiva teórico-clínica psicanalítica na qual propomos três instâncias temporais da adolescência: a entrada, a transição e as saídas, a partir do conceito lacaniano de tempo lógico enquanto método de leitura da adolescência. Trabalhamos essa perspectiva por meio do estudo de obras psicanalíticas em articulação a vinhetas clínicas e literárias disparadoras. E, por fim, (4) a perspectiva discursiva, recolhida da escuta de educadores e profissionais da saúde e do estudo de produções, presentes nas mídias de grande circulação, sobre o sofrimento de adolescentes nos últimos quinze anos. Acreditamos que os últimos dados são representantes de uma concepção de adolescência presente no contexto geopolítico ocidental atravessado pelo discurso hegemônico capitalista, neoliberal e globalizado. Esperamos que do trabalho sobre as questões apresentadas possamos tanto erguer uma tese sobre a operação de reposicionamento subjetivo nesse tempo lógico de constituição, quanto contribuir com uma abordagem do sofrimento que resista à patologização da adolescência na clínica e nas instituições. |
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Os tempos da adolescência: uma proposição teórico-clínica psicanalíticaThe times of adolescence: a psychoanalytic theoretical-clinical propositionAdolescenceAdolescênciaClínica PsicanalíticaPsicanálisePsychoanalysisPsychoanalytic ClinicSofrimentoSufferingTempoTimeNesta tese investigamos e propomos indicadores teórico-clínicos sobre o tempo da adolescência para uma abordagem psicanalítica do sofrimento que considere os atravessamentos discursivos de uma época na experiência do adolescer. Questionamos: é possível estabelecer indicadores, desde uma temporalidade lógica, voltados ao trabalho clínico e institucional, que diferenciem as posições da criança, do adolescente e do adulto? O que se conclui e o que não se conclui na adolescência? Tais perguntas emergem da escuta de adolescentes em sofrimento em relação à passagem para a vida adulta e de inquietações expostas por profissionais de escolas e de hospitais sobre os sintomas apresentados por esta população com a qual trabalham. Observamos a significativa presença de diagnósticos psiquiátricos operando enquanto chave interpretativa do adolescente e justificativa para o tratamento medicamentoso do sofrimento e do mal-estar, fenômeno o qual acreditamos ter efeitos discursivos na experiência do adolescer. A partir do método psicanalítico de investigação, presente no estudo de obras de Freud e Lacan, além de outros psicanalistas que se detiveram na temática da adolescência, e na escuta de adolescentes e de seus cuidadores, sustentamos uma cartografia sobre o tempo da adolescência que entrelaça e tensiona a constituição subjetiva e o desenvolvimento. Apresentamos quatro perspectivas de estudo sobre a adolescência: (1) a perspectiva histórica, que contempla a origem da adolescência enquanto tempo de vida em diferentes contextos sócio-históricos, a adolescência enquanto período reconhecido por diferentes instituições e pelo Estado e, por fim, a construção da adolescência enquanto objeto de pesquisa das ciências médicas, psicológicas e da psicanálise; (2) a perspectiva teórica psicanalítica depurada da leitura de Freud entrelaçada à obra O despertar da Primavera de Frank Wedekind; (3) a perspectiva teórico-clínica psicanalítica na qual propomos três instâncias temporais da adolescência: a entrada, a transição e as saídas, a partir do conceito lacaniano de tempo lógico enquanto método de leitura da adolescência. Trabalhamos essa perspectiva por meio do estudo de obras psicanalíticas em articulação a vinhetas clínicas e literárias disparadoras. E, por fim, (4) a perspectiva discursiva, recolhida da escuta de educadores e profissionais da saúde e do estudo de produções, presentes nas mídias de grande circulação, sobre o sofrimento de adolescentes nos últimos quinze anos. Acreditamos que os últimos dados são representantes de uma concepção de adolescência presente no contexto geopolítico ocidental atravessado pelo discurso hegemônico capitalista, neoliberal e globalizado. Esperamos que do trabalho sobre as questões apresentadas possamos tanto erguer uma tese sobre a operação de reposicionamento subjetivo nesse tempo lógico de constituição, quanto contribuir com uma abordagem do sofrimento que resista à patologização da adolescência na clínica e nas instituições.In this thesis, we investigate and propose theoretical-clinical indicators about the time of adolescence with a view to a psychoanalytic approach to suffering that considers the discursive interconnections of a time in the experience of adolescent being. We inquire: is it possible to establish indicators, from a logical temporality, focused on clinical and institutional work, that differentiate the positions of the child, the adolescent and the adult? What is concluded and what is not concluded during adolescence? These questions emerge from listening to adolescents in distress related to the transition to adulthood and from concerns expressed by school and hospital professionals about the symptoms presented by this population with whom they work. We observe the significant presence of psychiatric diagnoses operating as a key for the interpretation of adolescents and to justify drug-based therapies for distress and discomfort, a phenomenon that we believe to have discursive effects on the experience of adolescent becoming and being. Based on the psychoanalytic method of investigation present in the study of works by Freud and Lacan, as well as other psychoanalysts who focused on the theme of adolescence, and on listening to adolescents and their caregivers, we propose a mapping of the time of adolescence that blends and stretches subjective constitution and development. We present four perspectives for the study of adolescence: (1) the historical perspective, which contemplates the origin of adolescence as a time of life in different sociohistorical contexts, adolescence as a period recognized as such by different institutions and by the State, and, finally, the construction of adolescence as an object of research of the medical, psychological and psychoanalytic sciences; (2) the psychoanalytic theoretical perspective gleaned from the study of Freud combined with Frank Wedekinds play Spring Awakening. (3) The theoretical-clinical psychoanalytic perspective, in which we propose three temporal instances of adolescence: the start, the transition and the exits, based on the Lacanian concept of logical time as a method of understanding adolescence. We expand on this perspective through the study of psychoanalytic works in conjunction with instigating clinical and literary accounts. And, to conclude, (4) the discursive perspective, gleaned from listening to educators and health professionals and from the study of mass media works about the suffering of adolescents in the last fifteen years. We believe that the latest data are representative of a concept of adolescence present in the Western geopolitical context and permeated by the hegemonic capitalist, neoliberal and globalized discourse. With the work on the issues present, we hope to build a thesis on the operation of subjective repositioning in this logical time of development and also to contribute to an approach to suffering that challenges the pathologization of adolescence in institutions and the clinical milieu.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMoretto, Maria Livia TourinhoBechara, Laura Carrasqueira2025-02-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-05112025-113526/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-11T09:03:02Zoai:teses.usp.br:tde-05112025-113526Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-11T09:03:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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